AREsp 2528571 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para conhecer, em parte, do recurso especial e deu-se provimento parcial à análise, negando-lhe provimento, pois o Tribunal de origem demonstrou que as interceptações e suas prorrogações foram devidamente autorizadas e fundamentadas, não houve quebra da cadeia de custódia em razão da degravação...
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- Parties
- Agravante: SILVANA DOS SANTOS MARSON; Parte Contrária / Ministério Público Estadual: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO; Órgão Interveniente (parecer): MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Do Superior Tribunal De Justiça Sobre Admissibilidade E Mérito Do Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial conhecido em parte e, no mérito, negado provimento.
- Legal Topics
- Interceptação Telefônica, Prorrogação De Interceptação, Cadeia De Custódia, Degravação De Conversas, Nulidade Processual, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7 Do STJ
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Parties
SILVANA DOS SANTOS MARSON
Agravante
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
Parte Contrária / Ministério Público Estadual
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Órgão Interveniente (parecer)
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Do Superior Tribunal De Justiça Sobre Admissibilidade E Mérito Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 nulidade das interceptações telefônicas por prazo superior e por prorrogações sem fundamentação suficiente
- 2 alegada quebra da cadeia de custódia em razão de degravação parcial das interceptações
- 3 necessidade de transcrição integral e de perícia para identificação de vozes
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para conhecer, em parte, do recurso especial e deu-se provimento parcial à análise, negando-lhe provimento, pois o Tribunal de origem demonstrou que as interceptações e suas prorrogações foram devidamente autorizadas e fundamentadas, não houve quebra da cadeia de custódia em razão da degravação parcial com disponibilização dos áudios, e seria necessário o reexame do conjunto probatório para acolher a tese defensiva, providência vedada pela Súmula n.7 do STJ; ademais, a via processual pela alínea 'c' foi considerada não observada quanto aos requisitos formais.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial conhecido em parte e, no mérito, negado provimento.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
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DECISÃO Cuida-se de agravo de SILVANA DOS SANTOS MARSON contra decisão proferida no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO que inadmitiu o recurso especial interposto com fundamento no art. 105, III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal - CF, contra acórdão proferido no julgamento de Apelação Criminal n. 0039551-27.2007.8.26.0071. Consta dos autos que a agravante foi condenada, junto com outros denunciados, pela prática dos delitos tipificados nos arts. 288, 180, § 1º, e 311, todos do Código Penal - CP (associação criminosa, receptação qualificada, por duas vezes, e adulteração de sinal identificador de veículo automotor, por duas vezes), c/c os arts. 71 e 69 do CP, às penas de 11 anos, 1 mês e 28 dias de reclusão, em regime inicial fechado, e 24 dias-multa (fl. 5597 ). O recurso de apelação interposto pela defesa foi parcialmente provido para declarar extinta a punibilidade quando ao crime de associação criminosa, passando a pena para 9 anos, 9 meses e 18 dias de reclusão, e pagamento de 24 dias-multa, em regime fechado, conforme acórdão de fls. 6161/6179. Os embargos de declaração opostos pela defesa foram rejeitados (fls. 6253/6261). Em sede de recurso especial (fls. 6410/6440), a defesa apontou violação aos arts. 5º, 8º e 9º da Lei n. 9.296/1996, 158-A do Código de Processo Penal - CPP, e 5º, XII, da CF/88, além de dissídio pretoriano. Sustenta a nulidade das interceptações telefônicas que superaram o prazo de 30 dias, além de terem sido prorrogadas sem qualquer fundamentação que comprovasse sua necessidade. Aduz que tendo sido ilegais as interceptações telefônicas, que foram degravadas parcialmente e sem a devida autorização, houve a quebra de sua cadeia de custódia, o que acarreta a ilegalidade de todas as provas delas decorrentes. Traz julgados para comprovar a alegada divergência. Requer o reconhecimento de nulidade do processo. Contrarrazões do MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO (fls. 6723/6765). O recurso especial foi inadmitido no TJ em razão de: a) óbice da Súmula n. 83 do Superior Tribunal de Justiça - STJ; b) óbice da Súmula n. 182 do STJ; c) óbice da Súmula n. 7 do STJ (fls. 6935/6937). Em agravo em recurso especial, a defesa impugnou os referidos óbices (fls. 6958/6985). Contraminuta do Ministério Público (fls. 7163/7169). Os autos vieram a esta Corte, sendo protocolados e distribuídos. Aberta vista ao Ministério Público Federal - MPF, este opinou pelo desprovimento do agravo em recurso especial (fls. 7229/7236). É o relatório. Decido. Atendidos os pressupostos de admissibilidade do agravo em recurso especial, passa-se à análise do recurso especial. Inicialmente, quanto à ofensa ao art. 5º, XII, da CF, a via especial é imprópria para o conhecimento de ofensa a dispositivos constitucionais. Sobre as interceptações telefônicas e a quebra de cadeia de custódia, o acórdão do Tribunal de origem está assim fundamentado: "De outra parte, todavia, as demais preliminares devem ser rejeitadas. Com efeito, nenhuma ilegalidade se observa nas interceptações telefônicas efetuadas, dado que foram precedidas de regular autorização judicial e realizadas de acordo com o que foi permitido pelo Juiz. Cabe à defesa, quando alega ofensa ao disposto nos artigos 2º, inciso II, e 5º, da Lei nº 9.296/96, provar que existiam outros meios para chegar à elucidação dos acontecimentos. No mais, também não se vislumbra nenhuma afronta ao artigo 2º, inciso I, nem ao artigo 6º, do mesmo diploma legal. Ademais, não houve nenhuma irregularidade no manuseio e nem na compilação das informações obtidas durante as interceptações, razão pela qual não há se falar em quebra da cadeia de custódia. No mais, ao revés do que sustentam os corréus, as decisões que decretaram as interceptações telefônicas e as suas prorrogações encontram-se convenientemente fundamentadas, como se infere da simples leitura de cada uma dessas autorizações, que constam dos autos. Aliás, "as prorrogações das decisões que determinaram as interceptações telefônicas prescindem de fundamentação exaustiva e minudente, podendo-se valer da técnica de fundamentação per relationem, mormente se investigados delitos que se protraem no tempo e a presença de representação motivada do órgão ministerial pela prorrogação das referidas cautelares penais" (STJ - Habeas Corpus nº 98.193/RJ, Relator Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, Julgado em21/JUN/2018). É bom lembrar, também, que o Superior Tribunal de Justiça decidiu que são desnecessárias a transcrição integral das interceptações telefônicas e a perícia para identificar as vozes delas constantes, assim como é dispensável que o exame técnico seja feito por perito oficial. Nesse sentido, já se decidiu que é "despicienda a degravação de todas as conversas interceptadas, especialmente as que nada se referem aos fatos", e "prescindível a realização de perícia para a identificação das vozes captadas nas interceptações telefônicas, especialmente quando pode ser aferida por outros meios de provas e diante da ausência d previsão na Lei nº 9.296/1996" (STJ - Habeas Corpus nº 203.377/SP - 5ª Turma - Relatora Ministra LAURITA VAZ - julgamento realizado em 26/JUN/2012)." (fls. 6167/6168) A r. sentença, por sua vez, consignou: "No tocante à nulidade das interceptações telefônicas e ilicitude das provas por derivação, inclusive dos relatórios policiais, também não assiste razão às Defesas. Com efeito, nota-se que as investigações iniciaram em decorrência do trabalho de inteligência policial, que apurou a existência de organização criminosa na região de Bauru voltada à prática de delitos como furto, receptação e adulteração de sinal identificador de veículo. Ainda, é possível constatar que as interceptações se deram por meio de autorização judicial e, repita-se, após as informações verossímeis colhidas pelos agentes. Destarte, ao contrário do que quer fazer crer a Defesa, a investigação não se iniciou a partir das escutas telefônicas. Também não há se falar em ilicitude ou cerceamento de defesa ante a ausência de integral degravação das interceptações telefônicas. Ora, foram juntadas aos autos todas as mídias contendo os arquivos relacionados à escuta (fls. 4.895/4.899). Ademais, há degravação nos autos dos diálogos efetivamente relacionados à investigação, sendo despropositada a transcrição integral de todas as conversas, pois, conforme informação da Polícia Científica, existem 18.577 arquivos nas mídias (fls. 4521453), além de que muitos diálogos não eram relevantes ao caso aqui tratado e se tratavam de assuntos de cunho pessoal, conforme pode se aferir por amostragem. Outrossim, o acesso aos diálogos interceptados foi disponibilizado às 8 partes, inexistindo prejuízo à Defesa." (fls. 5550/5551) Extrai-se dos trechos acima que não se vislumbra a alegada violação, porquanto demonstrados os requisitos previstos nos artigos da Lei n. 9.296/96. As instâncias de origem demonstraram que as decisões judiciais que autoriz aram as interceptações telefônicas e suas prorrogações estavam suficientemente motivadas, bem como demonstrada a imprescindibilidade da diligência para as investigações, sendo válidas as provas daí decorrentes. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE DROGAS, CORRUPÇÃO DE MENORES E ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA. PRAZO SUPERIOR A QUINZE DIAS. EXCEPCIONALIDADE DA MEDIDA. INVESTIGAÇÃO COMPLEXA. MOTIVAÇÃO IDÔNEA. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Esta Corte Superior de Justiça tem se posicionado no sentido de que a "prorrogação por período superior ao do art. 5.º da Lei n.º 9.296/96 não conduz a nulidade da interceptação, quando devidamente demonstrada a imprescindibilidade da continuidade da medida" (AgRg no RHC n. 119.429/MS, relatora Ministra LAURITA VAZ, Sexta Turma, julgado em 18/2/2020, DJe de 2/3/2020). 2. Sendo necessária e indispensável ao avanço das investigações, dada a complexidade da organização e o grande número de envolvidos, admite-se a decisão de autorizar a prorrogação das interceptações por prazo superior ao de 15 (quinze) dias indicado na lei, de forma excepcional. 3. Verifica-se, no caso concreto, que as interceptações telefônicas foram autorizadas no bojo de investigação deflagrada nos idos de 2007, cujo objetivo era apurar o tráfico de drogas na região. No curso das investigações, foram encontrados indícios da prática de outros delitos e de outros envolvidos, justificando a necessidade da medida na forma como autorizada pelo magistrado de primeiro grau. 4. Também não se pode falar em deficiência na argumentação das decisões que autorizaram a medida e nas que chancelaram as suas prorrogações. O fato de a medida ter sido precedida de investigação fartamente documentada desautoriza o acolhimento do pleito defensivo relativo à carência de fundamentação das decisões que autorizaram e prorrogaram a medida, já que, ainda que sucintamente ou fazendo referência à decisão proferida anteriormente (per relationem ou aliunde), todas apresentam fundamentos particularizados, não padecendo, pois, do vício de serem genéricas, apto a ensejar a sua nulidade. 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 2.040.830/PR, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, julgado em 6/2/2024, DJe de 14/2/2024.) RECURSO ORDINÁRIO. HABEAS CORPUS. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. NULIDADE DAS INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS. INEXISTÊNCIA. DECISÕES DEVIDAMENTE FUNDAMENTADAS. PRESENÇA DOS REQUISITOS PARA AUTORIZAÇÃO DAS INTERCEPTAÇÕES. MEDIDA CAUTELAR DE OBTENÇÃO DE PROVA PRECEDIDA DE INVESTIGAÇÃO QUE CONSTATOU FUNDADA SUSPEITA DA PRÁTICA DE TRÁFICO DE DROGAS PELOS INDIVÍDUOS INVESTIGADOS. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO INVIÁVEL. RECURSO ORDINÁRIO IMPROVIDO. 1. O deferimento da interceptação telefônica foi precedido de adequado procedimento prévio de investigação das informações e notícias de prática de delitos pelos investigados, o que torna legítima a prova colhida por meio da medida. 2. Demonstrada a complexidade das investigações e a necessidade de monitoramento dos números alvos e daqueles envolvidos que guardaram relação com a investigação, bem como a gravidade dos delitos, mostrou imprescindível e devidamente justificada a interceptação telefônica dos investigados. Ultrapassar esse entendimento e acolher a tese de ilicitude das interceptações com relação à paciente demandaria ampla inserção no exame de matéria fático-probatória, o que não é possível em habeas corpus, de cognição sumária. 3. A descrição individualizada da ocupação de cada agente no grupo somente é possível após o fim do trabalho policial, não se podendo exigir nas decisões de interceptação a amplitude mencionada pela Defesa. 4. Recurso ordinário improvido. (RHC n. 179.211/MG, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 12/9/2023, DJe de 15/9/2023.) PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADE. INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA. ALEGADA AUSÊNCIA DOS REQUISITOS DA LEI N. 9.296/1996. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. MOTIVAÇÃO IDÔNEA. INVERSÃO DA ORDEM DE INTERROGATÓRIO. APLICAÇÃO DO ART. 400 DO CPP. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DO PREJUÍZO. PAS DE NULLITÉ SANS GRIEF. VÍCIO NÃO ALEGADO OPORTUNAMENTE. PRECLUSÃO. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. O inciso XII do artigo 5º da Constituição da República assegura o sigilo das comunicações telefônicas, de modo que, para que haja o seu afastamento, é imprescindível ordem judicial, devidamente fundamentada, segundo o comando constitucional estabelecido no artigo 93, inciso IX, da Carta Magna. 2. O art. 5º da Lei n. 9.296/1996 determina, quanto à autorização judicial de interceptação telefônica, que "a decisão será fundamentada, sob pena de nulidade, indicando também a forma de execução da diligência, que não poderá exceder o prazo de quinze dias, renovável por igual tempo uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova". 3. Na hipótese, verifica-se a idoneidade da decisão que deferiu a interceptação telefônica, pois descrita, claramente, a situação objeto da investigação, com a indicação e qualificação dos investigados, justificando a sua necessidade e demonstrando haver indícios razoáveis da autoria e materialidade das infrações penais punidas com reclusão, além de não se poder promover as investigações por outro meio, para elucidação dos fatos criminosos (art. 2º da Lei n. 9.296/1996). 4. A alegada nulidade das interceptações por estarem fundadas, unicamente, na denúncia anônima, não comporta amparo, porquanto deflagradas, inicialmente, diligências pela polícia civil, que identificaram que o alvo da investigação praticava o crime de tráfico de drogas mediante contatos telefônicos, de modo a demonstrar a imprescindibilidade da medida. 5. O reconhecimento de nulidade por inversão da ordem do interrogatório do réu, prevista no art. 400 do CPP, exige a demonstração de prejuízo, que não se confunde com a própria condenação. Além disso, o inconformismo da defesa deve ser manifestado na própria audiência em que ocorrido o alegado vício, com o registro na ata respectiva, sob pena de preclusão. 6. Cumpre registrar que "A Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento da RvCr n. 5.563/DF, reafirmou o entendimento de que a nulidade decorrente da inversão da ordem do interrogatório - prevista no artigo 400 do Código de Processo Penal - está sujeita à preclusão e demanda a demonstração de prejuízo, sendo esta a orientação do Supremo Tribunal Federal." (AgRg no AREsp n. 1.895.902/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 16/8/2022, DJe de 22/8/2022). Precedentes. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp n. 1.946.048/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 5/9/2023, DJe de 12/9/2023.) PENAL. PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CRIMES DE TRÁFICO DE DROGAS, ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO E DESOBEDIÊNCIA. INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS E PRORROGAÇÕES. NULIDADES AFASTADAS. DECISÕES FUNDAMENTADAS. ABSOLVIÇÃO DO CRIME DE ASSOCIAÇÃO. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA N. 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. CRIME DE DESOBEDIÊNCIA. ART. 330 DO CÓDIGO PENAL - CP. DESCUMPRIMENTO DE ORDEM DE PARADA EM CONTEXTO DE ATIVIDADE DE POLICIAMENTO OSTENSIVO. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRIA. RESP N. 1.859.933/SC. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Tribunal de origem afastou a apontada nulidade das interceptações telefônicas porquanto restaram demonstrados os requisitos previstos nos artigos da Lei n. 9.296/96 em razão da complexidade das investigações. A Corte originária concluiu que as decisões estavam suficientemente motivadas, bem como aquelas referentes às prorrogações. 2. A condenação do recorrente pelo crime de associação para o tráfico foi mantida em razão da apuração probatória realizada no curso do processo. Assim, para se concluir de modo diverso, pela absolvição e insuficiência de provas, seria necessário o revolvimento fático-probatório, vedado conforme Súmula n. 7 do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. 3. A Terceira Seção desta Corte, em julgamento de recurso representativo de controvérsia, consolidou o entendimento de que "A desobediência à ordem legal de parada, emanada por agentes públicos em contexto de policiamento ostensivo, para a prevenção e repressão de crimes, constitui conduta penalmente típica, prevista no art. 330 do Código Penal Brasileiro" (REsp 1.859.933/SC, representativo de conrtrovérsia, rel. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, TERCEIRA SEÇÃO, DJe 1º/4/2022). 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp n. 1.878.116/PR, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 7/2/2023, DJe de 14/2/2023.) Ademais, "em relação à ausência de transcrição integral das conversas telefônicas interceptadas, pacificou-se na doutrina e na jurisprudência desta corte superior que é desnecessária a transcrição do conteúdo das interceptações telefônicas para a validade da prova, bastando que as partes tenham acesso aos diálogos monitorados" (HC n. 541.328/SP, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 19/10/2020), como ocorre no caso em tela. No mesmo sentido: PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. ART. 1º, I E II, DA LEI N. 8.137/90. 1) COMPETÊNCIA INTERNA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. PREVENÇÃO. PRECLUSÃO. 2) VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 76, III, E 79, AMBOS DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL - CPP. CONEXÃO INSTRUMENTAL NÃO DEMONSTRADA. ÓBICE DO REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO, CONFORME SÚMULA N. 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. 3) VIOLAÇÃO AO ART. 400, § 1º, DO CPP. INDEFERIMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVAS JUSTIFICADO. 4) VIOLAÇÃO AO ART. 6º, § 1º, DA LEI N. 9.296/96. INOCORRÊNCIA. DEGRAVAÇÃO PARCIAL COM DISPONIBILIZAÇÃO DE ÁUDIO. ÓBICE DO REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO, CONFORME SÚMULA N. 7 DO STJ. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. ART. 563 DO CPP. 5) VIOLAÇÃO AO ART. 381, III, E AO ART. 619, AMBOS DO CPP. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. 6) VIOLAÇÃO AO ART. 59 DO CP. CULPABILIDADE. ÓBICE DO REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO, CONFORME SÚMULA N. 7 DO STJ. 7) AGRAVO DESPROVIDO. 1. Conforme art. 71, § 4º, do Regimento Interno do Superior tribunal de Justiça - RISTJ, a competência interna por prevenção, quando não reconhecida de ofício, deve ser arguida até o início do julgamento, sob pena de preclusão. 2. A inocorrência de conexão instrumental com outro feito em trâmite na Justiça Federal foi constatada pelo Tribunal de origem porque a ação penal decorreu de procedimento fiscal estadual para apuração de sonegação de imposto estadual (ICMS). Para se entender de forma diversa, seria necessário o revolvimento fático-probatório, providência vedada em análise de recurso especial, conforme Súmula n. 7/STJ. 3. O indeferimento das provas requeridas pela Defesa foi concretamente motivado, com fulcro no art. 400, § 1º, do CPP. Para se entender de forma diversa, seria necessário o revolvimento fático-probatório, providência vedada em análise de recurso especial, conforme Súmula n. 7/STJ. 4. "O entendimento predominante nos Tribunais Superiores é no sentido da desnecessidade de transcrição integral do conteúdo da quebra do sigilo das comunicações telefônicas, bastando que se confira às partes acesso aos diálogos interceptados. Precedentes do STJ e do STF" (AgRg no REsp 1224320/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, DJe 23/2/2016). 4.1. No caso concreto, segundo a Corte de origem, houve degravação parcial do conteúdo com disponibilização dos áudios originais para as partes. Para se entender de forma diversa, seria necessário o revolvimento fático-probatório, providência vedada em análise de recurso especial, conforme Súmula n. 7/STJ. 4.2. Ainda que os áudios originais não estejam no feito, não há prejuízo apto ao reconhecimento de nulidade, consoante art. 563 do CPP. A defesa não fez a arguição de tal vício em alegações finais. Da mesma forma, tanto a sentença quanto o acórdão recorrido não embasaram a materialidade e a autoria dos agravantes com base em prova decorrente de interceptação telefônica. .. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AgRg no AREsp n. 1.491.727/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 13/10/2020.) Nesse contexto, dada a ausência de ilegalidade nas interceptações telefônicas realizadas na hipótese, não há falar em quebra da cadeia de custódia da prova colhida, especialmente considerando que, conforme consignado pelo TJ, "não houve nenhuma irregularidade no manuseio e nem na compilação das informações obtidas durante as interceptações" (fl. 6167). Ainda, para se concluir de forma diversa do acórdão recorrido, seria necessário o reexame do conjunto probatório, o que é vedado pela Súmula n. 7 desta Corte. A propósito: PENAL. PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DISPARO DE ARMA DE FOGO E LESÃO CORPORAL. ALEGADA QUEBRA DA CADEIA DE CUSTÓDIA NÃO VERIFICADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. REVERSÃO DA CONCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. NEGATIVAÇÃO DAS CONSEQUÊNCIAS DO DELITO. FUNDAMENTAÇÃO VÁLIDA. PRETENSÃO DE SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVAS DE DIREITOS. INSUFICIÊNCIA DA MEDIDA. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Para se concluir de maneira diversa ao que restou consignado pelo Tribunal de origem, no sentido de que não houve quebra da cadeia de custódia dos projéteis localizados pela vítima e entregues à polícia no mesmo dia dos fatos delitivos, seria necessário o reexame das provas acostadas aos autos, operação inviável em sede de recurso especial, consoante a Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça. 2. Ao contrário do alegado pela Defesa, as consequências do delito foram consideradas negativas com fundamento em elementos concretos dos autos, que não se confundem com o tipo legal disposto no art. 129 do Código Penal - CP, consistentes na forçada mudança da família de residência e na incapacidade da vítima para trabalhar durante cinco dias. 3. A substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos não é medida suficiente à prevenção e reparação do delito no caso, em razão da existência de circunstâncias judiciais negativas, nos termos do art. 44, III, do Código Penal. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 1.958.129/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 17/10/2022, DJe de 19/10/2022.) Por último, não conheço do recurso especial no tocante à interposição pela alínea "c" do permissivo constitucional, considerando que a Defesa não observou o disposto nos arts. 1029, § 1º, do Código de Processo Civil - CPC e 255, § 1º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça - RISTJ, além da incidência das Súmulas n. 7 e 83 do STJ ao presente caso prejudicar a análise do alegado dissídio jurisprudencial. Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer, em parte, do recurso especial e, com fundamento na Súmula n. 568 do STJ, negar-lhe provimento. Publique-se. Intimem-se. EMENTA