REsp 2228578 - DECISAO
Não conheço do recurso especial porque a recorrente não demonstrou prequestionamento das matérias suscitadas nem o dissídio jurisprudencial exigido; a Corte de origem aplicou o CDC e declarou abusiva a cláusula de aviso prévio de 60 dias, com base em decisão da Ação Civil Pública nº 0136265-83.2013.4.02.5101 e na RN...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 September 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Não conhecido do recurso especial
- Legal Topics
- Inexigibilidade De Débito, Cláusula Abusiva, Aviso Prévio Em Planos Coletivos, Rescisão Contratual, Prequestionamento
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Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Abusividade da cláusula que exige aviso prévio de 60 dias para rescisão unilateral de contrato de plano de saúde coletivo empresarial
- 2 Aplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor a contratos de plano de saúde coletivo empresarial
- 3 Efeito de decisão em Ação Civil Pública nº 0136265-83.2013.4.02.5101 que declarou ilicitude da exigência de aviso prévio
Ratio Decidendi
Não conheço do recurso especial porque a recorrente não demonstrou prequestionamento das matérias suscitadas nem o dissídio jurisprudencial exigido; a Corte de origem aplicou o CDC e declarou abusiva a cláusula de aviso prévio de 60 dias, com base em decisão da Ação Civil Pública nº 0136265-83.2013.4.02.5101 e na RN nº455/2020, reconhecendo a inexigibilidade das mensalidades cobradas após a manifestação de resilição; em razão do não conhecimento, manteve-se a sentença e majoraram-se os honorários advocatícios.
Court Disposition
Não conhecido do recurso especial
Orders
- NÃO CONHEÇO do recurso especial.
- MAJORO os honorários advocatícios em 20% (vinte por cento) do valor arbitrado, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da CF, contra acórdão do TJSP assim ementado (fls. 473-474): APELAÇÃO - PLANO DE SAÚDE - Ação declaratória de inexigibilidade de débito pela qual a autora busca o afastamento de cobrança de aviso prévio em razão de cancelamento unilateral de contrato de plano de saúde mantido junto à ré - Sentença de procedência - Recurso da ré. PLANO DE SAÚDE EMPRESARIAL - Rescisão pela sociedade empresarial contratante - Aplicação das normas consumeristas aos contratos de plano de saúde - Contrato coletivo empresarial - Cláusula contratual abusiva exigindo aviso prévio de 60 dias, em observância ao artigo 51, IV do CDC - Inexigibilidade das mensalidades cobradas posteriormente à manifestada resilição - Nulidade do parágrafo único do artigo 17, da Resolução Normativa nº 195/2009 da ANS reconhecido em tese firmada na Ação Civil Pública nº 0136265-83.2013.4.02.5101, com efeitos erga omnes em todo o território nacional - Inviabilidade da imposição de aviso prévio e da cobrança das mensalidades posteriores à manifestação de interesse na resolução do contrato, ante a declaração de nulidade do ato normativo que as fundamentava - Débito declarado inexigível. RECURSO DESPROVIDO, com majoração dos honorários advocatícios, nos termos do art. 85, § 11, do CPC. Nas razões apresentadas (fls. 487-512), a recorrente aponta dissídio jurisprudencial e contrariedade aos arts. 421 e 422 do CC/2002, argumentando que: (a) inexistiria abuso na cláusula que condiciona a rescisão unilateral do contrato de plano de saúde à notificação prévia da operadora, com antecedência mínima de 60 (sessenta) dias, e (b) "havendo a prestação dos serviços contratados, não pode a recorrida se opor ao pagamento, sob pena de invalidação do contrato firmado. Como é de conhecimento comum, não há prestação de serviços sem que haja a devida contraprestação, uma vez que tais relações são de caráter comercial" (fl. 495). Foram ofertadas contrarrazões, requerendo o arbitramento de honorários recursais (fls. 517-534). O recurso foi admitido na origem (fls. 535-537). É o relatório. Decido. A fim de descaracterizar o abuso de cláusula contratual de exigência de notificação prévia da operadora de saúde, com antecedência mínima de 60 (sessenta) dias) do pedido de cancelamento do plano, a recorrente apontou violação dos arts. 421 e 422 do do CC/2002. Ocorre que tais dispositivos legais, isoladamente, não possuem o alcance normativo pretendido, porque nada dispõem a respeito dos requisitos da notificação mencionada, tampouco sobre o procedimento de comunicação de desinteresse do usuário em manter o vínculo contratual. Dessa forma, a fundamentação recursal mostra-se deficiente e atrai, por analogia, a Súmula n. 284/STF. Nesse aspecto: AgInt no AgInt no AREsp n. 984.530/SP, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 21/9/2017, DJe 20/10/2017, e AgInt no REsp n. 1.505.441/SC, Relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 27/6/2017, DJe 2/8/2017. A Corte local não se manifestou quanto aos arts. 421 e 422 do CC/2002 sob o ponto de vista da parte recorrente. Dessa forma, sem terem sido objeto de debate na decisão recorrida e ante a falta de aclaratórios no ponto, as matérias contidas em tais dispositivos carecem de prequestionamento e sofrem, por conseguinte, o empecilho das Súmulas n. 282 e 356 do STF. Ademais, segundo a Corte de origem, há coisa julgada material na ação coletiva n. 0136265-83.2.013.84.02.5101 - do Tribunal Regional Federal da 2ª Região - reconhecendo o abuso aqui discutido, motivo pelo qual, à luz dos arts. 16, 47, 51, IV, 81, 93, II, e 103 do CDC (estando os a rts. 16, 81, 93, II, e 103 do CDC (prequestionados implicitamente), a cobrança do saldo residual do contrato seria inexigível. Confira-se (fls. 475-484): Centrado nesses parâmetros, dado o caráter consumerista na relação aqui tratada, aplicável as regras da Lei nº 8.078/90, consoante o teor da Súmula 608 do Superior Tribunal de Justiça: "Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de plano de saúde, salvo os administrados por entidades de autogestão." Sob essa ótica, devem-se interpretar as cláusulas contratuais de maneira mais favorável ao consumidor, caracterizando-se abusivas aquelas que o coloquem em desvantagem exagerada ou que sejam incompatíveis com a boa fé e a equidade, em observância aos artigos 47 e 51, IV, do aludido diploma. Com efeito, o aviso prévio de 60 dias obriga o consumidor a manter-se no plano de saúde por mais dois meses após a manifestação de desinteresse na continuidade da contratação, inviabilizando a aquisição de novo plano mais vantajoso, configurando enriquecimento sem causa da operadora. Ademais, no julgamento da ação civil pública nº 0136265-83.2013.4.02.5101, ajuizada pelo Procon do Estado do Rio de Janeiro em face da Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS, com efeitos erga omnes em todo o território nacional, foi reconhecida a ilicitude da exigência do aviso prévio, para resilição contratual antecipada nos planos coletivos por adesão ou empresariais, e, por via de consequência, a nulidade da regra insculpida no parágrafo único do artigo 17 da Resolução Normativa nº 195/09, nos seguintes termos: .. Em vista disso, a ANS editou a Resolução Normativa nº 455/2020, anulando o disposto no parágrafo único do art. 17, da Resolução Normativa nº 195/2009, cujo artigo 1º dispõe que: "Em cumprimento ao que determina a decisão judicial proferida nos autos da Ação Civil Pública nº 0136265-83.2013.4.02.51.01, fica anulado o disposto no parágrafo único do art. 17, da Resolução Normativa nº 195, de 14 de julho de 2009". .. Anoto, ainda sobre o tema, que o entendimento fixado por intermédio da Ação Civil Pública em referência não se altera com o advento da RN nº 557/2022, eis que o referido ato normativo não trouxe norma em que se possa ancorar a imposição de aviso prévio para fins de rescisão unilateral do contrato de plano de saúde empresarial. O contrato foi celebrado com fundamento em dispositivo que consta de ato normativo revogado, e não pode se convalidar por disposição normativa genérica, citada pelo apelante, segundo a qual as regras a serem observadas para rescisão contratual dos planos de saúde coletivo são aquelas que constam no pacto firmado entre as partes. A prevalência de tal argumento afrontaria a ratio decidendi constante do julgado, notadamente porque equivaleria a considerar legítima exigência baseada em cláusula contratual a abusiva meramente por constar do instrumento contratual celebrado. .. Assim, revestindo-se de abusividade a cláusula contratual que determina a necessidade de aviso prévio de 60 (sessenta) dias para a rescisão unilateral do contrato pelo contratante, necessário reconhecer sua nulidade e a consequente inexigibilidade dos valores cobrados após o pedido de rescisão pela contratante. Portanto, forçosa a manutenção da r. sentença proferida na origem. A respeito de tal razão de decidir, a parte recorrente não se manifestou especificamente, o que atrai a Súmula n. 283/STF. O conhecimento do recurso especial interposto com fundamento na alínea "c" do permissivo constitucional exige, além da indicação do dispositivo legal objeto de interpretação divergente, a demonstração do dissídio, mediante a verificação das circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados e a realização do cotejo analítico entre elas, nos termos definidos pelos arts. 255, §§ 1º, do RISTJ e 1.029, § 1º, do CPC/2015, ônus dos quais a parte recorrente não se desincumbiu. Registre-se, por fim, que "a divergência entre julgados do mesmo Tribunal não enseja recurso especial" (Súmula n. 13/STJ). Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso especial. Na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015, MAJORO os honorários advocatícios em 20% (vinte por cento) do valor arbitrado, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Publique-se e intimem-se. EMENTA