HC 983547 - DECISAO
Não conheço do habeas corpus porque foi manejado como substitutivo de revisão criminal contra acórdão do Tribunal de origem já transitado em julgado, situação que afasta a competência do Superior Tribunal de Justiça para processamento do pedido; ademais, não se constatou teratologia ou coação ilegal que justificasse...
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- Parties
- Impetrante: Defensoria Pública; Paciente: MÁRCIO DOS SANTOS ALEXANDRE; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO CRIMINAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 March 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Insignificância Penal, Atipicidade Material, Reincidência, Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Revisão Criminal, Competência Do Superior Tribunal De Justiça, Trânsito Em Julgado
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Parties
Defensoria Pública
Impetrante
MÁRCIO DOS SANTOS ALEXANDRE
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO CRIMINAL
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 possibilidade de impetração de habeas corpus contra acórdão já transitado em julgado
- 2 aplicabilidade do princípio da insignificância
- 3 fixação de regime inicial diverso do fechado
Ratio Decidendi
Não conheço do habeas corpus porque foi manejado como substitutivo de revisão criminal contra acórdão do Tribunal de origem já transitado em julgado, situação que afasta a competência do Superior Tribunal de Justiça para processamento do pedido; ademais, não se constatou teratologia ou coação ilegal que justificasse a concessão da ordem com base no art. 654, §2º, do CPP.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus
Orders
- Não conheço do habeas corpus
- Publique-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, sem pedido de liminar, impetrado pela Defensoria Pública em favor de MÁRCIO DOS SANTOS ALEXANDRE, em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO CRIMINAL, no julgamento da apelação criminal n. 1521119- 98.2024.8.26.0228. Consta dos autos o paciente foi condenado às penas de 2 anos, 9 meses e 18 dias de reclusão e ao pagamento de 14 dias-multa, como incurso no art. 14 da Lei n. 10.826/2003 (fls. 33-36). A defesa interpôs recurso de apelação perante o Tribunal de origem, que, por unanimidade, deu parcial provimento ao apelo defensivo apenas para reduzir a pena de multa para 13 dias-multa, conforme acórdão de fls. 27-37. O acórdão transitou em julgado em 06/03/2025. No presente writ, a defesa alega que a arma de fogo apreendida era inoperante e que a quantidade de munição encontrada (4 munições) é ínfima, sustentando a aplicação do princípio da insignificância e a atipicidade material da conduta (fls. 6-10). Afirma que a reincidência do paciente não impede o reconhecimento da insignificância penal da conduta (fls. 8). Requer, assim, a concessão da ordem para absolver o paciente pela atipicidade material da conduta ou, subsidiariamente, a fixação do regime inicial aberto para cumprimento da pena (fls. 13). Não houve pedido liminar. Informações prestadas às fls. 40-41. O Ministério Público Federal, às fls. 60-62, manifestou-se pela denegação da ordem de habeas corpus. É o relatório. DECIDO. A controvérsia diz respeito a possível ilegalidade na negativa de afastamento da qualificadora do art. 155, § 4º, I, do Código Penal, e fixação de regime inicial diverso do fechado para o cumprimento da pena. Com efeito, ocorrendo o trânsito em julgado de decisão condenatória nas instâncias de origem, não é dado à parte optar pela impetração de writ nesta instância superior, uma vez que a competência do Superior Tribunal de Justiça, prevista no artigo 105, I, "e", da Constituição Federal, restringe-se ao processamento e julgamento de revisões criminais de seus próprios julgados. Na hipótese em apreço, o presente writ foi impetrado contra acórdão do Tribunal de origem já transitado em julgado em 06/03/2025 (sítio eletrônico do Tribunal a quo). Diante dessa situação, não deve ser conhecido o presente habeas corpus, porquanto fora manejado como substitutivo de revisão criminal. Anoto que não há, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, julgamento de mérito passível de revisão criminal em relação a essa condenação. Nessa linha: " .. como não existe, neste Tribunal, julgamento de mérito passível de revisão em relação à condenação sofrida pelo paciente, forçoso reconhecer a incompetência deste Tribunal para o processamento do presente pedido" .. " (HC 288.978/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe 21/5/2018). " .. 4. Tratando-se de impetração que se destina a atacar acórdão proferido em sede de apelação criminal, já transitado em julgado, contra o qual seria cabível a interposição de revisão criminal, depara-se com flagrante utilização inadequada da via eleita, circunstância que impede o seu conhecimento. .. " (AgRg no HC n. 486.185/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe 07/05/2019). " .. 3. É inviável o conhecimento do mandamus ora em exame, pois restou manejado como substitutivo de revisão criminal. Note-se que, "como não existe, neste Tribunal, julgamento de mérito passível de revisão em relação à condenação sofrida pelo paciente, forçoso reconhecer a incompetência deste Tribunal para o processamento do presente pedido" (HC 288.978/SP, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, Rel. p/ acórdão Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 15/3/2018, DJe 21/5/2018). 4. Nos termos do art. 105, inciso I, alínea "e", da Constituição da República, compete ao Superior Tribunal de Justiça, originariamente, "as revisões criminais e as ações rescisórias de seus julgados". 5. Com o advento do trânsito em julgado da sentença condenatória, após o exame dos sucessivos recursos defensivos, compete à defesa, caso entenda cabível e se o desejar, ajuizar revisão criminal no Tribunal de Justiça, com vistas à revisão do julgado. .. " (AgRg no HC n. 751.787/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Ribeiro Dantas, DJe de 20/4/2023). Cito, também, a orientação do Supremo Tribunal Federal: AgRg no HC n. 134.691/RJ, Primeira Turma, Rel. Min. Alexandre de Moraes, DJe de 1º/8/2018; AgRg no HC n. 144.323/SP, Segunda Turma, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJe de 30/8/2017; e HC n. 199.284/SP, Primeira Turma, Rel. Min. Marco Aurélio, DJe de 16/8/2021. Demais a mais, "a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça - STJ, em respeito à segurança jurídica e a lealdade processual, tem se orientado no sentido de que mesmo as nulidades denominadas absolutas, ou qualquer outra falha ocorrida no acórdão impugnado, também devem ser arguidas em momento oportuno, sujeitando-se à preclusão temporal" (AgRg no HC 690.070/PR, Quinta Turma, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, DJe 25/10/2021). De todo modo, não verifico no acórdão impugnado nenhuma teratologia ou coação ilegal que autorize a concessão da ordem nos termos do parágrafo 2º do artigo 654 do Código de Processo Penal. Ante o exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intime-se. EMENTA