AREsp 2797805 - DECISAO
O Tribunal entendeu que, dada a ausência de custódia e de submissão do medidor à perícia técnica idônea e diante da unilateralidade do TOI, não há elementos suficientes para reconhecer fraude e extinguir a alegada inexigibilidade de débito; ademais, não houve prequestionamento de determinadas matérias, de modo que o...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 March 2025
- Procedural Posture
- Ação Declaratória De Inexistência De Débito C/c Indenização Por Danos Morais / Agravo Em Recurso Especial Conhecido; Recurso Especial Não Conhecido
- Outcome
- Conheço do agravo em recurso especial relativamente à matéria não repetitiva e não conheço do recurso especial
- Legal Topics
- Inexistência De Débito, Danos Morais, Fraude Em Medidor De Energia, Prova Pericial, Custódia Do Medidor, Honorários Advocatícios, Prequestionamento, Súmula 211 STJ
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Procedural Posture
Ação Declaratória De Inexistência De Débito C/c Indenização Por Danos Morais / Agravo Em Recurso Especial Conhecido; Recurso Especial Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Se o Termo de Ocorrência e Inspeção (TOI) unilateral prova a fraude no medidor
- 2 Se a ausência de submissão do medidor à perícia impede a conclusão pela ocorrência de fraude
- 3 Questão de prequestionamento de dispositivo legal (arts. 2º e 3º, XIX, da L. 9.427/96)
Ratio Decidendi
O Tribunal entendeu que, dada a ausência de custódia e de submissão do medidor à perícia técnica idônea e diante da unilateralidade do TOI, não há elementos suficientes para reconhecer fraude e extinguir a alegada inexigibilidade de débito; ademais, não houve prequestionamento de determinadas matérias, de modo que o recurso especial não poderia ser conhecido; determinou-se também a majoração dos honorários em 1% conforme art. 85, §11, do CPC/2015.
Court Disposition
Conheço do agravo em recurso especial relativamente à matéria não repetitiva e não conheço do recurso especial
Orders
- Recurso especial não conhecido
- Conhecer do agravo em relação à matéria que não se enquadra em tema repetitivo
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de ação declatória de inexistência de débito c/c pedidos indenização por danos morais. Na sentença, julgou-se parcialmente procedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. O valor da causa foi fixado em R$ 70.237,89 (setenta mil, duzentos e trinta e sete reais, oitenta e nove centavos) O recurso especial, fundamentado no art. 105, III, a, da Constituição Federal, foi interposto no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: APELAÇÃO. ENERGIA ELÉTRICA. DECLARATÓRIA DE INEXIGIBILIDADE C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. Irregularidades no medidor apurada mediante TOI (Termo de Ocorrência e Inspeção). Cobrança de consumo não registrado. Ação proposta pela consumidora visando ao reconhecimento da inexigibilidade da quantia e à indenização por danos morais. Parcial procedência. Inconformismo da concessionária. FRAUDE EM MEDIDOR DE ENERGIA ELÉTRICA. A apuração unilateral de supostas fraudes no medidor de energia mediante Termo de Ocorrência e Inspeção (TOI) não se presta a comprovar as irregularidades invocadas pela concessionária de serviços públicos. Celeuma que poderia ter sido evitada por meio da custódia do medidor supostamente fraudado, dando-se oportunidade ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Providências seriam essenciais para a formação da convicção do Estado-Juiz sobre a existência de fraude por parte do consumidor. Inúmeros precedentes desta C. Câmara. Sentença mantida. SUCUMBÊNCIA. Majoração dos honorários advocatícios, segundo as disposições do art. 85, §11, do CPC/15. RECURSO NÃO PROVIDO. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: Em razão da ausência de submissão do medidor à prova pericial, não se pode concluir pela ocorrência de fraude. Deve-se presumir a boa-fé da apelada, já que o reconhecimento de má-fé exige idônea comprovação. Reitere-se que a unilateralidade do TOI (fls. 80/82), prejudicial à cobrança, poderia ser superada por meio da custódia do medidor analisado, dando-se oportunidade ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Tais providências seriam essenciais para a formação da convicção do Estado-Juiz sobre a existência de fraude por parte do consumidor. Veja-se que este entendimento não destoa da jurisprudência desta E. Corte de Justiça: .. Não bastasse, o expert nomeado para a realização de perícia indireta concluiu que "não foram evidenciadas as irregularidades periciadas pela concessionária no equipamento", destacando a existência de divergências nos registros fotográficos de inspeção apresentados pela concessionária (fls. 288). Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Relativamente a alegação de violação dos arts. 2º e 3º, XIX, da L. 9.427/96, esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA