HC 898121 - DECISAO
Embora o art. 5º do Decreto n. 11.302/2022 limite o indulto a crimes cuja pena máxima em abstrato não supere cinco anos, o art. 7º, VI, parte final, do mesmo Decreto excepciona essa regra em relação ao art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006; como o tráfico privilegiado foi reconhecido pelo STF e pela jurisprudência desta Corte como não equiparado a hediondo, o indeferimento do indulto com base apenas na pena máxima em abstrato configura ilegalidade, justificando-se a concessão da ordem para determinar que o juízo de primeiro grau conceda o indulto natalino ao paciente quanto à condenação por tráfico privilegiado, salvo outros óbices não apreciados no writ.
- Parties
- Paciente: JULIO CESAR PEREZ PENA; Impetrante: Defensoria Pública; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça do Estado do Paraná
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 March 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão
- Outcome
- Habeas corpus não conhecido; ordem concedida de ofício para determinar ao Juízo de primeiro grau que conceda o indulto natalino ao paciente em relação à condenação pelo delito de tráfico na modalidade privilegiada
- Legal Topics
- Indulto Natalino, Tráfico Privilegiado, Interpretação De Decretos, Hediondez
Case Brief
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Parties
JULIO CESAR PEREZ PENA
Paciente
Defensoria Pública
Impetrante
Tribunal de Justiça do Estado do Paraná
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão
Legal Issues
- 1 possibilidade de concessão de indulto natalino ao condenado por tráfico privilegiado
- 2 interpretação conjunta dos arts. 5º e 7º do Decreto Presidencial n. 11.302/2022
- 3 se o tráfico privilegiado é equiparado a crime hediondo
Ratio Decidendi
Embora o art. 5º do Decreto n. 11.302/2022 limite o indulto a crimes cuja pena máxima em abstrato não supere cinco anos, o art. 7º, VI, parte final, do mesmo Decreto excepciona essa regra em relação ao art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006; como o tráfico privilegiado foi reconhecido pelo STF e pela jurisprudência desta Corte como não equiparado a hediondo, o indeferimento do indulto com base apenas na pena máxima em abstrato configura ilegalidade, justificando-se a concessão da ordem para determinar que o juízo de primeiro grau conceda o indulto natalino ao paciente quanto à condenação por tráfico privilegiado, salvo outros óbices não apreciados no writ.
Court Disposition
Habeas corpus não conhecido; ordem concedida de ofício para determinar ao Juízo de primeiro grau que conceda o indulto natalino ao paciente em relação à condenação pelo delito de tráfico na modalidade privilegiada
Orders
- Não conheço do habeas corpus.
- Concedo a ordem, de ofício, para determinar ao Juízo de primeiro grau que conceda o indulto natalino ao paciente em relação à condenação pela prática do delito de tráfico, na modalidade privilegiada, afastando a vedação do art. 5º do Decreto Presidencial n. 11.302/2022, exceto se existirem outros óbices não...
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