AREsp 2349027 - ACORDAO
Aplicando o entendimento consolidado pelo STF no Tema n. 895, concluiu-se que a alegação de violação do art. 5º, XXXV, da CF tem natureza infraconstitucional quando sua aferição exige exame de normas infraconstitucionais e apreciação de matéria fática ou se choca com óbice processual intransponível; por...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental / Decisão Colegiada Nega Provimento Ao Agravo Regimental E Manutenção Da Negativa De Seguimento Ao Recurso Extraordinário
- Outcome
- Agravo regimental negado provimento (decisão unânime)
- Legal Topics
- Inafastabilidade Da Jurisdição, Repercussão Geral, Tema N. 895 Do STF, Negativa De Seguimento, Admissibilidade Do Recurso Extraordinário, Pronúncia (tribunal Do Júri)
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Procedural Posture
Agravo Regimental / Decisão Colegiada Nega Provimento Ao Agravo Regimental E Manutenção Da Negativa De Seguimento Ao Recurso Extraordinário
Legal Issues
- 1 Se a alegada violação do princípio da inafastabilidade de jurisdição tem natureza infraconstitucional
- 2 Se há repercussão geral apta a permitir o seguimento do recurso extraordinário
- 3 Se a análise da questão demandaria exame de normas infraconstitucionais e de matéria fática
Ratio Decidendi
Aplicando o entendimento consolidado pelo STF no Tema n. 895, concluiu-se que a alegação de violação do art. 5º, XXXV, da CF tem natureza infraconstitucional quando sua aferição exige exame de normas infraconstitucionais e apreciação de matéria fática ou se choca com óbice processual intransponível; por consequência, ausente repercussão geral, impõe-se a negativa de seguimento do recurso extraordinário nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC, razão pela qual se negou provimento ao agravo regimental.
Court Disposition
Agravo regimental negado provimento (decisão unânime)
Orders
- Agravo regimental a que se nega provimento.
- Manter a negativa de seguimento ao recurso extraordinário.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da CORTE ESPECIAL do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 12/06/2025 a 18/06/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Nancy Andrighi, João Otávio de Noronha, Humberto Martins, Maria Thereza de Assis Moura, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Presidente do STJ. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. INEXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. INAFASTABILIDADE DA JURISDIÇÃO. NATUREZA INFRACONSTITUCIONAL. TEMA N. 895 DO STF. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1.1. Trata-se de agravo regimental interposto contra decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário, sob o fundamento de ausência de repercussão geral quanto à possível violação do princípio da inafastabilidade de jurisdição. 1.2. A parte agravante sustenta que a decisão recorrida incorreu em erro ao considerar a questão como infraconstitucional e ao negar seguimento ao recurso extraordinário. II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO 2.1. Discute-se se a questão da violação do princípio da inafastabilidade de jurisdição caracteriza-se como matéria de natureza infraconstitucional e, portanto, se estaria ausente a repercussão geral necessária para o seguimento do recurso extraordinário. III. RAZÕES DE DECIDIR 3.1. O Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que a questão relativa à violação do princípio da inafastabilidade de jurisdição possui natureza infraconstitucional quando envolve óbice processual intransponível ao exame de mérito, ofensa indireta à Constituição Federal ou a necessidade de análise de matéria fática (Tema n. 895 do STF). 3.2. Essa conclusão foi adotada sob o regime da repercussão geral, sendo de aplicação obrigatória, conforme disposto no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil. 3.3. No caso concreto, a aferição da existência da apontada violação do art. 5º, XXXV, da Constituição Federal, demandaria a análise de normas infraconstitucionais e a apreciação de matéria fática, enquadrando-se na hipótese tratada no Tema n. 895 do STF, o que justifica a negativa de seguimento ao recurso extraordinário. IV. DISPOSITIVO 4.1. Agravo regimental a que se nega provimento.
RELATÓRIO 1. Trata-se de agravo regimental interposto contra a decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário, assim ementada (fl. 1.844): RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PRINCÍPIO DA INAFASTABILIDADE DE JURISDIÇÃO. NATUREZA INFRACONSTITUCIONAL. TEMA N. 895 DO STF. AUSÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. A parte agravante sustenta que não há necessidade de serem analisadas legislação infraconstitucional e matéria fática, pois a questão debatida é exclusivamente constitucional. Afirma que pretende a revaloração do conjunto probatório, não sua reapreciação. Destaca que a recusa desta Corte Superior de apreciar o conteúdo probatório configuraria violação do princípio da inafastabilidade de jurisdição. Requer o provimento do agravo para que o recurso extraordinário seja admitido, com a remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal. É o relatório. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. INEXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. INAFASTABILIDADE DA JURISDIÇÃO. NATUREZA INFRACONSTITUCIONAL. TEMA N. 895 DO STF. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1.1. Trata-se de agravo regimental interposto contra decisão que negou seguimento ao recurso extraordinário, sob o fundamento de ausência de repercussão geral quanto à possível violação do princípio da inafastabilidade de jurisdição. 1.2. A parte agravante sustenta que a decisão recorrida incorreu em erro ao considerar a questão como infraconstitucional e ao negar seguimento ao recurso extraordinário. II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO 2.1. Discute-se se a questão da violação do princípio da inafastabilidade de jurisdição caracteriza-se como matéria de natureza infraconstitucional e, portanto, se estaria ausente a repercussão geral necessária para o seguimento do recurso extraordinário. III. RAZÕES DE DECIDIR 3.1. O Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que a questão relativa à violação do princípio da inafastabilidade de jurisdição possui natureza infraconstitucional quando envolve óbice processual intransponível ao exame de mérito, ofensa indireta à Constituição Federal ou a necessidade de análise de matéria fática (Tema n. 895 do STF). 3.2. Essa conclusão foi adotada sob o regime da repercussão geral, sendo de aplicação obrigatória, conforme disposto no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil. 3.3. No caso concreto, a aferição da existência da apontada violação do art. 5º, XXXV, da Constituição Federal, demandaria a análise de normas infraconstitucionais e a apreciação de matéria fática, enquadrando-se na hipótese tratada no Tema n. 895 do STF, o que justifica a negativa de seguimento ao recurso extraordinário. IV. DISPOSITIVO 4.1. Agravo regimental a que se nega provimento. VOTO 2. Conforme consignado na decisão agravada, o Supremo Tribunal Federal já definiu que a questão relativa à possível violação do princípio da inafastabilidade de jurisdição possui natureza infraconstitucional "quando há óbice processual ao exame de mérito, ofensa indireta à Constituição Federal ou análise de matéria fática". Essa é a orientação consolidada no Tema n. 895 do STF, no qual a Suprema Corte fixou a seguinte tese: A questão da ofensa ao princípio da inafastabilidade de jurisdição, quando há óbice processual intransponível ao exame de mérito, ofensa indireta à Constituição ou análise de matéria fática, tem natureza infraconstitucional, e a ela se atribuem os efeitos da ausência de repercussão geral. (RE n. 956.302-RG, relator Ministro Edson Fachin, Tribunal Pleno, julgado em 19/5/2016, DJe de 16/6/2016.) Esse entendimento foi adotado sob o regime da repercussão geral e é de aplicação obrigatória, devendo os tribunais, ao analisar a viabilidade prévia dos recursos extraordinários, negar seguimento àqueles que discutam questão à qual o STF não tenha reconhecido a existência de repercussão geral, nos termos do art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil. No caso, a aferição da existência da apontada violação do art. 5º, XXXV, da Constituição Federal demandaria a análise de normas infraconstitucionais e a apreciação de matéria fática, motivo pelo qual se aplica a conclusão do STF no mencionado Tema n. 895. É o que se observa do seguinte trecho do acórdão objeto do recurso extraordinário (fls. 1.807-1.808): A decisão agravada foi devidamente sustentada pelos fatos e fundamentos de convicção deste julgador, de modo que, como explanado na decisão que negou provimento ao AREsp, uma vez presente a certeza da materialidade e indícios de autoria delitiva, cabe ao Conselho de Sentença optar por qual das teses que serão a eles apresentada pela defesa e acusação, se amolda aos fatos e provas dos autos. Nesse sentido, transcrevo o trecho da decisão agravada no que manifestou esse julgado pela presença dos indícios de autoria: Quanto a autoria, em que pese o alegado pela defesa, o agravante não só foi indicado como participante pelos réus João Tomaz (fl. 171); Elizeu (fls. 181/182); José Aparecido (fls. 185); Gildo (fls. 193/194); Rinaldo (fls. 204/207) e Valdomicio (fls. 215/216); Élcio (fls. 269/271); Luis Barbosa (fls. 353/354) e Edson, que afirmou eu Juliano recebia as ordens de Rinaldo e dividia as tarefas (fls. 400/402), como também foi quem, até o que se apurou, dirigia a caminhonete e que, durante a perseguição da vítima, conseguiu encostar a caminhonete na moto e derrubá-la. Ainda, ao que se consta, após o falecimento da vítima, também dirigiu a caminhonete e levou o corpo até onde foi abandonado. A decisão agravada, valorou os depoimentos contidos nos autos, inclusive dos demais autores, os mencionando, de modo que, não há o que se falar em fundamentação genérica, sobretudo porque o artigo 413, do Código de Processo Penal, exige a indicação da materialidade e dos indícios, de modo que, deve-se limitar o magistrado a indicar a presença dos indícios de autoria, conforme transcrição abaixo: Art. 413. O juiz, fundamentadamente, pronunciará o acusado, se convencido da materialidade do fato e da existência de indícios suficientes de autoria ou de participação. (Redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008) § 1 A fundamentação da pronúncia limitar-se-á à indicação da materialidade do fato e da existência de indícios suficientes de autoria ou de participação, devendo o juiz declarar o dispositivo legal em que julgar incurso o acusado e especificar as circunstâncias qualificadoras e as causas de aumento de pena. (Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008) Assim, vê-se que não se exige a certeza da autoria para a sentença de pronúncia, mas, tão somente, o juízo de probabilidade elevada, sendo certo que a autoria deverá ser dirimida pelo Juízo competente para o julgamento da causa, qual seja, o Tribunal do Júri. Dessa forma, a pronúncia deve reduzir-se ao reconhecimento da existência do crime e de indícios de autoria. A decisão não deve invadir a esfera de mérito para afirmar certezas ou contundências. O excesso de linguagem nessa fase constitui antecipação de julgamento com reflexos destrutivos no devido processo legal substancial quanto à imparcialidade, à ampla defesa e à presunção de inocência. Desta feita, incumbe ao Conselho de Sentença, por força de sua competência constitucional, assegurada no artigo 5º, XXXVIII, alínea "d" da Constituição Federal, apreciar as teses da defesa, devendo ser o recorrente submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. 3. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto.