RMS 61809 - ACORDAO
O agravo interno foi negado por manifesta intempestividade do recurso ordinário: o agravante foi intimado em 22.2.2019 e interpôs o recurso em 20.3.2019, após o prazo de 15 dias úteis; a comprovação posterior de suspensão de prazo (Ato 1.288/2018) não pode regularizar a intempestividade em razão do art. 1.003, § 6º,...
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- Parties
- Agravante: JOSIMAR LOPES DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 June 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Ordinário Em Mandado De Segurança / Acórdão
- Outcome
- agravo interno a que se nega provimento
- Legal Topics
- Intempestividade Recursal, Feriado Local, Suspensão De Expediente Forense, Comprovação Extemporânea, Modulação De Efeitos, Prazo Processual
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Parties
JOSIMAR LOPES DA SILVA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Ordinário Em Mandado De Segurança / Acórdão
Legal Issues
- 1 Se o recurso ordinário foi interposto tempestivamente
- 2 Se é admissível a comprovação posterior de feriado local ou suspensão de expediente forense à luz do CPC/2015
- 3 Aplicabilidade da modulação de efeitos decidida no REsp 1.813.684/SP e sua limitação à segunda-feira de Carnaval
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado por manifesta intempestividade do recurso ordinário: o agravante foi intimado em 22.2.2019 e interpôs o recurso em 20.3.2019, após o prazo de 15 dias úteis; a comprovação posterior de suspensão de prazo (Ato 1.288/2018) não pode regularizar a intempestividade em razão do art. 1.003, § 6º, do CPC/2015, em consonância com o entendimento firmado nos precedentes AREsp 957.821/MS e REsp 1.813.684/SP.
Court Disposition
agravo interno a que se nega provimento
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Gurgel de Faria votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Benedito Gonçalves. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO ORDINÁRIO. FERIADO LOCAL OU SUSPENSÃO DE EXPEDIENTE FORENSE. COMPROVAÇÃO EXTEMPORÂNEA. IMPOSSIBILIDADE (ART. 1.003, § 6º, DO CPC/2015). AGRAVO INTERNO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A Corte Especial deste Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do AREsp. 957.821/MS, firmou entendimento de que a comprovação da existência de feriado local deve ocorrer no ato de interposição do respectivo recurso, não se admitindo a comprovação posterior. Ficou consignado, ainda, que o entendimento construído à luz do CPC/1973 não subsiste ao CPC/2015 (AgInt no AREsp 957.821/MS, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, Rel. p/ Acórdão Ministra NANCY ANDRIGHI, CORTE ESPECIAL, DJe 19.12.2017). 2. No julgamento do REsp. 1.813.684/SP, em 2.10.2019, a Corte Especial reafirmou o entendimento segundo o qual é necessária a comprovação nos autos de feriado local por meio de documento idôneo no ato de interposição do recurso. Contudo, decidiu-se modular os efeitos da decisão, de modo que a tese firmada seja aplicada tão somente aos recursos interpostos após a publicação do acórdão respectivo. 3. Para os recursos interpostos anteriormente deve ser oportunizada à parte recorrente a possibilidade de regularização do pleito recursal. Destaca-se ainda que, em Questão de Ordem no aludido recurso especial, a Corte Especial estabeleceu que a modulação de efeitos e a possibilidade de comprovação posterior da tempestividade dos recursos não se aplicaria a todos feriados locais, mas apenas à segunda-feira de Carnaval (REsp. 1.813.684/SP, Rel. p/ Acórdão Min. LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, DJe 18.11.2019). 4. No caso dos autos, não se trata apenas da segunda-feirade carnaval, não sendo o caso de modulação dos efeitos da decisão proferida nos autos do REsp. 1.813.684/SP. Fora isso, a parte agravante foi intimada do acórdão recorrido em 22.2.2019, sendo o recurso interposto somente em 20.3.2019, quando já esgotado o prazo recursal de 15 dias úteis. Assim, é manifesta a intempestividade do recurso conforme disposição contida noart. 33 da Lei 8.038/90c/c os arts. 1.003, § 5o., 1.029, e 219, caput, todos do CPC/2015. 5. Não obstante a indicação, no bojo do presente agravo interno, do Ato1.288/2018, expedido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco, apontando a suspensão do prazo processual, é certo que a regularização posterior da tempestividade recursal não se mostra possível, diante do disposto no art. 1.003, § 6º, do CPC/2015. 6. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO 1. Trata-se de agravo interno interposto por JOSIMAR LOPES DA SILVA, em adversidade à decisão da Presidência deste Superior Tribunal de Justiça, a qual não conheceu do recurso em mandado de segurançasob o fundamento da intempestividade. 2. A parte agravante alega, em suma, que houve suspensão do prazo processual, sendo tempestivo o recurso ordinário. 3. Requer, por fim, o provimento do agravo para que seja determinado o processamento do recurso ordináriopara a apreciação do mérito. 4. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO ORDINÁRIO. FERIADO LOCAL OU SUSPENSÃO DE EXPEDIENTE FORENSE. COMPROVAÇÃO EXTEMPORÂNEA. IMPOSSIBILIDADE (ART. 1.003, § 6º, DO CPC/2015). AGRAVO INTERNO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A Corte Especial deste Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do AREsp. 957.821/MS, firmou entendimento de que a comprovação da existência de feriado local deve ocorrer no ato de interposição do respectivo recurso, não se admitindo a comprovação posterior. Ficou consignado, ainda, que o entendimento construído à luz do CPC/1973 não subsiste ao CPC/2015 (AgInt no AREsp 957.821/MS, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, Rel. p/ Acórdão Ministra NANCY ANDRIGHI, CORTE ESPECIAL, DJe 19.12.2017). 2. No julgamento do REsp. 1.813.684/SP, em 2.10.2019, a Corte Especial reafirmou o entendimento segundo o qual é necessária a comprovação nos autos de feriado local por meio de documento idôneo no ato de interposição do recurso. Contudo, decidiu-se modular os efeitos da decisão, de modo que a tese firmada seja aplicada tão somente aos recursos interpostos após a publicação do acórdão respectivo. 3. Para os recursos interpostos anteriormente deve ser oportunizada à parte recorrente a possibilidade de regularização do pleito recursal. Destaca-se ainda que, em Questão de Ordem no aludido recurso especial, a Corte Especial estabeleceu que a modulação de efeitos e a possibilidade de comprovação posterior da tempestividade dos recursos não se aplicaria a todos feriados locais, mas apenas à segunda-feira de Carnaval (REsp. 1.813.684/SP, Rel. p/ Acórdão Min. LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, DJe 18.11.2019). 4. No caso dos autos, não se trata apenas da segunda-feirade carnaval, não sendo o caso de modulação dos efeitos da decisão proferida nos autos do REsp. 1.813.684/SP. Fora isso, a parte agravante foi intimada do acórdão recorrido em 22.2.2019, sendo o recurso interposto somente em 20.3.2019, quando já esgotado o prazo recursal de 15 dias úteis. Assim, é manifesta a intempestividade do recurso conforme disposição contida noart. 33 da Lei 8.038/90c/c os arts. 1.003, § 5o., 1.029, e 219, caput, todos do CPC/2015. 5. Não obstante a indicação, no bojo do presente agravo interno, do Ato1.288/2018, expedido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco, apontando a suspensão do prazo processual, é certo que a regularização posterior da tempestividade recursal não se mostra possível, diante do disposto no art. 1.003, § 6º, do CPC/2015. 6. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO 1. Não houve argumentação suficiente para alterar a conclusão do julgado. 2. De início, é importante ressaltar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo 3 do STJ, segundo o qual, aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016), serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo Código. 3. No mais, a Corte Especial deste Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do AREsp. 957.821/MS, firmou entendimento de que a comprovação da existência de feriado local deve ocorrer no ato de interposição do respectivo recurso, não se admitindo a comprovação posterior. Ficou consignado, ainda, que o entendimento construído à luz do CPC/1973 não subsiste ao CPC/2015 (AgInt no AREsp 957.821/MS, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, Rel. p/ Acórdão Ministra NANCY ANDRIGHI, CORTE ESPECIAL, DJe 19.12.2017). 4. No julgamento do REsp. 1.813.684/SP, em 2.10.2019, a Corte Especial reafirmou o entendimento segundo o qual é necessária a comprovação nos autos de feriado local por meio de documento idôneo no ato de interposição do recurso. Contudo, decidiu-se modular os efeitos da decisão, de modo que a tese firmada seja aplicada tão somente aos recursos interpostos após a publicação do acórdão respectivo. 5. Assim, para os recursos interpostos anteriormente deve ser oportunizada à parte recorrente a possibilidade de regularização do pleito recursal. Destaca-se ainda que, em Questão de Ordem no aludido recurso especial, a Corte Especial estabeleceu que a modulação de efeitos e a possibilidade de comprovação posterior da tempestividade dos recursos não se aplicaria a todos feriados locais, mas apenas à segunda-feira de Carnaval (REsp. 1.813.684/SP, Rel. p/ Acórdão Min. LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, DJe 18.11.2019). 6.No caso dos autos, não se trata apenas da segunda-feira de carnaval, não sendo o caso de modulação dos efeitos da decisão proferida nos autos do REsp. 1.813.684/SP. Fora isso, a parte agravante foi intimada do acórdão recorrido em 22.2.2019, sendo o recurso interposto somente em 20.3.2019, quando já esgotado o prazo recursal de 15 dias úteis. Assim, é manifesta a intempestividade do recurso conforme disposição contida no art. 33 da Lei 8.038/90 c/c os arts. 1.003, § 5o., 1.029, e 219, caput, todos do CPC/2015. 7. Não obstante a indicação, no bojo do presente agravo interno, do Ato 1.288/2018, expedido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco apontando a suspensão do prazo processual, é certo que a regularização posterior da tempestividade recursal não se mostra possível, diante do disposto no art. 1.003, § 6º, do CPC/2015. 8. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. 9. É como voto.