AREsp 1724427 - ACORDAO
Mantida a decisão agravada porque a absolvição fundada no princípio in dubio pro reo decorre de dúvida insanável sobre a autoria, e a mudança do fundamento da absolvição para outro inciso do art. 386 do CPP exigiria reexame das premissas fático-probatórias, procedimento vedado pela Súmula 7 do STJ.
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- Parties
- Agravante: Jucelino Silva de Oliveira; Agravante: Edu Ulisses Tonet; Agravante: Jorge Roberto Braga; Agravante: Marcelo Pansolin Cardoso; Agravante: Marco Aurélio Cordeiro Kusdra
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado Pela Sexta Turma Decisão Denegatória Do Agravo Regimental
- Outcome
- Negado provimento ao agravo regimental
- Legal Topics
- In Dubio Pro Reo, Súmula 7 Do STJ, Art. 386 Do CPP, Absolvição, Revolvimento Fático Probatório, Peculato, Corrupção Passiva
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Parties
Jucelino Silva de Oliveira
Agravante
Edu Ulisses Tonet
Agravante
Jorge Roberto Braga
Agravante
Marcelo Pansolin Cardoso
Agravante
Marco Aurélio Cordeiro Kusdra
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado Pela Sexta Turma Decisão Denegatória Do Agravo Regimental
Legal Issues
- 1 Possibilidade de alteração do fundamento de sentença absolutória fundada no princípio in dubio pro reo sem revolvimento fático-probatório
- 2 Aplicação da Súmula 7 do STJ como óbice ao reexame de fatos e provas pelo STJ
Ratio Decidendi
Mantida a decisão agravada porque a absolvição fundada no princípio in dubio pro reo decorre de dúvida insanável sobre a autoria, e a mudança do fundamento da absolvição para outro inciso do art. 386 do CPP exigiria reexame das premissas fático-probatórias, procedimento vedado pela Súmula 7 do STJ.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo regimental
Orders
- Negado provimento ao agravo regimental
- Mantida a decisão agravada por seus próprios fundamentos
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DO IN DUBIO PRO REO. ALTERAÇÃO DE FUNDAMENTO DA ABSOLVIÇÃO. SÚMULA 7 DO STJ. 1. Devidamente fundamentada a sentença absolutória, nos termos do art.398, VII - CPP, pela aplicação do princípio do in dubio pro reo, dada a existência de dúvida insanável sobre a autoria, a reversão das premissas fáticas para alteração do fundamento da absolvição, para os incisos I, II ou IV do art. 386 do CPP implicaria revolvimento fático-probatório, o que encontra óbice na Súmula 7 do STJ. 2. Agravo regimental improvido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. A Sra. Ministra Laurita Vaz e os Srs. Ministros Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz e Antonio Saldanha Palheiro votaram com o Sr. Ministro Relator.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO) (Relator): - Trata-se de agravo regimental interposto contra decisão que negou provimento ao agravo de Jucelino Silva de Oliveira, Edu Ulisses Tonet e Jorge Roberto Braga. Sustentam que a pretensão absolutória por fundamento diverso prescinde de revolvimento fático-probatório, pois demanda mera revaloração jurídica, razão pela qual requerem o provimento do agravo regimental. Apresentada impugnação (fls. 2.674-2.676). É o relatório. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO) (Relator): - Insurgem-se os agravantes contra decisão que negou provimento ao agravo pela incidência da Súmula 7 do STJ. A sentença julgou parcialmente procedente a pretensão acusatória para condenar os agravantes a 12 dias de detenção, como incursos no art. 3º, "a", 4º, "a" e "c", da Lei 4.898/65, pena substituída por prestação pecuniária, no valor de 2 salários mínimos, e absolvê-los da imputação dos arts. 312 e 317, caput, e § 1º, do CP, com fundamento no art. 386, VII, do CPP. A apelação da defesa foi parcialmente provida em relação aos apelantes Jorge Roberto Braga, Edu Ulisses Tonet, Jucelino Silva de Oliveira, Marcelo Pansolin Cardoso e Marco Aurélio Cordeiro Kusdra, para, quanto ao crime de peculato, alterar o fundamento absolutório para o inciso III do art. 386 do CPP, por atipicidade da conduta ante a ausência de elemento subjetivo do tipo. Quanto ao crime de corrupção passiva, entendeu-se que, "se há dúvida probatória intransponível nos autos sobre a autoria delitiva - e não de certeza da inocência dos apelantes, que impõe, com esteio no aforismo do in dubio pro reo, a absolvição com fundamento no art. 386, inc. VII, do Código de Processo Penal, tal como reconhecido na sentença" (fl. 1.856). Encontrando-se devidamente fundamentada aplicação do princípio do in dubio pro reo, dada a existência de dúvida insanável sobre a autoria, a reversão das premissas fáticas para alteração do fundamento da absolvição para um dos incisos I, II ou IV do art. 386 do CPP implicaria revolvimento fático-probatório, o que encontra óbice na Súmula 7 do STJ. Nesse contexto, a decisão agravada deve ser mantida por seus próprios fundamentos, razão por que nego provimento ao agravo regimental. É o voto.