REsp 1903737 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque a jurisprudência pacífica do STJ entende ser abusiva a cláusula que veda a internação domiciliar e, quando o tratamento domiciliar é prescrito como necessário, a operadora não pode recusar a cobertura sob o fundamento de que o procedimento não consta do rol da ANS;...
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- Parties
- Agravante: GEAP AUTOGESTAO EM SAUDE; Agravado: ESMERILDA CONCEICAO QUINTANILHA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 July 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Julgado Acórdão Colegiado (negado Provimento)
- Outcome
- Agravo interno desprovido (negado provimento).
- Legal Topics
- Internação Domiciliar (home Care), Recusa De Cobertura Por Plano De Saúde, Cláusula Contratual Abusiva, Danos Morais, Súmula 83/stj
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Parties
GEAP AUTOGESTAO EM SAUDE
Agravante
ESMERILDA CONCEICAO QUINTANILHA
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Julgado Acórdão Colegiado (negado Provimento)
Legal Issues
- 1 Abusividade de cláusula que veda internação domiciliar (home care)
- 2 Incidência da Súmula 83/STJ
- 3 Obrigatoriedade de cobertura quando há indicação médica expressa
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque a jurisprudência pacífica do STJ entende ser abusiva a cláusula que veda a internação domiciliar e, quando o tratamento domiciliar é prescrito como necessário, a operadora não pode recusar a cobertura sob o fundamento de que o procedimento não consta do rol da ANS; aplica-se a Súmula 83/STJ.
Court Disposition
Agravo interno desprovido (negado provimento).
Orders
- Negar provimento ao Agravo Interno no Recurso Especial nº 1.903.737 - SP (2020/0287387-5); manter o acórdão recorrido que confirmou a obrigação de custear tratamento domiciliar (home care).
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Luis Felipe Salomão, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Marco Buzzi. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. PLANO DE SAÚDE. INTERNAÇÃO DOMICILIAR. RECUSA INDEVIDA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. AGRAVO INTERNO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. É pacífica a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de ser abusiva a cláusula contratual que veda a internação domiciliar (home care) como alternativa à internação hospitalar. Precedentes. 2. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO RAUL ARAÚJO (Relator): Trata-se de agravo interno interposto por GEAP AUTOGESTÃO EM SAÚDE em face de decisão desta relatoria, que negou provimento ao recurso especial. Em suas razões recursais, a agravante alega, em síntese, que: (a) "o rol de procedimentos estabelecido pela Agência Reguladora de Saúde Suplementar - ANS - tem caráter eminentemente taxativo" (fl. 633); e (b) "não se trata de violação ao Verbete sumular nº 83 desse E.STJ, pois conforme transcrito em linhas retro, com a devida vênia, a orientação do tribunal não é uníssona, havendo, portanto, divergência jurisprudencial" (fl. 637). Requer, ao final, a reconsideração da decisão agravada ou sua reforma pela Turma Julgadora (fls. 628/670). Impugnação apresentada às fls. 673/680. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. PLANO DE SAÚDE. INTERNAÇÃO DOMICILIAR. RECUSA INDEVIDA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. AGRAVO INTERNO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. É pacífica a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de ser abusiva a cláusula contratual que veda a internação domiciliar (home care) como alternativa à internação hospitalar. Precedentes. 2. Agravo interno a que se nega provimento. AgInt no RECURSO ESPECIAL Nº 1.903.737 - SP (2020/0287387-5) RELATOR : MINISTRO RAUL ARAÚJO AGRAVANTE : GEAP AUTOGESTAO EM SAUDE ADVOGADOS : GABRIEL ALBANESE DINIZ DE ARAÚJO - DF020334 EDUARDO DA SILVA CAVALCANTE - DF024923 JOSELITO FARIAS DOS SANTOS - DF026934 LUIZA GURGEL CARDOSO - DF038229 FERNANDA DORNELAS PARO - SP439309 AGRAVADO : ESMERILDA CONCEICAO QUINTANILHA ADVOGADO : RENATA VILHENA SILVA - SP147954 VOTO O EXMO. SR. MINISTRO RAUL ARAÚJO (Relator): O Tribunal de origem julgou ilegítima a recusa da operadora do plano de saúde em custear o tratamento domiciliar (home care), pois a terapia foi indicada como necessária ao tratamento da enfermidade do paciente/recorrido. Destacam-se trechos do acórdão recorrido a esse respeito: "De fato. Tendo havido expressa indicação médica para a realização do tratamento pelo sistema home care (pág. 112/113), o qual se mostra adequado ao grave estado de saúde da paciente, não pode a Operadora do Plano de Saúde recusar-se à cobertura sob o fundamento de ausência de previsão contratual. (..) Ademais, a prestadora de serviço não pode, quando existe expressa indicação médica, negar-se a cobrir o tratamento simplesmente porque seu nome não consta no rol divulgado pela Agência Reguladora. Restrição dessa natureza é incompatível com a função social do contrato e com a cláusula geral de boa-fé. A alegação de que a assistência pelo sistema home care não consta do rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar e que, por isso, sujeita-se à exclusão contratual, não pode prosperar por falta de amparo legal. Ocorre que esse rol constitui apenas referência básica para a cobertura assistencial nos planos de assistência à saúde contratados a partir de janeiro de 1999. Ademais, a prestadora de serviço não pode, quando existe indicação médica, negar-se a cobrir o tratamento simplesmente porque seu nome não consta no rol divulgado pela Agência Reguladora." (fls. 547/548) O acórdão merece ser mantido, pois está em conformidade com a jurisprudência do STJ, no sentido de que, uma vez prescrito como necessário, o tratamento domiciliar (home care) não pode ser recusado pela operadora do plano de saúde, sob o argumento de que não constaria da lista de serviços básicos da Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS. Nesse sentido: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. PLANO DE SAÚDE. RECUSA DE COBERTURA DE TRATAMENTO DOMICILIAR. IMPRESCINDIBILIDADE COMPROVADA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. DANOS MORAIS CONFIGURADOS. QUANTUM. VALOR RAZOÁVEL. REEXAME DE FATOS E PROVAS. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Não há cerceamento de defesa quando o julgador, ao constatar nos autos a existência de provas suficientes para o seu convencimento, indefere pedido de produção ou complementação de prova. Cabe ao juiz decidir sobre os elementos necessários à formação de seu entendimento, pois, como destinatário da prova, é livre para determinar as provas necessárias ou indeferir as inúteis ou protelatórias. Precedentes. 2. No caso, a Corte a quo concluiu que as provas produzidas nos autos eram suficientes para comprovar a necessidade do atendimento em regime de home care. A modificação de tal entendimento demandaria a análise do acervo fático-probatório dos autos, o que é vedado pela Súmula 7 do STJ. 3. É pacífica a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de ser abusiva a cláusula contratual que veda a internação domiciliar (home care) como alternativa à internação hospitalar. Precedentes. 4. A recusa indevida, pela operadora de plano de saúde, em autorizar a internação domiciliar (home care), no caso dos autos, conforme reconhecido pelas instâncias ordinárias, agravou a situação de aflição psicológica e de angústia no espírito do beneficiário, o que enseja a reparação do dano moral. 5. O valor arbitrado pelas instâncias ordinárias a título de danos morais somente pode ser revisado em sede de recurso especial quando irrisório ou exorbitante, o que não ocorreu no caso dos autos, em que fixado em R$ 14.310,00 em decorrência de recusa de cobertura de tratamento domiciliar (home care). 6. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no AREsp 1673498/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 19/10/2020, DJe 16/11/2020)" "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. RECUSA DE COBERTURA DE TRATAMENTO DOMICILIAR (HOME CARE). ABUSIVIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE COMPROVADA. DANOS MORAIS CONFIGURADOS. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DO VALOR DA CONDENAÇÃO. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, é abusiva a cláusula contratual que veda a internação domiciliar (home care) como alternativa à internação hospitalar. 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático-probatória (Súmula n. 7/STJ). 3. Admite a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, excepcionalmente, em recurso especial, reexaminar o valor fixado a título de compensação por danos morais, quando ínfimo ou exagerado. Hipótese, todavia, em que o valor foi estabelecido na instância ordinária, atendendo-se às circunstâncias de fato da causa, de forma condizente com os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. 4. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no AREsp 1725002/PE, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 19/04/2021, DJe 23/04/2021) Incidência, na hipótese, da Súmula 83/STJ. Ante o exposto, nega-se provimento ao agravo interno. É como voto.