REsp 2219010 - ACORDAO
Como o Tribunal de origem aplicou entendimento consolidado pelo STF no Tema 1.048/STF acerca da inclusão do ICMS na base da CPRB, a análise do recurso especial é prejudicada nos termos do art. 1.039 do CPC, cabendo às instâncias ordinárias examinar alegações de distinguishing ou má aplicação do precedente; portanto,...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: Agro Máquinas Peças e Serviços Ltda.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 November 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Sessão Virtual Julgamento Pela Primeira Turma (decisão Colegiada)
- Outcome
- Agravo interno improvido (nega-se provimento ao agravo interno)
- Legal Topics
- Inclusão Do ICMS ST Na Base De Cálculo Da CPRB, Repercussão Geral (tema 1.048/stf), Art. 1.022 Do CPC, Art. 1.039 Do CPC, Prequestionamento, Súmula 211/stj
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Parties
Agro Máquinas Peças e Serviços Ltda.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Sessão Virtual Julgamento Pela Primeira Turma (decisão Colegiada)
Legal Issues
- 1 Aplicação do Tema 1.048/STF ao ICMS-ST
- 2 Prejudicialidade da análise do recurso especial em razão de repercussão geral
- 3 Alegada afronta ao art. 1.022 do CPC e possibilidade de distinguishing/má aplicação do precedente representativo
Ratio Decidendi
Como o Tribunal de origem aplicou entendimento consolidado pelo STF no Tema 1.048/STF acerca da inclusão do ICMS na base da CPRB, a análise do recurso especial é prejudicada nos termos do art. 1.039 do CPC, cabendo às instâncias ordinárias examinar alegações de distinguishing ou má aplicação do precedente; portanto, o agravo interno deve ser improvido.
Court Disposition
Agravo interno improvido (nega-se provimento ao agravo interno)
Orders
- Não conheço do recurso especial.
- Negou-se provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 18/11/2025 a 24/11/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Regina Helena Costa, Gurgel de Faria, Paulo Sérgio Domingues e Benedito Gonçalves votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina. EMENTA TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUNAL DE ORIGEM. APLICAÇÃO AO CASO CONCRETO DE ENTENDIMENTO FIRMADO EM REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO ESPECIAL. IDÊNTICA QUESTÃO JURÍDICA. ANÁLISE PREJUDICADA. 1. Na espécie, o Juízo de origem amparou-se em precedente constitucional firmado pelo Supremo Tribunal Federal no Tema n. 1.048/STF ("é constitucional a inclusão do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS na base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta - CPRB"), para solucionar a contenda relativa à inclusão do ICMS-ST na base de cálculo da CPRB. 2. Nesse panorama, fica prejudicada a análise da matéria do presente recurso especial, inclusive no que concerne à alegação de afronta ao art. 1.022 do CPC, tendo em vista ser coincidente com aquela discutida no aludido tema de repercussão geral. Inteligência do art. 1.039 do CPC. 3. Agravo interno improvido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO SÉRGIO KUKINA (Relator): Trata-se de agravo interno manejado por Agro Máquinas Peças e Serviços Ltda. contra a decisão de fls. 319/320, que não conheceu do recurso especial, pois o Tribunal de origem decidiu pela inclusão do ICMS-ST na base de cálculo da CPRB com amparo em entendimento consolidado pelo STF em tema de repercussão geral (RE n. 1.187.264 - Tema n. 1.048/STF), de modo que fica prejudicada a análise do especial apelo, inclusive no que concerne à apontada ofensa ao art. 1.022 do CPC. A parte agravante, em suas razões, sustenta, em resumo, que "não se pode entender que o Tema 1.048, julgado pelo STF tenha aplicação imediata a todo e qualquer ICMS em toda e qualquer sistemática, isso porque o ICMS-ST nunca foi julgado no Tema 1.048 e a forma de contabilização e recolhimento é completamente distinto" (fl. 330). Transcorreu in albis o prazo para resposta (fl. 340). É o relatório EMENTA TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUNAL DE ORIGEM. APLICAÇÃO AO CASO CONCRETO DE ENTENDIMENTO FIRMADO EM REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO ESPECIAL. IDÊNTICA QUESTÃO JURÍDICA. ANÁLISE PREJUDICADA. 1. Na espécie, o Juízo de origem amparou-se em precedente constitucional firmado pelo Supremo Tribunal Federal no Tema n. 1.048/STF ("é constitucional a inclusão do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS na base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta - CPRB"), para solucionar a contenda relativa à inclusão do ICMS-ST na base de cálculo da CPRB. 2. Nesse panorama, fica prejudicada a análise da matéria do presente recurso especial, inclusive no que concerne à alegação de afronta ao art. 1.022 do CPC, tendo em vista ser coincidente com aquela discutida no aludido tema de repercussão geral. Inteligência do art. 1.039 do CPC. 3. Agravo interno improvido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO SÉRGIO KUKINA (Relator): A irresignação não merece acolhimento, tendo em conta que a parte recorrente não logrou desenvolver argumentação apta a desconstituir os fundamentos adotados pela decisão recorrida, que ora submeto ao colegiado para serem confirmados: Trata-se de recurso especial manejado por Agro Máquinas Peças e Serviços Ltda. com base no art. 105, III, a, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado (fl. 213): TRIBUTÁRIO. INCLUSÃO DO ICMS-ST NA BASE DE CÁLCULO DA CPRB. CONSTITUCIONALIDADE. TEMA 1048 DO STF. "É constitucional a inclusão do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS na base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta - CPRB". (Tema 1048 do STF). As premissas fixadas pela Suprema Corte no Tema 1.048 devem ser aplicadas também ao ICMS-ST, que nada mais é do que o valor devido a título de ICMS na operação, recolhido antecipadamente por força de técnica arrecadatória. Opostos embargos declaratórios, foram parcialmente providos para correção de erro material (fls. 226/229). Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta violação aos arts. 1.022, I, II, do CPC; 8º da Lei n. 12.546/2011; 12 do Decreto-Lei n. 1.598/1977. Sustenta, em resumo, que: (I) "o acórdão que julgou a Apelação da ora Recorrente restou eivado de contradição e omissão, vícios causados pela fundamentação deficiente na aplicação do Tema 1.048 do STF, que trata matéria diversa" (fl. 238), e que não foram sanados após o aclaratórios opostos; (II) "O presente caso versa única e exclusivamente sobre a exclusão de ICMS- ST da base de cálculo da CPRB, o que distingue a matéria do Tema 1.048 é justamente a sistemática de recolhimento do ICMS" (fl. 244). Contrarrazões às fls. 266/286. Recurso extraordinário às fls. 246/259. O Ministério Público Federal ofereceu parecer às fls. 311/316. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. No presente caso, verifica-se que, no tocante à inclusão do ICMS-ST na base de cálculo da CPRB, o Tribunal de origem ancorou-se em entendimento consolidado pelo STF em tema de repercussão geral (RE 1.187.264 - Tema 1.048/STF - v. fl. 215). Nesse panorama, fica prejudicada a análise do recurso especial, inclusive no que concerne à alegação de afronta ao art . 1.022 do CPC, tendo em vista ser coincidente com aquela discutida no recurso representativo. Com efeito, consoante dicção do art. 1.039 do CPC, "Decididos os recursos afetados, os órgãos colegiados declararão prejudicados os demais recursos versando sobre idêntica controvérsia ou os decidirão aplicando a tese firmada". A propósito: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. IPVA. JUÍZO DE CONFORMAÇÃO COM REPERCUSSÃO GERAL. APELO ESPECIAL. MATÉRIA COINCIDENTE. RECURSO JULGADO PREJUDICADO. 1. No tocante à legitimidade da exigência pelo Estado de São Paulo do IPVA sobre os veículos discutidos, a Corte paulista manteve o aresto recorrido, que reconheceu a higidez da exação ancorando-se em entendimento firmado pelo STF no Tema 708/STF. 2. Sendo a questão trazida no especial apelo coincidente com a tratada no aludido tema de repercussão geral, com o qual já houve juízo de conformação pelo Tribunal local, resta prejudicado o exame do recurso. Precedentes. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.996.265/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 10/10/2022.) ANTE O EXPOSTO, não conheço do recurso especial. Publique-se. Como mesmo reconhece a parte agravante, seu intento com a interposição do especial apelo é justamente questionar a aplicação, pelo Sodalício de origem, de entendimento firmado em repercussão geral para solucionar a contenda. Ocorre que o debate acerca da existência de distinguishing ou de má aplicação de recurso representativo da controvérsia ao caso concreto, como mesmo já ficou assentado pela Corte Especial, encerra-se nas instâncias ordinárias. Realmente, há muito, o STJ, no que se refere ao recurso especial repetitivo, quando do julgamento da Questão de Ordem no Ag n. 1.154.599/SP, Rel. Ministro Cesar Asfor Rocha, DJe de 12/5/20 11, submetida à apreciação da Corte Especial, firmou a compreensão de que, uma vez sedimentado nos Juízos locais entendimento à luz de temas julgados pelo STJ pelo rito do art. 543-C do CPC/1973, atual art. 1.036 do CPC, não cabem mais recursos direcionados a este Sodalício. Realmente, o STJ, a esse respeito, assentou posicionamento no sentido de que "aos Tribunais de superposição compete a fixação da tese jurídica e a uniformização do Direito, sendo dos Tribunais locais, onde efetivamente ocorre a distribuição da justiça, a aplicação da orientação paradigmática", assinalando, em arremate, que há "no CPC a possibilidade de ajuizamento de ação rescisória quando aplicado erroneamente o precedente" (Rcl n. 36.476/SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, DJe de 6/3/2020). Essa mesma intelecção se alinha àquela albergada pelo STF, que, de sua parte, no tocante à repercussão geral, hipótese dos autos, posiciona-se na esteira de que "o instituto da repercussão geral, introduzido no ordenamento jurídico pela Emenda Constitucional 45/2004 (artigo 102, § 3º, da Constituição da República), resultou em verdadeira cisão na competência funcional quanto ao julgamento do recurso extraordinário, nos seguintes moldes: 1) a matéria de direito constitucional dotada de repercussão geral é julgada pelo Supremo Tribunal Federal; 2) o restante da matéria de fato ou de direito é apreciada pelo Tribunal de origem. Nesse sistema de repartição de competências é evidente que, uma vez decidida a matéria em sede de repercussão geral, cabe exclusivamente ao Tribunal de origem aplicar tal entendimento ao caso concreto, a fim de evitar o desnecessário processamento do recurso extraordinário perante o Supremo Tribunal Federal" (Rcl n. 36.865, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 5/12/2019 - g.n.). Assim, escorreito o decisum agravado ao pontuar que, já tendo sido aplicado ao caso o posicionamento consolidado pelo STF em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, fica prejudicada a análise da matéria suscitada no presente apelo raro, inclusive no que se refere à alegação de violação ao art. 1.022 do CPC, tendo em vista ser coincidente com aquela discutida no representativo da controvérsia constitucional. Nessa linha de raciocínio: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUNAL DE ORIGEM. APLICAÇÃO AO CASO CONCRETO DE ENTENDIMENTO FIRMADO EM REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO ESPECIAL. IDÊNTICA QUESTÃO JURÍDICA. ANÁLISE PREJUDICADA. 1. Na sistemática introduzida pelo artigo 543-C do CPC/73 e ratificada pelo novel diploma processual civil (arts. 1.030 e 1.040 do CPC), incumbe ao Tribunal de origem, com exclusividade e em caráter definitivo, proferir juízo de adequação do caso concreto ao precedente formado em repetitivo, sob pena de tornar-se ineficaz o propósito racionalizador implantado pela Lei 11.672/2008. Precedente: Questão de Ordem no Ag 1.154.599/SP, rel. Ministro Cesar Asfor Rocha, Corte Especial, DJe de 12/5/2011. 2. Na espécie, o Juízo de origem amparou-se em precedente constitucional firmado pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 1.048/STF ("É constitucional a inclusão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços - ICMS, na base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta - CPRB"), concluindo pela legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a receita bruta. 3. Nesse panorama, fica prejudicada a análise da matéria do presente recurso especial, inclusive quanto à alegação de violação ao art. 1.022 do CPC, tendo em vista ser coincidente com aquela discutida no aludido tema de repercussão geral. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.087.310/AL, Relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 26/5/2025, DJEN de 29/5/2025.) TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. IMPOSTO DE RENDA. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. ACÓRDÃO RECORRIDO. ENTENDIMENTO HARMÔNICO COM O DO STJ. 1. O Tribunal de origem não examinou a controvérsia sob o enfoque do art. 141 do CPC, apontado como violado, nem houve indicação de ofensa ao art. 1.022 do CPC, pelo que, ante a falta do prequestionamento, aplicável a Súmula 211/STJ. 2. A respeito do alegado indébito relativo a imposto de renda sobre complementação de aposentadoria, o posicionamento do Sodalício a quo se alinha com o do STJ no sentido de que "o direito de não se submeter à dupla tributação foi conferido a quem estava em atividade no período de 1989 a 1995, não sendo extensível àqueles que se encontravam na inatividade" (AgInt no AREsp n. 1.146.871/DF, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 19/9/2019, DJe de 25/9/2019). 3. Prejudicado o exame do apelo raro no tocante ao prazo prescricional aplicável à ação repetitória, visto que o aresto regional adotou fundamentação calcada naquela consolidada pelo STF no Tema 4/STF. Inteligência do art. 1.039 do CPC. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.757.310/DF, Relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 14/8/2023, DJe de 16/8/2023.) ANTE O EXPOSTO, nega-se provimento ao agravo interno. É o voto.