HC 1003359 - DECISAO
Não se conhece do habeas corpus porque a matéria impugnada não foi objeto de deliberação pelo Tribunal de origem e não foram opostos embargos de declaração que permitissem sua apreciação sem promover supressão de instância; além disso, o impetrante não instruiu adequadamente o writ com a documentação essencial que...
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- Parties
- Paciente: CARLOS EDUARDO DE FARIA; Tribunal Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 May 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Monocrática Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus.
- Legal Topics
- Indulto Presidencial, Intempestividade Recursal, Supressão De Instância, Habeas Corpus, Pedido De Reconsideração
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Parties
CARLOS EDUARDO DE FARIA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Tribunal Recorrido
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Monocrática Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 concessão de indulto com base no Decreto Presidencial n. 11.302/22
- 2 tempestividade do agravo em execução
- 3 possibilidade de apreciação pelo STJ diante da ausência de prévia deliberação pelo Tribunal de origem (supressão de instância)
Ratio Decidendi
Não se conhece do habeas corpus porque a matéria impugnada não foi objeto de deliberação pelo Tribunal de origem e não foram opostos embargos de declaração que permitissem sua apreciação sem promover supressão de instância; além disso, o impetrante não instruiu adequadamente o writ com a documentação essencial que viabilizasse o exame da controvérsia.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de CARLOS EDUARDO DE FARIA contra o v. acórdão prolatado pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Depreende-se dos autos que o paciente teve o pedido de indulto indeferido pelo Juízo da execução penal por não preencher os requisitos do Decreto Presidencial n. 11.302/22. Irresignada, a defesa interpôs agravo em execução penal perante o Tribunal de origem, que não conheceu do recurso em razão da intempestividade, nos termos do acórdão juntado às fls. 12-14, com a seguinte ementa: DIREITO PENAL. AGRAVO EM EXECUÇÃO. INDULTO. INTEMPESTIVIDADE. I. Caso em Exame Agravo em execução interposto por Carlos Eduardo Faria contra decisão que indeferiu pedido de indulto da pena com base no Decreto Presidencial nº 11.302/22, alegando cumprimento dos requisitos. II. Razões de Decidir 3. O recurso é intempestivo, pois foi interposto após o prazo de cinco dias previsto na Súmula/STF nº 700, contados da publicação da decisão que indeferiu o indulto. 4. O pedido de reconsideração não suspende nem interrompe o prazo recursal, conforme entendimento consolidado no Informativo/STJ nº 16. III. Dispositivo e Tese 5. Não se conhece do recurso, por intempestividade. Tese de julgamento: 1. O pedido de reconsideração não interrompe o prazo recursal. 2. Recurso interposto fora do prazo. Legislação Citada: Decreto Presidencial nº 11.302/22. Jurisprudência Citada: Súmula/STF nº 700. STJ, AgRg no HC 843.142-SP, Rel. João Batista Moreira, j. em 19/10/2023. No presente writ, a defesa sustenta que o paciente faz jus ao indulto uma vez que preenche os requisitos do Decreto Presidencial n. 11.302/22. Requer, liminarmente e no mérito, a concessão da ordem a fim de deferir ao paciente o indulto do Decreto Presidencial n. 11.302/2022 em relação à execução de n. 0000923-09.2022.8.26.0502. É o breve relatório. Decido. Não havendo divergência da matéria no órgão colegiado, admissível seu exame in limine pelo relator, nos termos do art. 34, XVIII e XX, do RISTJ. Quanto à controvérsia, a pretensão da impetrante não dever ser conhecida, pois, da leitura do acórdão objurgado, verifica-se que a matéria não foi alvo de deliberação pelo Tribunal de origem. Também não foram opostos embargos de declaração para provocar a referida manifestação. Assim, o STJ não pode apreciar a matéria, sob pena de supressão de instância (RHC n. 98.880/ CE, Sexta Turma, Relª. Minª Laurita Vaz, DJe de 14/9/2018). Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM HABEAS CORPUS. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DE JULGAMENTO DE AGRAVO EM EXECUÇÃO INTERPOSTO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL, EM VIRTUDE DA INTIMAÇÃO DA DEFENSORIA PÚBLICA PARA CONTRAMINUTAR O RECURSO, QUANDO A PARTE TINHA ADVOGADO CONSTITUÍDO NA EXECUÇÃO PENAL. IMPETRAÇÃO INSUFICIENTEMENTE INSTRUÍDA. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO ESSENCIAL À ANÁLISE DA CONTROVÉRSIA. DEFESA QUE NÃO SE DESINCUMBIU DO SEU ÔNUS DE ZELAR PELA CORRETA FORMAÇÃO DOS AUTOS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. "A adequada instrução do habeas corpus, ação de rito sumário e de limitado espectro de cognoscibilidade, é ônus do impetrante, sendo imprescindível que o mandamus venha aparelhado com provas documentais pré-constituídas, as quais devem viabilizar o exame das alegações veiculadas no writ" (STF, HC 197.833-AgR, Rel. Ministro LUIZ FUX - Presidente -, TRIBUNAL PLENO, julgado em 19/04/2021, DJe 12/05/2021). 2. Nessa linha, "Exige-se que as cópias dos documentos essenciais à análise da controvérsia sejam acostadas aos autos pela Parte Impetrante, para que possam ser cotejados com as alegações defensivas - exame imprescindível para o reconhecimento, ou não, de que o direito invocado está constituído. Ademais, não pode ser transferido ao Superior Tribunal de Justiça o ônus de formar adequadamente os autos, como na verdade pretende o Recorrente" (EDcl no AgRg no HC n. 797.698/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 26/6/2023, DJe de 29/6/2023). 3. Se a defesa pretende o reconhecimento de nulidade do julgamento de agravo em execução interposto pelo Ministério Público estadual, devido à ausência de apresentação de contraminuta produzida pelo patrono constituído pelo executado, mesmo constando ter sido apresentada contraminuta pela Defensoria Pública, cabe à defesa o ônus de demonstrar que a Defensoria Pública foi indevidamente intimada para substituir o advogado constituído. Tal prova poderia ter sido produzida com a juntada de todas as peças da Execução Penal física, desde a decisão que deferiu a progressão do apenado ao regime semiaberto até a decisão do Juízo de Execução que, após a apresentação de contraminuta ao agravo e o exercício do juízo de retratação, determinou a remessa do agravo em execução ao Tribunal de Justiça, o que não foi feito mesmo após a interposição de agravo regimental. As petições protocoladas pelo causídico em setembro/2022, questionando o motivo do encaminhamento do feito para a Defensoria, não se prestam a demonstrar a ilegitimidade da atuação do órgão público no feito, evidenciando apenas que o patrono tinha ciência de que o feito havia sido encaminhado à Defensoria Pública muito antes da data do julgamento do agravo em execução ocorrida em sessão de 05/04/2023. 4. Ainda que assim não fosse, a declaração de nulidade, seja ela absoluta ou relativa, pressupõe a demonstração do prejuízo efetivo causado ao réu, em homenagem ao princípio pas de nullité sans grief, expresso no art. 563 do Código de Processo Penal, o que não fica evidente nos autos, já que houve apresentação de contraminuta pela Defensoria Pública. 5. Ademais, a alegação de nulidade não poderia ser conhecida por esta Corte, sob pena de indevida supressão de instância, pois não foi objeto de prévia deliberação pelo Tribunal de Justiça, já que não consta tenha a defesa do paciente cuidado de opor embargos de declaração ou mesmo atravessar petição nos autos do agravo em execução penal, apontando a mencionada nulidade do julgamento. 6. Agravo regimental desprovido. (AgRg nos EDcl no HC n. 824.629/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 8/8/2023, DJe de 14/8/2023.) Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA