REsp 1578204 - DECISAO
Concluiu-se que o agravo dos particulares seria conhecido, mas o recurso especial deles não poderia ser conhecido por ausência dos requisitos do dissídio jurisprudencial (falta do cotejo analítico e indicação do dispositivo federal), e o recurso do INSS não foi conhecido por ausência de prequestionamento dos arts....
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrentes: IVETE APARECIDA MORAES PRESTES e OUTROS; Recorrente: INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 August 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial (agravo) / Decisão Sobre Conhecimento Dos Recursos (conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Dos Recursos Especiais)
- Outcome
- CONHEÇO do agravo dos particulares para NÃO CONHECER do apelo especial por eles interposto e NÃO CONHEÇO do recurso do INSS.
- Legal Topics
- Incorporação Do Adiantamento Do PCCS, Prescrição, Prequestionamento, Dissídio Jurisprudencial, Honorários Advocatícios, Juros De Mora, Súmula 7
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
IVETE APARECIDA MORAES PRESTES e OUTROS
Recorrentes
INSS
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial (agravo) / Decisão Sobre Conhecimento Dos Recursos (conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Dos Recursos Especiais)
Legal Issues
- 1 aplicabilidade do artigo 219 do CPC/1973 para fins de interrupção da prescrição entre ações distintas
- 2 incorporação do adiantamento do PCCS aos vencimentos pela Lei 8.460/92
- 3 alcance da prescrição quinquenal (Decreto 20.910/32)
Ratio Decidendi
Concluiu-se que o agravo dos particulares seria conhecido, mas o recurso especial deles não poderia ser conhecido por ausência dos requisitos do dissídio jurisprudencial (falta do cotejo analítico e indicação do dispositivo federal), e o recurso do INSS não foi conhecido por ausência de prequestionamento dos arts. 40 e 41 da Lei 8.112/1990 e porque a análise demandaria revolvimento de fatos, vedado pela Súmula 7, razão pela qual ambos os recursos especiais não foram conhecidos.
Court Disposition
CONHEÇO do agravo dos particulares para NÃO CONHECER do apelo especial por eles interposto e NÃO CONHEÇO do recurso do INSS.
Orders
- CONHEÇO do agravo dos particulares para NÃO CONHECER do apelo especial por eles interposto e NÃO CONHEÇO do recurso do INSS.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recursos especiais interpostos por IVETE APARECIDA MORAES PRESTES eOUTROS e pelo INSS contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Regiãoassim ementado (e-STJ fl. 374): ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL: SERVIDOR PÚBLICO. "ADIANTAMENTO DO PCCS". LEI 7.686/88. INCORPORAÇÃO AOS VENCIMENTOS. LEI 8.460/92. I - Não há que se falar em causa interruptiva de prescrição o trânsito em julgado de sentença terminativa em processo diverso proferida em Vara Trabalhista, por falta de amparo legal. A interrupção da prescrição de que trata o artigo 219 do CPC refere-se à mesma ação, e não a ações em instâncias distintas. II - A Lei n.8.460/92, instituidora do novo Plano de Carreira do Funcionalismo Público Federal, determinou expressamente a incorporação do "Adiantamento do PCCS" aos vencimentos, de forma que, em razão da absorção integral dessa parcela aos vencimentos do servidor, ela não subsistiu como rubrica autônoma. III - Os servidores fazem jus à integração ou incorporação do adiantamento reclamado, inclusive para efeito de cálculo das demais verbas auferidas no período, a partir do período questionado, ou seja, 11 de dezembro de 1990, até o advento da Lei 8.460/92, cujo pagamento deverá observar a prescrição qüinqüenal das parcelas anteriores à propositura da ação (Decreto 20.910/32), observando-se ainda a compensação dos pagamentos administrativos eventualmente efetuados. IV - Os juros de mora são devidos por impositivo legal, a partir da citação, no percentual 0,5% ao mês, consoante o artigo 4º da MP 2.180-35/2001, afastando-se assim, qualquer outra forma de juros. V - No que diz respeito aos honorários advocatícios, a matéria rege-se pelo disposto no artigo 20, § 4º, do CPC, devendo ser fixados em R$ 2.000,00 (dois mil reais). VI - Apelação parcialmente provida. Alegam os particulares violação do disposto no art. 219 do CPC/1973 e dissídio jurisprudencial (e-STJ fls. 378/388). A autarquia previdenciária, por sua vez, afirma contrariedade doarts1º do n. Decreto n. 20.910/32 e dos arts. 40 e 41 da Lei n. 8.112/1990. O apelo especial dos servidores foi inadmitido na origem, em decisão desafiada por agravo (e-STJ fls. 546/551). Passo a decidir. Inicialmente, entendo que de fato, conforme indicado no agravo, a questão sobre a interrupção da prescrição constou expressamente do julgado impugnado, de modo que a matéria se encontrava devidamente prequestionada. Todavia, constou no acórdão que a reclamação trabalhista não poderia ter interrompido a prescrição da pretensão veiculada no presente processo, porque se tratava de processos diversos e em instâncias distintas, em razão dissoaquela não teria influência no lustro prescricional deste. A recorrente, porém, defende que este feito é decorrência da lide trabalhistae que por isso se aplicaria o art. 219 do CPC/1973. A revisão da questão, para saber o real contexto fático em que se operou a tramitação da ação trabalhista e sua relação com a presente lide, reclamaria revolvimento de toda matéria fática, inviável por conta do óbice da súmula 7. Por sua vez, a eventual a apreciação de recurso especial fundado em divergência jurisprudencial (alínea "c" do permissivo constitucional) mostra-se inviável quando o recorrente não demonstra o alegado dissídio por meio: a) da juntada de certidão ou de cópia autenticada do acórdão paradigma, ou, em sua falta, da declaração pelo advogado da autenticidade dessas; b) da citação de repositório oficial, autorizado ou credenciado, em que o acórdão divergente foi publicado; e c) do cotejo analítico, com a transcrição dos trechos dos acórdãos em que se funda a divergência, com a exposição das circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, não bastando, para tanto, a transcrição das ementas dos julgados em comparação. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.558.877/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 05/02/2016; AgRg no AREsp 752.892/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 04/11/2015. No presente caso, a parte recorrente deixou de realizar o cotejo analítico, na medida em que se limitou a mencionar julgados tido como paradigmas em sentido contrário ao do acórdão recorrido, sem especificar as nuances que envolveriam o caso concreto, não atendendo, portanto, aos pressupostos específicos necessários à configuração do dissenso jurisprudencial, preconizados peloart. 541, parágrafo único, do Código de Processo Civile no art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ. Ademais, ressalvado o meu entendimento pessoal, a jurisprudência desta Corte de Justiça é pacífica quanto à inadmissibilidade do recurso especial que, a despeito de fundamentar-se em dissídio jurisprudencial, deixa de apontar o dispositivo de lei federal ao qual o Tribunal de origem teria dado interpretação divergente daquela firmada por outros tribunais (AgRg no REsp. 1.346.588/DF, relator Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, Corte Especial, DJe 17/03/2014). Na espécie, a parte recorrente não se desincumbiu de indicar o dispositivo de lei federal supostamente violado em razão do dissídio. Assim, em respeito à orientação firmada pela Corte Especial deste Tribunal, ajusta-se à hipótese a aplicação do contido na Súmula 284 do STF. Além disso, esta Corte Superior entende que a aplicação da Súmula 7 em relação ao recurso especial interposto pela alínea "a" do permissivo constitucional prejudica a análise da mesma matéria indicada no dissídio jurisprudencial (AgInt no AgInt no AREsp 1.618.014/SP, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Terceira Turma, julgado em 09/08/2021, DJe 17/08/2021). Sobre o recurso do INSS, entendo que também não merece conhecimento. Não houve o prequestionamento em relação aos arts. 40 e 41 da Lei n. 8.112/1990,nem foi discutida a tese da prescrição do fundo do direito, em razão dissoaplicáveis ao caso as Súmulas 211 desta Corte e 282 e 356 do STF. E mais: o acolhimento da tese da prescrição, como dito acima, pressuporia revolver os fatos relativos à relação desta ação com a lide trabalhista com ela possivelmente associada, encontrando óbice na súmula 7. Ante o exposto, CONHEÇO do agravo dos particulares para NÃO CONHECER do apelo especial por eles interposto e NÃO CONHEÇO do recurso do INSS.