AREsp 1887660 - ACORDAO
O agravo regimental foi negado provimento porque o agravo em recurso especial foi interposto fora do prazo legal de 15 dias corridos e a prerrogativa de contagem em dobro não se aplica aos Núcleos de Prática Jurídica vinculados a instituições de ensino superior privadas, fundamento apoiado em dispositivos legais e...
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- Parties
- Agravante: WEMERSON NERES DE SOUZA SILVA; Parte: Núcleo de Prática Jurídica; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Agravo Regimental (sexta Turma)
- Outcome
- Agravo regimental improvido
- Legal Topics
- Intempestividade, Prazo Em Dobro, Núcleo De Prática Jurídica, Contagem De Prazo, Admissibilidade, Agravo Em Recurso Especial
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Parties
WEMERSON NERES DE SOUZA SILVA
Agravante
Núcleo de Prática Jurídica
Parte
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Agravo Regimental (sexta Turma)
Legal Issues
- 1 Intempestividade do agravo em recurso especial
- 2 Aplicabilidade do prazo em dobro aos Núcleos de Prática Jurídica vinculados a instituições privadas
- 3 Contagem do prazo recursal em matéria criminal
Ratio Decidendi
O agravo regimental foi negado provimento porque o agravo em recurso especial foi interposto fora do prazo legal de 15 dias corridos e a prerrogativa de contagem em dobro não se aplica aos Núcleos de Prática Jurídica vinculados a instituições de ensino superior privadas, fundamento apoiado em dispositivos legais e jurisprudência consolidada.
Court Disposition
Agravo regimental improvido
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental
- Não conhecer do recurso (agravo em recurso especial)
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INTEMPESTIVIDADE. NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA. ENTIDADE PARTICULAR DE ENSINO. PRAZO EM DOBRO. INAPLICABILIDADE. 1. É intempestivo o agravo em recurso especial interposto fora do prazo de 15 dias corridos, nos termos do art. 994, VIII, c/c 1.003, § 5º, e 1.042, do CPC, e também art. 798 do CPP. 2. A prerrogativa da contagem dos prazos em dobro, em matéria criminal,"não se estende aos Núcleos de Prática Jurídica vinculados à instituição de ensino superior privada. A eventual existência de entendimento em sentido contrário, do Tribunal a quo, não vincula esta Corte Superior na análise dos recursos de sua competência" (AgRg no AREsp 1809965/DF, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 23/03/2021, DJe 05/04/2021.) 3. Agravo regimental improvido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. A Sra. Ministra Laurita Vaz e os Srs. Ministros Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz e Antonio Saldanha Palheiro votaram com o Sr. Ministro Relator.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO) (Relator): - Trata-se de agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu do agravo em recurso especial. O agravante defende o conhecimento do recurso ao fundamento de que "o TJDFT estende a prerrogativa de contagem dos prazos em dobro em prol dos Núcleos de Prática Jurídica, em matéria penal, por aplicação subsidiária do art. 186, §3º, do CPC" (fl. 391). Requer a reconsideração da decisão agravada ou a submissão do feito à Turma Julgadora. Posteriormente, pede "sejam os autos encaminhados à Terceira Seção, com base no artigo 14, inciso II, do RISTJ, tendo em vista a relevância da questão e para evitar eventual divergência entre as Turmas" (fl. 398). O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não provimento do recurso. É o relatório. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO) (Relator): - A decisão emanada da Presidência desta Corte foi proferida nos seguintes termos: Inicialmente, de acordo com os Enunciados Administrativos do STJ n. 02 e 03, os requisitos de admissibilidade a serem observados são os previstos no Código de Processo Civil de 1973, se a decisão impugnada tiver sido publicada até 17 de março de 2016, inclusive; ou, se publicada a partir de 18 de março de 2016, os preconizados no Código de Processo Civil de 2015. Mediante análise do recurso de WEMERSON NERES DE SOUZA SILVA, o Núcleo de Prática Jurídica foi intimado do acórdão recorrido em 13/11/2020, sendo o recurso especial somente interposto em 03/12/2020. O recurso é, pois, manifestamente intempestivo, porquanto interposto fora do prazo de 15 (quinze) dias corridos, nos termos do art. 994, VI, c/c os arts. 1.003, § 5º, 1.029, caput, do Código de Processo Civil, bem como do art. 798 do Código de Processo Penal. É firme a jurisprudência no sentido de que não se aplica o prazo em dobro aos núcleos de prática jurídica pertencentes a universidades particulares (AgRg no AREsp 1563610/RS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, Dje de 10/08/2020). A propósito, nos termos do § 6º do art. 1.003 do mesmo código, "o recorrente comprovará a ocorrência de feriado local no ato de interposição do recurso", o que impossibilita a regularização posterior. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do recurso. Verifica-se que o agravo em recurso especial é, de fato, intempestivo. Como se vê, o Núcleo de Prática Jurídica foi intimado da decisão que inadmitiu o recurso especial em 13/11/2020. A petição de agravo em recurso especial, todavia, foi protocolizada apenas em 3/12/2020, ou seja, fora do prazo de 15 dias corridos, contados da publicação da decisão, consoante art. 994, VIII, c/c 1.003, § 5º, e 1.042, caput, do CPC, bem como do art. 798 do CPP. A prerrogativa da contagem dos prazos em dobro, em matéria criminal, "não se estende aos Núcleos de Prática Jurídica vinculados à instituição de ensino superior privada. A eventual existência de entendimento em sentido contrário, do Tribunal a quo, não vincula esta Corte Superior na análise dos recursos de sua competência" (AgRg no AREsp 1809965/DF, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 23/03/2021, DJe 05/04/2021). No mesmo sentido, confiram-se: PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INTEMPESTIVIDADE DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INTERPOSIÇÃO FORA DO PRAZO LEGAL DE 15 (QUINZE) DIAS. PRAZO EM DOBRO. NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA DE UNIVERSIDADE PARTICULAR. INAPLICABILIDADE. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. O prazo para interposição do agravo em recurso especial é de 15 (quinze) dias corridos, contados a partir da intimação da decisão recorrida, no caso do Núcleo de Prática Jurídica mantidos por unidades particulares. 2. Nos termos da jurisprudência consolidada no âmbito deste Superior Tribunal, " p ara valer-se da prerrogativa da contagem de prazos em dobro, deve, o advogado, integrar o quadro da assistência judiciária organizado e mantido pelo Estado, não se aplicando tal benesse aos defensores dativos, aos núcleos de prática jurídica pertencentes às universidades particulares e ainda, aos institutos de direito de defesa" (AgRg no AREsp n. 1.328.889/RS, Sexta Turma, Rel. Min. Nefi Cordeiro, DJe 26/3/2019). 3. No caso, o Núcleo de Prática Jurídica foi intimado da decisão de admissibilidade do recurso especial em 8/5/2020, de modo que o início do prazo se deu em 11/5/2020 e seu término em 25/5/2020. Entretanto, o agravo em recurso especial somente foi interposto em 3/6/2020, considerado, portanto, intempestivo. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 1797455/DF, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 25/05/2021, DJe 28/05/2021.) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INTEMPESTIVIDADE DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO LEGAL DE 15 DIAS CORRIDOS. NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA. INSTITUIÇÃO PRIVADA. PRAZO EM DOBRO. INAPLICABILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. "É intempestivo o agravo em recurso especial interposto fora do prazo de 15 dias corridos, nos termos do art. 994, inciso VIII, c.c. o art. 1.003, § 5.º, todos do Código de Processo Civil, bem como o art. 798 do Código de Processo Penal" (AgRg no AREsp 1793754/DF, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, DJe 11/3/2021). 2. Verifica-se que a decisão que inadmitiu o recurso especial foi disponibilizada no sistema eletrônico na data de 30/7/2020, ocorrendo a intimação tácita em 10/8/2020, nos termos do art. 5º, § 3º, da Lei Federal n. 11.419/06. O agravo em recurso especial somente foi interposto em 2/9/2020, quando já ultrapassado o prazo legal, sendo manifesta a sua intempestividade. 3. "A prerrogativa da contagem dos prazos em dobro, em matéria criminal, não se estende aos Núcleos de Prática Jurídica vinculados à instituição de ensino superior privada. A eventual existência de entendimento em sentido contrário, do Tribunal a quo, não vincula esta Corte Superior na análise dos recursos de sua competência" (AgRg no AREsp 1809965/DF, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, DJe 5/4/2021). 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp 1792363/DF, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 27/04/2021, DJe 30/04/2021.) Não obstante o inconformismo da parte agravante, não se divisa nas razões do regimental fundamentos capazes de alterar a decisão agravada, que deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Inexistindo divergência entre a Quinta e Sexta Turmas, não há falar em remessa dos autos para apreciação da tese recursal pela Terceira Seção, nos termos do art. 14, II, do RISTJ, pelo que nego provimento ao agravo regimental. É o voto.