AREsp 2668974 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a fundamentação recursal indicou genericamente o art. apontado como violado, sem demonstrar comando normativo apto a sustentar a tese, incidindo a Súmula 284/STF; além disso, faltou prequestionamento da matéria pela Corte de origem; com base no art....
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- Parties
- Agravante/recorrente: A S M W e OUTROS; Tribunal De Origem: TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecer Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Internação Em UTI Neonatal, Ressarcimento, Hipossuficiência Econômico Financeira, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 284/stf, Prequestionamento
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Parties
A S M W e OUTROS
Agravante/recorrente
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO
Tribunal De Origem
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecer Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade da demonstração de hipossuficiência para custeio de internação em UTI neonatal via ressarcimento
- 2 Incidência da Súmula 284/STF por fundamentação deficiente quanto ao dispositivo legal apontado como violado
- 3 Ausência de prequestionamento pela Corte de origem
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a fundamentação recursal indicou genericamente o art. apontado como violado, sem demonstrar comando normativo apto a sustentar a tese, incidindo a Súmula 284/STF; além disso, faltou prequestionamento da matéria pela Corte de origem; com base no art. 21-E, V, do RI/STJ o recurso especial não foi conhecido, e, nos termos do art. 85, §11, do CPC, majoraram-se honorários em 15%.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Majoram-se os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, §11, do CPC.
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DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por A S M W e OUTROS contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO, assim resumido: ADMINISTRATIVO. DIREITO À SAÚDE. APELAÇÃO. INTERNAÇÃO EM UTI NEONATAL. HOSPITAL PARTICULAR. AUSÊNCIA DE VAGAS EM HOSPITAL PÚBLICO. RESSARCIMENTO. 1. Caso em que não se vislumbra a absoluta carência de recursos financeiros do paciente e de sua família a ensejar o custeio da internação pelo ente público. 2. Apelação desprovida (fl. 1311). Quanto à controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violação do art. 2ª da Lei n. 8.080/90, no que concerne à impossibilidade de se exigir, no caso concreto, a demonstração de hipossuficiência econômico-financeira da família para fins de custeio com internação e tratamento, por não se tratar de pedido de fornecimento de tratamento não padronizado pelo SUS e/ou de medicamento não autorizado pela ANVISA, não sendo aplicáveis ao caso as diretrizes fixadas pelo STJ no julgamento do Recurso Especial Repetitivo n. 1.657.156 (Tema 106), e sim os parâmetros estabelecidos pelo pelo STF ao julgar a STA n. 175 e n. 178. Aduz a seguinte argumentação: No caso dos autos os recorrentes postularam o custeio da internação e tratamento de Felipe Maboni Wisnheski via ressarcimento, ante a inexistência de alternativas ao tratamento no local e negativa de fornecimento do tratamento pelo Poder Público por ausência de vagas. Ocorre que a decisão recorrida manteve a r. sentença de improcedência tão somente por não ter sido demonstrada a hipossuficiência econômico-financeira da família, com base nos requisitos estabelecidos pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal ao julgar a STA n. 175 e pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça no REsp n. 1.657.156. Todavia, não se trata de pedido de fornecimento de tratamento não padronizado pelo SUS e/ou de medicamento não autorizado pela ANVISA, nos moldes do analisado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial Repetitivo n. 1.657.156 (Tema 106 - Obrigatoriedade do poder público de fornecer medicamentos não incorporados em atos normativos do SUS), mas de negativa de fornecimento de vaga em UTI neonatal em caso de emergência obstétrica. Logo, ao caso aplicam-se apenas os parâmetros fixados pelo STF ao julgar a STA n. 175 e n. 178, não sendo aplicáveis ao caso as diretrizes fixadas pelo STJ no julgamento do Recurso Especial Repetitivo n. 1.657.156 (Tema 106 - Obrigatoriedade do poder público de fornecer medicamentos não incorporados em atos normativos do SUS), que incluem a demonstração da incapacidade financeira em arcar com o tratamento postulado. Assim, a caso mantido o entendimento firmado na r. sentença, confirmada pelo v. acórdão recorrido, haverá afronta ao art. 2º da Lei n.º 8.080/90, pois em nenhum momento a Lei condicionou a hipossuficiência financeira como requisito de acesso à saúde: .. O SUS visa à integralidade da assistência à saúde, seja individual ou coletiva, devendo atender aos que dela necessitem em qualquer grau de complexidade, de modo que, restando comprovado o acometimento do indivíduo ou de um grupo por determinada moléstia, necessitando certo medicamento para debelá-la, este deve ser fornecido, de modo a atender ao princípio maior, que é a garantia à vida digna. Assim, de acordo com os parâmetros fixados pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal ao julgar a STA n. 175 e n. 178, havendo a política estatal (formulada pelo SUS) que abrange a prestação de saúde pleiteada pela parte, e diante da negativa de tal prestação pelo Poder Público, o Judiciário deve determinar seu cumprimento, abstendo-se, portanto, de realizar análise da capacidade financeira da parte autora em arcar com o custo do tratamento. Portanto, requer o conhecimento e provimento do presente recurso para o fim de afastar a contrariedade ao art. 2º da lei n.º 8.080/90, determinando o custeio da internação e tratamento de Felipe Maboni Wisnheski via ressarcimento (fls. 1345- 1347). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, incide o óbice da Súmula n. 284/STF em razão da ausência de comando normativo do dispositivo apontado como violado para sustentar a tese recursal, o que atrai, por conseguinte, o referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Segundo a jurisprudência do STJ, o óbice de ausência de comando normativo do artigo de lei federal apontado como violado ou como objeto de divergência jurisprudencial incide nas seguintes situações: quando não tem correlação com a controvérsia recursal, por versar sobre tema diverso; e quando sua indicação não é apta, por si só, para sustentar a tese recursal, seja porque o dispositivo legal tem caráter genérico, seja porque, embora consigne em seu texto comando específico, exigiria a combinação com outros dispositivo legais. Ressalte-se, por oportuno, que a indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado induz à compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput, pois a ofensa aos seus desdobramentos também deve ser indicada expressamente. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPTU. IMUNIDADE. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. EXECUÇÃO FISCAL. RFFSA E UNIÃO. TRANSFERÊNCIA PATRIMONIAL. CURSO DA DEMANDA. SUCESSORA. REDIRECIONAMENTO. POSSIBILIDADE. SUBSTITUIÇÃO DA CDA. DESNECESSIDADE. 1. Os apontados arts. 130 e 131 do CTN não têm comando normativo para amparar a tese de imunidade do IPTU em favor da RFFSA, visto que tais dispositivos legais cuidam de tema diverso, referente à responsabilidade tributária por sucessão, sendo certo que a deficiência da irresignação recursal nesse ponto enseja a aplicação da Súmula 284 do STF. .. (AgInt no REsp n. 1.764.763/PR, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 27/11/2020.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. BANCÁRIO. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO. JUROS REMUNERATÓRIOS. CERTIFICADO DE DEPÓSITO INTERBANCÁRIO (CDI). PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. FUNÇÃO DESEMPENHADA PELO CÉRTIFICADO DE DEPÓSITO INTERBANCÁRIO (CDI). REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. VIOLAÇÃO À SÚMULA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 284/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. .. 4. No que tange à aduzida ofensa ao art. 12, § 1º, VI, da Lei n. 10.931/04, o presente recurso não merece prosperar, porquanto o referido dispositivo não confere sustentação aos argumentos engendrados. Incidência da Súmula 284/STF. 5. O mesmo óbice representado pelo enunciado da Súmula 284/STF incide no que diz respeito à alegada ofensa aos arts. 421 e 425 do Código Civil, que veiculam comandos normativos demasiadamente genéricos e que não infirmam as conclusões do Tribunal de origem. .. 7. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.674.879/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/03/2021.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.798.903/RJ, relator para o acórdão Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, DJe de 30/10/2019; AgInt no REsp n. 1.844.441/RN, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 14/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.524.220/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 18/5/2020; AgRg no AREsp n. 1.280.513/RJ, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 27/5/2019; AgRg no REsp n. 1.754.394/MT, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 17/9/2018; AgInt no REsp n. 1.503.675/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 27/3/2018; AgInt no REsp n. 1.846.655/PR, Terceira Turma, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 23/4/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.709.059/RJ, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 18/12/2020; e AgInt no REsp n. 1.790.501/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19/03/2021. Ademais, não houve o prequestionamento da tese recursal, uma vez que a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente. Nesse sentido: "Quanto à segunda controvérsia, o Distrito Federal alega violação do art. 91, § 1º, do CPC. Nesse quadrante, não houve prequestionamento da tese recursal, uma vez que a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente no sentido de que a realização de perícia por entidade pública somente ser possível quando requerida pela Fazenda Pública, pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública. " (AgInt no AREsp n. 1.582.679/DF, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26/05/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.514.978/SC, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17/6/2020; AgInt no AREsp 965.710/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19/9/2018; e AgRg no AREsp 1.217.660/SP, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 4/5/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA