HC 861735 - DECISAO
O Tribunal de origem, com base nos elementos probatórios, concluiu que a paciente atuou como coautora do crime (conduziu a motocicleta e auxiliou na fuga), não estando comprovada a coação moral irresistível ou a inexigibilidade de conduta diversa; ademais, as questões probatórias apontadas exigiriam dilação...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: paciente; Impetrante: impetrante; Impetrado: Tribunal de Justiça de Goiás; Parte Interveniente (parecer): Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 April 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Denegatória De Habeas Corpus (liminar Indeferida; Informações Prestadas; Parecer Do MPF Pelo Não Conhecimento; Habeas Corpus Denegado)
- Outcome
- Habeas corpus denegado
- Legal Topics
- Inexigibilidade De Conduta Diversa, Coação Moral Irresistível, Dosimetria, Súmula 231/stj, Revisão De Matéria Fática Em Habeas Corpus
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
paciente
Paciente
impetrante
Impetrante
Tribunal de Justiça de Goiás
Impetrado
Ministério Público Federal
Parte Interveniente (parecer)
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Denegatória De Habeas Corpus (liminar Indeferida; Informações Prestadas; Parecer Do MPF Pelo Não Conhecimento; Habeas Corpus Denegado)
Legal Issues
- 1 Configuração da coautoria em crime do art. 157, §2º, II, do CP
- 2 Aplicabilidade da excludente de coação moral irresistível
- 3 Inexigibilidade de conduta diversa
Ratio Decidendi
O Tribunal de origem, com base nos elementos probatórios, concluiu que a paciente atuou como coautora do crime (conduziu a motocicleta e auxiliou na fuga), não estando comprovada a coação moral irresistível ou a inexigibilidade de conduta diversa; ademais, as questões probatórias apontadas exigiriam dilação probatória incompatível com a via do habeas corpus; por fim, manteve-se a aplicação da Súmula 231/STJ quanto à impossibilidade de reduzir a pena abaixo do mínimo legal. Diante disso, negou-se provimento ao habeas corpus.
Court Disposition
Habeas corpus denegado
Orders
- Denegado o habeas corpus
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado contra o Tribunal de Justiça de Goiás. A paciente foi condenada "nas sanções do artigo 157, § 2º, inciso II, do Código Penal, sendo-lhe imputada a pena privativa de liberdade de 5 (cinco) anos e 4 (quatro) meses de reclusão, no regime inicial semiaberto, e pagamento de 10 (dez) dias-multa" (fl. 544). Argumenta a impetrante, em suma, com a inexigibilidade de conduta diversa, alegando que "a paciente não tinha consciência do delito que praticou quando se pôs a cumprir a ordem de esperar seu companheiro na moto. Ela narrou que tudo se passou de maneira muito rápida e não cogitou que Helder estaria descendo da moto para empreender crime" (fl. 6). Acresce que "a paciente, que era violentada por Helder, foi ameaçada por ele e somente cometeu o delito porque acreditava que se não o fizesse seus filhos correriam perigo. Assim, é claro que a paciente agiu sob coação moral irresistível, ameaçada pelo seu companheiro, de forma que não teve escolha a não ser ajudá-lo na prática do delito. Dessa forma, a paciente não realizou a conduta delitiva de forma livre e consciente, mas pressionada por Helder" (fl. 8), pugnando pela absolvição. Requer, ainda, caso mantida a condenação, seja superada a Súmula n. 231/STJ, quando da aplicação da atenuante da confissão espontânea na segunda fase da dosimetria. A liminar foi indeferida, as informações foram prestadas e o parecer do MPF é pelo não conhecimento do writ. Quanto à pretensão absolutória, assim dispôs o Tribunal de origem (fl. 549): .. Apesar das assertivas, infere-se que a alegação de que a apelante não sabia da intenção delitiva do codenunciado Helder não encontra amparo em qualquer elemento probatório. Explica-se. Na espécie, a vítima narrou que a acusada dirigiu a motocicleta durante toda a empreitada delitiva, porquanto o codenunciado Helder chegou e foi embora do local na garupa do veículo. Assim, revela-se pouco crível que a apelante tenha parado a motocicleta, avistado seu companheiro subtrair celular alheio e, mesmo assim, o ter esperado voltar para o veículo e com ele ido embora sem saber o que estava acontecendo. Acaso ela estivesse totalmente alheia à situação e, após iniciado a empreitada delitiva, discordasse da ação, poderia ter deixado o companheiro para trás na cena do crime, ou ter descido da motocicleta e lá ficado com a vítima para ajudar a solucionar o caso, por exemplo. Ao contrário, prestou auxílio na fuga, indicando a fragilidade na tese de que desconhecia/discordava do roubo. Igualmente, a Defesa não logrou êxito em evidenciar que a apelante agiu sob coação moral irresistível - o que excluiria a sua culpabilidade. Em que pese a alegação de que o codenunciado Helder ameaçava a acusada e seu filho, verifica-se que, durante o tempo de relacionamento, inexiste registros pretéritos que demonstrem a veracidade de tal informação, havendo, inclusive, notícias que, meses depois do crime tratado neste processo, a apelante ainda permanecia com o mesmo companheiro praticando roubos (Proc. nº 0019270-17, sentença condenatória transitada em julgado em 15/03/23). Destarte, em juízo, a acusada asseverou que o codenunciado Helder lhe ameaçava para que continuasse o relacionamento amoroso, afirmando que ele não lhe coagia a praticar os crimes em si (mov. 5) - reforçando a não configuração da exculpante da coação moral irresistível. Por fim, saliente-se que a apelante era imputável, pois dotada de capacidade civil, sendo-lhe exigível, portanto, comportamento de acordo com as regras sociais estabelecidas. Dessa forma, a despeito da excludente suscitada, tem-se que os elementos probatórios jungidos ao processo são suficientes a evidenciarem a acusada como sendo coautora do crime aqui discutido. .. Da análise do excerto colacionado, verifica-se que foi afastada, de forma fundamentada, as excludentes de ilicitude invocadas (inexigibilidade de conduta diversa e coação moral irresistível), de forma que, para infirmar as conclusões das instâncias ordinárias, seria necessária aprofundada dilação probatória, incompatível com a via eleita. Com efeito, "deve se ressaltar a imprestabilidade da via eleita para aferição de teses tal qual a ausência de indícios de autoria, entre outras concernentes ao mérito da ação penal, porquanto demandariam aprofundada dilação probatória que, de notória sabença, é incompatível com a via eleita, devendo ser comprovada no decorrer da instrução criminal, de ampla cognoscibilidade" (AgRg no HC n. 743.861/MS, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Quinta Turma, julgado em 21/6/2022, DJe de 29/6/2022). No que se refere ao pedido subsidiário, tenho que comporta deferência a afirmação constante do aresto vergastado no sentido de que "deve a reprimenda intermediária permanecer inalterada, visto que "a incidência de circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena abaixo do mínimo legal" (STJ, Súmula nº 231)", cuja aplicação segue firme neste Tribunal, em que pese a afetação à Terceira Seção de recursos especiais repetitivos destinados a discutir a permanência do referido óbice. "Embora tenha reconhecido a incidência de circunstâncias atenuantes, o Tribunal local deixou de reduzir a pena, na segunda fase, para patamar inferior ao mínimo legal. Tal conclusão se encontra em harmonia com a Súmula n. 231 desta Corte, que continua sendo plenamente aplicada" (AgRg no HC n. 830.344/PE, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 5/3/2024). Ante o exposto, denego o habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA