AREsp 2485345 - DECISAO
O recurso extraordinário teve seguimento negado porque os recorrentes não infirmaram de forma específica e suficiente os fundamentos que levaram ao não conhecimento do recurso especial (incidência das Súmulas 7/STJ e 284/STF) nem demonstraram a correlação jurídica exigida pelo art. 1.029 do CPC; além disso,...
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- Parties
- Recorrente: GISLAINE VENANCIO; Recorrente: RAFAEL VALERIO DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 November 2025
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Negado Seguimento
- Outcome
- Recurso extraordinário com seguimento negado (negado seguimento)
- Legal Topics
- Interceptação Telefônica, Súmula 7/stj, Súmula 284/stf, Repercussão Geral, Admissibilidade De Recursos, Tema 339 STF, Tema 181 STF, Fundamentação Do Acórdão, Art. 1.029 Do CPC, Art. 93, IX, CF
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Parties
GISLAINE VENANCIO
Recorrente
RAFAEL VALERIO DA SILVA
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Negado Seguimento
Legal Issues
- 1 se os agravantes infirmaram adequadamente os fundamentos que impediram o conhecimento do recurso especial (incidência das Súmulas 7/STJ e 284/STF)
- 2 se houve demonstração de contrariedade à lei federal ou à Constituição capaz de afastar óbices de admissibilidade
- 3 regularidade da fundamentação do acórdão à luz do art. 93, IX, da Constituição Federal e do Tema n. 339 do STF
Ratio Decidendi
O recurso extraordinário teve seguimento negado porque os recorrentes não infirmaram de forma específica e suficiente os fundamentos que levaram ao não conhecimento do recurso especial (incidência das Súmulas 7/STJ e 284/STF) nem demonstraram a correlação jurídica exigida pelo art. 1.029 do CPC; além disso, verificou-se que a fundamentação do acórdão recorrido é compatível com a tese do Tema n. 339 do STF e que não há repercussão geral que autorize o prosseguimento do recurso extraordinário, nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC.
Court Disposition
Recurso extraordinário com seguimento negado (negado seguimento)
Orders
- Agravo regimental não provido
- Embargos de declaração rejeitados
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO 1. Trata-se de recurso extraordinário interposto por GISLAINE VENANCIO e RAFAEL VALERIO DA SILVA contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça que manteve decisão de não conhecimento do agravo em recurso especial. O julgado recorrido recebeu a seguinte ementa (fls. 1.386-1.387): DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. INADMISSÃO. SÚMULA 7/STJ E SÚMULA 284/STF. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão da Presidência do Superior Tribunal de Justiça que não conheceu dos agravos em recurso especial, em razão da incidência das Súmulas 182/STF, 7/STJ e 284/STF. 2. Os agravantes foram condenados por tráfico ilícito de drogas e associação para o tráfico, com penas variando entre 8 e 14 anos de reclusão, além de multas, conforme decisão mantida pelo Tribunal de origem. 3. Os recursos especiais interpostos alegaram violação ao artigo 1.022 do CPC e artigos 2º e 5º da Lei nº 9.296/96, requerendo a anulação das interceptações telefônicas e a absolvição dos recorrentes. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 4. A questão em discussão consiste em saber se os agravantes infirmaram adequadamente os fundamentos da decisão que inadmitiu os recursos especiais, especialmente quanto à aplicação das Súmulas 7/STJ e 284/STF. 5. Outra questão é se houve demonstração suficiente de contrariedade à lei federal para superar os óbices das súmulas mencionadas. III. RAZÕES DE DECIDIR 6. A decisão impugnada foi mantida porque os agravantes não demonstraram a desnecessidade da análise do conjunto fático-probatório, conforme exigido para afastar a incidência da Súmula 7/STJ. 7. Os agravantes não atenderam ao disposto no artigo 1.029 do CPC, pois não demonstraram o cabimento do recurso especial nem a correlação jurídica entre o fato e a norma legal, esbarrando na Súmula 284/STF. 8. A jurisprudência consolidada do STJ impede a análise de violação de norma constitucional em recurso especial, matéria própria do recurso extraordinário ao STF. 9. A falta de impugnação específica aos fundamentos da decisão recorrida justifica a aplicação do art. 932, III, do CPC/2015 e do art. 253, I, do RISTJ, resultando no não conhecimento do agravo. IV. DISPOSITIVO E TESE 10. Agravo regimental não provido. Os embargos de declaração opostos na sequência foram rejeitados (fls. 1.416-1.417 e 1.420-1.422). As partes recorrentes alegam a existência de repercussão geral da matéria debatida e de contrariedade, no acórdão impugnado, aos arts. 5º, LVI, e 93, IX, da Constituição Federal. Nesse sentido, argumentam que a interceptação telefônica motivadora da ação penal foi autorizada exclusivamente com base em denúncias anônimas, sem qualquer corroboração por diligências preliminares. Apontam que a ilicitude da prova originária (interceptação telefônica) enseja a contaminação de todas as provas dela derivadas, aplicando-se a teoria dos frutos da árvore proibida. Afirmam que o aresto recorrido prestou jurisdição deficiente e formalista, sem examinar se as decisões das instâncias inferiores estavam em consonância com os preceitos da Constituição Federal. Requerem, assim, a admissão e o provimento do recurso. É o relatório. 2. No julgamento do paradigma vinculado ao Tema n. 339, o Supremo Tribunal Federal apreciou a seguinte questão: .. se decisão que transcreve os fundamentos da decisão recorrida, sem enfrentar pormenorizadamente as questões suscitadas nos embargos declaratórios, afronta o princípio da obrigatoriedade de fundamentação das decisões judiciais, nos termos do art. 93, IX, da Constituição Federal. Na ocasião, firmou-se a seguinte tese vinculante: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessária a apreciação de todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da Constituição Federal não está relacionada ao acerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso dos autos, foram apresentados, de forma satisfatória, os fundamentos da conclusão do acórdão recorrido, como se observa do seguinte trecho do referido julgado (fls. 1.391-1.393): Em que pesem os argumentos dos agravantes, a decisão impugnada deve ser mantida. Nesta Corte Superior, os agravos em recurso especial não foram conhecidos porque não foram infirmados os fundamentos empregados pela Corte de origem para inadmitir o recurso. (..) Com efeito, quanto à incidência da Súmula 7/STJ, deveria a parte agravante demonstrar a desnecessidade da análise do conjunto fático-probatório, deixando claro que os fatos foram devidamente consignados no acórdão recorrido, o que não aconteceu. Nesse sentido: (..) Ademais, considerando que o presente recurso tem fundamento em suposta contrariedade à lei federal, não verifico o cotejo quanto às contrariedades invocadas, deixando de atender ao que dispõe o artigo 1.029 do CPC, o qual dispõe que o recurso especial conterá: "I - a exposição do fato e do direito; II - a demonstração do cabimento do recurso interposto; III - as razões do pedido de reforma ou de invalidação da decisão recorrida". O agravo, portanto, esbarraria ainda na Súmula 284 do STF, aplicada por analogia, que preceitua: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Conforme, a jurisprudência consolidada desta Corte, a superação do óbice da Súmula 284/STF exige que o recorrente faça a comparação entre o que estabelece a norma e os argumentos apresentados nas razões do recurso, a fim de evidenciar a correlação jurídica entre o fato e a norma legal. Não é suficiente, portanto, menção superficial às leis federais, nem a simples exposição da interpretação jurídica que o recorrente considera correta. Relevante destacar que esta Corte já decidiu ser incabível o Recurso Especial que visa discutir violação de norma constitucional porque, consoante o disposto no art. 102, III, da Constituição Federal, é matéria própria do apelo extraordinário para o Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido: "Não cabe a esta Corte Superior, ainda que para fins de prequestionamento, examinar na via especial suposta violação de dispositivo ou princípio constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal" (AgInt nos EREsp n. 1.544.786/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, julgado em 2/6/2020, DJe de 16/6/2020). No presente agravo, cabia à parte agravante demonstrar o equívoco da decisão em face da qual se insurge, sendo imprescindível a impugnação específica a todos os óbices por ela apontados, obrigação da qual não se desincumbiu. Este é o teor do art. 932, inciso III, do Código de Processo Civil/2015, que autoriza o relator a não conhecer de recurso que tenha deixado de impugnar os fundamentos da decisão recorrida. Igualmente, o art. 253, inciso I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, com redação dada pela Emenda Regimental n. 22/2016, autoriza o relator a não conhecer do agravo que descumpra a tarefa de infirmar as razões de decidir que levaram ao trancamento do recurso especial. Com efeito, "Deixando a parte agravante de impugnar específica e concretamente os fundamentos da decisão agravada, é de se aplicar o art. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015 e o art. 253, I, do RISTJ" (AgRg no AREsp n. 2.083.475/MA, Quinta Turma, Rel. Min. Ministro Jorge Mussi, DJe de 10/10/2022). Ademais, rechaçar as argumentações utilizadas pela decisão que inadmitiu o apelo extremo a destempo, na via do regimental, como ora pretende o agravante, é inadequado, porquanto tal impugnação deveria ter sido ventilada justamente no bojo do agravo em recurso especial (AgRg no AREsp n. 2.192.536/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), DJe de 24/4/2023). Assim, deve ser mantida a decisão agravada. Assim, fica inviabilizado o exame pretendido nesta insurgência. Com efeito, demonstrado que houve prestação jurisdicional compatível com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 sob o regime da repercussão geral, é inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, que deve ter o seguimento negado. 3. No tocante às demais alegações, nos termos do art. 102, § 3º, da Constituição Federal, o recurso extraordinário deve ser dotado de repercussão geral, requisito indispensável à sua admissão. Por sua vez, o STF já definiu que a discussão relativa ao preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recurso anterior, de competência de outro tribunal, não tem repercussão geral. Quando o STJ não analisar o mérito do recurso de sua competência, tal como verificado nestes autos, qualquer alegação do recurso extraordinário demandaria a rediscussão dos requisitos de admissibilidade do referido recurso, exigindo a apreciação dos dispositivos legais que versam sobre tais pressupostos. No Tema n. 181 do STF, a Suprema Corte afirmou que "a questão do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade de recursos da competência de outros Tribunais tem natureza infraconstitucional" (RE n. 598.365-RG, relator Ministro Ayres Britto, Tribunal Pleno, julgado em 14/8/2009, DJe de 26/3/2010). O entendimento em questão incide tanto em situações nas quais as razões do recurso extraordinário se referem ao não conhecimento do recurso anterior quanto naquelas em que as alegações se relacionam à matéria de fundo da causa. Essa conclusão foi adotada sob o regime da repercussão geral e é de aplicação obrigatória, devendo os tribunais, ao analisar a viabilidade prévia dos recursos extraordinários, negar seguimento àqueles que discutam questão à qual o Supremo Tribunal Federal não tenha reconhecido a existência de repercussão geral, nos termos do art. 1.030, I, a, do CPC. Como exemplos da aplicação do Tema n. 181 do STF em casos semelhantes, confiram-se: ARE n. 1.256.720-AgR, relator Ministro Dias Toffoli (Presidente), Tribunal Pleno, julgado em 4/5/2020, DJe de 26/5/2020; ARE n. 1.317.340-AgR, relatora Ministra Cármen Lúcia, Segunda Turma, julgado em 12/5/2021, DJe de 14/5/2021; ARE n. 822.158-AgR, relator Ministro Edson Fachin, Primeira Turma, julgado em 20/10/2015, DJe de 24/11/2015. Da mesma forma, o recurso extraordinário deve ter o seguimento negado por aplicação do Tema n. 181 do STF também nas hipóteses em que for alegada ofensa ao art. 105, III, da Constituição da República (RE n. 1.081.829-AgR, relator Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe de 1º/10/2018). 4. Ante o exposto, com fundamento no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário. Vale registrar não ser cabível agravo em recurso extraordinário (previsto no art. 1.042 do CPC) contra decisões que negam seguimento a recurso extraordinário, conforme o § 2º do art. 1.030 do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO ANTERIOR, DE COMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DEBATE OU SUPERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. TEMA N. 181 DO STF, SOB A SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.