HC 1053978 - ACORDAO
O indulto previsto no art. 9º, XV, do Decreto Presidencial n. 12.338/2024 deve ser interpretado restritivamente e exige, além da presumida hipossuficiência econômica decorrente da representação pela Defensoria Pública, a demonstração tempestiva e concreta de arrependimento ou de vontade de reparar o dano (art. 16 do...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante/paciente: GABRIEL CARDOSO SIMÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 May 2026
- Procedural Posture
- AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS / Agravo Regimental Julgado Negado Provimento
- Outcome
- Agravo regimental não provido
- Legal Topics
- Indulto Presidencial, Interpretação Restritiva E Sistemática Do Decreto, Reparação Do Dano, Arrependimento Posterior, Hipossuficiência Econômica, Representação Pela Defensoria Pública, Furto Qualificado
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
GABRIEL CARDOSO SIMÃO
Agravante/paciente
Procedural Posture
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS / Agravo Regimental Julgado Negado Provimento
Legal Issues
- 1 interpretação e alcance do art. 9º, XV, do Decreto Presidencial n. 12.338/2024
- 2 se a representação pela Defensoria Pública presume incapacidade econômica suficiente para afastar a exigência de demonstração de arrependimento
- 3 se a recuperação do bem pela autoridade policial se equipara ao ato voluntário de reparar o dano exigido pelo decreto e pelo Código Penal
Ratio Decidendi
O indulto previsto no art. 9º, XV, do Decreto Presidencial n. 12.338/2024 deve ser interpretado restritivamente e exige, além da presumida hipossuficiência econômica decorrente da representação pela Defensoria Pública, a demonstração tempestiva e concreta de arrependimento ou de vontade de reparar o dano (art. 16 do CP ou atenuante do art. 65, III, 'b' do CP); como no caso concreto não houve qualquer manifestação voluntária de arrependimento ou intento de ressarcimento e o bem foi apenas recuperado por ação policial, não se preenche o requisito anímico-volitivo para o indulto, devendo o agravo regimental ser negado
Court Disposition
Agravo regimental não provido
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental
- Manter a decisão agravada que revogou o indulto concedido pelo juízo a quo
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 30/04/2026 a 06/05/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Carlos Pires Brandão, Og Fernandes e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. INDULTO. DECRETO PRESIDENCIAL N. 12.338/2024. CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO PRATICADOS SEM VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA. FURTO QUALIFICADO. REPARAÇÃO DO DANO. ARREPENDIMENTO POSTERIOR. AUSÊNCIA DE ATO VOLUNTÁRIO DO CONDENADO. PRESUNÇÃO DE HIPOSSUFICIÊNCIA. REPRESENTAÇÃO PELA DEFENSORIA PÚBLICA. INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA DO ART. 9º, XV, C/C ART. 12, § 2º, DO DECRETO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO TEMPESTIVA DO ARREPENDIMENTO OU DA VONTADE DE REPARAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A aplicação do Decreto Presidencial que concede indulto deve ser orientada, ao menos como regra, por interpretação restritiva - não extensiva -, sob pena de invasão da competência atribuída de modo privativo ao Presidente da República pelo art. 84, XII, da Constituição Federal. 2. A partir de interpretação restritiva do art. 9º, XV, do Decreto Presidencial n. 12.338/2024, tem direito ao indulto quem ao menos manifestou, tempestivamente, arrependimento ou vontade de reparar o dano - nos termos do art. 16 (arrependimento posterior) ou da atenuante descrita no art. 65, III, "b", do Código Penal -, mas não o fez tão somente por ser incapaz do ponto de vista econômico para tanto. 3. O fato de o apenado ser representado pela Defensoria Pública implica presumir a sua incapacidade econômica para reparar o dano (art. 12, § 2º, do Decreto n. 12.338/2024), mas não afasta a necessidade, exigida pelo art. 9º, XV, de demonstração do arrependimento ou da vontade de reparação do dano. 4. No caso concreto, não houve nenhuma manifestação de arrependimento ou vontade de reparar o dano por parte do paciente. A ausência de aplicação do arrependimento posterior (art. 16 do Código Penal) ou da atenuante prevista no art. 65, III, "b", do mesmo diploma, evidencia a inexistência de providências direcionadas à reparação do dano. 5. A jurisprudência desta Corte Superior é de que a simples recuperação do bem pela autoridade policial não se equipara ao ato voluntário do agente de reparar o dano, requisito essencial para a concessão do indulto previsto no art. 9º, XV, do Decreto n. 12.338/2024. O diploma presidencial exige demonstração tempestiva e concreta de arrependimento ou vontade de ressarcimento, elementos que não se presumem pela mera assistência da Defensoria Pública. 6. Agravo regimental não provido.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ: GABRIEL CARDOSO SIMÃO agrava da decisão de fls. 70-79, em que deneguei a ordem, in limine. O agravante sustenta, em síntese, que o art. 9º, inciso XV, do Decreto n. 12.338/2024 incide sobre condenações por crimes contra o patrimônio sem violência ou grave ameaça, ainda que a pena privativa de liberdade tenha sido substituída por restritiva de direitos, não se exigindo o cumprimento de fração de pena nem adesão a programa de egressos previsto nos incisos VII e IX, conforme autoriza o art. 3º, I, do próprio decreto. Nesse sentido, afirma que o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo cassou indevidamente a concessão de indulto ao impor requisitos não previstos no decreto. Aduz que, quanto à reparação do dano, estão presentes hipóteses do art. 12, § 2º, que presumem a incapacidade econômica assistência pela Defensoria Pública e fixação do dia-multa no mínimo legal dispensando a demonstração de arrependimento ou intenção de reparar, por não constituírem requisitos normativos e configurarem prova de difícil realização. Pleiteia, portanto, a reconsideração da decisão anteriormente proferida ou a submissão do recurso à turma julgadora. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. INDULTO. DECRETO PRESIDENCIAL N. 12.338/2024. CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO PRATICADOS SEM VIOLÊNCIA OU GRAVE AMEAÇA. FURTO QUALIFICADO. REPARAÇÃO DO DANO. ARREPENDIMENTO POSTERIOR. AUSÊNCIA DE ATO VOLUNTÁRIO DO CONDENADO. PRESUNÇÃO DE HIPOSSUFICIÊNCIA. REPRESENTAÇÃO PELA DEFENSORIA PÚBLICA. INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA DO ART. 9º, XV, C/C ART. 12, § 2º, DO DECRETO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO TEMPESTIVA DO ARREPENDIMENTO OU DA VONTADE DE REPARAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A aplicação do Decreto Presidencial que concede indulto deve ser orientada, ao menos como regra, por interpretação restritiva - não extensiva -, sob pena de invasão da competência atribuída de modo privativo ao Presidente da República pelo art. 84, XII, da Constituição Federal. 2. A partir de interpretação restritiva do art. 9º, XV, do Decreto Presidencial n. 12.338/2024, tem direito ao indulto quem ao menos manifestou, tempestivamente, arrependimento ou vontade de reparar o dano - nos termos do art. 16 (arrependimento posterior) ou da atenuante descrita no art. 65, III, "b", do Código Penal -, mas não o fez tão somente por ser incapaz do ponto de vista econômico para tanto. 3. O fato de o apenado ser representado pela Defensoria Pública implica presumir a sua incapacidade econômica para reparar o dano (art. 12, § 2º, do Decreto n. 12.338/2024), mas não afasta a necessidade, exigida pelo art. 9º, XV, de demonstração do arrependimento ou da vontade de reparação do dano. 4. No caso concreto, não houve nenhuma manifestação de arrependimento ou vontade de reparar o dano por parte do paciente. A ausência de aplicação do arrependimento posterior (art. 16 do Código Penal) ou da atenuante prevista no art. 65, III, "b", do mesmo diploma, evidencia a inexistência de providências direcionadas à reparação do dano. 5. A jurisprudência desta Corte Superior é de que a simples recuperação do bem pela autoridade policial não se equipara ao ato voluntário do agente de reparar o dano, requisito essencial para a concessão do indulto previsto no art. 9º, XV, do Decreto n. 12.338/2024. O diploma presidencial exige demonstração tempestiva e concreta de arrependimento ou vontade de ressarcimento, elementos que não se presumem pela mera assistência da Defensoria Pública. 6. Agravo regimental não provido. VOTO O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ (Relator): Apesar dos argumentos empregados pelo agravante, entendo que não lhe assiste razão. I. Indulto - interpretação restritiva e sistemática - Decreto n. 12.338/2024 Na decisão agravada, julguei pela denegação da ordem por entender que o paciente não preencheu os requisitos estabelecidos no art. 9º, XV, do Decreto n. 12.338/2024 para a concessão do indulto. Fundamentei que o art. 5º, XLVI, da Constituição Federal estabelece que a lei regulará a individualização da pena, o que também ocorre na fase da execução, para fins de declaração do indulto e outros benefícios. A sentença concessiva do indulto tem natureza declaratória. O julgador deve observar estritamente os requisitos exigidos pelo Presidente da República, sob pena de usurpação da competência privativa disposta no art. 84, XII, da Constituição Federal (v.g.: AgRg no HC n. 773.059/AM, Rel. Ministro Rogerio Schietti, 6ª T., DJe 16/3/2023). A jurisprudência desta Corte é de que "para a análise do pedido de indulto ou comutação de pena, o Magistrado deve restringir-se ao exame do preenchimento dos requisitos previstos no decreto presidencial, uma vez que os pressupostos para a concessão da benesse são da competência privativa do Presidente da República (HC 456.119/RS, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, DJe 15/10/2018)" (HC n. 468.737/RS, Rel. Ministra Laurita Vaz, 6ª T, Dje 10/4/2019). Ressalta-se que é do Presidente da República (art. 84, XII, da CF) a opção discricionária de conceder ou não o perdão e fica a seu critério a extensão e os requisitos do indulto, que não é suscetível de revisão judicial, a não ser excepcionalmente, uma vez desrespeitados os limites constitucionais (e os tratados internacionais). Esta Corte possui entendimento de que a interpretação do Decreto Presidencial que possibilita o indulto deve ser realizada de maneira sistemática, com a constatação dos requisitos objetivo e subjetivo necessários à sua concessão: .. 4. A interpretação sistemática do Decreto exige que todos os dispositivos sejam aplicados de forma conjunta e harmônica, não permitindo extensão do benefício a penas de multa para crimes excluídos do indulto, como o tráfico de drogas. 5. A hipossuficiência econômica do condenado, por si só, não presume o direito à extinção da punibilidade da pena de multa, especialmente sem comprovação nos autos. O fato de ser assistido pela Defensoria Pública não constitui prova suficiente de incapacidade financeira para arcar com a pena de multa. 6. A jurisprudência desta Corte e do Supremo Tribunal Federal é pacífica ao vedar a extensão do indulto natalino às penas restritivas de direitos e de multa, quando há expressa vedação normativa, como no caso de condenações por tráfico de drogas. IV. RECURSO DESPROVIDO. (REsp n. 2.165.758/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, 5ª T., DJEN de 6/1/2025, grifei). Assim, "em homenagem ao princípio da legalidade, os decretos presidenciais são interpretados de forma literal, não havendo margem discricionária ao Magistrado para atuar além das exaustivas hipóteses legais previstas para conceder indulto ou comutação de pena" (HC n. 668.976/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, 6ª T., DJe de 14/3/2022). Conquanto o art. 3º do Decreto n. 12.338/2024 estabeleça uma diretriz interpretativa ampla, é o art. 9º da mesma norma que define os requisitos objetivos e subjetivos, cuja satisfação confere ao condenado o direito ao benefício. A interpretação sistemática do Decreto demonstra que, se houvesse intenção de permitir a concessão do indulto previsto no inciso XV aos condenados cuja pena privativa de liberdade foi substituída por restritiva de direitos, tal previsão teria sido expressamente registrada, como ocorreu nos incisos VII e IX do mesmo artigo. O Decreto não exclui a concessão do indulto às condenações por crimes praticados contra o patrimônio sem violência ou grave ameaça (art. 9º, XV), mas se a pena foi substituída por restritiva de direitos os critérios são diversos - os previstos nos incisos VII e IX, do mesmo dispositivo. Em específico, ao tratar dos crimes contra o patrimônio, o Presidente da República concedeu o indulto apenas aos condenados à pena privativa de liberdade, omitindo-se quanto às penas substitutivas. Tal omissão deve ser interpretada como silêncio qualificado, pois o Decreto é expresso quando pretende incluir as penas restritivas de direitos, como se verifica nos incisos VII e IX, do art. 9º. Reafirma-se, enfim, que o indulto natalino é um benefício cuja concessão está restrita aos requisitos estabelecidos no decreto presidencial, sendo vedada a extensão do perdão a situações não previstas pelo Presidente da República. II. Crime contra o patrimônio praticado sem violência ou grave ameaça - reparação do dano e hipossuficiência - Decreto n. 12.338/2024 Atento à realidade dos milhares de sentenciados de nosso país, o Decreto n. 12.338/2024 possibilitou que a ausência de condições financeiras para o pagamento da pena de multa não seja empecilho para o benefício de clemência. O art. 12, § 2º, do Decreto estabeleceu critérios alternativos para presunção da hipossuficiência, dentre eles a representação pela Defensoria Pública ou por advogado dativo (inciso I). A mesma atenção foi dada no art. 9º, XV, aos condenados: .. a pena privativa de liberdade por crime contra o patrimônio, cometido sem violência ou grave ameaça a pessoa que, até 25 de dezembro de 2024, tenham reparado o dano conforme o disposto no art. 16 ou no art. 65, caput, inciso III, alínea "b", do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, excetuada a necessidade de reparação do dano nas hipóteses previstas no art. 12, § 2º, deste Decreto .. . A presunção de incapacidade financeira não afasta as demais condições do Decreto, que devem ser atendidas cumulativamente. Por isso, na hipótese de condenação a pena privativa de liberdade por crime contra o patrimônio, cometido sem violência ou grave ameaça, a reparação do dano vincula-se, no mesmo inciso, à presença do arrependimento - art. 16 ou art. 65, caput, III, "b", do Código Penal. Nesse sentido: EXECUÇÃO PENAL. HABEAS CORPUS. INDULTO. ART. 9º, XV, DO DECRETO N. 12.338/2024. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. I. Caso em exame 1. Habeas corpus impetrado em favor de paciente definitivamente condenado por furto de um telefone celular, buscando a concessão de indulto com base no art. 9º, XV, do Decreto Presidencial n. 12.338/2024. 2. O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo deu provimento ao agravo em execução ministerial, reformando a decisão de primeiro grau que havia concedido o indulto. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em determinar se a interpretação do artigo 9º, XV, do Decreto n. 12.338/2024, que fundamentou o indulto, foi correta, considerando que a recuperação do bem furtado ocorreu por intervenção dos agentes de segurança e não por ato voluntário do paciente. III. Razões de decidir 4. A aplicação de Decreto Presidencial que concede o indulto deve ser orientada, ao menos como regra, por intepretação restritiva - não extensiva -, sob pena de invasão da competência atribuída de modo privativo ao Presidente da República pelo art. 84, XII, da Constituição da República. 5. A partir de interpretação restritiva do art. 9º, XV, do Decreto Presidencial n. 12.338/2024, tem direito ao indulto quem se arrependeu do furto cometido e, até o recebimento da denúncia, ao menos manifestou arrependimento ou vontade de reparar o dano, mas não o fez tão somente por ser incapaz do ponto de vista econômico para tanto (incapacidade presumida diante do fato de o agente ser representado pela Defensoria Pública). 6. No caso, não existe direito ao indulto, com base no art. 9º, XV, do referido Decreto, porquanto não existiu nenhum sinal ou notícia de arrependimento ou de vontade de reparar o dano, haja vista que o celular furtado foi recuperado em razão da prisão em flagrante do paciente, que trazia o aparelho em sua mochila, a qual fora revistada por agentes de segurança. 7. O fato de o apenado ser representado pela Defensoria Pública implica presumir a sua incapacidade econômica para reparar o dano (art. 12, § 2º, do Decreto n. 12.338/2024), mas não afasta a necessidade, exigida pelo art. 9º, XV, de demonstração do arrependimento ou da vontade de reparação do dano. IV. Dispositivo e tese 8. Habeas corpus não conhecido. Tese de julgamento: "1. A hipótese de indulto prevista no art. 9º, XV, do Decreto Presidencial n. 12.338/2024, não se aplica quando a recuperação do bem furtado ocorre por intervenção policial e não por ato voluntário do condenado". (HC n. 1.008.710/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, 5ª T., DJEN de 14/8/2025, grifei). III. O caso dos autos O paciente foi condenado pelo crime previsto no art. 155, § 4º, IV, c/c 14, II, ambos do Código Penal, à pena de 1 ano, 7 meses e 6 dias de reclusão em regime semiaberto (reincidente). No curso da execução penal, a defesa requereu a concessão de indulto, com fundamento no art. 9º, inciso XV, do Decreto Presidencial n. 12.338/2024. O Juízo das execuções deferiu o pleito sob o seguinte fundamento: Em face ao trânsito em julgado da sentença condenatória para o Ministério Público e preenchidos os requisitos subjetivos e objetivos, fica deferido o Indulto de penas em favor de GABRIEL CARDOSO SIMAO, CPF: 239.574.158-29, MTR: 1195537, RG: 59782117, RJI: 203337111-30, e julgo extinta a punibilidade referente ao(s) PEC(s) nº 0015540-44.2022.8.26.0996 (origem nº 1500199-45.2020.8.26.0616), com base no artigo 9º, inciso XV, c/c artigo 12, §2º, do Decreto Presidencial nº 12.338 de 23 de dezembro de 2024, considerando-se que o valor não supera o mínimo para o ajuizamento de execuções fiscais de débitos com a Fazenda Nacional, estabelecido em ato do Ministro de Estado da Fazenda, (R$20.000,00, segundo a Portaria nº 75, de 22 de março de 2012), nos termos do artigo 12, inciso I, e §1º do Decreto Presidencial (fl. 28, grifei). O Tribunal de Justiça local cassou a decisão, consignando no acórdão impugnado: Todavia, in casu, o agravado não satisfez o requisito objetivo. Isso porque, a despeito das alegações defensivas, amarga o sentenciado condenação por crime patrimonial cometido sem violência ou grave ameaça, mas não reparou o dano voluntariamente, encontrando óbice, pois, no art. 9º, XV, do Decreto nº 12.338/2024, c. c. o art. 16 do Código Penal, in verbis: .. Por outro lado, e em que pese a combatividade defensiva, fato é que, para que fosse excetuada tal exigência, seria necessária a comprovação cabal de incapacidade financeira, não bastando a mera presunção pelo fato de o sentenciado ser defendido por advogado dativo ou pela Defensoria Pública, ou, ainda, por terem sido fixados no patamar de piso os dias-multa quando da(s) condenação(ões). .. Destarte, por insatisfeito o pressuposto objetivo, a decisão não merece subsistir. Ante o exposto, pelo meu voto, dou provimento ao recurso, a fim de cassar a decisão combatida e, consequentemente, revogar o indulto concedido pelo juízo a quo. (fls. 13-16, destaquei). O agravante não trouxe argumentos novos capazes de alterar o entendimento firmado na decisão agravada. A interpretação sistemática do art. 9º, XV, c/c art. 12, § 2º, do Decreto n. 12.338/2024, autorizada por esta Corte Superior, estabelece que a presunção de hipossuficiência econômica decorrente da representação pela Defensoria Pública dispensa apenas a comprovação da capacidade financeira para reparar o dano, mas não afasta a necessidade de demonstração do arrependimento ou da vontade de reparação. No caso concreto, não houve nenhuma manifestação de arrependimento ou vontade de reparar o dano por parte do paciente. Os bens subtraídos foram recuperados exclusivamente pela atuação policial, não por iniciativa voluntária do condenado. A ausência de aplicação do arrependimento posterior (art. 16 do Código Penal) ou da atenuante prevista no art. 65, III, "b", do mesmo diploma, evidencia a inexistência de providências direcionadas à reparação do dano. A jurisprudência desta Corte Superior é de que a simples recuperação do bem pela autoridade policial não se equipara ao ato voluntário do agente de reparar o dano, requisito essencial para a concessão do indulto previsto no art. 9º, XV, do Decreto n. 12.338/2024. O diploma presidencial exige demonstração tempestiva e concreta de arrependimento ou vontade de ressarcimento, elementos que não se presumem pela mera assistência da Defensoria Pública. Dessa forma, a partir da interpretação restritiva que se deve dar aos decretos presidenciais, impõe-se a conclusão de que o indulto em questão se destina a quem demonstrou arrependimento pelo crime e, ao menos, manifestou a intenção de reparar tempestivamente o dano, somente deixando de fazê-lo por sua condição de hipossuficiência. No caso dos autos, não há qualquer elemento que indique tal postura por parte do paciente. Assim, a ausência de qualquer elemento nos autos que indique a voluntariedade da paciente em reparar o dano causado impede a concessão da benesse, não por ser titular de pena restritiva de direitos, mas por não preencher o requisito anímico-volitivo implícito na norma. Ausentes fatos novos ou teses jurídicas diversas que permitam a análise do caso sob outro enfoque, mantém-se a decisão agravada. A propósito: "É assente nesta Corte Superior de Justiça que o agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, sob pena de ser mantida a r. decisão vergastada pelos próprios fundamentos" (AgRg no HC n. 749.888/RS, Rel. Ministro Jesuíno Rissato - Desembargador Convocado do TJDFT, 5ª T., DJe 26/8/2022). IV. Dispositivo À vista do exposto, conheço do agravo regimental para negar-lhe provimento.