HC 883919 - DECISAO
Revisada a orientação da Terceira Seção em sessão de 24/4/2024 (HC 890.929/SE), passou-se a entender, em harmonia com o Supremo Tribunal Federal, que o crime impeditivo do indulto previsto no Decreto n. 11.302/2022 inclui tanto crimes em concurso quanto os remanescentes por unificação de penas; assim, a decisão...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Reconsideração De Decisão Monocrática
- Outcome
- Agravo regimental provido para reconsiderar a decisão monocrática, cassar a ordem concedida no habeas corpus e manter o indeferimento do indulto previsto no Decreto n. 11.302/2022, nos termos do acórdão atacado.
- Legal Topics
- Indulto Presidencial, Decreto N. 11.302/2022, Crime Impeditivo, Concurso Material, Concurso Formal, Unificação De Penas, Habeas Corpus
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Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Reconsideração De Decisão Monocrática
Legal Issues
- 1 Se o crime impeditivo para concessão do indulto previsto no Decreto n. 11.302/2022 se aplica apenas aos crimes praticados em concurso material ou formal ou também àqueles resultantes de unificação/somatório de penas
- 2 Se a decisão monocrática que concedeu habeas corpus estava em harmonia com a jurisprudência superveniente do STJ e do STF
Ratio Decidendi
Revisada a orientação da Terceira Seção em sessão de 24/4/2024 (HC 890.929/SE), passou-se a entender, em harmonia com o Supremo Tribunal Federal, que o crime impeditivo do indulto previsto no Decreto n. 11.302/2022 inclui tanto crimes em concurso quanto os remanescentes por unificação de penas; assim, a decisão agravada que concedera a ordem no habeas corpus não está em consonância com a jurisprudência superveniente do STJ, justificando o provimento do agravo regimental para reconsiderar a decisão, cassar a ordem e manter o indeferimento do indulto conforme o acórdão atacado, com fundamento no art. 258, § 3º, do Regimento Interno do STJ.
Court Disposition
Agravo regimental provido para reconsiderar a decisão monocrática, cassar a ordem concedida no habeas corpus e manter o indeferimento do indulto previsto no Decreto n. 11.302/2022, nos termos do acórdão atacado.
Orders
- Dar provimento ao agravo regimental
- Reconsiderar a decisão de fls. 68/71
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo regimental interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA, contra decisão de minha lavra, de fls. 68/71, em que concedi a ordem no presente habeas corpus. O Parquet procura afastar a concessão do indulto, em virtude da existência da pena de crime impeditivo a ser cumprida. Afirma, que o Supremo Tribunal Federal suspendeu inúmeros acórdãos concessivos da ordem nestes casos, além de ter diversas decisões monocráticas contrárias à tese adotada na decisão agravada. Requer, assim, a reconsideração da decisão monocrática, restabelecendo o acórdão da Corte estadual que indeferiu o indulto. É o relatório. Decido. Conforme consignado na decisão agravada, o Tribunal de origem reconheceu que o ora agravado não atendia aos requisitos previstos no Decreto n. 11.302/2022, considerando que ele ainda cumpria pena vinculada à condenação pela prática de delito de crime impeditivo para concessão do indulto. Assim, manteve a decisão do Juízo da Execução denegatória do indulto requerido pela defesa. Naquela oportunidade, verifiquei que o fundamento do Tribunal de origem para o indeferimento do indulto, previsto no Decreto n. 11.302/2022, não encontrava amparo no entendimento jurisprudencial desta Corte, isso porque a Terceira Seção, instada a manifestar-se no julgamento do AgRg no HC n. 856.053/SC, havia firmado o entendimento no sentido de que a exigência de cumprimento integral da pena por crime impeditivo do indulto, contida no art. 11, parágrafo único, do Decreto n. 11.302/2022, somente se aplicava aos crimes objeto de concurso material ou formal, não se aplicando aos casos de simples somatório ou unificação das penas. Contudo, a Terceira Seção, em sessão de julgamento realizada no dia 24/4/2024, reviu sua orientação, para seguir o entendimento da Suprema Corte, segundo o qual "o crime impeditivo do benefício do indulto, fundamentado no Decreto Presidencial n. 11.302/2022, deve ser tanto o praticado em concurso como o remanescente em razão da unificação de penas" (HC 890.929/SE, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Terceira Seção, julgado em 24/4/2024). Constata-se, portanto, que o entendimento adotado na decisão agravada não se encontra em harmonia com a mais recente jurisprudência deste Sodalício acerca do tema, a justificar a sua revogação. Ante o exposto, com fundamento no art. 258, § 3º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, dou provimento ao presente agravo regimental para reconsiderar a decisão de fls. 68/71 , a fim de cassar a ordem concedida, mantendo o indeferimento do indulto previsto no Decreto n. 11.302/2022, nos termos do acórdão atacado . Publique-se. Intimem-se. EMENTA