AREsp 2704579 - DECISAO
O STJ concluiu que não houve omissão do Tribunal de origem, que analisou o conjunto probatório (confissão de ingestão de álcool e recusa ao bafômetro) e constatou o nexo causal entre o uso de substância alcoólica e o acidente; rever tal avaliação demandaria reexame de provas, o que é vedado pela Súmula 7, razão pela...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: ALAN FREIRE VILARINDO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Agravo No STJ (negado Provimento)
- Outcome
- nego provimento ao agravo
- Legal Topics
- Indenização Securitária, Embriaguez, Reexame De Provas, Admissibilidade De Recurso Especial, Honorários De Sucumbência, Gratuidade De Justiça
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
ALAN FREIRE VILARINDO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Agravo No STJ (negado Provimento)
Legal Issues
- 1 admissibilidade do recurso especial diante das Súmulas 7 e 211 do STJ
- 2 se ingestão de bebida alcoólica equivale a estado de embriaguez para fins de exclusão de cobertura securitária
- 3 nexo de causalidade entre a conduta de dirigir sob influência de álcool e o acidente
Ratio Decidendi
O STJ concluiu que não houve omissão do Tribunal de origem, que analisou o conjunto probatório (confissão de ingestão de álcool e recusa ao bafômetro) e constatou o nexo causal entre o uso de substância alcoólica e o acidente; rever tal avaliação demandaria reexame de provas, o que é vedado pela Súmula 7, razão pela qual negou provimento ao agravo.
Court Disposition
nego provimento ao agravo
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Majoro em 10% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem os honorários advocatícios em desfavor da parte recorrente, nos termos do §11 do art. 85 do CPC, observados os limites do §2º e ressalvada eventual gratuidade de justiça.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por ALAN FREIRE VILARINDO contra a decisão que inadmitiu o recurso especial com fundamento nas Súmulas n. 7 e 211 do STJ (fls. 137-144). Alega o agravante que os pressupostos de admissibilidade do recurso especial foram atendidos. Na contraminuta, a parte agravada aduz que o presente recurso especial busca o reexame dos fatos, vedado no recurso especial (fls. 456-470). O recurso especial foi interposto, com fundamento no art. 105, III, a da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe em apelação nos autos de ação de cobrança de seguro automóvel c/c indenização por danos materiais e morais. O julgado foi assim ementado (fls. 356-357): Apelação cível. Indenização securitária. Recusa. Embriaguez. Recusa do exame do bafômetro. Confissão de ingestão de bebida alcóolica. Agravamento do risco. Reexame de fatos e provas em grau de recurso. Decisão mantida. Apelação desprovida. 1. O Superior Tribunal de Justiça sedimentou entendimento no sentido de que, constatado que o condutor do veículo estava sob influência do álcool (causa direta ou indireta) quando se envolveu em acidente de trânsito - fato esse que compete à seguradora comprovar - há presunção relativa de que o risco da sinistralidade foi agravado, a ensejar a aplicação da pena do art. 768 do CC. 2. A indenização securitária deverá ser paga se o segurado demonstrar que o infortúnio ocorreria independentemente do estado de embriaguez (falha do próprio automóvel, imperfeições na pista, animal na estrada, entre outros). Os embargos de declaração opostos foram decididos nestes termos (fls. 378-379): Embargos de declaração que visa combater acórdão em apelação cível - Alegado erro material no julgado em relação à majoração dos honorários de sucumbência por ser beneficiário da gratuidade de justiça - Não acolhimento - A concessão da gratuidade não elide a condenação daquele que restou sucumbente - Contudo, há a necessidade de registrar a suspensão da exigibilidade das verbas de sucumbência em face da concessão da justiça gratuita - Saneamento da omissão - Alegação de omissão e obscuridade no corpo do julgado - Não constatação - Recurso conhecido e parcialmente provido. No recurso especial, a parte aponta violação dos seguintes artigos: a) 1022, I e II, do CPC, porquanto o Tribunal estadual não enfrentou a alegação de que ingestão de bebida alcoólica não significa necessariamente estado de embriaguez; b) 165-A, 165 e 277 da Lei n. 9.503/1997, porquanto dirigir veículo tendo ingerido bebida alcoólica nem sempre significa dependência química e nem sempre é possível certificar ao certo a sua existência. Requer o provimento do recurso para que se reforme a decisão recorrida a fim de condenar a seguradora a cumprir o contrato de seguro avençado entre as partes, conforme inicial, uma vez que ingestão de bebida alcoólica não significa necessariamente estado de embriaguez. Nas contrarrazões, a parte recorrida aduz que o presente recurso especial busca alterar o entendimento do acórdão que concluiu que o recorrente havia ingerido bebida alcoólica e se negou a realizar o exame de bafômetro, sendo que o nexo de causalidade entre a embriaguez e o acidente se dá devido a todo o contexto que ocorreu o acidente, e requer que não seja admitido o recurso especial pela ausência dos requisitos de admissibilidade (fls. 456-470). É o relatório. Decido. A controvérsia diz respeito à ação de cobrança de seguro automóvel c/c indenização por danos materiais e morais em que a parte autora pleiteou o ressarcimento integral do valor do seu veículo, além de indenização por danos morais. Na sentença, o Juízo de primeiro grau julgou totalmente improcedentes os pedidos autorais, extinguindo o feito com resolução do mérito, na forma do art. 487, I, do CPC, e condenou a parte autora ao pagamento das custas e honorários advocatícios, os quais arbitrou em 10% sobre o valor da causa, observando o que dispõe o art. 85, § 2º, do CPC. A Corte estadual manteve a sentença incólume nos seus termos. De início, afasto a alegação de ofensa ao art. 1.022 do CPC, porquanto, ao contrário do alegado no recurso especial, o Tribunal de origem enfrentou a alegação de que ingestão de bebida alcoólica não significa necessariamente estado de embriaguez. No recurso especial, a parte recorrente alega que houve omissões na decisão ora recorrida, bem como não foram enfrentados todos os argumentos deduzidos no processo, capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador. A Corte estadual concluiu que não houve omissão ou obscuridade no enfrentamento do tema da embriaguez, uma vez que o próprio embargante confirmou a ingestão alcóolica. Confira-se trecho do acórdão recorrido (fl. 357): A insistência na diferença terminológica em nada altera os fundamentos da respeitável sentença ora confirmada por este acórdão, tendo em vista que, em hipótese alguma, deve-se conduzir veículo sob qualquer ação de etílicos. De acordo com a carta de recusa do pagamento do seguro, fundamenta-se em todas as razões que estão contratualmente assentadas no fato da direção ter ocorrido sob a influência de substância alcóolica. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste ao recorrente. A Corte estadual concluiu que ficou comprovado o nexo de causalidade entre o uso de substância alcóolica, confessada pelo próprio condutor ao Policial Rodoviário Federal e o acidente, sendo causa excludente de indenização securitária. Confira-se trecho do acórdão recorrido (fl. 357): O juízo de origem, analisando todo o acervo probatório constante dos autos, concluiu que o autor havia realmente ingerido álcool e que, no estado em que se encontrava, colocava em perigo a própria segurança e a alheia. Esclareceu-se ainda que não houve teste do bafômetro vez que o próprio apelante se negou a realizá-lo, pois informou de maneira clara que havia ingerido bebida alcóolica (fls. 53). Ressalte-se, contudo, que a diferença terminológica em nada alterava os fundamentos da decisão. Concluiu-se, assim, que ficou comprovado o nexo de causalidade entre o uso de substância alcóolica, confessada pelo próprio condutar ao Policial Rodoviário Federal e o acidente. Não obstante, a despeito da negativa do autor em realizar o exame de dosagem alcoólica, negativa esta que, ressalta-se, não lhe prejudica e tampouco o beneficia em exame de verificação de embriaguez foi plenamente dito ao policial que não faria o citado teste pois havia realmente ingerido bebida. Sendo assim, conduzir veículo automotor sob influência de qualquer substância alcóolica além de constituir infração de trânsito é causa excludente de indenização securitária. A insistência na diferença terminológica em nada altera os fundamentos da respeitável sentença ora confirmada por este acórdão, tendo em vista que, em hipótese alguma, deve-se conduzir veículo sob qualquer ação de etílicos. De acordo com a carta de recusa do pagamento do seguro, fundamenta-se em todas as razões que estão contratualmente assentadas no fato da direção ter ocorrido sob a influência de substância alcóolica. Decorre de todo o exposto o nexo de causalidade, cuja demonstração advém de todo o contexto em que inserido o acidente. Como visto, o Tribunal a quo analisou a controvérsia fundamentando-se na análise do acervo probatório dos autos. Rever tal entendimento demandaria o reexame de provas, o que é incabível em recurso especial ante o óbice da Súmula n. 7 do STJ. Ante o exposto, nego provimento ao agravo . Nos termos do § 11 do art. 85 do CPC, majoro, em 10% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, os honorários advocatícios em desfavor da parte ora recorrente, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos no § 2º do referido artigo e ressalvada eventual concessão de gratuidade de justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA