AREsp 2490082 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o Tribunal de origem examinou e motivou de forma suficiente as questões essenciais (art. 489 do CPC/2015), não havendo omissão a ser sanada nos termos do art. 1.022 do CPC/2015; quando o tribunal de origem não enfrentou pontos relativos aos arts. 8º, 85 e 86 do CPC após...
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- Parties
- Agravante: Empresa de transportes; Agravada: Fazenda Nacional
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Recurso Especial / Julgamento Acórdão Da Segunda Turma (sessão Virtual)
- Outcome
- Agravo interno improvido; manutenção da decisão recorrido
- Legal Topics
- Inclusão Do ICMS Na Base De Cálculo Do PIS E Da COFINS, Honorários Sucumbenciais, Modulação Dos Efeitos (re N. 574.706/pr), Omissão E Prequestionamento (art. 1.022 E Art. 1.025 Do Cpc/2015), Súmula 211/stj
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Parties
Empresa de transportes
Agravante
Fazenda Nacional
Agravada
Procedural Posture
Agravo Interno Em Recurso Especial / Julgamento Acórdão Da Segunda Turma (sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 Constitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS
- 2 Aplicabilidade da modulação dos efeitos do RE 574.706/PR e repercussão sobre honorários sucumbenciais
- 3 Existência ou não de omissão no acórdão do tribunal de origem (art. 1.022 do CPC/2015)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o Tribunal de origem examinou e motivou de forma suficiente as questões essenciais (art. 489 do CPC/2015), não havendo omissão a ser sanada nos termos do art. 1.022 do CPC/2015; quando o tribunal de origem não enfrentou pontos relativos aos arts. 8º, 85 e 86 do CPC após embargos, incide o óbice da Súmula 211/STJ; e o art. 1.025 do CPC/2015 não afasta a aplicação da Súmula 211/STJ salvo nas hipóteses legalmente delimitadas, razão pela qual se manteve a decisão que aplicou a modulação dos efeitos do RE 574.706/PR com repercussão sobre a verba sucumbencial.
Court Disposition
Agravo interno improvido; manutenção da decisão recorrido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manutenção da decisão recorrida que aplicou a modulação dos efeitos do RE n. 574.706/PR e definiu repercussão sobre a verba sucumbencial
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 18/06/2024 a 24/06/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DIREITO TRIBUTÁRIO. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE NO TRIBUNAL DE ORIGEM. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. SÚMULA N. 211 DO STJ. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem empresa de transportes ajuizou ação em desfavor da Fazenda Nacional para discutir a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Na sentença o pedido foi julgado procedente para declarar a inconstitucionalidade da inclusão da referida parcela; condenando a Fazenda Nacional a restituir à parte autora as parcelas da contribuição comprovadamente recolhidas, bem como em honorários advocatícios em percentual mínimo sobre o valor do proveito econômico, observados os §§ 2º a 5º do art. 85 do CPC. No Tribunal de origem, a sentença foi reformada para aplicar a modulação dos efeitos delineados pelo STF no RE n. 574.706/PR, com repercussão sobre a verba de sucumbência recíproca. Trata-se de agravo interno interposto pelo particular contra decisão que conheceu do agravo relativamente à matéria que não se enquadrava em tema repetitivo, e não conheceu do recurso especial. II - Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Também em recurso especial, não cabe ao STJ examinar alegação de suposta omissão de questão de natureza constitucional, sob pena de usurpação da competência do STF: AgInt nos EAREsp n. 731.395/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Corte Especial, DJe 9/10/2018; AgInt no REsp n. 1.679.519/SE, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 26/4/2018; REsp n. 1.527.216/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 13/11/2018. Conforme entendimento pacífico desta Corte "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS n. 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. III - Quanto à matéria constante nos arts. 8º, 85 e 86 do CPC, verifica-se que o Tribunal a quo, em nenhum momento, abordou as questões referidas nos dispositivos legais, mesmo após a oposição de embargos de declaração apontando a suposta omissão. Nesse contexto, incide, na hipótese, a Súmula n. 211/STJ. Gize-se, por oportuno, que a falta de exame de questão constante de normativo legal apontado pelo recorrente nos embargos de declaração não caracteriza, por si só, omissão quando a questão é afastada de maneira fundamentada pelo Tribunal a quo, ou ainda, não é abordada pelo Sodalício, e o recorrente, em ambas as situações, não demonstra, de forma analítica e detalhada, a relevância do exame da questão apresentada para o deslinde final da causa. IV - A previsão do art. 1.025 do Código de Processo Civil de 2015 não invalidou o enunciado n. 211 da Súmula do STJ (Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo). Para que o art. 1.025 do CPC/2015 seja aplicado, e permita-se o conhecimento das alegações da parte recorrente, é necessário não só que haja a oposição dos embargos de declaração na Corte de origem (e. 211/STJ) e indicação de violação do art. 1.022 do CPC/2015, no recurso especial (REsp n. 1.764.914/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 8/11/2018, DJe 23/11/2018). A matéria deve ser: i) alegada nos embargos de declaração opostos (AgInt no REsp n. 1.443.520/RS, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 1º/4/2019, DJe 10/4/2019); ii) devolvida a julgamento ao Tribunal a quo (AgRg no REsp n. 1.459.940/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 24/5/2016, DJe 2/6/2016) e; iii) relevante e pertinente com a matéria (AgInt no AREsp n. 1.433.961/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 17/9/2019, DJe 24/9/2019.) V - Agravo interno improvido.
RELATÓRIO Na origem, empresa de transportes ajuizou ação em desfavor da Fazenda Nacional para discutir a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Na sentença, o pedido foi julgado procedente para declarar a inconstitucionalidade da inclusão da referida parcela; condenando a Fazenda Nacional a restituir à parte autora as parcelas da contribuição comprovadamente recolhidas, bem como em honorários advocatícios em percentual mínimo sobre o valor do proveito econômico, observados os §§ 2º a 5º do art. 85 do CPC. No Tribunal de origem, a sentença foi reformada para aplicar a modulação dos efeitos delineados pelo STF no RE n. 574.706/PR, com repercussão sobre a verba de sucumbência recíproca. Trata-se de agravo interno interposto pelo particular contra decisão que conheceu do agravo relativamente à matéria que não se enquadrava em tema repetitivo, e não conheceu do recurso especial. A decisão recorrida tem o seguinte dispositivo: "Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial." No agravo interno, a parte recorrente traz, resumidamente, os seguintes argumentos: Sendo assim, referida fixação sucumbencial caracteriza evidente afronta aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade previstos pelo art. 8º do CPC, bem como aos artigos 85 e 86, também do CPC, uma vez que, no caso em apreço, não restam preenchidos quaisquer requisitos que justifiquem a fixação de honorários em desfavor da Agravante, tampouco suposta sucumbência recíproca. E, mesmo a Agravante tendo demonstrado referida violação, o d. julgador deixou de enfrentar os argumentos deduzidos nos embargos de declaração, ocorrendo, portanto, violação ao art. 1.022, II, do CPC. E, como o art. 489, §1º, inciso IV, do CPC prevê: "Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: IV -não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador. Dessa forma, há violação ao art. 1.022, II do CPC posto que não se encontra no acórdão posição sobre questão primordial, não incidindo, portanto, a Súmula 284 do STF. .. Não há provas a serem analisadas, mas somente discernir se a modulação (que se dá por razões extraprocessuais -interesse social e segurança jurídica) interfere na definição de vencedor e vencido para fins de distribuição dos ônus sucumbenciais do art. 85 do CPC. No acórdão combatido constou expressamente o reconhecimento do pedido inicial da ora Agravante (direito à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS). Além disso, o próprio desembargador relator reconheceu que a parcial procedência da decisão agravada ocorreria apenas para aplicação a modulação delineada pelo STF. Ou seja, restou claro que a modulação tem origem não na perda da demanda pela parte, mas sim em questões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, sendo desarrazoada a condenação sucumbencial da Agravante. Essas menções já afastam a necessidade de reanálise da prova, vez que não há necessidade de reexame fático, mas sim uma breve leitura dos elementos utilizados na decisão recorrida. Portanto está claro que se trata de mera revaloração jurídica e não reanálise probatória. .. Não obstante, o art. 1.025 do CPC permite que o Tribunal, ao analisar a questão, considere suficientes os elementos suscitados pela parte recorrente, mesmo que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados. Ou seja, o Tribunal a quo teve oportunidade para emitir juízo de valor sobre os dispositivos, estando a matéria completamente prequestionada. Portanto, a posição da Agravante encontra respaldo na legislação pátria e nos próprios autos. Sendo assim, a aplicação das Súmulas 211 do STJ, 282 e 256 do STF não se justifica neste caso específico. Além disso, importante mencionar que a menção à Súmula 83 não aplica-se ao presente caso, vez que em nenhum momento relatou-se eventual divergência jurisprudencial. Feitas estas considerações e, considerando que restaram delimitadas todas as razões pelas quais houve a afronta aos dispositivos mencionados, A AGRAVANTE RATIFICA, NESTA OPORTUNIDADE, TODOS OS FUNDAMENTOS TRAÇADOS EM SUAS RAZÕES DE RECURSO ESPECIAL, QUE DEVEM SER CONSIDERADOS E APRECIADOS por esta C. Turma, porque evidenciam a necessidade de reforma da decisão monocrática agravada para que o recurso especial seja conhecido e provido. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DIREITO TRIBUTÁRIO. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE NO TRIBUNAL DE ORIGEM. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. SÚMULA N. 211 DO STJ. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem empresa de transportes ajuizou ação em desfavor da Fazenda Nacional para discutir a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Na sentença o pedido foi julgado procedente para declarar a inconstitucionalidade da inclusão da referida parcela; condenando a Fazenda Nacional a restituir à parte autora as parcelas da contribuição comprovadamente recolhidas, bem como em honorários advocatícios em percentual mínimo sobre o valor do proveito econômico, observados os §§ 2º a 5º do art. 85 do CPC. No Tribunal de origem, a sentença foi reformada para aplicar a modulação dos efeitos delineados pelo STF no RE n. 574.706/PR, com repercussão sobre a verba de sucumbência recíproca. Trata-se de agravo interno interposto pelo particular contra decisão que conheceu do agravo relativamente à matéria que não se enquadrava em tema repetitivo, e não conheceu do recurso especial. II - Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Também em recurso especial, não cabe ao STJ examinar alegação de suposta omissão de questão de natureza constitucional, sob pena de usurpação da competência do STF: AgInt nos EAREsp n. 731.395/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Corte Especial, DJe 9/10/2018; AgInt no REsp n. 1.679.519/SE, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 26/4/2018; REsp n. 1.527.216/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 13/11/2018. Conforme entendimento pacífico desta Corte "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS n. 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. III - Quanto à matéria constante nos arts. 8º, 85 e 86 do CPC, verifica-se que o Tribunal a quo, em nenhum momento, abordou as questões referidas nos dispositivos legais, mesmo após a oposição de embargos de declaração apontando a suposta omissão. Nesse contexto, incide, na hipótese, a Súmula n. 211/STJ. Gize-se, por oportuno, que a falta de exame de questão constante de normativo legal apontado pelo recorrente nos embargos de declaração não caracteriza, por si só, omissão quando a questão é afastada de maneira fundamentada pelo Tribunal a quo, ou ainda, não é abordada pelo Sodalício, e o recorrente, em ambas as situações, não demonstra, de forma analítica e detalhada, a relevância do exame da questão apresentada para o deslinde final da causa. IV - A previsão do art. 1.025 do Código de Processo Civil de 2015 não invalidou o enunciado n. 211 da Súmula do STJ (Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo). Para que o art. 1.025 do CPC/2015 seja aplicado, e permita-se o conhecimento das alegações da parte recorrente, é necessário não só que haja a oposição dos embargos de declaração na Corte de origem (e. 211/STJ) e indicação de violação do art. 1.022 do CPC/2015, no recurso especial (REsp n. 1.764.914/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 8/11/2018, DJe 23/11/2018). A matéria deve ser: i) alegada nos embargos de declaração opostos (AgInt no REsp n. 1.443.520/RS, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 1º/4/2019, DJe 10/4/2019); ii) devolvida a julgamento ao Tribunal a quo (AgRg no REsp n. 1.459.940/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 24/5/2016, DJe 2/6/2016) e; iii) relevante e pertinente com a matéria (AgInt no AREsp n. 1.433.961/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 17/9/2019, DJe 24/9/2019.) V - Agravo interno improvido. VOTO O agravo interno não merece provimento. A parte agravante repisa os mesmos argumentos já analisados na decisão recorrida. Verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria, além da observância da jurisprudência firmada sobre o tema, conforme dispõe: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. PIS. COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. AGRAVO INTERNO. APLICAÇÃO DA MODULAÇÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO. RE 574.706/PR. MODULAÇÃO DOS EFEITOS. REPERCUSSÃO SOBRE A VERBA HONORÁRIA. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. 1. O cerne da presente controvérsia gravita em torno do pleito da autora acerca do reconhecimento judicial que declare seu direito à exclusão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) da base de cálculo das contribuições devidas a título de PIS e COFINS, bem como à declaração do direito de efetuar a compensação ou a restituição tributária dos valores recolhidos indevidamente nos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação. 2. O ICMS é um imposto indireto, cujo contribuinte de fato é o consumidor final. Assim, o sujeito passivo - quem realiza a operação de circulação de mercadorias - tem apenas o dever de recolher os valores atinentes ao ICMS e repassá-los ao seu efetivo sujeito ativo, o Estado-membro ou o Distrito Federal. 3. Resta evidente, portanto, que o ICMS não tem a natureza jurídica de receita ou faturamento e deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. Quanto à compensação dos valores recolhidos indevidamente, é direito da autora a repetição dos valores recolhidos indevidamente, através da compensação, observada a modulação dos efeitos do REn.º 574.706, cuja produção haverá de se dar após 15.3.2017. 5. Anote-se ser imperioso destacar que a repetição do indébito pela via judicial deve observar a necessidade de expedição de precatórios, segundo o contido no art. 100 da Constituição Federal. 6. Necessário o trânsito em julgado da decisão para que se proceda à compensação dos valores recolhidos indevidamente, nos termos do artigo 170-A, do Código Tributário Nacional. 7. Quanto à correção monetária, é aplicável a taxa SELIC como índice para a repetição do indébito, nos termos da jurisprudência do e. Superior Tribunal de Justiça, julgado sob o rito do artigo 543-C, do Código de Processo Civil. 8. Finalmente, o termo inicial, para a incidência da taxa SELIC como índice de correção do indébito tributário, é desde o pagamento indevido. 9. O Recurso da União provido em parte, apenas para aplicar a modulação dos efeitos delineada no RE 574.706/PR. 10. Na espécie, a sucumbência recíproca deve ser verificada em proporção percentual aos períodos em que cada parte venceu, nos termos da modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade, a ser calculado na fase de liquidação de sentença, adotados os percentuais mínimos dos incisos do § 3º do art.85 do Código de Processo Civil. Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Também em recurso especial, não cabe ao STJ examinar alegação de suposta omissão de questão de natureza constitucional, sob pena de usurpação da competência do STF: AgInt nos EAREsp n. 731.395/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Corte Especial, DJe 9/10/2018; AgInt no REsp n. 1.679.519/SE, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 26/4/2018; REsp n. 1.527.216/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 13/11/2018. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS n. 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Quanto à matéria constante nos arts. 8º, 85 e 86 do CPC, verifica-se que o Tribunal a quo, em nenhum momento, abordou as questões referidas nos dispositivos legais, mesmo após a oposição de embargos de declaração apontando a suposta omissão. Nesse contexto, incide, na hipótese, a Súmula n. 211/STJ, que assim dispõe: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo." Gize-se, por oportuno, que a falta de exame de questão constante de normativo legal apontado pelo recorrente nos embargos de declaração não caracteriza, por si só, omissão quando a questão é afastada de maneira fundamentada pelo Tribunal a quo, ou ainda, não é abordada pelo Sodalício, e o recorrente, em ambas as situações, não demonstra, de forma analítica e detalhada, a relevância do exame da questão apresentada para o deslinde final da causa. Sobre o assunto, destacam-se os seguintes precedentes: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AVIAÇÃO AGRÍCOLA. ANOTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TÉCNICA. AUSÊNCIA DE NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 211/STJ E 282/STF. INVIABILIDADE DA ANÁLISE DE RESOLUÇÃO DE CONSELHO PROFISSIONAL. (..) 3. A Corte de origem nada teceu a respeito dos arts. 2º, § 2º, do Decreto-Lei 917/69. 2º, 5º, 6º, II, 15, do Decreto 86.765/81, apesar de instado a fazê-lo pelos embargos de declaração, razão pela qual incide o óbice da Súmula 211/STJ. "Não há impropriedade em afirmar a falta de prequestionamento e afastar a indicação de afronta ao artigo 535 do CPC, haja vista que o julgado pode estar devidamente fundamentado, sem, no entanto, ter decidido a causa à luz dos preceitos jurídicos suscitados pelo recorrente, pois, como consabido, não está o julgador a tal obrigado". (AgRg no REsp n. 1.386.843/RS, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe 24/2/2014.) (..) 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp n. 1.035.738/RS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 14/2/2017, DJe 23/2/2017.) ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONCURSO PÚBLICO. APROVAÇÃO DE CANDIDATO EM CADASTRO DE RESERVA. PRETERIÇÃO. MANUTENÇÃO DE SERVIDORES CONTRATADOS IRREGULARMENTE. PRESTAÇÃO JURISDICIONAL INADEQUADA. DESCARACTERIZAÇÃO DA OMISSÃO. JULGAMENTO CONTRÁRIO AOS INTERESSES DA PARTE. CONTRADIÇÃO EXTERNA. HIPÓTESE DE CABIMENTO INEXISTENTE PARA OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DISCUSSÃO ACERCA DA NECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. QUESTÃO ATRELADA AO REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. VIOLAÇÃO A NORMAS FEDERAIS. CARÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. FALTA DE COTEJO ANALÍTICO. SÚMULA 284/STF. (..) 6. O prequestionamento advém do debate da temática processual à luz de determinado preceito legal federal, ou seja, é forçoso que o Tribunal da origem interprete os fatos processuais e sobre eles proceda juízo de valor para adequa-los ou não a determinado preceptivo federal, realizando assim a subsunção do fato à norma, o que absolutamente inexistiu no acórdão da origem, que não se sustentou nos arts. 130, 131, 331, § 2.º, 333, inciso I, 436, 437, 438 e 439, todos do CPC-1973, mas apenas na Lei 8.112/1990 e na Constituição da República. 7. O prequestionamento não é a indicação do preceito legal, mas o debate de determinada tese de acordo com certa norma jurídica (inscrita no preceito), de maneira a que a falta de apontamento de lei não importa a falta de prequestionamento, mas tampouco a ausência de debate significa o prequestionamento ""implícito"". 8. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp n. 1.581.104/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 7/4/2016, DJe 15/4/2016.) A previsão do art. 1.025 do Código de Processo Civil de 2015 não invalidou o enunciado n. 211 da Súmula do STJ (Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo). Para que o art. 1.025 do CPC/2015 seja aplicado, e permita-se o conhecimento das alegações da parte recorrente, é necessário não só que haja a oposição dos embargos de declaração na Corte de origem (e. 211/STJ) e indicação de violação do art. 1.022 do CPC/2015, no recurso especial (REsp n. 1.764.914/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 8/11/2018, DJe 23/11/2018). A matéria deve ser: i) alegada nos embargos de declaração opostos (AgInt no REsp n. 1.443.520/RS, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 1º/4/2019, DJe 10/4/2019); ii) devolvida a julgamento ao Tribunal a quo (AgRg no REsp n. 1.459.940/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 24/5/2016, DJe 2/6/2016) e; iii) relevante e pertinente com a matéria (AgInt no AREsp n. 1.433.961/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 17/9/2019, DJe 24/9/2019.) Ante o exposto, não havendo razões para modificar a decisão recorrida, nego provimento ao agravo interno. É o voto.