AREsp 3158714 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque: (i) não houve prequestionamento da tese relativa ao art. 224, §1º, do CPC sob o viés pretendido pela recorrente; (ii) não se comprovou dissídio jurisprudencial na forma exigida (cotejo analítico e demonstração de similitude fática e jurídica); e...
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- Parties
- Recorrente/agravante: VITALITY EMPREENDIMENTO IMOBILIARIO SPE LTDA; Recorrido/origem: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 April 2026
- Procedural Posture
- Agravo (recurso Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial) / Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Indisponibilidade De Sistema Eletrônico, Prorrogação De Prazo Processual, Deserção Por Não Recolhimento Do Preparo, Preparo Recursal Em Dobro, Dissídio Jurisprudencial, Admissibilidade De Recurso Especial, Prequestionamento
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Parties
VITALITY EMPREENDIMENTO IMOBILIARIO SPE LTDA
Recorrente/agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Recorrido/origem
Procedural Posture
Agravo (recurso Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial) / Decisão Sobre Admissibilidade Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Se a indisponibilidade dos sistemas eletrônicos (e-SAJ e Portal de Custas) autoriza a prorrogação do termo inicial do prazo processual nos termos do art. 224, §1º, do CPC
- 2 Se houve prequestionamento da questão do art. 224, §1º, do CPC pela corte de origem
- 3 Se foi demonstrado dissídio jurisprudencial apto a fundamentar a alínea c do art. 105, III, CF/88
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque: (i) não houve prequestionamento da tese relativa ao art. 224, §1º, do CPC sob o viés pretendido pela recorrente; (ii) não se comprovou dissídio jurisprudencial na forma exigida (cotejo analítico e demonstração de similitude fática e jurídica); e (iii) a matéria exigiria reexame de prova pelo que incide a Súmula 7, além da constatação de deserção por ausência de recolhimento em dobro do preparo nos autos do tribunal de origem.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por VITALITY EMPREENDIMENTO IMOBILIARIO SPE LTDA à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. DECISÃO QUE APLICOU À EXECUTADA MULTA DE 20% DO VALOR DO DÉBITO, POR NÃO TER INDICADO BENS À PENHORA. RECURSO DESERTO. RECOLHIMENTO DO PREPARO NÃO COMPROVADO NO ATO DA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO. INTIMAÇÃO DA RECORRENTE, NOS TERMOS DO ART. 1.007, §4º, NCPC. NÃO DEMONSTRADO O EFETIVO E TEMPESTIVO RECOLHIMENTO EM DOBRO. AGRAVO NÃO CONHECIDO. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INDISPONIBILIDADE DO PORTAL E-SAJ. AUSÊNCIA DE RECOLHA DO PREPARO EM DOBRO. DESERÇÃO. REJEIÇÃO DOS EMBARGOS. Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz violação ao art. 224, § 1º, do Código de Processo Civil, no que concerne ao reconhecimento de que não houve deserção do agravo de instrumento, pois o dispositivo supracitado é claro ao afirmar que a indisponibilidade da comunicação eletrônica nos sistemas e-SAJ e Portal de Custas do TJSP nos dias da disponibilização e publicação acarreta a prorrogação do termo inicial do prazo para recolhimento em dobro do preparo recursal e restou comprovado o devido pagamento. Argumenta que: Conforme apontado na decisão recorrida, o E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo decidiu por julgar deserto o Agravo de Instrumento interposto pela Recorrente, por considerar intempestivo o recolhimento do preparo recursal em dobro, determinado nos termos do art. 1.007, § 4º, do Código de Processo Civil (fl. 1216). Acerca do tema, vale destacar que a intimação da Recorrente acerca do despacho que determinou o recolhimento em dobro das custas foi disponibilizada no Diário de Justiça eletrônico em dia 24 de abril 2025 e considerada publicada, portanto, no dia 25 de abril (fl. 1216). Desta forma, o prazo para cumprimento da determinação judicial se iniciaria no dia 28 de abril de 2025 ( dia útil subsequente), conforme se infere da certidão de fl. 1179 (fl. 1216). Considerando a suspensão de prazos do dia 1º e 2 de maio - Dia do trabalho e Suspensão de Expediente respectivamente, conforme Provimento CSM 2.765/2024, o prazo fatal para cumprimento do despacho se encerrava no dia 06 de maio de 2025 (fl. 1217). Ocorre que o v. acórdão recorrido simplesmente ignorou que o portal E- SAJ e o Portal de Custas do TJSP apresentaram indisponibilidade severa exatamente nos dias cruciais para o cumprimento da ordem: (i) E-SAJ apresentou indisponibilidade severa nos dias 23 e 24 de abril; e (ii) Portal de Custas do TJSP apresentou indisponibilidade severa no dia 25 de abril, que seria o da publicação do despacho (fl. 1217). Evidente que, tendo havido indisponibilidade técnica nos dias da disponibilização e da publicação, a qual comprometeu o recolhimento das custas, a contagem do prazo deve ser prorrogada para o primeiro dia útil subsequente, nos termos do artigo 224, §1º, do CPC. Assim, considera-se como data efetiva da publicação o dia 28 de abril de 2025, com início da contagem do prazo no dia 29 de abril de 2025 (fl. 1217). A afirmação viola a norma contida no artigo 224, § 1º, do Código de Processo Civil, que estabelece: (fl. 1217). Ou seja, em que pese o dispositivo de lei federal retro transcrito preveja a possibilidade de postergação do termo inicial dos prazos processuais quando há indisponibilidade eletrônica, o Tribunal a quo desconsiderou a norma, privilegiando a aplicação de dispositivo infra legal (resolução) em sentido contrário, o que não se pode admitir (fl. 1218). A contrariedade ao que estabelece a Lei Federal é evidente: (fl. 1218). É FATO INCONTROVERSO, portanto, que houve indisponibilidade do sistema no dia da publicação, o que é suficiente para suspender o início da contagem do prazo (fl. 1218). Destarte, ainda que, de acordo com a resolução, seja possível apenas a prorrogação do termo final, o Código de Processo Civil determina que a possibilidade se aplica também ao termo inicial. Oportuno destacar que o dispositivo invocado no acórdão recorrido não pode ser considerado lei especial em relação à lei processual, já que sequer é lei! (fl. 1218). Portanto, o Tribunal a quo ignorou por completo a norma em questão e decidiu pelo não conhecimento do Recurso de Apelação, diante da deserção (fl. 1218). A decisão, por óbvio, merece ser CASSADA, haja vista o erro de procedimento - com prejuízo manifesto à Recorrente. Por certo, a decisão proferida em desacordo com o que estabelece o Código de Processo Civil é NULA e não produz qualquer efeito (fl. 1218). Ressalta-se que, ao contrário do que consta no acórdão recorrido, o pagamento foi evidenciado em sede de embargos de declaração (fl. 1219). Evidente, portanto, que a decisão que não conheceu do Recurso de Apelação da Recorrente padece de NULIDADE INSUPERÁVEL e não produz qualquer efeito, devendo ser CASSADA (fl. 1219). Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "c" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz divergência jurisprudencial atinente à interpretação do art. 224, § 1º, do Código de Processo Civil, no que concerne ao reconhecimento da possibilidade de prorrogação do termo inicial do prazo processual, em razão de instabilidade do sistema de peticionamento eletrônico e indisponibilidade técnica na publicação. Argumenta a parte recorrente que: O entendimento adotado pelo TJSP acerca da matéria no acórdão recorrida também representa interpretação divergente daquela amplamente consolidada na jurisprudência (fl. 1218). Em ambos os casos (recorrido e paradigma), houve instabilidade do sistema de peticionamento eletrônico. Todavia, enquanto o STJ, no acórdão paradigma, reconheceu a possibilidade de prorrogação do termo inicial da contagem do prazo, o TJSP a rechaçou, entendendo que só é possível a prorrogação do termo final (fl. 1218). É o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, em relação ao art. 224, § 1º, do CPC deixar claro que a indisponibilidade da comunicação eletrônica nos sistemas e-SAJ e Portal de Custas do TJSP nos dias da disponibilização e publicação acarreta a prorrogação do termo inicial do prazo para recolhimento em dobro do preparo recursal, não houve o prequestionamento da tese recursal, porquanto a questão postulada não foi examinada pela Corte a quo sob o viés pretendido pela parte recorrente. Nesse sentido: "Não há prequestionamento da tese recursal quando a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente" (AgInt no AREsp n. 1.946.228/DF, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 28/4/2022). Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 2.023.510/GO, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJe de 29/2/2024; AgRg no AREsp n. 2.354.290/ES, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15/2/2024; AgInt no AREsp 1.514.978/SC, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.582.679/DF, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26/5/2020; AgInt no AREsp 965.710/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19.9.2018; e AgRg no AREsp 1.217.660/SP, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 4/5/2018. Além disso, o Tribunal a quo se manifestou nos seguintes termos: Note-se, ainda, que não obstante a intempestividade, o recolhimento do preparo não foi efetuado em dobro, em desacordo com a determinação outrora proferida. Desse modo, persiste a deserção em decorrência de duas omissões perpetradas, tão somente, pela parte Embargante (fl. 1.211). Assim, incide a Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), porquanto o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 2.113.579/MG, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJEN de 27/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.691.829/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 28/3/2025; AREsp n. 2.839.474/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJEN de 26/3/2025; AgInt no REsp n. 2.167.518/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJEN de 27/3/2025; AgRg no AREsp n. 2.786.049/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJEN de 26/3/2025; AgRg no AREsp n. 2.753.116/RN, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 25/3/2025; AgInt no REsp n. 2.185.361/CE, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 28/3/2025; AgRg no REsp n. 2.088.266/MG, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJEN de 25/3/2025; AREsp n. 1.758.201/AM, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, DJEN de 27/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.643.894/DF, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 31/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.636.023/RS, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 28/3/2025; AgInt no REsp n. 1.875.129/PE, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025. Quanto à segunda controvérsia, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, tendo em vista que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e o paradigma indicado, não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Nos termos dos arts. 1.029, § 1º, do CPC; e 255, § 1º, do RISTJ, a divergência jurisprudencial, com fundamento na alínea c do permissivo constitucional, exige comprovação e demonstração, em qualquer caso, por meio de transcrição dos trechos dos acórdãos que configurem o dissídio. Devem ser mencionadas as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados, a evidenciar a similitude fática entre os casos apontados e a divergência de interpretações, providência não realizada nos autos deste recurso especial" (AgInt no AREsp n. 2.275.996/BA, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, DJEN de 20/3/2025). Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16.3.2021.) Confiram-se também os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 2.168.140/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.452.246/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 20/3/2025; REsp n. 2.105.162/RJ, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 19/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.243.277/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Turma, DJEN de 19/3/2025; AgInt no REsp n. 2.155.276/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJEN de 18/3/2025; AgRg no REsp n. 2.103.480/PR, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJEN de 7/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.702.402/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.735.498/MT, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.169.326/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 27/2/2025; AREsp n. 2.732.296/GO, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJEN de 25/2/2025; EDcl no AgInt no AREsp n. 2.256.359/MS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJEN de 21/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.620.468/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 20/12/2024. Além disso, verifica-se que a tese recursal que serve de base para o dissídio jurisprudencial não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente. Dessa forma, reconhecida a ausência de prequestionamento da tese recursal objeto da divergência, inviável a demonstração do referido dissenso em razão da inexistência de identidade entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do recurso especial pela alínea "c" do permissivo constitucional. Nesse sentido: "A ausência de debate, no acórdão recorrido, acerca da tese recursal, também inviabiliza o conhecimento do recurso especial pela divergência jurisprudencial, pois, sem discussão prévia pela instância pretérita, fica inviabilizada a demonstração de que houve adoção de interpretação diversa". (AgRg no AREsp n. 1.800.432/DF, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 25/03/2021.) Sobre o tema, confira-se ainda o seguinte julgado: AgInt no AREsp n. 1.516.702/BA, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 17/12/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA