AREsp 1793603 - DECISAO
Tendo a matéria sido julgada no âmbito de recurso repetitivo (Tema 1.064/STJ), que firmou entendimento segundo o qual as alterações legais (MP 780/2017 convertida na Lei 13.494/2017 e demais alterações) não se aplicam a créditos constituídos antes de sua vigência, determinou-se a devolução dos autos ao Tribunal de...
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- Parties
- Agravante: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 September 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Devolução Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Conformação
- Outcome
- Determina a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que seja realizado o juízo de conformação, nos termos do art. 34, XXIV do RISTJ e dos arts. 1.039 e 1.040 do CPC/2015.
- Legal Topics
- Inscrição Em Dívida Ativa, Benefício Previdenciário Recebido Indevidamente, Aplicabilidade Dos §§3º E 4º Do Art. 115 Da Lei 8.213/1991, Recursos Repetitivos (tema 1.064), Juízo De Conformação, Arts. 1.039 E 1.040 Do Cpc/2015
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Devolução Ao Tribunal De Origem Para Juízo De Conformação
Legal Issues
- 1 possibilidade de inscrição em dívida ativa de benefício previdenciário pago indevidamente
- 2 aplicabilidade dos §§3º e 4º do art.115 da Lei 8.213/91 a créditos constituídos antes da vigência das leis/medidas provisórias
- 3 imputação de negativa de vigência do art. 1.022, II, do CPC/2015 pela Corte de origem
Ratio Decidendi
Tendo a matéria sido julgada no âmbito de recurso repetitivo (Tema 1.064/STJ), que firmou entendimento segundo o qual as alterações legais (MP 780/2017 convertida na Lei 13.494/2017 e demais alterações) não se aplicam a créditos constituídos antes de sua vigência, determinou-se a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que proceda ao juízo de conformação (negue seguimento se a decisão coincidir com a orientação do STJ ou promova a retratação se divergir), nos termos dos arts. 1.039 e 1.040 do CPC/2015 e art. 34, XXIV do RISTJ.
Court Disposition
Determina a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que seja realizado o juízo de conformação, nos termos do art. 34, XXIV do RISTJ e dos arts. 1.039 e 1.040 do CPC/2015.
Orders
- Devolvam-se os autos ao Tribunal de origem, com baixa, para que, em observância aos arts. 1.039 e 1.040 do CPC/2015: a) negue seguimento ao recurso se a decisão combatida coincidir com a orientação emanada pelo Tribunal Superior; ou b) proceda ao juízo de retratação na hipótese de o acórdão impugnado divergir da...
- Publique-se. Intimem-se.
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DECISÃO Trata-se de agravo interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS contra decisão da Corte de origem que não admitiu o recurso especial em razão da incidência da Súmula 83 do STJ. O apelo nobre obstado enfrenta acórdão assim ementado (fl. 150): TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. DÍVIDA NÃO TRIBUTÁRIA. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO PAGO INDEVIDAMENTE. MP 780, DE19 DE MAIO DE 2017, CONVERTIDA NA LEI N. 13.494, DE 2017,QUE ALTEROU A REDAÇÃO DO ARTIGO 11. DA LEI N. 8.212, DE1991. RESP 1.793.584/SP Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a alteração prevista na Lei 13.494, de 2017, não se aplica aos casos em que o crédito foi constituído em data anterior a de sua edição. Embargos de declaração rejeitados às fls. 186-191. No recurso especial o recorrente alega negativa de vigência ao art. 1.022, II, do CPC/2015, ao fundamento de que o Tribunal deixou de prestar "esclarecimentos complementares do acórdão quanto às teses abordadas na razões recursais do apelo, além do prequestionamento de dispositivos legais". Quanto à questão de fundo, alega contrariedade ao § 2º do art. 39 da Lei nº 4.320/1964, o qual já autorizava o INSS para a inscrição em Dívida Ativa de seus créditos; que da leitura do § 2º do art. 39 da Lei nº 4.320/1964 depreende-se que o rol de tal dispositivo legal é meramente exemplificativo; alega violação do art. 115, § 3º, da Lei 8.213/1991, que consignou de forma expressa a possibilidade do INSS inscrever em Dívida Ativa os valores que lhes são devidos em decorrência de pagamento de benefícios previdenciários e assistenciais de forma indevida ou a maior; violação dos artigos 1º e 2º da LEF, que autorizam a Autarquia a inscrever o aludido valor em Dívida Ativa e promover a sua cobrança através da via da execução fiscal, não havendo norma legal que expressamente desautorize tal procedimento. Sem contrarrazões. Neste agravo afirma que seu recurso especial satisfaz os requisitos de admissibilidade e que não se encontram presentes os óbices apontados na decisão agravada. É o relatório. Decido. A questão jurídica referente à possibilidade de inscrição em dívida ativa para a cobrança dos valores indevidamente recebidos a título de benefício previdenciário (verificação da aplicação dos §§3º e 4º do art. 115 da Lei n. 8.213/91 aos processos em curso) foi afetada à Primeira Seção pela sistemática dos recursos repetitivos (Tema 1.064 do STJ - REsp 1.852.691-PB e REsp 1.860.018-RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques). A controvérsia foi dirimida recentemente, em acórdão que ostenta a seguinte ementa: RECURSO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DO CPC/2015. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3. RECURSO REPETITIVO. TEMA CORRELATO AO TEMA N. 598 CONSTANTE DO REPETITIVO RESP. N. 1.350.804-PR. PROCESSUAL CIVIL. DIREITO FINANCEIRO E PREVIDENCIÁRIO. DISCUSSÃO ACERCA DA POSSIBILIDADE DE INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO INDEVIDAMENTE RECEBIDO, QUALIFICADO COMO ENRIQUECIMENTO ILÍCITO. APLICABILIDADE DOS §§3º E 4º, DO ART. 115, DA LEI N. 8.213/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA MEDIDA PROVISÓRIA N. 780/2017 (LEI N. 13.494/2017) E MEDIDA PROVISÓRIA N. 871/2019 (LEI N. 13.846/2019) AOS PROCESSOS EM CURSO DONDE CONSTAM CRÉDITOS CONSTITUÍDOS ANTERIORMENTE À VIGÊNCIA DAS REFERIDAS LEIS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O presente repetitivo Tema/Repetitivo n. 1064 é um desdobramento do Tema/Repetitivo n. 598, onde foi submetida a julgamento no âmbito do REsp. n. 1.350.804-PR (Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.06.2013) a "Questão referente à possibilidade de inscrição em dívida ativa de benefício previdenciário indevidamente recebido, qualificado como enriquecimento ilícito". Naquela ocasião foi definido que a inscrição em dívida ativa de valor decorrente de ilícito extracontratual deve ser fundamentada em dispositivo legal específico que a autorize expressamente, o que impossibilitava a inscrição em dívida ativa de valor indevidamente recebido, a título de benefício previdenciário do INSS, pois não havia lei específica que assim o dispusesse. Essa lacuna de lei tornava ilegal o art. 154, §4º, II, do Decreto n. 3.048/99 que determinava a inscrição em dívida ativa de benefício previdenciário pago indevidamente, já que não dispunha de amparo legal. 2. Pode-se colher da ratio decidendi do repetitivo REsp. n. 1.350.804-PR três requisitos prévios à inscrição em dívida ativa: 1º) a presença de lei autorizativa para a apuração administrativa (constituição); 2º) a oportunização de contraditório prévio nessa apuração; e 3º) a presença de lei autorizativa para a inscrição do débito em dívida ativa. 3. Após o advento da Medida Provisória n. 780/2017 (convertida na Lei n. 13.494/2017) a que se sucedeu a Medida Provisória n. 871/2019 (convertida na Lei n. 13.846/2019), que alteraram e adicionaram os §§ 3º, 4º e 5º ao art. 115, da Lei n. 8.213/91, foi determinada a inscrição em dívida ativa pela Procuradoria-Geral Federal - PGF dos créditos constituídos pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS em decorrência de benefício previdenciário ou assistencial pago indevidamente ou além do devido, inclusive para terceiro beneficiado que sabia ou deveria saber da origem do benefício pago indevidamente em razão de fraude, dolo ou coação. 4. Considerando-se as razões de decidir do repetitivo REsp. n. 1.350.804-PR, as alterações legais não podem retroagir para alcançar créditos constituídos (lançados) antes de sua vigência, indiferente, portanto, que a inscrição em dívida ativa tenha sido feita depois da vigência das respectivas alterações legislativas. O processo administrativo que enseja a constituição do crédito (lançamento) há que ter início (notificação para defesa) e término (lançamento) dentro da vigência das leis novas para que a inscrição em dívida ativa seja válida. Precedentes: REsp. n. 1.793.584/SP, Segunda Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 02.04.2019; AREsp n. 1.669.577/SP, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 04.08.2020; AREsp. n. 1.570.630 / SP, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 12.11.2019; REsp. n. 1.826.472 / PE, Segunda Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 15.10.2019; AREsp. n. 1.521.461 / RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 03.10.2019; REsp. n. 1.776.760 / SP, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 23.04.2019; AREsp n. 1.432.591/RJ, decisão monocrática, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, DJe 21.2.2019; REsp. n. 1.772.921/SC, Decisão monocrática, Rel. Min. Assusete Magalhães, DJe 18.2.2019. 5. Desta forma, propõe-se as seguintes teses: 5.1. "As inscrições em dívida ativa dos créditos referentes a benefícios previdenciários ou assistenciais pagos indevidamente ou além do devido constituídos por processos administrativos que tenham sido iniciados antes da vigência da Medida Provisória nº 780, de 2017, convertida na Lei n. 13.494/2017 (antes de 22.05.2017) são nulas, devendo a constituição desses créditos ser reiniciada através de notificações/intimações administrativas a fim de permitir-se o contraditório administrativo e a ampla defesa aos devedores e, ao final, a inscrição em dívida ativa, obedecendo-se os prazos prescricionais aplicáveis"; e 5.2. "As inscrições em dívida ativa dos créditos referentes a benefícios previdenciários ou assistenciais pagos indevidamente ou além do devido contra os terceiros beneficiados que sabiam ou deveriam saber da origem dos benefícios pagos indevidamente em razão de fraude, dolo ou coação, constituídos por processos administrativos que tenham sido iniciados antes da vigência da Medida Provisória nº 871, de 2019, convertida na Lei nº 13.846/2019 (antes de 18.01.2019) são nulas, devendo a constituição desses créditos ser reiniciada através de notificações/intimações administrativas a fim de permitir-se o contraditório administrativo e a ampla defesa aos devedores e, ao final, a inscrição em dívida ativa, obedecendo-se os prazos prescricionais aplicáveis". 6. Recurso especial não provido. (REsp 1852691/PB, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/06/2021, DJe 28/06/2021) Dessa forma, encontrando-se a matéria julgada, mediante recurso especial repetitivo, pelo Superior Tribunal de Justiça, deve ser viabilizado o juízo de conformação, disciplinado pelos arts. 1.039 e 1.040 do CPC/2015. Confiram-se: EDcl nos EDcl no AREsp 1737339/MS, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 6/4/2021; EDcl nos EDcl no AREsp 1.736.410/MS, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 30/3/2021. Dessa forma, devem os autos retornar à Corte de origempara que lá seja esgotada a jurisdição e promovido o juízo de adequação diante do decidido pelo STF. Realizada essa providência, que representa o exaurimento da instância ordinária, é que o recurso especial deverá ser encaminhado para este Tribunal Superior para, se for o caso, serem analisadas as questões jurídicas nele suscitadas e que não ficaram prejudicadas pelo novo pronunciamento do Tribunal a quo. Ante o exposto, com fundamento noart. 34, XXIV do RISTJ, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a respectiva baixa, para que, em observância aos arts. 1.039 e 1.040 do CPC: a) negue seguimento ao recurso se a decisão combatida coincidir com a orientação emanada pelo Tribunal Superior; ou b) proceda ao juízo de retratação na hipótese de o acórdão impugnado divergir da decisão sobre o tema objeto da afetação. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO EMRECURSO ESPECIAL. POSSIBILIDADE DE INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO RECEBIDO INDEVIDAMENTE. APLICABILIDADE DOS §§3º E 4º, DO ART. 115, DA LEI N. 8.213/91 AOS CRÉDITOS CONSTITUÍDOS ANTERIORMENTE À SUA VIGÊNCIA. TEMA 1.064/STJ.DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À ORIGEM PARA OJUÍZO DE CONFORMAÇÃO, NOS TERMOS DOSARTS. 1.039 E 1.040 DO CPC