AREsp 2969544 - DECISAO
O agravo regimental não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar, de forma específica e pormenorizada, todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, não afastando com demonstração concreta os óbices de admissibilidade (falta de prequestionamento, não configuração de falta de...
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- Parties
- Agravante: ALEXANDRE SANTOS SIMÕES; Manifestante (parecer Pelo Não Conhecimento): Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento/inadmissão
- Outcome
- Agravo regimental não conhecido
- Legal Topics
- Interceptação Telefônica, Busca E Apreensão, Cadeia De Custódia, Dosimetria Da Pena, Inadmissão De Recurso Especial, Prequestionamento, Súmulas Do Stj/stf
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Parties
ALEXANDRE SANTOS SIMÕES
Agravante
Ministério Público Federal
Manifestante (parecer Pelo Não Conhecimento)
Procedural Posture
Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento/inadmissão
Legal Issues
- 1 falta de prequestionamento
- 2 incidência da Súmula 7 do STJ (vedação de reexame de provas)
- 3 incidência da Súmula 83 do STJ (impugnação de precedentes)
Ratio Decidendi
O agravo regimental não foi conhecido porque o agravante deixou de impugnar, de forma específica e pormenorizada, todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, não afastando com demonstração concreta os óbices de admissibilidade (falta de prequestionamento, não configuração de falta de fundamentação, aplicação das Súmulas n. 7 e n. 83 do STJ e da Súmula n. 284 do STF), nos termos do art. 1.021, §1.º do CPC (aplicável por força do art.3.º do CPP).
Court Disposition
Agravo regimental não conhecido
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO ALEXANDRE SANTOS SIMÕES agrava da decisão que inadmitiu seu recurso especial, interposto com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul na Apelação Criminal n. 5000446-74.2022.8.21.0069. Consta dos autos que o agravante foi condenado pelo crime de integrar organização criminosa. A defesa aponta violação dos arts. 244 do CPP; 2º e 5º da Lei 9.296/96; 157, §1º, do CPP; 564 do CPP; 158 do CPP; 59 do CP. Aduz que a) o simples fato de existir interceptação telefônica vigente não autoriza busca pessoal quando baseada exclusivamente em denúncias anônimas; b) a interceptação telefônica carece de fundamentação adequada e não demonstra impossibilidade de produção da prova por outros meios; c) a busca e apreensão no endereço de Guilherme foi deferida sem fundamentação concreta; d) houve quebra da cadeia de custódia na extração de dados dos aparelhos celulares; e) as circunstâncias negativas na dosimetria não estão fundamentadas em elementos objetivos dos autos. Requer a absolvição, ou, subsidiariamente, a redução da pena. O recurso foi inadmitido em juízo prévio de admissibilidade realizado pelo Tribunal de origem, o que motivou a interposição deste agravo. O Ministério Público Federal apresentou parecer pelo não conhecimento do recurso (fls. 6.507-6.517). Decido. O agravo não comporta conhecimento, visto que a parte agravante deixou de rebater todos os fundamentos da decisão agravada. O recurso especial foi inadmitido em razão dos seguintes óbices óbices: falta de prequestionamento, não configuração de falta de fundamentação, Súmula n. 7 do STJ, Súmula n. 83 do STJ, falta de comprovação adequada do dissídio jurisprudencial e Súmula n. 284 do STF. Em relação à Súmula n. 7 do STJ, são insuficientes, para refutar essa razão de inadmissibilidade, assertivas genéricas de que a apreciação do recurso não demanda reexame de provas. A parte deve expor, com particularidade, que a alteração do entendimento adotado pelo Tribunal de origem independe da apreciação fático-probatória dos autos no caso concreto. Neste caso, o agravante, porém, alegou, de modo genérico, sem nem mesmo menção às particularidades do caso concreto, não incidir o enunciado sumular à espécie, o que é insuficiente para a impugnação do referido óbice. Nessa perspectiva: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXIGÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO CONHECIDO. 1. A teor do § 1.º do art. 1.021 do Código de Processo Civil, aplicável por força do art. 3.º do Código de Processo Penal, dispõe-se que "na petição de agravo interno, o recorrente impugnará especificadamente os fundamentos da decisão agravada". . Não basta a mera afirmação em sentido oposto ao óbice, com argumentos que se contrapõem a qualquer decisão que se funde no conteúdo do Enunciado n.º 7 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça, deve-se particularizar o fundamento de inadmissão, na medida da admissibilidade, sob pena de vê-lo mantido. 3. Agravo regimental não conhecido. (AgRg no AREsp n. 1.575.387/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, 6ª T., DJe 21/2/2020, grifei) No tocante à Súmula n. 83 do STJ, é consolidado o entendimento deste Superior Tribunal de que para impugnar tal óbice, a parte deve demonstrar que os precedentes citados na decisão agravada não se aplicavam ao caso, ou trazer precedentes contemporâneos ou supervenientes que apontem orientação em sentido oposto ou divergência jurisprudencial, o que não foi feito adequadamente. Neste caso, o agravante limitou-se a transcrever as razões do recurso especial interposto e reiterou a existência de precedentes em favor da sua tese, mas sem nada ponderar expressamente quanto à jurisprudência desta Corte mencionada na decisão agravada. Ilustrativamente: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA NÃO ATACADOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. É inviável o agravo em recurso especial que deixa de impugnar todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o apelo extremo, incidindo, na espécie, o teor da Súmula n.182/STJ. 2. Na hipótese em que se pretende impugnar a incidência da Súmula n. 83 do STJ, deveria a parte agravante demonstrar que os precedentes indicados na decisão agravada não se aplicavam ao caso, ou então trazer precedentes contemporâneos ou supervenientes aos referidos na decisão agravada, de forma a demonstrar que outra é a orientação jurisprudencial nesta Corte Superior, ou, que a divergência é atual, o que deixou de fazer (AgInt no AREsp 885.406/MS, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO,TERCEIRA TURMA, julgado em 20/3/2018, DJe 3/4/2018). .. (AgRg no AREsp n. 1.620.996/SC, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, 5ª T., DJe 4/5/2020) Por fim, verifico que o agravante tampouco impugnou especificamente a incidência da Súmula n. 284 do STF. Portanto, verifica-se que o agravante não rebateu, com particularidade, todos os óbices de admissão do REsp. Assim, é inegável que a defesa não se desincumbiu do ônus de expor integral, específica e detalhadamente os motivos de fato e de direito por que entende incorreta a decisão agravada, a atrair, à espécie, a Súmula n. 182 desta Corte Superior, segundo a qual "É inviável o agravo do art. 1.021, § 1º, do novo CPC que deixa de atacar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada". À vista do exposto, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA