HC 976572 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido por se configurar como substitutivo de recurso próprio e porque o acórdão recorrido está em harmonia com a jurisprudência do STJ que entende que o crime impeditivo do indulto abrange tanto o praticado em concurso quanto o remanescente após a unificação de penas, de modo que não há...
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- Parties
- Paciente: JOSIMAR DOS SANTOS NASCIMENTO; Órgão Recorrido: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo; Interveniente: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 March 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecido (decisão De Não Conhecimento)
- Outcome
- não conheço do presente habeas corpus
- Legal Topics
- Indulto Presidencial, Crime Impeditivo, Unificação De Penas, Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio, Interpretação De Decreto Presidencial
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Parties
JOSIMAR DOS SANTOS NASCIMENTO
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Órgão Recorrido
Ministério Público Federal
Interveniente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecido (decisão De Não Conhecimento)
Legal Issues
- 1 Incidência do indulto presidencial (Decreto n. 11.302/2022) sobre condenações pelos arts. 309 da Lei n. 9.503/1997 e 331 do Código Penal
- 2 Aplicação do art. 11, parágrafo único, do Decreto n. 11.302/2022 após unificação de penas
- 3 Admissibilidade de habeas corpus que substitui recurso próprio
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido por se configurar como substitutivo de recurso próprio e porque o acórdão recorrido está em harmonia com a jurisprudência do STJ que entende que o crime impeditivo do indulto abrange tanto o praticado em concurso quanto o remanescente após a unificação de penas, de modo que não há constrangimento ilegal a ser corrigido.
Court Disposition
não conheço do presente habeas corpus
Orders
- Não conheço do presente habeas corpus
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de JOSIMAR DOS SANTOS NASCIMENTO contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO proferido no julgamento do HC n. 2389906-54.2024.8.26.0000. Extrai-se dos autos que o paciente formulou pedido de indulto com fundamento no Decreto Presidencial n. 11.302/2022, o qual foi negado pelo Juízo de primeiro grau, conforme decisão de fls. 35/36. Irresignada, a defesa impetrou habeas corpus perante o Tribunal de origem, o qual denegou a ordem nos termos da seguinte ementa: "Habeas Corpus. Indeferimento de concessão de indulto da pena com fundamento no Decreto nº 11.302/2022. Condenação por delito hediondo e equiparado homicídio qualificado tentado e tráfico de drogas. Impossibilidade de concessão de indulto. Ausência do cumprimento dos delitos impeditivos. Inteligência do artigo 11, parágrafo único, do referido Decreto. Constrangimento ilegal não configurado. Ordem denegada" (fl. 55). No presente writ, a defesa sustenta que o paciente foi condenado pelos crimes previstos no art. 309, caput, da Lei n. 9.503/1997, e art. 331 do Código Penal, os quais se amoldam ao previsto no decreto de indulto. Alega que os delitos não foram cometidos em concurso com nenhum dos tipos penais previstos no art. 7º do Decreto Presidencial n. 11.302/2022, não incidindo, portanto, a norma prevista no art. 11, parágrafo único, do Decreto concessivo. Requer, assim, a concessão da ordem para conceder o benefício de indulto supramencionado. Informações prestadas às fls. 78/97 e 98/108. O Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento da impetração e, se conhecida, pela denegação da ordem, conforme parecer de fls. 110/117. É o relatório. Decido. Diante da hipótese de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, a impetração sequer deveria ser conhecida, segundo orientação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal e do próprio Superior Tribunal de Justiça. Contudo, considerando as alegações expostas na inicial, razoável o processamento do feito para verificar a existência de eventual constrangimento ilegal. Da leitura do acórdão impugnado, verifica-se que a Corte local salientou que, após a u nificação das penas impostas ao paciente, o deferimento do indulto fica condicionado ao cumprimento integral da pena relativa ao crime impeditivo, quando existente. A Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em sessão de julgamento realizada no dia 24/4/2024, reviu sua orientação, para seguir o entendimento da Suprema Corte, segundo o qual "o crime impeditivo do benefício do indulto, fundamentado no Decreto Presidencial n. 11.302/2022, deve ser tanto o praticado em concurso como o remanescente em razão da unificação de penas" (HC 890.929/SE, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Terceira Seção, julgado em 24/4/2024 - grifos nossos). Vê-se, portanto, que o entendimento adotado no acórdão recorrido encontra-se em harmonia com a mais recente jurisprudência do STJ acerca do tema, o que afasta qualquer constrangimento que justifique a concessão da ordem de ofício. Ante o exposto, nos termos do art. 34, XX, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do presente habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA