AREsp 2705570 - DECISAO
Havendo pluralidade de beneficiários da indenização do seguro DPVAT, não se presume solidariedade entre eles e a obrigação é divisível; assim, o pagamento deve ser efetuado a cada beneficiário que o postular conforme sua cota-parte. Dessa forma, o acórdão recorrido foi reformado para reconhecer o direito de WILKER...
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- Parties
- Agravante: SEGURADORA LIDER DO CONSORCIO DO SEGURO DPVAT S.A. (LIDER); Autor/beneficiário: WILKER ESPINDOLA FERREIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Proferida Pelo Superior Tribunal De Justiça: Agravo Conhecido E Provido; Recurso Especial Conhecido E Provido
- Outcome
- Agravo conhecido e provido; recurso especial conhecido e provido; acórdão recorrido reformado para reconhecer o direito de WILKER ESPINDOLA FERREIRA ao recebimento de sua cota-parte na indenização securitária.
- Legal Topics
- Indenização Securitária, Pluralidade De Beneficiários, Cota Parte, Solidariedade Entre Beneficiários, Divisibilidade Da Obrigação
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Parties
SEGURADORA LIDER DO CONSORCIO DO SEGURO DPVAT S.A. (LIDER)
Agravante
WILKER ESPINDOLA FERREIRA
Autor/beneficiário
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Proferida Pelo Superior Tribunal De Justiça: Agravo Conhecido E Provido; Recurso Especial Conhecido E Provido
Legal Issues
- 1 Existe solidariedade entre os beneficiários da indenização securitária do DPVAT?
- 2 A obrigação de pagamento da indenização do seguro DPVAT é divisível ou indivisível?
- 3 Qual o direito do beneficiário que postula o pagamento quando há pluralidade de beneficiários (cota-parte)?
Ratio Decidendi
Havendo pluralidade de beneficiários da indenização do seguro DPVAT, não se presume solidariedade entre eles e a obrigação é divisível; assim, o pagamento deve ser efetuado a cada beneficiário que o postular conforme sua cota-parte. Dessa forma, o acórdão recorrido foi reformado para reconhecer o direito de WILKER ESPINDOLA FERREIRA ao recebimento de sua cota-parte na indenização securitária.
Court Disposition
Agravo conhecido e provido; recurso especial conhecido e provido; acórdão recorrido reformado para reconhecer o direito de WILKER ESPINDOLA FERREIRA ao recebimento de sua cota-parte na indenização securitária.
Orders
- Conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial
- Reforma do acórdão recorrido
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por SEGURADORA LIDER DO CONSORCIO DO SEGURO DPVAT S.A. (LIDER), contra decisão que negou seguimento ao seu apelo nobre. Foi apresentada contraminuta (e-STJ, fls. 610/616). É o relatório. Decido. O agravo é espécie recursal cabível, foi interposto tempestivamente e com impugnação adequada aos fundamentos da decisão recorrida. CONHEÇO, portanto, o agravo e passo ao exame do recurso especial, que merece prosperar. Nas razões de seu apelo nobre, interposto com base no art. 105, III, alíneas a e c, da CF, LIDER alegou, a par de dissídio, a violação ao art. 4º da Lei n.º 6.194/74, aduzindo, em suma, que a existência de outros legítimos beneficiários, não integrantes da lide, implica ao autor da demanda o direito ao recebimento de apenas a sua cota-parte da indenização (e-STJ, fls. 528/545). Do pagamento da indenização quando há pluralidade de beneficiários A matéria aqui tratada foi consolidada pela eg. Terceira Turma desta Corte, no julgamento do REsp n.º 1.863.668/MS, relator para acórdão Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado aos 9/3/2021, DJe de 22/4/2021, sob o entendimento de que, havendo pluralidade de beneficiários, o pagamento da indenização do seguro DPVAT deverá ser feito a cada um que o postular, conforme sua cota-parte. A propósito, confira-se a ementa do referido precedente: RECURSO ESPECIAL. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. SEGURO OBRIGATÓRIO (DPVAT). MORTE DA VÍTIMA. INDENIZAÇÃO SECURITÁRIA. PLURALIDADE DE BENEFICIÁRIOS. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. OBRIGAÇÃO. NATUREZA DIVISÍVEL. DESMEMBRAMENTO EM PARTES. PAGAMENTO. COTA-PARTE. ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. SEGURADORA. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. As questões controvertidas nestes autos são: (i) definir se existe solidariedade entre os beneficiários da indenização securitária oriunda do seguro obrigatório (DPVAT), sobretudo na hipótese de ocorrência do sinistro morte da vítima, e (ii) definir se a obrigação daí originada possui natureza divisível ou indivisível. 3. As obrigações solidárias e as indivisíveis, apesar de serem diferentes, ostentam consequências práticas semelhantes, sendo impossível serem adimplidas em partes. 4. Não há falar em solidariedade entre os beneficiários do seguro obrigatório (DPVAT), visto inexistir norma ou contrato instituindo-a. O art. 265 do CC dispõe que a solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. 5. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, seja por sua natureza, por motivo de ordem econômica ou dada a razão determinante do negócio jurídico (art. 258 do CC). 6. A indenização decorrente do seguro DPVAT, de natureza eminentemente pecuniária, classifica-se como obrigação divisível, visto que pode ser fracionada sem haver a desnaturação de sua natureza física ou econômica. 7. A indivisibilidade pela razão determinante do negócio decorre da oportunidade e da conveniência das partes interessadas, não sendo o caso do seguro obrigatório. 8. O eventual caráter social, por si só, não é apto a transmudar a obrigação, tornando-a indivisível. 9. A seguradora atua como gestora do fundo mutual, não havendo enriquecimento sem causa a partir da parcela que ficará pendente de pagamento ao beneficiário inerte, visto que tal numerário não pode ser apropriado pelo ente segurador, mas permanece integrando o próprio fundo, o qual possui destinação social específica. 10. Afastadas tanto a solidariedade entre os beneficiários do seguro obrigatório (DPVAT) quanto a indivisibilidade da obrigação, é admissível a cisão do valor para fins de pagamento da indenização. 11. Havendo pluralidade de beneficiários, o pagamento da indenização do seguro DPVAT deverá ser feito a cada um que o postular, conforme sua cota-parte. 12. Recurso especial conhecido e provido. (REsp n. 1.863.668/MS, relatora Ministra Nancy Andrighi, relator para acórdão Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 9/3/2021, DJe de 22/4/2021 - sem destaques no original) No mesmo sentido, confiram-se os recentes julgados: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA DE SEGURO DPVAT. MORTE DA VÍTIMA. INDENIZAÇÃO SECURITÁRIA. PLURALIDADE DE BENEFICIÁRIOS. SOLIDARIEDADE ENTRE HERDEIROS. INEXISTÊNCIA. DIREITO AO RECEBIMENTO DE COTA-PARTE. SÚMULAS 83 DO STJ. 1. O Tribunal de origem julgou nos moldes da jurisprudência desta Corte. Incidência da Súmula n. 83 do STJ. 2. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.325.768/MT, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/3/2024, DJe de 22/3/2024 - sem destaques no original) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. SEGURO OBRIGATÓRIO (DPVAT). MORTE DA VÍTIMA. INDENIZAÇÃO SECURITÁRIA. PLURALIDADE DE BENEFICIÁRIOS. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. OBRIGAÇÃO. NATUREZA DIVISÍVEL. DESMEMBRAMENTO EM PARTES. PAGAMENTO. COTA-PARTE. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. Havendo pluralidade de beneficiários, o pagamento da indenização do seguro DPVAT deverá ser feito a cada um que o postular, conforme sua cota-parte. Precedentes. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.914.972/MS, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 14/2/2022, DJe de 22/2/2022 - sem destaque no original) No caso dos autos, o TJMT concluiu que o herdeiro da vítima, ora autor, além dos demais requisitos previstos na aludida norma, demonstrou a qualidade de beneficiário, conforme se verifica pelos documentos juntados na inicial, possui legitimidade ativa para propor a referida demanda que visa a cobrança securitária, bem como, no caso de surgirem novos herdeiros, estes deverão pleitear o crédito em outra demanda, a ser ajuizada contra o autor que recebeu a importância do seguro, não havendo nenhum prejuízo à Seguradora ora apelante (e-STJ, fl. 523). Desse modo, o acórdão recorrido deve ser reformado, tendo em conta que, havendo pluralidade de beneficiários, o pagamento da indenização do seguro DPVAT deverá ser feito a cada um que o postular, conforme sua cota-parte, pois não há que se falar em solidariedade entre os beneficiários do seguro obrigatório. Assim, porque os fundamentos adotados pelo acórdão recorrido estão em dissonância com o entendimento firmado nesta Corte, deve ser ele reformado, colhendo a incidência da Súmula n.º 568 do STJ, segundo a qual o relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema. Nessas condições, CONHEÇO do agravo para DAR PROVIMENTO ao recurso especial, a fim de reconhecer o direito de WILKER ESPINDOLA FERREIRA ao recebimento da sua cota-parte na indenização securitária. Por oportuno, previno as partes de que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, ou 1.026, § 2º, ambos do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA CIVIL E PROCESSO CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SEGURO OBRIGATÓRIO (DPVAT). MORTE DA VÍTIMA. INDENIZAÇÃO SECURITÁRIA. PLURALIDADE DE BENEFICIÁRIOS. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. OBRIGAÇÃO. NATUREZA DIVISÍVEL. DESMEMBRAMENTO EM PARTES. PAGAMENTO. COTA-PARTE. PRECEDENTES DO STJ. REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO.