AREsp 2546824 - DECISAO
Conforme o art. 11, parágrafo único, do Decreto Presidencial n. 11.302/2022 e à luz da decisão do Plenário do STF na SL n. 1.698/RS, quando a unificação de penas decorre de condenações em processos diversos, é necessário o cumprimento integral das penas relativas aos crimes impeditivos elencados no art. 7º do...
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- Parties
- Agravante: MIKAEL JACSON SANTOS DE SOUSA; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Conhecimento E Julgamento Do Agravo; Decisão De Mérito Para Negar Provimento Ao Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Indulto Presidencial, Concurso De Crimes, Unificação De Penas, Inadmissão De Recurso Especial
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Parties
MIKAEL JACSON SANTOS DE SOUSA
Agravante
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Conhecimento E Julgamento Do Agravo; Decisão De Mérito Para Negar Provimento Ao Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Interpretação do art. 11, parágrafo único, do Decreto Presidencial n. 11.302/2022 quanto à incidência quando as penas foram unificadas decorrentes de condenações em processos distintos
- 2 Possibilidade de concessão de indulto quando houver penas correspondentes a crimes impeditivos pendentes de cumprimento após unificação de penas
- 3 Reconhecimento do concurso material de crimes na fase de execução e sua influência na concessão do indulto
Ratio Decidendi
Conforme o art. 11, parágrafo único, do Decreto Presidencial n. 11.302/2022 e à luz da decisão do Plenário do STF na SL n. 1.698/RS, quando a unificação de penas decorre de condenações em processos diversos, é necessário o cumprimento integral das penas relativas aos crimes impeditivos elencados no art. 7º do decreto para que seja possível conceder o indulto; assim, manteve-se o indeferimento do pedido de indulto e negou-se provimento ao recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo
- Nego provimento ao recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO MIKAEL JACSON SANTOS DE SOUSA agrava de decisão que inadmitiu seu recurso especial, interposto com base no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso no Agravo em Execução Penal n. 1015486-25.2023.8.11.0000. Nas razões do recurso especial, a defesa aponta a violação dos arts. 5º e 11, do Decreto Presidencial n. 11.302/2022. Para tanto, argumenta que somente incide a previsão impeditiva do decreto quando reconhecido, na mesma sentença, o concurso de crimes. Quando as penas unificadas decorrerem de condenações em processos distintos, é cabível o perdão. Requer o provimento do recurso, para que seja concedido o indulto presidencial ao agravante. O apelo especial foi inadmitido durante o juízo prévio de admissibilidade, o que ensejou a interposição deste agravo. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não provimento do reclamo (fls. 525-532). Decido. O agravo é tempestivo e infirmou os fundamentos da decisão agravada, razões pelas quais comporta conhecimento. O especial, por sua vez, suplanta o juízo de prelibação, haja vista a ocorrência do necessário prequestionamento, além de estarem presentes os demais pressupostos de admissibilidade (cabimento, legitimidade, interesse, inexistência de fato impeditivo, tempestividade e regularidade formal), motivos pelos quais avanço na análise de mérito da controvérsia. Extrai-se dos autos que o agravante cumpre pena pela prática dos delitos de furto e roubo. A Corte de origem, manteve a decisão do Juízo das execuções que indeferiu o pedido de indulto formulado com base no Decreto n. 11.302/2022 em favor do ora insurgente, nos termos da seguinte ementa (fl. 414): AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL - INDULTO NATALINO - DECRETO PRESIDENCIAL Nº. 11.302/2022 -NEGATIVA NA ORIGEM - REPRIMENDAS DOS DELITOS IMPEDITIVOS QUE SE ENCONTRAM PENDENTES DE CUMPRIMENTO - REQUISITOS NÃO PREENCHIDOS - INTELIGÊNCIA DO ART. 11, PARÁGRAFO ÚNICO, DO DECRETO PRESIDENCIAL - DISCRICIONARIEDADE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA - DECISÃO MANTIDA - PREQUESTIONAMENTO - DESNECESSIDADE DE MANIFESTAÇÃO EXPRESSA SOBRE CADA UM DOS DISPOSITIVOS LEGAIS - AGRAVO DESPROVIDO. A sentença concessiva do indulto tem natureza declaratória. O julgador deve observar estritamente os requisitos exigidos pelo Presidente da República, sob pena de usurpação da competência privativa disposta no art. 84, XII, da Constituição Federal (v.g.: AgRg no HC n. 773.059/AM, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 13/3/2023, DJe de 16/3/2023). A Terceira Seção desta Corte Superior havia assinalado que, "apenas no caso de crime impeditivo cometido em concurso com crime não impeditivo que se exige o cumprimento integral da reprimenda dos delitos da primeira espécie" (AgRg no HC n. 856.053/SC, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Terceira Seção, julgado em 8/11/2023, DJe de 14/11/2023). Todavia, nos autos da SL N. 1.698/RS, em julgamento realizado em 21/2/2024, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, determinou a suspensão imediata das ordens concedidas pelo STJ com fundamento nesta interpretação. No intuito de preservar a segurança jurídica em torno da interpretação dada ao art. 11, parágrafo único, do Decreto n. 11.302/2022, o órgão de instância máxima assinalou a impossibilidade da concessão do indulto quando, realizada a unificação de penas, restar o cumprimento da reprimenda referente aos crimes impeditivos para a concessão do benefício, listados no art. 7º do referido decreto. Nos termos do art. 11, parágrafo único, do Decreto Presidencial n. 11.302/2022: .. não será concedido indulto natalino correspondente a crime não impeditivo enquanto a pessoa condenada não cumprir a pena pelo crime impeditivo do benefício, na hipótese de haver concurso com os crimes a que se refere o art. 7º, ressalvada a concessão fundamentada no incis o III do caput do art. 1º. Existem várias modalidades de concurso de crimes. O material está previsto no art. 69 do CP e ocorre quando o agente pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, mediante mais de uma ação (ou omissão). Nesta hipótese, as penas são aplicadas cumulativamente. Não há exigência, na norma legal, de mesmo contexto fático, unidade de desígnios ou similares condições de tempo em lugar. Assim como ocorre com a continuidade delitiva, a verificação da prática de dois ou mais ilícitos, de forma independente e em momentos distintos (art. 69 do CP), pode ocorrer tanto na fase de conhecimento quanto na fase da execução. Não é necessária a denúncia e a condenação, em única sentença, para constatar o instituto jurídico do concurso material e realizar a cumulação das penas, nos moldes do que também determina do art. 111 da LEP. Portanto, observada a interpretação do Plenário do STF, restabeleço minha antiga compreensão, anterior ao julgamento do AgRg no HC n. 856.053/SC, de que, em caso de condenações em processos diversos, é imprescindível o integral cumprimento das penas dos crimes impeditivos para se permitir o indulto das reprimendas relativas aos demais delitos. Logo, a Corte de origem decidiu a controvérsia em consonância com a jurisprudência consolidada deste Superior Tribunal de Justiça. À vista do exposto, com fundamento no art. 932, VIII, do CPC, c/c o art. 253, parágrafo único, II, "b", parte final, do RISTJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA