AREsp 1983237 - DECISAO
Não houve prequestionamento da tese pretendida e a alegação sobre a extensão da sucumbência exigiria reexame de matéria fático-probatória, vedado pela Súmula n. 7 do STJ; assim, conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial, e aplicou-se a majoração dos honorários nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: MUNICÍPIO DE GOIÂNIA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial (conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial)
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial; majoro os honorários advocatícios em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem.
- Legal Topics
- Indenização Por Danos Morais, Indenização Por Danos Materiais, Sucumbência, Honorários Advocatícios, Gratuidade De Justiça, Prequestionamento, Súmula 7/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MUNICÍPIO DE GOIÂNIA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial (conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 ausência de prequestionamento da tese recursal
- 2 verificação da sucumbência recíproca e distribuição das verbas sucumbenciais
- 3 vedação ao reexame de matéria fático-probatória (Súmula 7 do STJ)
Ratio Decidendi
Não houve prequestionamento da tese pretendida e a alegação sobre a extensão da sucumbência exigiria reexame de matéria fático-probatória, vedado pela Súmula n. 7 do STJ; assim, conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial, e aplicou-se a majoração dos honorários nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial; majoro os honorários advocatícios em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem.
Orders
- Conhecer do agravo
- Não conhecer do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado pelo MUNICÍPIO DE GOIÂNIA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, que visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. DEMISSÃO DE SERVIDOR MUNICIPAL. VÍCIO DO PAD E RESPECTIVO DIREITO A REINTEGRAÇÃO NO CARGO, COM PERCEPÇÃO DAS PARCELAS REMUNERATÓRIAS DEVIDAS NO PERÍODO DE AFASTAMENTO, RECONHECIDOS EM AÇÃO JUDICIAL ANTERIOR. DANO EXTRAPATRIMONIAL. CONFIGURADO. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Quanto à controvérsia trazida nos autos, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega a parte recorrente violação do art. 86, parágrafo único, do CPC, no que concerne à não ocorrência da sucumbência recíproca, visto que o valor atribuído à condenação pelo Tribunal local foi de aproximadamente 0,035% da quantia requerida na petição inicial, o que evidencia o decaimento de parte mínima do pedido, trazendo os seguintes argumentos: Nada obstante a condenação do ente público, verifica-se que o requerente pleiteou na inicial valores astronômicos, quais sejam: a) 3 milhões a título de danos materiais emergentes; b) 14 milhões a título de lucros cessantes; e c) 25 milhões a título de danos morais. Desta feita, o valor atribuído à condenação pelo tribunal local foi de cerca de 0,035% do pleiteado na inicial, o que evidencia a ocorrência de decaimento de parte mínima do pedido pela Municipalidade. Nesse sentido, tendo o Município sucumbido de parte mínima de seu pedido, deve o autor responder por inteiro pelas despesas processuais e honorários advocatícios - ainda que a exigibilidade esteja suspensa em razão da concessão de gratuidade de justiça -, nos termos do art. 86, parágrafo único, do CPC. Resta evidenciado, pois, que o tribunal de origem equivocou-se ao atribuir às partes iguais proporções no que tange às verbas sucumbenciais, as quais, em relação à Edilidade, sequer deveriam ter sido arbitradas (fls. 466). É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, não houve o prequestionamento da tese recursal, uma vez que a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente. Nesse sentido: "Quanto à segunda controvérsia, o Distrito Federal alega violação do art. 91, § 1º, do CPC. Nesse quadrante, não houve prequestionamento da tese recursal, uma vez que a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente no sentindo de que a realização de perícia por entidade pública somente ser possível quando requerida pela Fazenda Pública, pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública. " (AgInt no AREsp n. 1.582.679/DF, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26/05/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.514.978/SC, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17/6/2020; AgInt no AREsp 965.710/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19/9/2018; e AgRg no AREsp 1.217.660/SP, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 4/5/2018. Ademais, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: Ocorre que, ao conferir parcial provimento ao apelo para julgar procedente o pedido de indenização por danos morais, este Colegiado entendeu pela ocorrência de sucumbência recíproca, tendo sido claro ao determinar a distribuição igualitária do respectivo ônus entre as partes, assim como ao fixar os honorários sucumbenciais em 20% sobre o valor da condenação, o que, por óbvio, substitui o disposto na sentença ( vide artigo 1.008 do CPC/15). Com efeito, a decisão embargada, no específico trecho em que "manteve a sentença recorrida", diz respeito apenas à improcedência do pedido de indenização por danos materiais (danos emergentes e lucros cessantes), e não à distribuição do ônus sucumbencial, o que resta claro e, portanto, não merece pronunciamento integrativo - retificador. Noutro ponto, vejo que razão também não assiste ao 2º. embargante, porquanto, como se infere do decisum atacado, a pretensão externada na peça inaugural consiste no recebimento de indenização por danos materiais e morais, sendo que, quando da análise do recurso de apelação, a reparação extrapatrimonial foi concedida, o que resultou, no entender desta Corte, em sucumbência recíproca, inexistindo, pois, contradição a ser sanada, mas mero inconformismo com o que foi decidido e, sobretudo, a tentativa de utilizar os embargos de declaração como via transversa para a reabertura do debate em torno de temas já analisados. Certo é que, se o 2º. embargante entende que o julgado não solucionou a demanda em conformidade com a prestação judicial esperada, outra há de ser a via recursal escolhida que não a dos embargos, limitados aos pressupostos do artigo 1.022 do Código de Processo Civil (fls. 454/55) Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que, muito embora possa o STJ atuar na revisão das verbas honorárias, a apreciação do quantitativo em que autor e réu saíram vencedores ou vencidos na demanda enseja o revolvimento de matéria eminentemente fática. Nesse sentido: "A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de não ser possível a revisão do quantitativo em que autor e réu decaíram do pedido, para fins de aferir a sucumbência recíproca ou mínima, por implicar reexame de matéria fático-probatória, procedimento vedado pela Súmula n. 7 do STJ". (AgInt no AREsp 969.868/MT, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 25/6/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no REsp 1.848.602/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 28/8/2020; AgInt no AREsp 1.571.133/MG, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 7/5/2020; AgInt no REsp 1.336.000/SC, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 14/2/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.