AREsp 2688350 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o enfrentamento da alegada falta de informação e da modalidade contratual exigiria reexame de fatos e interpretação de cláusulas contratuais (vedado pela Súmula 7/STJ) e porque o dissídio jurisprudencial não foi demonstrado por meio de cotejo...
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- Parties
- Agravante: PEDRO BENEDITO GOMES; Apelado: BANCO BMG S/A
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 October 2024
- Procedural Posture
- Ação Declaratória De Inexigibilidade C/c Obrigação De Fazer E Indenização / Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial não conhecido.
- Legal Topics
- Inexigibilidade De Dívida, Contratação De Cartão De Crédito Consignado, Dever De Informação, Dissídio Jurisprudencial, Súmula 7/stj, Reexame De Fatos E Interpretação De Cláusulas Contratuais
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Parties
PEDRO BENEDITO GOMES
Agravante
BANCO BMG S/A
Apelado
Procedural Posture
Ação Declaratória De Inexigibilidade C/c Obrigação De Fazer E Indenização / Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 existência ou não de vício na contratação e cumprimento do dever de informação
- 2 possibilidade de reexame de fatos e interpretação de cláusulas contratuais em recurso especial (Súmula 7/STJ)
- 3 demonstração de dissídio jurisprudencial mediante cotejo analítico e similitude fática
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o enfrentamento da alegada falta de informação e da modalidade contratual exigiria reexame de fatos e interpretação de cláusulas contratuais (vedado pela Súmula 7/STJ) e porque o dissídio jurisprudencial não foi demonstrado por meio de cotejo analítico e similitude fática, nos termos exigidos pelo CPC e RISTJ.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial não conhecido.
Orders
- Conheço do agravo em recurso especial.
- Com fundamento no art. 932, III, do CPC, não conheço do recurso especial.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Examina-se agravo em recurso especial interposto por PEDRO BENEDITO GOMES, contra decisão interlocutória que negou seguimento a recurso especial fundamentado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional. Agravo em recurso especial interposto em: 17/11/2023. Concluso ao gabinete em: 21/08/2024. Ação: declaratória de inexigibilidade c/c obrigação de fazer e indenização, ajuizada pelo agravante, em face de BANCO BMG S/A, fundada na abusividade contratual. Sentença: julgou improcedentes os pedidos. Acórdão: negou provimento à apelação interposta pelo agravante, nos termos da seguinte ementa: EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXIGIBILIDADE CUMULADA COM OBRIGAÇÃO DE FAZER COM INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS (RESTITUIÇÃO EM DOBRO) E MORAIS - CARTÃO DE CRÉDITO CONSIGNADO - MODALIDADE DE CONTRATAÇÃO ESTABELECIDA DE FORMA CLARA - AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS DÉBITOS PENDENTES - CRÉDITO QUE FOI DISPONIBILIZADO E UTILIZADO PELO CONSUMIDOR - AUSÊNCIA DE ATO ILÍCITO - NÃO CONFIGURADO DANO MORAL - RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO - MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. É incontroversa nos autos a contratação de empréstimo, pelo autor, junto à instituição financeira requerida. A discussão travada no presente caso alude apenas à modalidade de contratação realizada, afirmando o recorrente que foi induzido a erro pelo banco, uma vez que pretendia contratar um empréstimo consignado com desconto em benefício previdenciário, quando em verdade contratou um cartão de crédito consignado. 2. Porém, analisando as provas dos autos, o contrato celebrado entre as partes não deixa margem para discussão: a modalidade de empréstimo contratada pelo autor envolvia um cartão de crédito emitido pela parte apelada, cujo pagamento do débito decorreria da quitação do valor mínimo indicado na fatura. 3. Conforme se extrai de maneira indene do contrato celebrado entre as partes, desde o nascedouro da avença o contratante era sabedor das cláusulas contratuais e das suas respectivas consequências jurídicas. 4. Em momento algum a parte autora questiona a veracidade de sua assinatura aposta no contrato apresentado pela instituição financeira ou aduz que não recebeu os valores do mútuo. Ao contrário, reconhece ter recebido a quantia, restando evidente a sua adesão ao cartão de crédito consignado. Além disso, também consta expressamente no instrumento pactuado entre as partes o valor consignado para pagamento mínimo indicado nas faturas (Cláusula II - Características do Cartão de Crédito Consignado). 5. Logo, em que pese a parte apelante tenha alegado na exordial que pretendia contratar um empréstimo consignado, da análise do contrato pactuado entre as partes é forçoso concluir que houve a contratação de cartão de crédito consignado, eis que expresso no instrumento contratual a modalidade em questão, de modo que não há como reconhecer a falta de ciência quanto ao produto adquirido. 6. Por fim, é de se salientar que o autor efetivamente recebeu os valores provenientes do saque vinculado ao limite de crédito correspondente ao cartão de crédito consignado contratado, e isso através de transferência eletrônica realizada para sua conta bancária (fl. 111), o que ratifica a legalidade dos descontos realizados em seu benefício previdenciário. 7. Portanto, considerando que a instituição financeira trouxe aos autos contrato pactuado entre ás partes, dizendo respeito ao mesmo tipo de empréstimo consignado (cartão de crédito) ao qual a inicial se refere e com a presença de cláusulas claras sobre a operação de crédito contratada, bem como comprovou o recebimento do valor oriundo do mútuo através do comprovante de transferência, não há que se falar em contratação viciada e, por consequência; são lícitos os descontos efetuados no benefício previdenciário do apelante e descabida a restituição dos valores e a indenização por dano moral, razão pela qual deve ser mantida a sentença que concluiu pela improcedência da demanda. 8. Recurso conhecido e desprovido. Fixados honorários advocatícios recursais, ressalva a exigibilidade da verba por encontrar-se o autor sob o pálio da gratuidade de justiça. Embargos de declaração: opostos pelo agravante, foram rejeitados. O Tribunal de origem consignou o seguinte (e-STJ, fl. 284): Foi claro o acórdão recorrido no sentido de que não houve violação ao dever de informação por parte do embargado, especialmente porque o contrato celebrado entre as partes encontra-se juntado às fls. 24vº/26 e consta expressamente em letras maiúsculas no título que se trata de "Termo de adesão: cartão de crédito consignado autorizado pelo Banco BMG S. A. e autorização para desconto de folha de pagamento", inscrição que não deixa dúvidas . quanto a modalidade contratual. Salientou-se que a primeira informação constante na cláusula VI do pacto diz respeito a autorização para desconto do valor mínimo indicado na fatura mensal, de modo que, "em que pese a parte apelante tenha alegado na exordial que pretendia contratar um empréstimo consignado, da análise do contrato pactuado entre as partes é forçoso concluir que houve a contratação de cartão de crédito consignado, eis que expresso no instrumento contratual a modalidade em questão, de modo que não há como reconhecer a falta de ciência quanto ao produto adquirido." Recurso especial: alega violação dos arts. 4º, 6º, III, 39, 46 e 52, do CDC, bem como dissídio jurisprudencial. Sustenta que o agravado não teria cumprido o dever de informação na contratação de cartão de crédito com margem consignável, razão pela qual a dívida deveria ser declarada nula e inexigível ou deveria ser determinada a revisão contratual. É O RELATÓRIO. DECIDO. - Do reexame de fatos e da interpretação de cláusulas contratuais Alterar o decidido no acórdão impugnado, no que se refere à conclusão acerca da ciência do agravante acerca da modalidade contratada, de que não haveria vício na contratação, bem como da licitude dos descontos realizados, exige o reexame de fatos e a interpretação de cláusulas contratuais, vedados em recurso especial pelas Súmulas 5 e 7, ambas do STJ. - Da divergência jurisprudencial Entre os acórdãos trazidos à colação, não há o necessário cotejo analítico nem a comprovação da similitude fática, elementos indispensáveis à demonstração da divergência. Assim, a análise da existência do dissídio é inviável, porque foram descumpridos os arts. 1.029, §1º, do CPC e 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ. Ademais, a incidência da Súmula 7 desta Corte acerca do tema que se supõe divergente, também impede o conhecimento da insurgência veiculada pela alínea "c" do art. 105, III, da Constituição da República. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 821.337/SP, Terceira Turma, DJe de 13/03/2017 e AgInt no AREsp n. 964.391/SP, Terceira Turma, DJe de 21/11/2016. Forte nessas razões, CONHEÇO do agravo e, com fundamento no art. 932, III, do CPC, NÃO CONHEÇO do recurso especial. Deixo de majorar os honorários fixados anteriormente, porquanto já atingido o limite máximo previsto no art. 85, § 2º, do CPC. Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar sua condenação ao pagamento das penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXIGIBILIDADE C/C OBRIGAÇÃO DE FAZER E INDENIZAÇÃO. REEXAME DE FATOS. INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INADMISSIBILIDADE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO E SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. Ação declaratória de inexigibilidade c/c obrigação de fazer e indenização, fundada na abusividade contratual. 2. O reexame de fatos e a interpretação de cláusulas contratuais em recurso especial são inadmissíveis. 3. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. 4. A incidência da Súmula 7/STJ prejudica a análise do dissídio jurisprudencial pretendido. Precedentes desta Corte. 5. Agravo em recurso especial conhecido. Recurso especial não conhecido.