AREsp 1916630 - DECISAO
Não havendo omissão do acórdão recorrido ao abranger a matéria essencial ao deslinde da controvérsia e existindo entendimento dominante no STJ (EREsp 1.517.492/PR) no sentido da exclusão do crédito presumido de ICMS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, as alterações introduzidas pela Lei Complementar nº 160/2017...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: FAZENDA NACIONAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento E Julgamento
- Outcome
- Agravo conhecido para negar provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Inclusão Do Crédito Presumido De ICMS Na Base De Cálculo Do IRPJ E Da CSLL, Aplicação Da Lei Complementar Nº 160/2017, Omissão (art. 1.022 Do Cpc/2015), Súmula 83/stj, Súmula 568/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
FAZENDA NACIONAL
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento E Julgamento
Legal Issues
- 1 Houvesse omissão do acórdão recorrida quanto à incidência da Lei Complementar nº 160/2017?
- 2 Aplicação do entendimento firmado no EREsp 1.517.492/PR quanto à exclusão do crédito presumido de ICMS da base de cálculo do IRPJ/CSLL
- 3 Relevância das alterações promovidas pela Lei Complementar nº 160/2017 ao caso concreto
Ratio Decidendi
Não havendo omissão do acórdão recorrido ao abranger a matéria essencial ao deslinde da controvérsia e existindo entendimento dominante no STJ (EREsp 1.517.492/PR) no sentido da exclusão do crédito presumido de ICMS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, as alterações introduzidas pela Lei Complementar nº 160/2017 não afetam o decidido no caso, justificando o conhecimento do agravo e o não provimento do recurso especial.
Court Disposition
Agravo conhecido para negar provimento ao recurso especial
Orders
- Conheço do agravo
- Nego provimento ao recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo manejado pela FAZENDA NACIONAL em face de decisão que negou admissibilidade ao recurso especial por entender que não houve a alegada ofensa ao art. 1.022 do CPC e, no mérito, o acórdão impugnado estariaem consonância com a jurisprudência do STJ, o que atraiu a incidência da Súmula nº 83 desta Corte. A agravante insurge-se contra a decisão agravada alegando, em síntese, a não incidência da Súmula nº 83 desta Corte, tendo em vista que os precedentes citados não trataram da questão debatida em relação aos fatos geradores ocorridos após a Lei Complementar nº 160/2017, de modo que não seria aplicável ao caso dos autos o entendimento firmado no ERESP 1.517.492, não sendo possível, portanto, a exclusão dos créditos presumidos de ICMS da base de cálculo do IRPJ/CSLL apurados pelo lucro real. Por fim, reitera a alegação de ofensa ao art. 1.022 CPC, eis que o acórdão recorrido, a despeito da oposição de embargos de declaração, não teria enfrentado as alegações de incidência da Lei Complementar nº 160/2017 aos fatos geradores ocorridos após a sua vigência, o que afastaria a orientação do STJ adotada no EREsp 1.517.492/PR. Requer o conhecimento do agravo para que seja analisado o recurso especial. Contrarrazões às fls. 397-402 e-STJ. É o relatório. Passo a decidir. Necessário consignar que o presente recurso foi interposto na vigência do CPC/2015, o que atrai a incidência do Enunciado Administrativo Nº 3: "Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC". A agravante impugnou adequadamente os fundamentos da decisão agravada, razão pela qual conheço do agravo e passo ao exame do recurso especial. Primeiramente, afasto a alegada ofensa ao art. 1.022 do CPC, eis que o acórdão recorrido se manifestou de forma clara e fundamentada sobre a matéria posta em debate na medida necessária para o deslinde da controvérsia. Não há que se falar, portanto, em negativa de prestação jurisdicional, visto que tal somente se configura quando, na apreciação de recurso, o órgão julgador insiste em omitir pronunciamento sobre questão que deveria ser decidida, e não foi. De comum sabença, cabe ao magistrado decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizando-se dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso (c.f. AgRg no AREsp 107.884/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, DJe 16/05/2013), não estando obrigado a rebater, um a um, os argumentos apresentados pela parte quando já encontrou fundamento suficiente para decidir a controvérsia (c.f. EDcl no AgRg no AREsp 195.246/BA, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 04/02/2014). Relembre-se, conjuntamente, que a motivação contrária ao interesse da parte não se traduz em maltrato ao artigo 1.022 do CPC/2015. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. É queesta Corte tem afastado a aplicação da modificação no art. 30, §5º da Lei n. 12.973/2014 promovida pela Lei Complementar n. 160/2017 em casos que tais. Nesse sentido: AgInt no REsp 1.619.595/SC, Rel. Min. Francisco Falcão, DJe 24/10/2018. Nesse sentido também: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3 DO STJ. INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO FIXADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ NO ÂMBITO DO ERESP Nº 1.517.492/PR, DJE 1º/2/2018. 1. A Primeira Seção do STJ, na assentada do dia 8/11/2017, por maioria, concluiu julgamento no autos do EREsp nº 1.517.492/PR, de relatoria do Ministro Og Fernandes, relatora para acórdão Ministra Regina Helena Costa, no sentido da exclusão dos créditos presumidos de ICMS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. 2. A Segunda Turma desta Corte tem afastado a aplicação da modificação no art. 30, §5º da Lei n. 12.973/2014 promovida pela Lei Complementar n. 160/2017 em casos de ações ajuizadas antes da referida modificação legislativa. Nesse sentido: AgInt no REsp 1.619.595/SC, Rel. Min. Francisco Falcão, DJe 24/10/2018. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1.794.524, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 12/5/2019) Ressalte-se que é irrelevante a discussão a respeito do enquadramento do referido incentivo / benefício fiscal (crédito presumido de ICMS) como subvenção para custeio", "subvenção para investimento" ou "recomposição de custos" para fins de determinar sua exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, já que o referido benefício / incentivo fiscal foi excluído do próprio conceito de Receita Bruta Operacional previsto no art. 44, da Lei n. 4.506/64. Assim, também irrelevantes as alterações produzidas pelos arts. 9º e 10, da Lei Complementar n. 160/2017 (provenientes da promulgação de vetos publicada no DOU de 23.11.2017) sobre o art. 30, da Lei n. 12.973/2014, ao adicionar-lhe os §§ 4º e 5º, que tratam de uniformizar ex lege a classificação do crédito presumido de ICMS como "subvenção para investimento" com a possibilidade de dedução das bases de cálculo dos referidos tributos desde que cumpridas determinadas condições. A irrelevância da classificação contábil do crédito presumido de ICMS posteriormente dada ex lege pelos §§ 4º e 5º do art. 30, da Lei n. 12.973/2014 em relação ao precedente deste Superior Tribunal de Justiça julgado nos EREsp 1.517.492/PR já foi analisada por diversas vezes na Primeira Seção, tendo concluído pela ausência de reflexos. Seguem os múltiplos precedentes: AgInt nos EREsp. n. 1.671.907/RS, AgInt nosEREsp. n. 1.462.237/SC, AgInt nos EREsp. n. 1.572.108/SC, AgInt nosEREsp. n. 1.402.204/SC, AgInt nos EREsp. n. 1.528.920/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Gurgel de Faria, todos julgados em 27.02.2019; AgInt nos EAREsp. n. 623.967/PR, AgInt nos EDv nos EREsp. n. 1.400.947/RS, AgInt nos EDv nos EREsp. n. 1.577.690/SC, AgInt nos EREsp. n. 1.585.670/RS, AgInt nos EREsp. n. 1.606.998/SC, AgInt nos EDv nos EREsp. n. 1.627.291/SC, AgInt nos EREsp. n. 1.658.096/RS, AgInt nos EDv nos EREsp. n. 1.658.715/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Assusete Magalhães, todos julgados em 12.06.2019. Incide na espécie a Súmula 568/STJ, segundo a qual "o relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema". Ante o exposto, com fulcro no art. 932, IV, do CPC/2015 c/c o art. 253, parágrafo único, II, "b", do RISTJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3 DO STJ. OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC/2015. NÃO OCORRÊNCIA. INCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO FIXADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ NO ÂMBITO DO ERESP Nº 1.517.492/PR, DJE 1º/2/2018. IRRELEVÂNCIA DA CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL, EIS QUE O BENEFÍCIO/ INCENTIVO FISCAL FOI EXCLUÍDO DO PRÓPRIO CONCEITO DE RECEITA BRUTA OPERACIONAL PREVISTO NO ART. 44, DA LEI N. 4.506/64. PRECEDENTES. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL.