REsp 2084453 - DECISAO
Como ficou comprovado o envio e a entrega da notificação ao endereço de e-mail informado pelo credor, atendeu-se ao disposto no art. 43, § 2º do CDC; a jurisprudência do STJ admite a notificação por e-mail quando há prova de envio/entrega ao servidor de destino; não havendo violação legal ou prova em contrário, o...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: JOÃO NORBERTO DUARTE DA SILVEIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 June 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial
- Outcome
- Recurso especial negado provimento
- Legal Topics
- Inscrição Em Cadastro De Inadimplentes, Notificação Prévia Por E Mail, Dano Moral, Prova Do Envio E Entrega De E Mail, Súmulas Do STJ
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
JOÃO NORBERTO DUARTE DA SILVEIRA
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 violação do art. 43, § 2º do CDC pela notificação via e-mail
- 2 comprovação do envio e entrega do e-mail como atendimento ao art. 43, § 2º do CDC
- 3 necessidade ou não de aviso de recebimento (AR)
Ratio Decidendi
Como ficou comprovado o envio e a entrega da notificação ao endereço de e-mail informado pelo credor, atendeu-se ao disposto no art. 43, § 2º do CDC; a jurisprudência do STJ admite a notificação por e-mail quando há prova de envio/entrega ao servidor de destino; não havendo violação legal ou prova em contrário, o recurso especial não prospera e deve ser negado provimento.
Court Disposition
Recurso especial negado provimento
Orders
- Nega provimento ao recurso especial
- Majorar os honorários advocatícios em 10% sobre o valor já fixado na origem, nos termos do art. 85, § 11, do CPC
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de recurso especial interposto por JOÃO NORBERTO DUARTE DA SILVEIRA, fundamentado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, contra acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, assim ementado (fls. 216-217, e-STJ): AGRAVO INTERNO EM APELAÇÃO. RESPONSABILIDADE CIVIL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. INSCRIÇÃO EM CADASTRO DE ÓRGÃO RESTRITIVO DE CRÉDITO. NOTIFICAÇÃO PRÉVIA. RESPONSABILIDADE DO ARQUIVISTA. ARTIGO 43, § 2º, DO CDC. ATENDIMENTO. COMPROVAÇÃO. DANO MORAL NÃO CARACTERIZADO. DECISÃO DE IMPROCEDÊNCIA MANTIDA. 1. É DEVER DO ARQUIVISTA, NOS TERMOS DO ART. 43, § 2º, DO CDC, COMUNICAR PREVIAMENTE O CONSUMIDOR ACERCA DO APONTE DO SEU NOME NOS ÓRGÃOS DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO. O NÃO ATENDIMENTO DESSA PROVIDÊNCIA GERA O DIREITO À REPARAÇÃO DE DANOS MORAIS, DESDE QUE NÃO HAJA INSCRIÇÃO LEGÍTIMA PREEXISTENTE, NOS TERMOS DA SÚMULA 385 DO STJ. NESSE SENTIDO, TAMBÉM, O JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL N. 1.061.134/RS, PELO RITO DOS PROCESSOS REPETITIVOS (ART. 1.036 DO CPC). 2 . HIPÓTESE, PORÉM, EM QUE RESTOU PROVADA A POSTAGEM DA NOTIFICAÇÃO À PARTE AUTORA, A FIM DE CIENTIFICÁ-LA ACERCA DA INSCRIÇÃO NEGATIVA, RESTANDO, PORTANTO, ATENDIDO O DISPOSTO NO PRECITADO ARTIGO. 3 . NÃO HÁ DISPOSIÇÃO LEGAL PREVENDO O PRAZO DE DEZ DIAS ENTRE A INCLUSÃO DO REGISTRO NEGATIVO E A NOTIFICAÇÃO PRÉVIA. HIPÓTESE EM QUE A COMUNICAÇÃO FOI ENVIADA EM PRAZO RAZOÁVEL. 4. COMPROVADO O ENVIO DA NOTIFICAÇÃO, É DISPENSÁVEL O AVISO DE RECEBIMENTO (AR) NA CARTA DE COMUNICAÇÃO AO CONSUMIDOR SOBRE A NEGATIVAÇÃO DE SEU NOME EM BANCOS DE DADOS E CADASTROS. SÚMULA 404 DO STJ. 5. É POSSÍVEL O ENVIO DA COMUNICAÇÃO PRÉVIA DO REGISTRO NEGATIVO POR E-MAIL. NOTADAMENTE NO CASO EM TELA, EM QUE A PARTE AUTORA IMPUGNA GENERICAMENTE OS DOCUMENTOS, SENDO INCONTROVERSO QUE O E-MAIL É SEU E HAVENDO, ADEMAIS, COMPROVANTE DE ENVIO E DE ENTREGA DA MENSAGEM. 6. A EXEMPLO DO ENTENDIMENTO APLICADO ÀS HIPÓTESES DE NOTIFICAÇÃO IMPRESSA/FÍSICA, O ENVIO A ENDEREÇO DIVERSO (INCLUSIVE ELETRÔNICO) DAQUELE CONSTANTE NA INICIAL NÃO IMPUTA AO ARQUIVISTA A RESPONSABILIDADE, NA MEDIDA EM QUE EVIDENCIADA A EXPEDIÇÃO DA NOTIFICAÇÃO AO ENDEREÇO FORNECIDO PELO CREDOR ASSOCIADO. 7. MANTIDA A DECISÃO QUE JULGOU IMPROCEDENTE A AÇÃO. RECURSO DESPROVIDO. Nas razões do recurso especial (fls. 224-235, e-STJ), o recorrente aponta, além do dissídio jurisprudencial, violação do art. 43, § 2º, do CDC. Sustenta, em síntese, a ausência de notificação prévia da inscrição de seu nome no cadastro de inadimplentes, em razão da irregularidade da notificação feita via e-mail. Contrarrazões (fls. 257-262, e-STJ). Após decisão de admissão do recurso especial (fls. 265-274, e-STJ), os autos ascenderam a esta egrégia Corte de Justiça. É o relatório. Decido. A pretensão recursal não merece prosperar. 1. Consoante relatado, o insurgente apontou violação ao artigo 43, § 2º, do CDC, ao argumento de que não foi previamente notificado da inscrição de seu nome no cadastro de inadimplentes, ante a irregularidade da notificação feita via e-mail. O Tribunal de origem, ao analisar a controvérsia, assim decidiu: Como fundamentadamente exposto na decisão agravada, o entendimento da Câmara é no sentido de que é sim possível o envio da notificação prévia por meio eletrônico, na medida em que o art. 43, § 2º, do CDC não predetermina uma forma específica, não sendo obrigatória a remessa por carta. Reitero que, no caso concreto, as impugnações à validade da documentação foram genéricas, sendo insuficientes a afastar a sua força probatória. Não apenas não houve negativa de titularidade do endereço de e-mail, como o endereço de envio coincide com aquele informado na inicial. Diante disso, não há como reputar inválida a mensagem simplesmente porque, de forma genérica, a parte autora alega que não há certeza de que "o consumidor tomou ciência da mesma (confirmação de leitura/abertura)". Perceba-se que essa certeza não é exigida nem mesmo em caso de notificação por carta. (fl. 214, e-STJ) grifou-se O acórdão recorrido, no particular, está em consonância com o recente entendimento firmado no âmbito do STJ. A respeito do tema, no julgamento do REsp 2.063.145-RS (DJe de 7/5/2024), de relatoria da e. Ministra Maria Isabel Gallotti, a Quarta Turma, por maioria, decidiu que "É válida a comunicação remetida por e-mail para fins de notificação do consumidor acerca da inscrição de seu nome em cadastro de inadimplentes, desde que comprovado o envio e entrega da comunicação ao servidor de destino". Eis a ementa do julgado: RECURSO ESPECIAL. DIREITO DO CONSUMIDOR. AÇÃO INDENIZATÓRIA. INSCRIÇÃO EM CADASTRO DE INADIMPLENTES. ARTIGO 43, § 2º, DO CDC. PRÉVIA NOTIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE DE ENVIO DA COMUNICAÇÃO ESCRITA POR E-MAIL. SUFICIÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DO ENVIO E ENTREGA DO E-MAIL NO SERVIDOR DE DESTINO. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. 1. Cinge-se a controvérsia a definir a validade ou não da comunicação remetida por e-mail ao consumidor acerca da inscrição de seu nome em cadastro de inadimplentes para fins de atendimento ao disposto no art. 43, § 2º, do Código de Defesa do Consumidor. 2. O dispositivo legal determina que a abertura de cadastro, ficha, registro e dados pessoais e de consumo deverá ser comunicada por escrito ao consumidor, quando não solicitada por ele. 3. Considerando que é admitida até mesmo a realização de atos processuais, como citação e intimação, por meio eletrônico, inclusive no âmbito do processo penal, é razoável admitir a validade da comunicação remetida por e-mail para fins de notificação prevista no art. 43, § 2º, do CDC, desde que comprovado o envio e entrega da comunicação ao servidor de destino. 4. Assim como ocorre nos casos de envio de carta física por correio, em que é dispensada a prova do recebimento da correspondência, não há necessidade de comprovar que o e-mail enviado foi lido pelo destinatário. 5. Comprovado o envio e entrega de notificação remetida ao e-mail do devedor constante da informação enviada ao banco de dados pelo credor, está atendida a obrigação prevista no art. 43, § 2º, do CDC. 6. Na hipótese, o Tribunal local consignou, de forma expressa, que foi comprovado o envio de notificação ao endereço eletrônico fornecido pelo credor associado cientificando o consumidor e sua efetiva entrega à caixa de e-mail do destinatário. 7. Modificar a premissa fática estabelecida no acórdão recorrido de que houve o envio e entrega da notificação por e-mail demandaria o reexame de fatos e provas dos autos, providência vedada em recurso especial. 8. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp n. 2.063.145/RS, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 14/3/2024, DJe de 7/5/2024.) grifou-se Nesse mesmo sentido, ainda: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. INSCRIÇÃO EM CADASTRO DE INADIMPLENTES (CDC, ART. 43, § 2º). NOTIFICAÇÃO PRÉVIA ENVIADA POR E-MAIL. POSSIBILIDADE. AGRAVO INTERNO PROVIDO. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. No caso, o Tribunal a quo, após o exame dos autos, das provas, dos documentos e da natureza da lide, concluiu pela validade da notificação efetivada por e-mail, no qual constou "comunicado a origem da dívida a ser apontada no cadastro de inadimplentes, o valor da anotação, o contrato e a data de vencimento da obrigação junto ao credor, possibilitando-se ao consumidor, desta maneira, a ciência prévia quanto ao aponte de seu nome junto aos órgãos de proteção ao crédito pela arquivista". Consignou, ainda, que "há informação da data em que enviada a notificação eletrônica, o status de "entregue", bem como ID da mensagem e o número de serial, a legitimar a comunicação efetivada via mensagem por e-mail remetida". 2. Nos termos do entendimento da Quarta Turma, firmado no julgamento do REsp 2.063.145/RS (Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, j. em 14/3/2024) considera-se válida a comunicação remetida por e-mail, para fins de inscrição em cadastro de inadimplentes, com atendimento ao disposto no art. 43, § 2º, do Código de Defesa do Consumidor. 3. Agravo interno provido para reconsiderar a decisão agravada e, em novo exame, conhecer do agravo para negar provimento ao recurso especial. (AgInt no REsp n. 2.110.068/RS, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 15/4/2024, DJe de 19/4/2024.) grifou-se Desta forma, considerando que o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência desta Corte, incide o teor da Súmula 83 do STJ, aplicável aos recursos interpostos por amb as as alíneas do permissivo constitucional. 2. Do exposto, com fulcro no artigo 932 do NCPC c/c Súmula 568 do STJ, nego provimento ao recurso especial. Por conseguinte, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários advocatícios em 10% (dez por cento) sobre o valor já fixado na origem, observado, se for o caso, o disposto no art. 98, § 3º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA