HC 776261 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus, por se tratar de substitutivo de recurso próprio/revisão criminal, e não haver nos autos flagrante ilegalidade apta a justificar conhecimento de ofício; a alegação de insuficiência probatória exige reexame aprofundado incompatível com o habeas corpus sumário.
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- Parties
- Paciente: GABRIEL BELICO PRATES; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (Apelação Criminal n. 5021214-31.2022.8.21.0001/RS); Órgão Ministerial: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 July 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento; Liminar Indeferida
- Outcome
- não conheço do habeas corpus substitutivo; liminar indeferida
- Legal Topics
- Insuficiência Probatória, Consunção, Porte Ilegal De Arma De Fogo, Tráfico De Drogas, Constrangimento Ilegal, Cabimento Do Habeas Corpus
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Parties
GABRIEL BELICO PRATES
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (Apelação Criminal n. 5021214-31.2022.8.21.0001/RS)
Autoridade Coatora
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Órgão Ministerial
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento; Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 cabimento do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio ou de revisão criminal
- 2 reexame da insuficiência probatória via habeas corpus
- 3 reconhecimento de consunção entre crimes (art. 40, IV, Lei 11.343/2006)
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus, por se tratar de substitutivo de recurso próprio/revisão criminal, e não haver nos autos flagrante ilegalidade apta a justificar conhecimento de ofício; a alegação de insuficiência probatória exige reexame aprofundado incompatível com o habeas corpus sumário.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus substitutivo; liminar indeferida
Orders
- liminar indeferida
- não conheço do habeas corpus substitutivo
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido liminar impetrado em favor de GABRIEL BELICO PRATES em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (Apelação Criminal n. 5021214-31.2022.8.21.0001/RS). O paciente foi condenado à pena de 3 anos, 11 meses e 10 dias de reclusão, em regime inicial aberto, e ao pagamento de 204 dias-multa, pela prática dos delitos previstos nos arts. 33, caput e § 4º, da Lei n. 11.343/2006, e 14, da Lei n. 10.826/2003 (e-STJ fl. 34), substituída a pena privativa de liberdade por duas restritivas de direitos, consistentes na prestação de serviços à comunidade e limitação de final de semana. Nesta via, sustenta a impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, sob o argumento de que o conjunto probatório é insuficiente para um juízo condenatório, pois limitou-se aos depoimentos dos policiais envolvidos na ocorrência, os quais narraram apenas a suposta apreensão da droga e arma após denúncias anônimas. Acrescenta que o paciente ostenta condições pessoais favoráveis, tendo em vista que não possui qualquer relação com o tráfico de drogas e com a posse de arma de fogo. Defende, ainda, a aplicação da majorante prevista no art. 40, IV, da Lei de Drogas, uma vez que a arma e as drogas foram apreendidas na mesma mala, sendo impossível concluir que eram portadas a partir de desígnios autônomos que justificassem a imputação autônoma do delito previsto no Estatuto do Desarmamento. Requer, liminarmente, a suspensão dos efeitos da condenação. No mérito, pleiteia o restabelecimento da sentença absolutória ou, subsidiariamente, a aplicação da majorante prevista no art. 40, IV, da Lei n. 11.343/06, no sentido de se eliminar a imputação autônoma relativa ao crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido. A liminar foi indeferida. As informações foram prestadas. O Ministério Público Federal promoveu a denegação da ordem. É o relatório. Decido. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio ou a revisão criminal, situação que impede o conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que se verifica flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal. Veja-se: "O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, com a exceção de quando a ilegalidade apontada é flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício" (AgRg no HC n. 895.777/PR, Relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 2/4/2024, DJe de 8/4/2024). "De acordo com a jurisprudência do STJ, não é cabível o uso de habeas corpus como sucedâneo de revisão criminal, notadamente quando não há indicação de incidência de alguma das hipóteses previstas no art. 621 do CPP. Precedentes" (AgRg no HC n. 864.465/SC, Relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 18/3/2024, DJe de 20/3/2024). A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no mesmo sentido: "Do ponto de vista processual, o caso é de habeas corpus substitutivo de agravo regimental (cabível na origem). Nessas condições, tendo em vista a jurisprudência da Primeira Turma desta Corte, entendo que o processo deve ser extinto sem resolução de mérito, por inadequação da via eleita (HC 115.659, Rel. Min. Luiz Fux) (..) A orientação jurisprudencial deste Tribunal é no sentido de que o "habeas corpus não se revela instrumento idôneo para impugnar decreto condenatório transitado em julgado" (HC 118.292-AgR, Rel. Min. Luiz Fux). 4. O caso atrai o entendimento desta Corte no sentido de que não cabe habeas corpus para reexaminar os pressupostos de admissibilidade de recurso interposto perante outros Tribunais (HC 146.113-AgR, Rel. Min. Luiz Fux; e HC 110.420, Rel. Min. Luiz Fux). (..) (HC 225896 AgR, Relator Ministro Luís Roberto Barroso, Primeira Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 17/5/2023). O entendimento é de elevada importância, devendo ser utilizado para preservar a real utilidade e eficácia da ação constitucional, qual seja, a proteção da liberdade da pessoa, quando ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a necessária celeridade no seu julgamento. A concessão de ofício da ordem, nos termos dos arts. 647-A e 654, § 2º, do Código de Processo Penal, depende da existência de flagrante ilegalidade. Analisando-se o conteúdo da documentação colacionada aos autos, não se verifica de plano qualquer violação ao ordenamento jurídico ou flagrante constrangimento ilegal, que implique ameaça de violência ou coação na liberdade de locomoção do paciente, nos termos da Lei nº 14.836, de 8/4/2024, publicada no Diário Oficial da União de 9/4/2024. Certo é que "esta Corte Superior possui pacífica jurisprudência no sentido de que: a tese de insuficiência probatória, a ensejar a pretendida absolvição, não pode ser analisada pela via mandamental, pois depende de amplo exame do conjunto probatória, providência incompatível com os estreitos limites cognitivos do habeas corpus, cujo escopo se restringe à apreciação de elementos préconstituídos não sendo esta a via processual adequada para decisões que dependam de dilação probatória (AgRg no HC n. 802.688/SP, Relator Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, Quinta Turma, julgado em 28/2/2023, DJe de 6/3/2023). 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no HC nº 868.208/RS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, j. em 30/11/2023, DJe de 5/12/2023 - destaquei) Com efeito, "É do devido processo legal que a causa não seja processada, simultaneamente, na origem e na instância recursal. Questões relativas à fragilidade das provas da autoria delitiva não podem ser dirimidas na via sumária do habeas corpus ou do seu recurso por demandarem reexame aprofundado das provas coletadas no curso da instrução criminal, inviável na via eleita. A temática deve ser solucionada, em princípio, na ação penal a que responde o ora agravante e pelo Togado singular." (AgRg no RECURSO EM HABEAS CORPUS Nº 170264 - MT, Relator Ministro JOÃO BATISTA MOREIRA (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF1) Julgado em 08/08/2023, DJe/STJ nº 3698 de 16/08/2023) Por fim, quanto ao pleito de reconhecimento de consunção, há de se destacar que "As instâncias originárias destacaram a sucessão de desígnios autônomos e condutas diversas do acusado, quando da prática dos crimes de roubo majorado e de posse ilegal de arma de fogo de uso restrito, ocorridos em momentos distintos, não sendo o caso de aplicação da consunção. Precedentes." (AgRg no HC 729918 / SC, RELATOR Ministro MESSOD AZULAY NETO, QUINTA TURMA, DATA DO JULGAMENTO 10/06/2024, DATA DA PUBLICAÇÃO/FONTE DJe 12/06/2024) Pelo exposto, não conheço do habeas corpus substitutivo e, na análise de ofício, não visualizo elementos capazes de caracterizar flagrante ilegalidade. Publique-se. Intimem-se. EMENTA