HC 1090330 - DECISAO
Não conheço do habeas corpus porque o Tribunal de origem corretamente revogou a decisão de primeiro grau: o Decreto Presidencial n. 12.338/2024 exige a soma das penas correspondentes a infrações diversas até 25/12/2024 e impõe limites quantitativos que, ultrapassados pelo paciente, tornam inadmissível a concessão do...
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- Parties
- Paciente: MARLON RODRIGO DANTAS DE OLIVEIRA; Agravante (interpositor Do Agravo Em Execução): Ministério Público; Tribunal a Quo (órgão Prolator Do Acórdão): Tribunal de Justiça do Estado do Paraná
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 April 2026
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Monocrática De Não Conhecimento (art. 34, Xx, Regimento Interno Do Stj)
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus (art. 34, inciso XX, do Regimento Interno do STJ).
- Legal Topics
- Indulto Presidencial, Decreto Presidencial N. 12.338/2024, Soma Das Penas, Requisitos Objetivos Para Indulto, Presunção De Incapacidade Econômica, Competência Presidencial
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Parties
MARLON RODRIGO DANTAS DE OLIVEIRA
Paciente
Ministério Público
Agravante (interpositor Do Agravo Em Execução)
Tribunal de Justiça do Estado do Paraná
Tribunal a Quo (órgão Prolator Do Acórdão)
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Monocrática De Não Conhecimento (art. 34, Xx, Regimento Interno Do Stj)
Legal Issues
- 1 se as penas correspondentes a infrações diversas devem ser somadas para fins de concessão do indulto
- 2 interpretação dos incisos do art. 9º do Decreto n. 12.338/2024 (alternatividade vs. cumulatividade)
- 3 eficácia da presunção de incapacidade econômica prevista no art. 12, §2º, I, do Decreto
Ratio Decidendi
Não conheço do habeas corpus porque o Tribunal de origem corretamente revogou a decisão de primeiro grau: o Decreto Presidencial n. 12.338/2024 exige a soma das penas correspondentes a infrações diversas até 25/12/2024 e impõe limites quantitativos que, ultrapassados pelo paciente, tornam inadmissível a concessão do indulto; não há constrangimento ilegal patente que justifique o mandamus, e ao Judiciário não cabe alterar os requisitos fixados pelo Presidente da República.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus (art. 34, inciso XX, do Regimento Interno do STJ).
Orders
- Retifique-se a autuação para que conste como paciente MARLON RODRIGO DANTAS DE OLIVEIRA.
- Intimem-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de MARLON RODRIGO DANTAS DE OLIVEIRA contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (Agravo em Execução n. 4005900-36.2025.8.16.4321). Extrai-se dos autos que o Juízo da Vara de Execuções Penais, Medidas Alternativas e Corregedoria dos Presídios do Foro Central da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba deferiu pedido de indulto com fundamento no Decreto Presidencial n. 12.338/2024, art. 9º, inciso XV, reconhecendo a presunção de incapacidade econômica pela representação pela Defensoria Pública (art. 12, § 2º, I, do Decreto) e, por conseguinte, a desnecessidade de reparação do dano, declarando extinta a punibilidade quanto às penas impostas nos autos n. 0000872-95.2017.8.16.0196, 0032832-02.2018.8.16.0013, 0000339-63.2022.8.16.0196 e 0004767-59.2020.8.16.0196, com fundamento no art. 192 da LEP e no art. 107, II, do Código Penal (e-STJ fls. 28/29). O Ministério Público interpôs agravo em execução, sustentando que a soma das penas do agravado supera 12 anos de reclusão, circunstância que inviabilizaria a concessão do indulto segundo os limites quantitativos previstos no art. 9º do Decreto n. 12.338/2024, devendo-se considerar a totalidade das condenações para a análise do benefício (e-STJ fls. 16/17). O Tribunal a quo deu provimento ao recurso para revogar a decisão agravada, em acórdão assim ementado (e-STJ fl. 16): DIREITO PENAL E DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO EM EXECUÇÃO. INDULTO. RECURSO PROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo em execução interposto em relação a decisão que deferiu pedido de indulto com base no Decreto nº 12.338/2024. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste em saber se deve ser mantida a concessão de indulto ao ora agravado, considerada a alegação de que ele não preenche as condições estabelecidas no Decreto nº 12.338/2024. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. As penas correspondentes a infrações diversas devem ser somadas para a análise dos benefícios de indulto e comutação de pena. 4. O agravado possui pena total superior ao limite estabelecido pelo Decreto nº 12.338/2024, o que inviabiliza a concessão do indulto. 5. Ao Poder Judiciário não cabe alterar o conteúdo do Decreto Presidencial, sob pena de invadir competência privativa do Presidente da República. IV. DISPOSITIVO 6. Recurso provido. No presente writ, a defesa alega que os incisos do art. 9º do Decreto n. 12.338/2024 são hipóteses alternativas e independentes entre si, não se admitindo a cumulação de requisitos de diferentes incisos para obstar a concessão do benefício. Aduz que o acórdão impugnado incorreu em ilegalidade ao exigir, para a aplicação do art. 9º, XV, o limite de pena do art. 9º, III, criando restrição não prevista no ato normativo (e-STJ fls. 6/8). Sustenta, ademais, que, à luz da redação do art. 9º, XV, não há exigência de quantum máximo de pena para a concessão do indulto na hipótese de crime contra o patrimônio sem violência ou grave ameaça, sobretudo diante da presunção de incapacidade econômica do sentenciado representado pela Defensoria Pública (art. 12, § 2º, I), razão pela qual o somatório das penas é irrelevante para essa hipótese específica (e-STJ fls. 6/10). Requer a concessão de liminar, por configurar-se fumus boni iuris e periculum in mora, e, no mérito, a cassação do acórdão impugnado, com o restabelecimento da decisão de primeiro grau que concedeu o indulto. Subsidiariamente, pugna pela concessão da ordem de ofício (e-STJ fls. 10/11). É o relatório. Passo a decidir. Preliminarmente, cumpre esclarecer que as disposições previstas nos arts. 64, III, e 202, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça não afastam do Relator a faculdade de decidir liminarmente, em sede de habeas corpus e de recurso em habeas corpus, a pretensão que se conforma com enunciado de súmula, com jurisprudência consolidada dos Tribunais Superiores ou a contraria (AgRg no HC 513.993/RJ, Rel. Ministro JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 25/6/2019, DJe 1º/7/2019; AgRg no HC 475.293/RS, Relator Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 27/11/2018, Dje 3/12/2018; AgRg no HC 499.838/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 11/4/2019, DJe 22/4/2019; AgRg no HC 426.703/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 18/10/2018, DJe 23/10/2018; e AgRg no RHC 37.622/RN, Relatora Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, Sexta Turma, julgado em 6/6/2013, DJe 14/6/2013). Nesse diapasão, uma vez verificado que as matérias trazidas a debate por meio do habeas corpus constituem objeto de jurisprudência consolidada neste Superior Tribunal, não há nenhum óbice a que o Relator conceda a ordem liminarmente, sobretudo ante a evidência de manifesto e grave constrangimento ilegal a que estava sendo submetido o paciente, pois a concessão liminar da ordem de habeas corpus apenas consagra a exigência de racionalização do processo decisório e de efetivação do próprio princípio constitucional da razoável duração do processo, previsto no art. 5º, LXXVIII, da Constituição Federal, o qual foi introduzido no ordenamento jurídico brasileiro pela EC n. 45/2004 com status de princípio fundamental (AgRg no HC n. 268.099/SP, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Sexta Turma, julgado em 2/5/2013, DJe 13/5/2013). Na verdade, a ciência posterior do Parquet, longe de suplantar sua prerrogativa institucional, homenageia o princípio da celeridade processual e inviabiliza a tramitação de ações cujo desfecho, em princípio, já é conhecido (EDcl no AgRg no HC n. 324.401/SP, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, Quinta Turma, julgado em 2/2/2016, DJe 23/2/2016). Em suma, para conferir maior celeridade aos habeas corpus e garantir a efetividade das decisões judiciais que versam sobre o direito de locomoção, bem como por se tratar de medida necessária para assegurar a viabilidade dos trabalhos das Turmas que compõem a Terceira Seção, a jurisprudência desta Corte admite o julgamento monocrático do writ antes da ouvida do Parquet em casos de jurisprudência pacífica (AgRg no HC 514.048/RS, Relator Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 6/8/2019, DJe 13/8/2019). O Supremo Tribunal Federal, por sua Primeira Turma, e a Terceira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, diante da utilização crescente e sucessiva do habeas corpus, passaram a restringir a sua admissibilidade quando o ato ilegal for passível de impugnação pela via recursal própria, sem olvidar a possibilidade de concessão da ordem, de ofício, nos casos de flagrante ilegalidade. Esse entendimento objetivou preservar a utilidade e a eficácia do mandamus, que é o instrumento constitucional mais importante de proteção à liberdade individual do cidadão ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a celeridade que o seu julgamento requer. Nesse sentido, confiram-se os seguintes julgados, exemplificativos dessa nova orientação das Cortes Superiores do País: HC n. 320.818/SP, Relator Ministro FELIX FISCHER, Quinta Turma, julgado em 21/5/2015, DJe 27/5/2015; e STF, HC n. 113.890/SP, Relatora Ministra ROSA WEBER, Primeira Turma, julg. em 3/12/2013, DJ 28/2/2014. Este é exatamente o caso dos autos, em que a presente impetração faz as vezes de recurso próprio. Todavia, em homenagem ao princípio da ampla defesa, passa-se ao exame da insurgência, para verificar a existência de eventual constrangimento ilegal passível de ser sanado pela concessão da ordem, de ofício. Do indulto do Decreto n. 12.338/2024 Busca a defesa, na presente impetração, seja concedida o indulto ou a comutação de pena previsto no Decreto Presidencial n. 12.338/24. Ao indeferir o pedido, o Tribunal de Justiça cassou a decisão de primeiro grau com os seguintes fundamentos (e-STJ fls. 17/): O agravante sustenta que, pelo fato de que a pena total exceder a 12 anos de reclusão, não há direito ao indulto. Assiste-lhe razão. Inicialmente, esclarece-se que para fins de execução de pena consideram-se não somente as hipóteses de concurso de crimes estabelecidas na legislação penal, mas a totalidade daqueles praticados e em execução. Como a execução das penas impõe, primeiramente, a sua soma para, então, serem calculados e avaliados os benefícios possíveis, ainda que cada uma das condenações seja analisada isoladamente, a admissibilidade de indulto e/ou comutação deve considerar a totalidade das condenações para caracterizar a existência do que a normativa de regência nominou "concurso" de crimes. Os Decretos Presidenciais de indulto e comutação de pena, comumente editados ao final de cada ano, estabelecem de forma expressa as condições para a concessão desses benefícios. O artigo 7º do Decreto estabelece de forma expressa que, "Para fins da declaração do indulto e da comutação de pena, as penas correspondentes a infrações diversas deverão ser somadas até 25 de dezembro de 2024." Ademais, o parágrafo único do citado artigo 7º deixa claro que, "na hipótese de haver concurso com crime previsto no art. 1º, não será declarado o indulto ou a comutação de pena correspondente ao crime não impeditivo enquanto a pessoa condenada não cumprir dois terços da pena correspondente ao crime impeditivo ." Some-se a isso o fato de que o Decreto definiu, em seu artigo 9º, os limites quantitativos de pena, os quais, uma vez superados, impedem a concessão de indulto, independentemente de outros requisitos que eventualmente pudessem ter sido preenchidos. .. No caso, na data do Decreto, o ora agravado tinha pena total de 16 anos e 03 dias de reclusão, dos quais restavam 09 anos, 08 meses e 05 dias a cumprir. Então, para que o agravado, que é reincidente e praticou crime mediante violência ou grave ameaça, pudesse ser beneficiado pelo indulto, não poderia ter pena total superior a 04 anos (artigo 9º, inciso III). Em conclusão, no caso, o quantum de pena é fator que impede a concessão do indulto com fundamento no Decreto 12.338/2024. Nesse sentido: .. E, como o Decreto Presidencial de 2024, no exercício do poder discricionário da d. autoridade competente, estabeleceu as condições para a concessão do benefício, não cabe ao Poder Judiciário alterar o seu conteúdo, sob pena de invadir competência privativa do Sr. Presidente da República (CF, art. 84, XII). Portanto, não era admissível conceder indulto ao agravado. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso para revogar a decisão agravada. Não merece reparo a conclusão do Tribunal de Justiça, que indeferiu o pedido de concessão do indulto sob o fundamento de que não foram preenchidos os requisitos objetivos, notadamente o quantitativo de pena que, somado até 25 de dezembro de 2024, ultrapassa os limites estabelecidos para a concessão da benesse, conforme dispõe o art. 7º, caput, combinado com os incisos I, II e III do art. 9º, ambos do Decreto n. 12.338/2024, que assim preceitua: Art. 7º Para fins da declaração do indulto e da comutação de pena, as penas correspondentes a infrações diversas deverão ser somadas até 25 de dezembro de 2024. .. Art. 9º Concede-se o indulto coletivo às pessoas, nacionais e migrantes, condenadas: I - a pena privativa de liberdade não superior a oito anos, por crime praticado sem violência ou grave ameaça a pessoa, que tenham cumprido, até 25 de dezembro de 2024, um quinto da pena, se não reincidentes, ou um terço da pena, se reincidentes; II - a pena privativa de liberdade não superior a doze anos, por crime praticado sem violência ou grave ameaça a pessoa, que tenham cumprido, até 25 de dezembro de 2024, um terço da pena, se não reincidentes, ou metade da pena, se reincidentes; III - a pena privativa de liberdade não superior a quatro anos, por crime praticado com violência ou grave ameaça a pessoa, que tenham cumprido, até 25 de dezembro de 2024, um terço da pena, se não reincidentes, ou metade da pena, se reincidentes; Dessa forma, constata-se que o entendimento adotado pelas instâncias ordinárias está em plena consonância com a disciplina estabelecida pelo Decreto n. 12.338/2024, não se afastando da jurisprudência consolidada desta Corte Superior de Justiça, conforme demonstram os precedentes cujas ementas seguem transcritas e que reputo aplicáveis à hipótese dos autos: DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. INDULTO. DECRETO PRESIDENCIAL 12.338/2024. REQUISITOS OBJETIVOS. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de habeas corpus, no qual se pleiteava a concessão de indulto natalino com base no Decreto Presidencial n. 12.338/2024. 2. O Juízo da Vara de Execuções Penais da Comarca da Capital indeferiu o pedido de indulto natalino e deferiu o pedido de comutação das penas com fundamento no Decreto Presidencial n. 12.338/2024. O Tribunal de origem negou provimento ao recurso defensivo, por unanimidade. 3. O agravante foi condenado em três processos distintos pelos crimes de furto simples (art. 155, caput, do Código Penal), receptação (art. 180, caput, do Código Penal) e roubo majorado (art. 157, § 2º, do Código Penal), totalizando pena privativa de liberdade de 12 anos, 6 meses e 15 dias de reclusão, em regime fechado na data de corte do Decreto Presidencial n. 12.338/2024. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 4. A questão em discussão consiste em saber se o agravante faz jus à concessão do indulto natalino previsto no Decreto Presidencial n. 12.338/2024, considerando os requisitos objetivos estabelecidos no referido decreto. III. RAZÕES DE DECIDIR 5. O Decreto Presidencial n. 12.338/2024 estabelece requisitos objetivos para a concessão do indulto, incluindo a soma das penas correspondentes às infrações diversas até 25 de dezembro de 2024, que não deve ultrapassar 12 anos. 6. Aqui, o agravante não preencheu os requisitos do decreto, pois sua pena total é superior a 12 anos e inclui condenações por crimes violentos, como roubo majorado, além de ter sido reconhecida a sua reincidência. 7. A interpretação extensiva das restrições contidas no decreto concessivo de indulto ou comutação de penas configura invasão à competência exclusiva do Presidente da República, conforme o art. 84, inciso XII, da Constituição Federal. 8. A modificação do acórdão impugnado demandaria o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos da execução penal, o que é incompatível com os limites da via do habeas corpus. 9. Não há constrangimento ilegal patente, considerando que o agravante não atendeu aos requisitos necessários para a concessão do indulto. IV. DISPOSITIVO E TESE 10. Resultado do Julgamento: Agravo regimental não provido. Tese de julgamento: 1. O indulto natalino deve observar os requisitos objetivos estabelecidos no Decreto Presidencial n. 12.338/2024. 2. A interpretação extensiva das restrições contidas no decreto concessivo de indulto ou comutação de penas configura invasão à competência exclusiva do Presidente da República. 3. A modificação de acórdão para concessão de indulto não pode demandar revolvimento do conjunto fático-probatório, sendo incompatível com os limites da via do habeas corpus. Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 84, XII; Decreto Presidencial n. 12.338/2024, arts. 7º e 9º. Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg no HC 822.644/SC, Sexta Turma, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe de 22/6/2023; STJ, HC n. 986.016/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 29/4/2025; STF, ADI 5.874, Plenário, julgado em 2017. (AgRg no HC n. 1.009.540/SC, relator Ministro MESSOD AZULAY NETO, Quinta Turma, julgado em 4/3/2026, DJEN de 11/3/2026.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. INDULTO DE PENA. DECRETO PRESIDENCIAL N. 12.338/2024. REQUISITO OBJETIVO NÃO PREENCHIDO. AUSÊNCIA DE CUMPRIMENTO DE 1/2 DA PENA QUANTO AO DELITO NÃO IMPEDITIVO. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O Decreto n. 12.338/2024 exige o cumprimento de 2/3 da pena correspondente ao crime impeditivo, e 1/2 da pena privativa de liberdade em relação ao delito não impeditivo, se reincidente, em caso de pena não superior a 12 anos, conforme dispõe os arts. 7º e 9º, inciso II, ambos do Decreto n. 12.338, de 23/12/2024. 2. O Tribunal de origem indeferiu o pedido de indulto ao argumento de que o agravante deveria ter cumprido, na condição de reincidente, a citada fração de 2/3, acrescida de 1/2 das sanções impostas pelos delitos comuns. 3. Na espécie, verifica-se que o entendimento do Tribunal local está em consonância com a disciplina dada pelo Decreto n. 12.338/2024 e não destoa da jurisprudência desta Corte Superior de Justiça, pacífica no sentido de que aos condenados por crimes comuns praticados em concurso com crime hediondo é possível a concessão do indulto ou comutação quanto à pena relativa ao crime não hediondo, desde que o apenado tenha cumprido 2/3 da pena referente ao delito hediondo e ainda a fração da reprimenda relativa ao crime comum, quando tais requisitos são exigidos pelo respectivo Decreto Presidencial, como no caso. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 1.056.903/SP, relator Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, Sexta Turma, julgado em 4/3/2026, DJEN de 10/3/2026.) DIREITO PENAL. HABEAS CORPUS. INDULTO. REQUISITOS OBJETIVOS NÃO PREENCHIDOS. PEDIDO NÃO CONHECIDO. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Habeas corpus impetrado contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que negou provimento ao agravo em execução penal interposto pela defesa, mantendo decisão que indeferiu pedido de indulto formulado com base no Decreto Presidencial n. 12.338/2024. 2. O Juízo das Execuções Penais indeferiu o pedido de indulto ao paciente, condenado a 30 anos, 11 meses e 24 dias de reclusão por diversos crimes contra o patrimônio, por não preencher os requisitos objetivos do Decreto n. 12.338/2024, que exige o somatório das penas não superior a 12 anos e o cumprimento de metade da pena até 25 de dezembro de 2024 para reincidentes. 3. O Tribunal de origem confirmou a decisão, destacando que o paciente não cumpriu os requisitos objetivos do Decreto, considerando o somatório das penas e a reincidência. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 4. A questão em discussão consiste em saber se o paciente preenche os requisitos objetivos e subjetivos do Decreto n. 12.338/2024 para a concessão do indulto, considerando o somatório das penas e a presunção de incapacidade econômica para reparação do dano. III. RAZÕES DE DECIDIR 5. O Decreto n. 12.338/2024 estabelece que, para a concessão de indulto, as penas correspondentes a infrações diversas devem ser somadas, e não analisadas individualmente, para verificar o cumprimento dos requisitos objetivos. 6. O paciente não preenche os requisitos objetivos do Decreto, pois sua pena total é superior a 12 anos de reclusão, e, sendo reincidente, não cumpriu metade da reprimenda até 25 de dezembro de 2024. 7. A concessão de indulto é prerrogativa discricionária do Presidente da República, cabendo ao Judiciário apenas verificar o cumprimento das condições legais, sem interferir no mérito ou conveniência do ato. 8. Não há ilegalidade no acórdão impugnado, que está em conformidade com o Decreto n. 12.338/2024 e com a jurisprudência consolidada desta Corte Superior. IV. DISPOSITIVO E TESE 9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: Dispositivos relevantes citados:CF/1988, art. 84, XII; CP, art. 107, II; Decreto n. 12.338/2024, arts. 7º e 9º. Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg no HC n. 824.625/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 26/6/2023; STJ, HC n. 468.737/RS, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 10/4/2019; STJ, AgRg no HC n. 920.144/SC, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 20/9/2024; STJ, HC n. 930.366/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 23/9/2024. (AgRg no HC n. 1.037.933/SP, relator Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, Quinta Turma, julgado em 4/3/2026, DJEN de 9/3/2026.) Assim, não configurado, na espécie, constrangimento ilegal, a justificar a concessão do writ de ofício. Ante o exposto, com amparo no art. 34, inciso XX, do Regimento Interno do STJ, não conheço do habeas corpus. Retifique-se a autuação para que conste como paciente MARLON RODRIGO DANTAS DE OLIVEIRA. Intimem-se. Sem recurso, arquivem-se os autos. EMENTA