REsp 2172341 - DECISAO
Conheceu-se do recurso especial e negou-se provimento porque o Tribunal de origem constatou que a notificação prévia foi enviada e entregue ao endereço eletrônico informado pelo autor ao banco, o que, em consonância com a jurisprudência do STJ, atende ao disposto no art. 43, § 2º do CDC; por isso aplica-se a Súmula...
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- Parties
- Recorrente: PAULO SERGIO SOARES DUTRA; Recorrido: Banco Santander
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 October 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgado (decisão De Mérito)
- Outcome
- Recurso especial conhecido e negado provimento
- Legal Topics
- Inscrição Em Cadastro De Inadimplentes, Notificação Prévia Por Meio Eletrônico (e Mail/sms), Honorários Sucumbenciais
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Parties
PAULO SERGIO SOARES DUTRA
Recorrente
Banco Santander
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgado (decisão De Mérito)
Legal Issues
- 1 validação da notificação eletrônica como cumprimento do art. 43, § 2º do CDC
- 2 exigência de comprovação do envio e da entrega da notificação ao endereço informado pelo consumidor
- 3 incidência da Súmula 568/STJ quando a decisão de origem está em consonância com jurisprudência do STJ
Ratio Decidendi
Conheceu-se do recurso especial e negou-se provimento porque o Tribunal de origem constatou que a notificação prévia foi enviada e entregue ao endereço eletrônico informado pelo autor ao banco, o que, em consonância com a jurisprudência do STJ, atende ao disposto no art. 43, § 2º do CDC; por isso aplica-se a Súmula 568 do STJ e mantém-se a decisão de improcedência.
Court Disposition
Recurso especial conhecido e negado provimento
Orders
- Negado provimento ao recurso especial.
- Majoração dos honorários sucumbenciais para 20% em favor do advogado da parte recorrida, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observado o benefício da gratuidade da justiça, se for o caso.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por PAULO SERGIO SOARES DUTRA, com fundamento no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná assim ementado: "APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO PRÉVIA À INSCRIÇÃO DO NOME DO AUTOR NO CADASTRO NEGATIVO. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. INSURGÊNCIA DO DEMANDANTE. MANUTENÇÃO DOS BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA. BENESSE CONCEDIDA E NÃO REVOGADA. RECURSO NÃO CONHECIDO NESTE PONTO. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. COMPROVAÇÃO DE QUE O AUTOR FOI NOTIFICADO PREVIAMENTE À NEGATIVAÇÃO. NOTIFICAÇÃO ENCAMINHADA PARA O ENDEREÇO ELETRÔNICO INFORMADO PELO AUTOR AO BANCO NO MOMENTO DA CONTRATAÇÃO. OBSERVÂNCIA DO §2º DO ART. 43 DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. PECULIARIDADES DO CASO CONCRETO. PRECEDENTES. SENTENÇA MANTIDA. HONORÁRIOS RECURSAIS DEVIDOS. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E DESPROVIDO" (e-STJ fl. 225). Em suas razões, a parte recorrente alega, além de divergência jurisprudencial, a violação do artigo 43, § 2º, do Código de Defesa do Consumidor. Sustenta que "o e-mail/SMS presente na carta de notificação não demonstra que o Autor foi notificado, não demonstra sequer que fosse o destinatário" (e-STJ fl. 238), não se podendo considerar tenha sido o recorrente notificado previamente à inscrição de seu nome em cadastro de inadimplentes. Após a apresentação das contrarrazões (e-STJ fls. 442/449), o recurso foi admitido. É o relatório. DECIDO. A insurgência não merece prosperar. Esta Corte Superior posicionou-se pela possibilidade de reconhecer a validade da notificação extrajudicial enviada somente por correio eletrônico, para a inscrição do nome do devedor em cadastro de inadimplentes. A propósito: "RECURSO ESPECIAL. CONSUMIDOR. AÇÃO DE CANCELAMENTO DE REGISTRO CUMULADA COM INDENIZATÓRIA. REGISTRO DO NOME DO CONSUMIDOR EM CADASTRO DE INADIMPLENTES. NOTIFICAÇÃO PRÉVIA. MENSAGEM DE TEXTO DE CELULAR. POSSIBILIDADE. ENVIO E ENTREGA DA NOTIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO. REGULARIDADE DEMONSTRADA. RECURSO DESPROVIDO. 1. O propósito recursal consiste em definir se a notificação prévia enviada ao consumidor, acerca do registro do seu nome em cadastro de inadimplentes, pode se dar por meio eletrônico, à luz do art. 43, § 2º, do CDC. 2. Nos termos do art. 43, § 2º, do CDC, a validade da notificação ao consumidor - acerca do registro do seu nome em cadastro de inadimplentes - pressupõe a forma escrita, legalmente prevista, e a anterioridade ao efetivo registro, como se depreende da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sintetizada na Súmula 359/STJ. 3. Nos termos da Súmula 404/STJ e do Tema repetitivo 59/STJ (REsp n. 1.083.291/RS), afigura-se prescindível a comprovação do recebimento da comunicação pelo consumidor, bastando apenas que se comprove o envio prévio para o endereço por ele informado ao fornecedor do produto ou serviço, em razão do silêncio do diploma consumerista. 4. Considerando a regra vigente no ordenamento jurídico pátrio - de que a comunicação dos atos processuais, através da citação e da intimação, deve ser realizada pelos meios eletrônicos, que, inclusive, se aplica ao processo penal, nos termos da jurisprudência deste Tribunal, com mais razão deve ser admitido o meio eletrônico como regra também para fins da notificação do art. 43, § 2º, do CDC, desde que comprovados o envio e o recebimento no e-mail ou no número de telefone (se utilizada a mensagem de texto de celular ou o aplicativo whatsapp) informados pelo consumidor ao credor. 5. No contexto atual da sociedade brasileira, marcado por intenso e democrático avanço tecnológico, com utilização, por maciça camada da população, de dispositivos eletrônicos com acesso à internet, na quase totalidade do território nacional, constata-se que não subsiste a premissa fática na qual se baseou a Terceira Turma nos precedentes anteriores, que vedavam a utilização exclusiva dos meios eletrônicos. 6. Portanto, a notificação prévia do consumidor acerca do registro do seu nome no cadastro de inadimplentes, nos termos do art. 43, § 2º, do CDC, pode ser realizada por meio eletrônico, desde que devidamente comprovados o envio e a entrega da notificação, realizados por e-mail, mensagem de texto de celular (SMS) ou até mesmo pelo aplicativo whatsapp. 7. Recurso especial desprovido." (REsp n. 2.092.539/RS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 17/9/2024, DJe de 26/9/2024.)
"RECURSO ESPECIAL. DIREITO DO CONSUMIDOR. AÇÃO INDENIZATÓRIA. INSCRIÇÃO EM CADASTRO DE INADIMPLENTES. ARTIGO 43, § 2º, DO CDC. PRÉVIA NOTIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE DE ENVIO DA COMUNICAÇÃO ESCRITA POR E-MAIL. SUFICIÊNCIA DA COMPROVAÇÃO DO ENVIO E ENTREGA DO E- MAIL NO SERVIDOR DE DESTINO. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. 1. Cinge-se a controvérsia a definir a validade ou não da comunicação remetida por e-mail ao consumidor acerca da inscrição de seu nome em cadastro de inadimplentes para fins de atendimento ao disposto no art. 43, § 2º, do Código de Defesa do Consumidor. 2. O dispositivo legal determina que a abertura de cadastro, ficha, registro e dados pessoais e de consumo deverá ser comunicada por escrito ao consumidor, quando não solicitada por ele. 3. Considerando que é admitida até mesmo a realização de atos processuais, como citação e intimação, por meio eletrônico, inclusive no âmbito do processo penal, é razoável admitir a validade da comunicação remetida por e-mail para fins de notificação prevista no art. 43, § 2º, do CDC, desde que comprovado o envio e entrega da comunicação ao servidor de destino. 4. Assim como ocorre nos casos de envio de carta física por correio, em que é dispensada a prova do recebimento da correspondência, não há necessidade de comprovar que o e-mail enviado foi lido pelo destinatário. 5. Comprovado o envio e entrega de notificação remetida ao e-mail do devedor constante da informação enviada ao banco de dados pelo credor, está atendida a obrigação prevista no art. 43, § 2º, do CDC. 6. Na hipótese, o Tribunal local consignou, de forma expressa, que foi comprovado o envio de notificação ao endereço eletrônico fornecido pelo credor associado cientificando o consumidor e sua efetiva entrega à caixa de e-mail do destinatário. 7. Modificar a premissa fática estabelecida no acórdão recorrido de que houve o envio e entrega da notificação por e-mail demandaria o reexame de fatos e provas dos autos, providência vedada em recurso especial. 8. Recurso especial a que se nega provimento." (REsp n. 2.063.145/RS, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 14/3/2024, DJe de 7/5/2024.) Na hipótese dos autos, o acórdão consignou que a notificação foi entregue por e-mail/SMS, conforme consignado no seguinte trecho: "(..) No caso dos autos, embora a parte autora alegue a invalidade da notificação prévia por e-mail, observa-se que o endereço eletrônico para o qual foi enviada a notificação é o mesmo endereço eletrônico informado ao Banco Santander no momento da contratação que originou a dívida inscrita (paulodutra0107@gmail. com) (..) (..) Assim, está claro que o autor foi notificado previamente à negativação e está demonstrado também que o e-mail para o qual foi encaminhada a notificação é de seu uso, posto que foi informado ao Banco que originou a inscrição" (e-STJ fl.228 ). A Corte de origem decidiu, portanto, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o que atrai a incidência da Súmula 568 do STJ. Ante o exposto, conheço do recurso especial e nego-lhe provimento. Na origem, os honorários sucumbenciais foram fixados em 15% (quinze por cento) sobre o valor atualizado da causa, os quais devem ser majorados para o patamar de 20% (vinte por cento) em favor do advogado da parte recorrida, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observado o benefício da gratuidade da justiça, se for o caso. Publique-se. Intimem-se. EMENTA