AREsp 3186846 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do Recurso Especial porque o acolhimento da pretensão recursal demandaria reexame do acervo fático-probatório (incidência da Súmula n. 7 do STJ) e não foi demonstrada divergência jurisprudencial nos termos exigidos (faltou cotejo analítico e transcrição dos trechos dos...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: THIAGO CANDIDO CAUAS; Agravante: OUTRO; Recorrido: Condomínio do Edifício Lara
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 May 2026
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Interlocutória: Conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Incapacidade Superveniente, Extinção Do Processo Sem Resolução Do Mérito, Remessa Dos Autos À Justiça Comum, Dissídio Jurisprudencial, Admissibilidade Do Recurso Especial, Súmula N. 7
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
THIAGO CANDIDO CAUAS
Agravante
OUTRO
Agravante
Condomínio do Edifício Lara
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Interlocutória: Conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Violação dos arts. 51, IV, e 8º da Lei nº 9.099/95 pela manutenção do feito em Juizado Especial após incapacidade superveniente
- 2 Possibilidade ou impossibilidade de remessa dos autos à Justiça Comum em substituição à extinção do processo no Juizado Especial
- 3 Comprovação de divergência jurisprudencial para fins da alínea 'c' do art. 105, III, da Constituição
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do Recurso Especial porque o acolhimento da pretensão recursal demandaria reexame do acervo fático-probatório (incidência da Súmula n. 7 do STJ) e não foi demonstrada divergência jurisprudencial nos termos exigidos (faltou cotejo analítico e transcrição dos trechos dos acórdãos paradigma), razão pela qual o recurso especial não foi admitido, nos termos do art. 21-E, V, do RISTJ.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por THIAGO CANDIDO CAUAS e OUTRO à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO, assim resumido: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. REMESSA DE AUTOS PARA A JUSTIÇA COMUM. INCAPACIDADE SUPERVENIENTE DO AGRAVANTE. INAPLICABILIDADE DA EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO. Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz violação aos arts. 51, IV, e 8º da Lei nº 9.099/95, no que concerne à necessidade de extinção do processo sem julgamento de mérito no Juizado Especial, em razão da incapacidade superveniente da parte, trazendo a seguinte argumentação: O acórdão recorrido aborda a questão da incapacidade superveniente do agravante Inácio Cândido Cauas, que, após a sentença de interdição, levou o juízo da 23ª Vara Cível da Capital a determinar a remessa dos autos do processo de execução de título extrajudicial para a Justiça Comum. O tribunal de origem fundamentou sua decisão na interpretação do artigo 51, IV e 8º, da Lei nº 9.099/95, que prevê a extinção do processo no âmbito dos Juizados Especiais quando a parte se torna incapaz. Contudo, o tribunal entendeu que essa regra deve ser harmonizada com os princípios da economia processual e da celeridade, permitindo, em situações excepcionais, a continuidade do processo por meio da remessa dos autos à Justiça Comum (fl. 97). A decisão enfatizou que a fase avançada do processo de execução, com atos já praticados, como avaliações de bens e nomeação de leiloeiro, justificava a remessa dos autos, evitando um retrocesso processual que prejudicaria o credor. Assim, a interpretação adotada pelo tribunal contraria a literalidade do artigo 51, IV, da Lei nº 9.099/95, que determina a extinção do feito sem julgamento de mérito em caso de incapacidade, desconsiderando a clara disposição legal que visa proteger os direitos das partes incapazes (fl. 98). A violação ao artigo 51, IV, da Lei nº 9.099/95 é evidente, uma vez que a decisão do tribunal de origem não observou a exigência legal de extinção do processo em face da incapacidade superveniente, resultando em uma interpretação que contraria o texto legal. Tal interpretação, ao permitir a continuidade do feito, não apenas desrespeita a norma, mas também compromete a segurança jurídica e a efetividade da prestação jurisdicional, mormente quando os atos que se pretende convalidar foram praticados dentro do microssistema dos Juizados Especiais (Lei 9.099/95), cuja a sistemática é simplista e dentre outros aspectos exige do executado a garantia do juízo para a análise dos embargos à execução, enquanto que o Código de Processo Civil, no âmbito da Justiça Comum, confere maior dialeticidade e não exige garantia (art. 914 do CPC) (fl. 98). Diante do exposto, é imprescindível a interposição do recurso especial, visando a correção da interpretação equivocada do tribunal de origem e a reafirmação do respeito aos dispositivos legais que regem a matéria, garantindo a proteção dos direitos do recorrente. A extinção do feito sem resolução do mérito não causará prejuízo ao Recorrido, o qual poderá repropor a demanda no âmbito da Justiça Comum, bem como também garante que o Recorrente possa dispor em pé de igualdade das ferramentas dispostas no CPC, o que não ocorrerá com a convalidação dos atos praticados na microesfera do Juizado Especial (fl. 98, grifo meu). Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "c" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz divergência quanto à interpretação dos arts. 51, IV, e 8º da Lei nº 9.099/95, no que concerne à impossibilidade de remessa dos autos à Justiça Comum em substituição à extinção do processo no Juizado Especial, em razão da incapacidade superveniente da parte. É o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, o Tribunal a quo se manifestou nos seguintes termos: Todavia, a interpretação desse dispositivo deve ser feita em harmonia com os princípios da economia processual e da celeridade, que regem o sistema dos Juizados Especiais, bem como com o dever do magistrado de zelar pela efetividade da prestação jurisdicional. No caso em análise, a execução de título extrajudicial promovida pelo Condomínio do Edifício Lara já se encontra em fase avançada, tendo sido realizadas avaliações dos bens penhorados e nomeado leiloeiro. A remessa dos autos à Justiça Comum, decidida pelo juízo a quo, visa garantir a continuidade do processo executivo, sem prejuízo das partes envolvidas. A extinção do feito, como pretendem os agravantes, acarretaria um retrocesso processual injustificado, obrigando as partes a ajuizarem nova ação, o que feriria os princípios da razoabilidade e da eficiência, além de prejudicar o credor, que já aguardou vários anos pela satisfação de seu crédito. Ademais, a jurisprudência é pacífica no sentido de que, em situações excepcionais, a remessa dos autos para a Justiça Comum, ao invés de extinguir o processo, pode ser determinada, especialmente quando se visa preservar a utilidade dos atos processuais já praticados e evitar manobras protelatórias, como se verifica no presente caso (fls. 86-87). Assim, incide a Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), porquanto o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 2.113.579/MG, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJEN de 27/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.691.829/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 28/3/2025; AREsp n. 2.839.474/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJEN de 26/3/2025; AgInt no REsp n. 2.167.518/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJEN de 27/3/2025; AgRg no AREsp n. 2.786.049/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJEN de 26/3/2025; AgRg no AREsp n. 2.753.116/RN, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 25/3/2025; AgInt no REsp n. 2.185.361/CE, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 28/3/2025; AgRg no REsp n. 2.088.266/MG, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJEN de 25/3/2025; AREsp n. 1.758.201/AM, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, DJEN de 27/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.643.894/DF, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 31/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.636.023/RS, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 28/3/2025; AgInt no REsp n. 1.875.129/PE, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025. Quanto à segunda controvérsia, não foi comprovada a divergência jurisprudencial, tendo em vista que não cabe a alegação de dissídio com julgados de Turma Recursal ou da Turma Nacional de Uniformização - TNU. Nesse sentido: "Com efeito, não foi demonstrada a divergência jurisprudencial, uma vez que, de acordo com precedentes desta Corte Superior, "não se consideram "Tribunal" as Turmas Recursais de Juizados Especiais, que igualmente não compõem a Justiça comum, estando alheias ao propósito constitucional de pacificação da jurisprudência exercido pelo STJ" (REsp n. 1.032.779/PE, relator Ministro Aldir Passarinho Junior, Quarta Turma, DJe de 25/8/2008)." (AgInt no AREsp n. 1.653.835/MG, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 25/6/2020.) E ainda: "Não cabe a alegação de dissídio com julgados de Turma Recursal ou da Turma Nacional de Uniformização - TNU" (AgInt no AREsp n. 1.951.691/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 28/4/2022.). Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 2.571.954/RS, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, DJEN de 12/12/2024; AgInt no AREsp n. 2.279.725/SC, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 17/5/2023; AgInt no AREsp n. 2.012.743/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 26/5/2022; REsp 1.391.085/SC, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Terceira Turma, DJe de 16/3/2015; e AgRg no AREsp 376.671/DF, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 4/12/2014. Ademais, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, tendo em vista que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e o(s) paradigma(s) indicado(s), não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Nos termos dos arts. 1.029, § 1º, do CPC; e 255, § 1º, do RISTJ, a divergência jurisprudencial, com fundamento na alínea c do permissivo constitucional, exige comprovação e demonstração, em qualquer caso, por meio de transcrição dos trechos dos acórdãos que configurem o dissídio. Devem ser mencionadas as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados, a evidenciar a similitude fática entre os casos apontados e a divergência de interpretações, providência não realizada nos autos deste recurso especial" ;(AgInt no AREsp n. 2.275.996/BA, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, DJEN de 20/3/2025). Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16.3.2021.) Confiram-se também os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 2.168.140/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.452.246/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 20/3/2025; REsp n. 2.105.162/RJ, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 19/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.243.277/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Turma, DJEN de 19/3/2025; AgInt no REsp n. 2.155.276/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJEN de 18/3/2025; AgRg no REsp n. 2.103.480/PR, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJEN de 7/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.702.402/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.735.498/MT, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.169.326/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 27/2/2025; AREsp n. 2.732.296/GO, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJEN de 25/2/2025; EDcl no AgInt no AREsp n. 2.256.359/MS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJEN de 21/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.620.468/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 20/12/2024. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA