RvCr 6769 - DECISAO
Não se conhece da revisão criminal porque as alegações defensivas demandam reexame do conjunto probatório (não cabível na via estreita do art. 621, inciso I) e não houve apresentação de prova nova superveniente apta a autorizar a revisão (art. 621, inciso III); ademais, a via adequada para eventual revisão seria o...
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- Parties
- Requerente: DANIEL DO NASCIMENTO; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 April 2026
- Procedural Posture
- Revisão Criminal / Decisão De Não Conhecimento Da Revisão Criminal
- Outcome
- Não conheço da presente revisão criminal
- Legal Topics
- Insuficiência Probatória, Reconhecimento Fotográfico, Coisa Julgada, Reexame De Provas, Presunção De Inocência, Prova Superveniente
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Parties
DANIEL DO NASCIMENTO
Requerente
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Revisão Criminal / Decisão De Não Conhecimento Da Revisão Criminal
Legal Issues
- 1 cabimento da revisão criminal nos termos do art. 621 do CPP
- 2 valoração da prova e impossibilidade de reexame em sede de revisão criminal
- 3 regularidade do reconhecimento fotográfico
Ratio Decidendi
Não se conhece da revisão criminal porque as alegações defensivas demandam reexame do conjunto probatório (não cabível na via estreita do art. 621, inciso I) e não houve apresentação de prova nova superveniente apta a autorizar a revisão (art. 621, inciso III); ademais, a via adequada para eventual revisão seria o Tribunal de Justiça de origem, não esta Corte.
Court Disposition
Não conheço da presente revisão criminal
Orders
- Não conheço da presente revisão criminal.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de revisão criminal ajuizada por DANIEL DO NASCIMENTO, com fundamento no art. 621, incisos I e III, do Código de Processo Penal. No pedido revisional (fls. 2/15), a defesa sustenta a nulidade do acórdão condenatório, alegando, em síntese, absoluta insuficiência probatória. Afirma que não há testemunha presencial, prova técnica de autoria, arma apreendida ou qualquer vestígio material que vincule o requerente ao crime, sendo a condenação baseada exclusivamente em reconhecimento fotográfico irregular e depoimentos indiretos. A defesa argumenta que o reconhecimento do réu foi realizado em desacordo com o art. 226 do CPP, mediante apresentação de fotografia única, antiga e de forma sugestiva, especialmente considerando que a vítima se encontrava em condição neurológica fragilizada, sem avaliação psicológica que aferisse sua capacidade de percepção. Sustenta, ainda, que os relatos da vítima são contraditórios e inconsistentes, inclusive em confronto com a prova pericial, além de mencionar a indicação de pessoa que comprovadamente não poderia estar presente no local dos fatos. Ressalta que todos os depoimentos colhidos são indiretos (hearsay), limitando-se à reprodução de versões atribuídas à vítima, o que, segundo a defesa, não possui idoneidade probatória suficiente para embasar condenação. Diante disso, a defesa alega que a condenação se apoia em elementos probatórios inválidos ou juridicamente frágeis, em violação às garantias fundamentais, especialmente à presunção de inocência e ao standard probatório exigido no processo penal. Ao final, requer o reconhecimento das nulidades apontadas, com a absolvição do requerente ou, subsidiariamente, a anulação da condenação. O Ministério Público Federal, às fls. 226/230, manifestou-se pelo não conhecimento da revisão criminal. É o relatório. Decido. A revisão criminal é medida de natureza excepcional que, em respeito à proteção constitucional conferida à coisa julgada e ao princípio da segurança jurídica, somente é cabível nas hipóteses taxativamente previstas no art. 621 do Código de Processo Penal, quais sejam: I - quando a sentença condenatória for contrária ao texto expresso da lei penal ou à evidência dos autos; II - quando se fundar em depoimentos, exames ou documentos comprovadamente falsos; III - quando, após a sentença, surgirem novas provas de inocência do condenado ou de circunstância que autorizem ou determinem a diminuição especial da pena. No caso em análise, a Defesa invoca os incisos I e III do art. 621 do CPP, ao sustentar a nulidade do acórdão condenatório por alegada insuficiência probatória, fundada na suposta irregularidade do reconhecimento fotográfico, na ausência de provas diretas de autoria e na fragilidade dos depoimentos colhidos. Todavia, não se configura a hipótese do inciso I. Isso porque não se verifica decisão contrária ao texto expresso da lei penal, tampouco dissociada da evidência dos autos. Ao contrário, as instâncias ordinárias procederam à análise do conjunto probatório e, de forma motivada, concluíram pela autoria e materialidade delitivas. A pretensão defensiva, ao sustentar a nulidade com base na insuficiência de provas, demanda, na realidade, nova valoração do acervo fático-probatório, o que não se admite na via estreita da revisão criminal. As alegações de irregularidade no reconhecimento fotográfico, de inconsistências nos relatos da vítima e de fragilidade dos depoimentos indiretos inserem-se no âmbito da valoração da prova, já devidamente apreciada no curso da ação penal, não sendo possível, nesta sede, substituir o juízo formado pelas instâncias ordinárias por nova interpretação mais favorável à defesa. De igual modo, não se verifica a hipótese do inciso III do art. 621 do CPP, porquanto não foi apresentada qualquer prova nova. As teses defensivas baseiam-se exclusivamente em elementos já constantes dos autos e amplamente analisados no curso da ação penal, o que afasta a incidência do referido dispositivo, que exige a superveniência de prova inédita apta a demonstrar a inocência do condenado ou ensejar a redução da pena. Cumpre destacar, ainda, que o Superior Tribunal de Justiça negou provimento ao agravo regimental interposto pela Defesa contra decisão da então Presidente desta Corte que, em 15/03/2024, não conheceu do AREsp 2.553.533/DF, com fundamento na Súmula 182/STJ. O referido agravo foi manejado contra decisão do Presidente do TJDFT que não admitiu o recurso especial, com base na Súmula n. 7/STJ e na ausência de cotejo analítico, interposto contra acórdão da Primeira Turma Criminal do TJDFT que negou provimento à apelação defensiva. Nesse contexto, verifica-se que o acórdão da Sexta Turma do STJ não substituiu o acórdão condenatório proferido pelo Tribunal de origem, permanecendo hígida a decisão do TJDFT. Assim, eventual revisão criminal deve ser dirigida ao próprio Tribunal de Justiça local, e não a esta Corte Superior, que não apreciou o mérito da condenação. Dessa forma, as alegações de violação ao art. 621, incisos I e III, do CPP não se sustentam, seja porque não configuradas as hipóteses legais de cabimento da revisão criminal, seja porque a presente via foi inadequadamente eleita, impondo-se o não conhecimento do pedido. Ante o exposto, com fundamento no art. 34, inciso XVIII, alínea "a", do RISTJ, não conheço da presente revisão criminal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA