HC 1047334 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque foi utilizado como substitutivo de revisão criminal em face de acórdão com trânsito em julgado, o que importa em supressão de instância e usurpação da competência da instância originária; o Superior Tribunal de Justiça só processa revisão criminal relativa a seus próprios...
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- Parties
- Paciente: DIEGO MUDEH BRAGA; Paciente: FABIO SOARES DOS SANTOS; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 December 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus (substitutivo De Revisão Criminal) / Decisão De Não Conhecimento (art. 210 Do Regimento Interno Do Stj)
- Outcome
- habeas corpus não conhecido
- Legal Topics
- Individualização Da Pena, Pena Base, Valoração Do "local Público" Como Circunstância Agravante, Trânsito Em Julgado, Supressão De Instância, Não Conhecimento
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Parties
DIEGO MUDEH BRAGA
Paciente
FABIO SOARES DOS SANTOS
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus (substitutivo De Revisão Criminal) / Decisão De Não Conhecimento (art. 210 Do Regimento Interno Do Stj)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de utilização do habeas corpus como substitutivo de revisão criminal após o trânsito em julgado
- 2 Competência do Superior Tribunal de Justiça para processar revisão criminal apenas em face de seus próprios julgados (art. 105, I, e, CF)
- 3 Valoração da circunstância do "local público" para exasperação da pena-base
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque foi utilizado como substitutivo de revisão criminal em face de acórdão com trânsito em julgado, o que importa em supressão de instância e usurpação da competência da instância originária; o Superior Tribunal de Justiça só processa revisão criminal relativa a seus próprios julgados, nos termos do art. 105, I, e, da Constituição Federal, e, por isso, aplica-se o art. 210 do Regimento Interno do STJ para não conhecimento do writ.
Court Disposition
habeas corpus não conhecido
Orders
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de DIEGO MUDEH BRAGA e FABIO SOARES DOS SANTOS em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO. Consta dos autos que os pacientes, DIEGO MUDEH BRAGA e FABIO SOARES DOS SANTOS, foram condenados, cada qual, à pena de 21 (vinte e um) anos de reclusão em regime fechado, como incursos nas sanções do art. 121, § 2º, I e IV, do Código Penal. O impetrante sustenta que a pena-base foi elevada indevidamente ao se negativar as circunstâncias do crime pelo fato de o delito ter ocorrido em local público, sem demonstração concreta de maior reprovabilidade. Alega que o ambiente seria deserto, não havendo risco a terceiros, alarme social ou influência na execução, o que tornaria insuficiente a motivação adotada. Assevera que a valoração genérica do "local público" viola a individualização da pena e o devido processo, por ausência de correlação empírica com o caso. Afirma que o acórdão revisou apenas o período noturno, mantendo as demais circunstâncias negativas sem enfrentar o fundamento do "local público". Defende que, afastado um dos elementos concretos usados para exasperar a pena-base, impõe-se o redimensionamento proporcional da sanção. Entende que não é possível presumir a mesma fração de aumento sem o desvalor indevido, razão pela qual há constrangimento ilegal a ser sanado. Requer, no mérito, o redimensionamento da pena-base, com o afastamento do desvalor do "local público" e a readequação da reprimenda dos pacientes. O Ministério Público manifestou-se pela não concessão do habeas corpus. É o relatório. O presente writ foi impetrado em 26/10/2025 com o objetivo de impugnar o acórdão que julgou a apelação criminal, com trânsito em julgado em 6/9/2025 (fl. 76). Nesse contexto, a utilização do habeas corpus assume o caráter de substitutivo da revisão criminal, uma vez que a legislação processual exige a prévia submissão do pedido por meio de impugnação específica, sob pena de usurpação da competência da instância originária. Vale anotar que, consoante dispõe o art. 105, I, e, da Constituição Federal, a competência do Superior Tribunal de Justiça para julgar pretensão típica de revisão criminal é limitada aos seus próprios julgados, o que não é o caso dos autos. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. PENA-BASE. MATÉRIA NÃO DEBATIDA NA ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. CONSUMAÇÃO DO CRIME. PRÁTICA DE QUALQUER ATO DE LIBIDINAGEM OFENSIVO À DIGNIDADE SEXUAL DA VÍTIMA. MATERIALIDADE DELITIVA. AUSÊNCIA DE VESTÍGIOS NO LAUDO PERICIAL. IRRELEVÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. .. 2. Por força do art. 105, I, "e", da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. Por se tratar de habeas corpus substitutivo de via processual específica, não compete a esta Corte analisar os fundamentos de apelação transitada em julgado, a qual deve ser objeto de recurso interposto na origem, a fim de evitar inadmissível subversão de competência. Cabia à defesa trazer seus argumentos relativos à diminuição da reprimenda-base na ação revisional e depois impetrar o habeas corpus, a fim de possibilitar o exame da matéria por este Superior Tribunal, o que não fez. .. (AgRg no HC n. 914.206/RJ, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 15/8/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADE. BUSCA PESSOAL E DOMICILIAR. IMPETRAÇÃO APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DA CONDENAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INCOMPETÊNCIA DESSA CORTE SUPERIOR. WRIT SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. 1. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento segundo o qual: "o advento do trânsito em julgado impossibilita a admissão do writ, visto que o conhecimento de habeas corpus em substituição à revisão criminal subverte o sistema de competências constitucionais, transferindo a análise do feito de órgão estadual para este Tribunal Superior" (AgRg no HC n. 789.984/GO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 20/4/2023). 2. De acordo com o art. 105, I, e, da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados, o que não ocorre no presente caso, em que se insurge a defesa contra acórdão proferido pela instância antecedente, no julgamento de apelação criminal, cujo trânsito em julgado ocorreu em 28/9/2022. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 876.697/MG, relator Ministro Jesuíno Rissato - Desembargador convocado do TJDFT, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 16/8/2024.) Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA