AREsp 2346949 - DECISAO
Reconsiderou-se a decisão agravada, declarou-se prejudicado o recurso especial de fls. 527/542 em razão da afetação da matéria ao rito dos recursos especiais repetitivos (Tema 1.170/STJ) e determinou-se a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que fiquem sobrestados até a publicação do acórdão do recurso...
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- Parties
- Agravante: Verquímica Indústria e Comércio de Produtos Químicos Ltda.; Agravada: União Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Decisão De Juízo De Retratação / Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem
- Outcome
- Decisão reconsiderada; recurso especial de fls. 527/542 julgado prejudicado; autos devolvidos ao Tribunal de origem e sobrestados em razão da afetação ao Tema 1.170/STJ.
- Legal Topics
- Incidência De Contribuição Previdenciária Sobre Verbas Remuneratórias E Indenizatórias, Recursos Especiais E Admissibilidade (súmula 182/stj), Recursos Repetitivos (tema 1.170/stj), Restituição Administrativa De Indébito E Compensação, Juízo De Retratação
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Parties
Verquímica Indústria e Comércio de Produtos Químicos Ltda.
Agravante
União Federal
Agravada
Procedural Posture
Agravo Interno / Decisão De Juízo De Retratação / Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem
Legal Issues
- 1 Incidência de contribuição previdenciária sobre férias gozadas, décimo terceiro salário, reflexo do aviso prévio indenizado sobre o 13º e adicional de insalubridade
- 2 Se a matéria encontra-se afetada ao rito dos recursos especiais repetitivos (Tema 1.170/STJ) e, em consequência, se deve haver sobrestamento e devolução dos autos ao Tribunal de origem
- 3 Se o recurso especial de fls. 527/542 deve ser considerado prejudicado diante da afetação ao rito repetitivo
Ratio Decidendi
Reconsiderou-se a decisão agravada, declarou-se prejudicado o recurso especial de fls. 527/542 em razão da afetação da matéria ao rito dos recursos especiais repetitivos (Tema 1.170/STJ) e determinou-se a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que fiquem sobrestados até a publicação do acórdão do recurso representativo, procedendo-se ao juízo de conformação nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC.
Court Disposition
Decisão reconsiderada; recurso especial de fls. 527/542 julgado prejudicado; autos devolvidos ao Tribunal de origem e sobrestados em razão da afetação ao Tema 1.170/STJ.
Orders
- Reconsidera a decisão de fls. 962/964
- Julga prejudicado o recurso especial de fls. 527/542
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DECISÃO Trata-se de agravo interno manejado por Verquímica Indústria e Comércio de Produtos Químicos Ltda., desafiando decisão da Presidência do STJ de fls. 962/964, que não conheceu do seu agravo em recurso especial, porquanto não impugnados todos os motivos adotados pela decisão presidencial local para inadmitir o apelo raro (Súmula 182/STJ). A parte agravante, em suas razões, sustenta, em síntese, que, "Conforme se verifica nos autos e-STJ fl. 872 até 875 do Agravo, no Item "III.1. A Existência de jurisprudência do C. STJ favorável à pretensão da Agravante", a Agravante destacou expressamente que existem julgados diversos que são contrários ao entendimento aplicado no caso concreto" (fl. 972). Aberta vista à parte agravada, decorreu in albis o prazo para apresentação de impugnação (fl. 985). É O BREVE RELATO. Melhor compulsando os autos, exercendo o juízo de retratação facultado pelo art. 1.021, § 2º, do CPC e 259, § 3º, do RISTJ, e tendo em vista a recente submissão da matéria ao rito dos repetitivos, reconsidero a decisão agravada, tornando-a sem efeito, passando novamente à analise do recurso: Trata-se de agravo manejado por Verquímica Indústria e Comércio de Produtos Químicos Ltda. desafiando decisão denegatória de admissibilidade a recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, III, a, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, assim ementado (fls. 361/362): APELAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DESTINADAS A TERCEIROS. VERBAS INDENIZATÓRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. VERBAS REMUNERATÓRIAS. INCIDÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO VIA COMPENSAÇÃO. I. A contribuição social consiste em um tributo destinado a uma determinada atividade exercitável por entidade estatal ou paraestatal ou por entidade não estatal reconhecida pelo Estado como necessária ou útil à realização de uma função de interesse público. O artigo 195 da Constituição Federal reza que: " A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer .título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (..)" II. A simples leitura do mencionado artigo leva a concluir que a incidência da contribuição social sobre folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos a qualquer título - frise-se - dar-se-á sobre a totalidade de percepções econômicas dos trabalhadores, qualquer que seja a forma ou meio de pagamento. Nesse passo, necessário conceituar salário de contribuição. Consiste este no valor básico sobre o qual será estipulada a contribuição do segurado, isto é, é a base de cálculo que sofrerá a incidência de uma alíquota para definição do valor a ser pago à Seguridade Social. Assim, o valor das contribuições recolhidas pelo segurado é estabelecido em função do seu salário de contribuição. III. O artigo 28, inciso I da Lei nº 8.212/91, dispõe que as remunerações do empregado que compõem o salário de contribuição compreendem a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou contrato, ou ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Nessa mesma linha, a Constituição Federal, em seu artigo 201, § 11, estabelece que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. É preciso assinalar, ainda, que o artigo 28, § 9º da Lei nº 8.212/91, elenca as parcelas que não integram o salár io de contribuição, sintetizadas em: a) benefícios previdenciários, b) verbas indenizatórias e demais ressarcimentos e c) outras verbas de natureza não salarial. IV. Com relação à incidência das contribuições destinadas a terceiras entidades (Sistema "S", INCRA e salário-educação), verifica-se da análise das legislações que regem os institutos - art. 240 da CF (Sistema "S"); art. 15 da Lei nº 9.424/96 (salário-educação) e Lei nº 2.613/55 (INCRA) - que possuem base de cálculo coincidentes com a das contribuições previdenciárias (folha de salários). Apesar da Lei nº 9.424/96, quanto ao salário-educação, referir-se à remuneração paga a empregado, o que poderia ampliar a base de incidência, certamente também não inclui nessa designação verbas indenizatórias. Acrescente-se que o revogado art. 94 da Lei nº 8.212/91 também dispunha que a Previdência Social somente poderia arrecadar e fiscalizar as contribuições devidas a terceiros desde que tivessem a mesma base de cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados. Tal regramento também se repete na Lei nº 11.457/2007, nos artigos 2º e 3º. V. Neste contexto, insta analisar a natureza jurídica das verbas questionadas na presente demanda e a possibilidade ou não de sua exclusão da base de cálculo da contribuição social em causa. As verbas pagas a título de aviso prévio indenizado, terço constitucional de férias e auxílio-doença/acidente (primeiros 15 dias) possuem natureza indenizatória, não constituindo base de cálculo das contribuições previdenciárias/destinadas a terceiros. As verbas pagas a título de férias gozadas, décimo terceiro salário, décimo terceiro proporcional ao aviso prévio indenizado e adicional de insalubridade possuem natureza remuneratória, constituindo base de cálculo das contribuições previdenciárias/destinadas a terceiros. VI. Por fim, cumpre esclarecer que a repetição de indébito deve ser realizada administrativamente tão somente pela via da compensação, não havendo de se falar em restituição administrativa de valores. VII. Remessa oficial e apelação da União Federal parcialmente provida. Apelação da parte impetrante desprovida. Opostos aclaratórios por ambos os litigantes, foram acolhidos os da parte contribuinte para "para sanar o vício apontado, mantendo-se, contudo, o reconhecimento da impossibilidade da restituição administrativa de indébito judicial" (fl. 435). A parte recorrente, no recurso especial de fls. 527/542, aponta violação ao art. 22, I, da lei 8.212/91. Sustenta, em resumo, que não incide contribuição previdenciária sobre as seguintes verbas: (I) férias gozadas; (II) 13º salário; (III) reflexo do aviso prévio indenizado sobre o 13º salário; e (IV) adicional de insalubridade. Juízo de retratação ao Tema 985/STF realizado pela Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região às fls. 646/650. Os embargos de declaração opostos pela parte contribuinte foram rejeitados (cf. acórdão de fls. 684/687). No novo apelo raro de fls. 702/726, aponta-se malferimento dos arts. 1.022, II, do CPC; 146 do CTN; 23 e 24 da LINDB. Alega-se, em resumo: (I) a despeito dos embargos de declaração, o Tribunal de origem remanesceu omisso acerca das questões neles suscitadas; e (II) a "alteração abrupta do entendimento jurisprudencial, até então homogêneo e consolidado pela não incidência das contribuições sobre o terço de férias, é claro exemplo de situação que demanda que seja estabelecido um regime de transição, a fim de preservar situações pretéritas constituídas sob a orientação que se sustentou por tantos anos, em observância ao princípio da segurança jurídica" (fl. 707). Reitera, ao final, a argumentação de não incidência de contribuição previdenciária sobre as seguintes verbas: (I) férias gozadas; (II) 13º salário; (III) reflexo do aviso prévio indenizado sobre o 13º salário; e (IV) adicional de insalubridade. Negou-se seguimento aos recursos extraordinários de ambos os litigantes, os quais restaram inadmitidos tendo por base também o Tema 1.100/STF (cf. decisões de fls. 830/833 e 841/844). Julgado o agravo interno do contribuinte pelo Órgão Especial da Corte Regional (fls. 926/932), vieram os autos conclusos para julgamento do agravo de fls. 868/883, que se insurge contra a inadmissão dos dois apelos raros (cf. fl. 872). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Passo à análise do agravo no que se insurge contra a inadmissão do apelo raro de fls. 527/542. Na espécie, a questão de fundo trazida a debate no especial diz respeito, dentre outras, à "Definir se é cabível a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a empregado a título de décimo terceiro salário proporcional referente ao aviso prévio indenizado.". Ocorre que essa matéria foi afetada pela Primeira Seção do STJ ao rito dos recursos especiais repetitivos (REsp 1.974.197/AM, REsp 2.000.020/MG, REsp 2.003.967/AP e REsp 2.006.644/MG - Tema 1.170/STJ), mostrando-se conveniente, em observância ao princípio da economia processual e à própria finalidade do CPC, determinar o retorno dos autos à origem, onde ficarão sobrestados até a publicação do acórdão a ser proferido nos autos do recurso representativo da controvérsia. Confiram-se, a propósito, os seguintes precedentes desta Corte (g.n.): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REQUISITOS. TEMA AFETADO COMO REPERCUSSÃO GERAL. SOBRESTAMENTO. 1. Esta Corte Superior, objetivando racionalizar o exercício de sua atribuição constitucional, o de uniformizar a interpretação e a aplicação de lei federal em caráter excepcional, vem admitindo o acolhimento de embargos de declaração, com efeitos modificativos, para que seja observado o procedimento próprio para julgamento de questões afetadas referentes à sistemática dos recursos repetitivos/repercussão geral, com a determinação de devolução dos autos para que, oportunamente, o Tribunal de origem proceda ao respectivo juízo de conformação. 2. A questão referente à aplicação da Lei n. 14.230/2021 - em especial, com relação à necessidade da presença do elemento subjetivo dolo para a configuração do ato de improbidade administrativa e da aplicação dos novos prazos de prescrição geral e intercorrente - teve a repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (Tema 1199 do STF), tendo sido determinada, em 03/03/2022, a suspensão do processamento dos recursos especiais em que trazido, mesmo que por simples petição, o assunto da aplicação retroativa do aludido diploma legal (ARE 843.989). 3. Embargos acolhidos a fim de tornar sem efeito as decisões anteriores e determinar a devolução dos autos à origem para aguardar o julgamento pela Suprema Corte. (EDcl no AgInt no AREsp n. 1.796.639/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 9/5/2022) ACIDENTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE ACIDENTE DE TRABALHO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. MATÉRIA REPETITIVA. SOBRESTAMENTO DO FEITO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO. PRECEDENTES. I - Na origem, trata-se de agravo de instrumento em que se questiona decisão que, nos autos de execução acidentária, arbitrou os honorários advocatícios em 15% sobre as parcelas devidas. No Tribunal a quo, o agravo de instrumento foi improvido. Interposto recurso especial, este teve seu seguimento negado. Seguiu-se a interposição de agravo. No STJ, em decisão monocrática, da lavra do Ministro Presidente, não se conheceu do agravo. A decisão ficou mantida em agravo interno. II - A matéria tratada nos autos é a mesma questão submetida a julgamento de afetação ao rito dos recursos especiais repetitivos, a saber: "Definição acerca da incidência, ou não, da Súmula 111/STJ, ou mesmo quanto à necessidade de seu cancelamento, após a vigência do CPC/2015 (art. 85), no que tange à fixação de honorários advocatícios nas ações previdenciárias", Tema n. 1.1 05, que afeta diretamente o presente julgado. III - A Corte Especial do STJ tinha entendimento de que não seria possível a devolução na estreita via dos embargos de declaração, por não ser adequada para o simples rejulgamento da causa, mediante o reexame de matéria já decidida. IV - Entendia-se que "a superveniente modificação do entendimento consignado no acórdão embargado não enseja o rejulgamento da causa, por serem os embargos de declaração de índole meramente integrativa" e que o acolhimento da tese acarretaria o reconhecimento de uma omissão inexistente. (EDcl nos EDcl nos EDcl no AgRg nos EREsp 1.019.717/RS, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator p/ acórdão Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, julgado em 20/9/2017, DJe 27/11/2017.) V - Todavia, recentemente, a Corte Especial do STJ reafirmou o entendimento no sentido da devolução com fundamento, tanto no art. 256-L do Regimento Interno do STJ, como do art. 1.037 do CPC/2015, mesmo no julgamento de embargos de declaração. Nesse sentido: AgInt nos EREsp 1.635.236/SE, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, julgado em 21/5/2019, DJe 31/5/2019. VI - Assim, devem ser acolhidos os embargos de declaração para tornar sem efeitos as decisões e votos proferidos nesta Corte; considerar prejudicados os recursos interpostos nesta Corte, e determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a devida baixa, para que, em observância aos arts. 543-B, § 3º, e 543-C, §§ 7º e 8º, do CPC e 1.040 e seguintes do CPC/2015, e após a publicação do acórdão do respectivo recurso excepcional representativo da controvérsia ou repetitivo: a) denegue seguimento ao recurso, se a decisão recorrida coincidir com a orientação emanada pelos Tribunais Superiores; ou b) proceda ao juízo de retratação na hipótese de o acórdão vergastado divergir da decisão sobre o tema repetitivo. VII - Embargos acolhidos para determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem. (EDcl no AgInt no AREsp n. 1.867.193/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2022) ANTE O EXPOSTO, (I) reconsidero a decisão de fls. 962/964; e (II) julgo prejudicado o recurso de fls. 527/542 e determino a devolução dos autos, com a respectiva baixa, ao Tribunal de origem, onde, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC, deverá ser realizado o juízo de conformação ou a manutenção do acórdão local frente ao que vier a ser decidido por este Superior Tribunal de Justiça sobre o tema, na sistemática dos recursos repetitivos. Publique-se. EMENTA