HC 1091786 - DECISAO
A pretensão foi indeferida liminarmente porque a matéria não foi examinada pelo Tribunal de origem e não há situação excepcional ou flagrante ilegalidade capaz de autorizar a superação da Súmula 691/STF; portanto, deve-se aguardar o esgotamento da jurisdição do Tribunal de origem antes de intervenção desta Corte...
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- Parties
- Paciente: MARIANA ALVES RAMOS GONCALVES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 April 2026
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida (decisão Monocrática No STJ Por Aplicação Da Súmula 691/stf)
- Outcome
- Indeferida liminarmente
- Legal Topics
- Ingresso Domiciliar Sem Mandado, Ilícitude Probatória, Teoria Dos Frutos Da Árvore Envenenada, Súmula 691/stf, Trancamento De Ação Penal, Justa Causa
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Parties
MARIANA ALVES RAMOS GONCALVES
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida (decisão Monocrática No STJ Por Aplicação Da Súmula 691/stf)
Legal Issues
- 1 Cabimento de habeas corpus contra indeferimento liminar em instância originária (Súmula 691/STF)
- 2 Ilicitude do ingresso domiciliar sem mandado e suas consequências probatórias
- 3 Existência de justa causa para prosseguimento da ação penal
Ratio Decidendi
A pretensão foi indeferida liminarmente porque a matéria não foi examinada pelo Tribunal de origem e não há situação excepcional ou flagrante ilegalidade capaz de autorizar a superação da Súmula 691/STF; portanto, deve-se aguardar o esgotamento da jurisdição do Tribunal de origem antes de intervenção desta Corte Superior.
Court Disposition
Indeferida liminarmente
Orders
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de MARIANA ALVES RAMOS GONCALVES em que se aponta como ato coator a decisão monocrática de Desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO que indeferiu o pedido de liminar formulado no HC n. 091683-79.2026.8.26.0000 . Consta dos autos que a paciente foi denunciada pela suposta prática dos delitos capitulados nos arts. 33 e 35 da Lei 11.343/2006; 14 da Lei 10.826/2003, c/c o art. 29, caput, do Código Penal, todos na forma do ar. 69 do Código Penal, termos em que denunciada. Em suas razões, sustenta o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto o ingresso domiciliar foi realizado sem mandado judicial e sem fundadas razões prévias, o que torna nula a diligência e macula toda a persecução penal. Alega que houve nulidade do ingresso domiciliar por violação ao art. 5º, XI, da Constituição, pois a diligência se apoiou apenas em notícia informal e suposta percepção de odor de entorpecente, sem investigação prévia, monitoramento ou confirmação objetiva da suspeita. Argumenta que as provas são ilícitas por derivação, à luz da teoria dos frutos da árvore envenenada, porque toda a cadeia probatória decorre do ingresso ilegal, não havendo fonte independente ou inevitabilidade, o que impõe o desentranhamento dos elementos e o trancamento da ação penal. Defende que a decisão que indeferiu a liminar incorreu em erro de premissa ao validar o ingresso com base em indícios obtidos após a diligência e ao afirmar necessidade de dilação probatória, quando a controvérsia é objetiva e aferível de plano pelos elementos anteriores ao ingresso. Expõe que falta justa causa para a ação penal, pois não há vínculo técnico da paciente com o imóvel, o exame papiloscópico é negativo em relação à paciente, as compras de flaconetes ocorreram para endereço diverso e foram contextualizadas como realizadas em conta compartilhada, inexistindo lastro mínimo idôneo. Requer, liminarmente, a suspensão do feito. E, no mérito, o trancamento da ação penal, com o desentranhamento das provas ilícitas. É o relatório. Decido. Constata-se, desde logo, que a pretensão não pode ser acolhida por esta Corte Superior, pois a matéria não foi examinada pelo Tribunal de origem, que ainda não julgou o mérito do writ originário. Aplica-se à hipótese o enunciado 691 da Súmula do STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar. Confiram-se, a propósito, os seguintes julgados: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. .. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINAR NO TRIBUNAL A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA n. 691/STF. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. PRISÃO DOMICILIAR. AUSÊNCIA DE PROVA INEQUÍVOCA DE QUE O RÉU ESTEJA EXTREMAMENTE DEBILITADO. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem compreensão firmada no sentido de não ser cabível habeas corpus contra decisão que indefere o pleito liminar em prévio mandamus, a não ser que fique demonstrada flagrante ilegalidade. Inteligência do verbete n. 691 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. .. 3. .. 4. A demora ilegal não resulta de um critério aritmético, mas de aferição realizada pelo julgador, à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, levando em conta as peculiaridades do caso concreto, de modo a evitar retardo injustificado na prestação jurisdicional. 5. .. 6. Ausência de flagrante ilegalidade a justificar a superação da Súmula 691 do STF. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 778.187/PE, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 16.11.2022.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PETIÇÃO INICIAL IMPETRADA CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR PROFERIDA EM HABEAS CORPUS PROTOCOLADO NA ORIGEM, CUJO MÉRITO AINDA NÃO FOI JULGADO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE TERATOLOGIA. IMPOSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DO ÓBICE PROCESSUAL REFERIDO NA SÚMULA N. 691 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. WRIT INCABÍVEL. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Em regra, não se admite habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ na instância de origem, salvo nas hipóteses em que se evidenciar situação absolutamente teratológica e desprovida de qualquer razoabilidade (por forçar o pronunciamento adiantado da Instância Superior e suprimir a jurisdição da Inferior, em subversão à regular ordem de competências). Na espécie, não há situação extraordinária que justifique a reforma da decisão em que se indeferiu liminarmente a petição inicial. 2. .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 763.329/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 27.9.2022.) No caso, a situação dos autos não apresenta nenhuma excepcionalidade a justificar a prematura intervenção desta Corte Superior e superação do referido verbete sumular. Deve-se, por ora, aguardar o esgotamento da jurisdição do Tribunal de origem. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA