AREsp 2736839 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal de origem examinou e fundamentou adequadamente as questões suscitadas, concluiu que o autor não se desincumbiu do ônus probatório quanto às horas extras e que não houve negativa de prestação jurisdicional; eventual reavaliação do conjunto probatório para modificar o...
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- Parties
- Agravante: Pietro dos Santos Correa; Recorrido: Município de São Lourenço do Sul
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Interno E Admissão De Recurso Especial
- Outcome
- Negado provimento ao agravo.
- Legal Topics
- Interposição De Recurso Especial, Intervalo Intrajornada, Horas Extras, Ônus Da Prova, Negativa De Prestação Jurisdicional, Embargos De Declaração, Honorários Advocatícios, Assistência Judiciária Gratuita
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Parties
Pietro dos Santos Correa
Agravante
Município de São Lourenço do Sul
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Interno E Admissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 violação aos arts. 489, §1º, IV e 1.022, II, do CPC
- 2 alegada negativa de prestação jurisdicional
- 3 ônus da prova segundo art. 373, I, do CPC
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal de origem examinou e fundamentou adequadamente as questões suscitadas, concluiu que o autor não se desincumbiu do ônus probatório quanto às horas extras e que não houve negativa de prestação jurisdicional; eventual reavaliação do conjunto probatório para modificar o entendimento exigiria revolvimento de fatos e provas, vedado ao STJ pela Súmula 7; assim, não há violação dos arts. 489, §1º, IV e 1.022, II, do CPC.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo.
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Condena a parte recorrente ao pagamento de honorários advocatícios equivalentes a 20% do valor a esse título já fixado no processo, observando-se o disposto no art. 98, § 3º, do CPC.
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de agravo manejado por Pietro dos Santos Correa contra decisão que não admitiu recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, III, a, da CF, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, assim ementado (fl. 535): AGRAVO INTERNO. SERVIDOR PÚBLICO. MUNICÍPIO DE SÃO LOURENÇO DO SUL. MOTORISTA. INTERVALO INTRAJORNADA. HORAS EXTRAS. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. ÔNUS DO AUTOR. 1. O regime jurídico dos servidores públicos é concebido como complexo de regras e princípios que disciplina a acessibilidade aos cargos públicos, bem como direitos e deveres. Trata-se de núcleo normativo compreendido a partir da supremacia da Constituição, da unidade dos princípios constitucionais que materializam indicações normativas democraticamente construídas. Controle fundado na juridicidade quali cada, por meio da qual a Administração Pública submete-se ao Direito, com o propósito de evitar práticas arbitrárias. 2. A legislação municipal (Lei nº 2.518/02) não dispõe sobre o intervalo intrajornada dos servidores municipais e tampouco prevê a sua indenização na forma de horas extras. Todavia, a carga horária dos motoristas municipais é de 40h semanais, a teor do disposto no Anexo II da Lei nº 3.332/12, sendo devida a remuneração extraordinária pelo horário excedente. 3. Caso em que a parte autora não se desincumbiu do ônus do art. 373, I, do CPC, não comprovando a efetiva prestação do serviço extraordinário. Havendo inconformidade da parte em relação aos pagamentos e à sua carga horária, deveria ter solicitado a realização de prova pericial contábil no momento oportuno, o que não ocorreu. 4. Precedentes do TJ/RS. 5. A parte, nas razões de agravo, não trouxe qualquer argumentação nova e capaz de mudar o entendimento acerca do caso em tela. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. Opostos embargos declaratórios, foram rejeitados (fls. 557/561). Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta violação aos arts. 489, §1º, IV e 1.022, II, do CPC. Sustenta, em síntese, negativa de prestação jurisdicional, sob a alegação de que "a tese aventada pelo recorrente em seus embargos de declaração é capaz de infirmar a conclusão adotada pelos Doutos Julgadores da Corte Estadual. Com efeito, compulsando os documentos aportados no Evento 1 ("OUT49" a "OUT53"), constata-se que em algumas ocasiões, nos anos de 2016 e 2017, de fato, às vezes era registrada apenas a metade do intervalo. No entanto, nos anos de 2018, 2019 e 2020, sempre era registrada a fruição integral (Evento 1, "OUT51", "OUT52" e "OUT53"). Tal informação encontra-se em consonância com o arquivo de vídeo constante do Evento 19, que mostra o funcionário responsável admitindo a assinalação manual do intervalo intrajornada no registro de ponto eletrônico dos servidores. No diálogo em questão, que acontece entre os 3 e os 5 minutos do vídeo sob cogitação (Evento 19), o servidor gravado admite que "é orientação registrar uma hora de intervalo para todos os motoristas" manualmente e que "cada dia tem que botar o intervalo". Ocorre que as servidoras DANIELA PORCHETTO MARTINS e ADRIANA DOS SANTOS MOURA, inquiridas na audiência realizada em 26.10.2021 (Evento 46, "VÍDEO2", dos autos principais), afirmaram que laboraram com o demandante A PARTIR DE 2018 e foram uníssonas ao aduzir que o autor habitualmente (aproximadamente quatro vezes por semana) laborava no horário que deveria ser destinado ao seu intervalo .. Portanto, Excelências, o conjunto fático-probatório dos autos é harmônico ao indicar que a partir de 2018 o autor habitualmente (aproximadamente quatro vezes por semana) trabalhava no horário que deveria ser destinado ao seu intervalo. E tais horas de trabalho, incontroversamente, não foram remuneradas, sendo, portanto, horas extras devidas para todos os fins. Logo, o decisum que rejeitou os embargos opostos pelo autor sem apreciar minimamente seus argumentos, com fundamentação genérica, consiste em negativa de prestação jurisdicional e afronta dispositivos de lei federal, devendo ser reformado." (fls. 576/577). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. A irresignação não merece acolhida. Verifica-se não ter ocorrido ofensa aos arts. 489, §1º, IV e 1.022, II, do CPC, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas e apreciou integralmente a controvérsia posta nos autos, não se podendo, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional (AgInt no AREsp 1678312/PR, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 22/3/2021, DJe 13/4/2021). A tanto, verifica-se, pela fundamentação do acórdão recorrido (fls. 527/536), integrada em sede de embargos declaratórios (fls. 557/561), que o Tribunal de origem motivou adequadamente sua decisão e solucionou a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. Outrossim, não se descortina negativa de prestação jurisdicional, ao tão só argumento de o acórdão recorrido ter decidido em sentido contrário à pretensão da parte. Frise-se, mais, que o Tribunal não fica obrigado a examinar todos os artigos de lei invocados no recurso, desde que decida a matéria questionada sob fundamento suficiente para sustentar a manifestação jurisdicional, tornando dispensável a análise dos dispositivos que pareçam para a parte significativos, mas que para o julgador, senão irrelevantes, constituem questões superadas pelas razões de julgar. A propósito, confiram-se: PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. MILITAR TEMPORÁRIO. REFORMA EX OFFICIO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/1973. OMISSÃO NÃO VERIFICADA. A DISCUSSÃO DO MÉRITO IMPÕE O REVOLVIMENTO DAS PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. O PERÍODO EM QUE O MILITAR TEMPORÁRIO ESTIVER ADIDO, PARA FINS DE TRATAMENTO MÉDICO, NÃO É COMPUTADO PARA FINS DE ESTABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. I - Trata-se de demanda ajuizada por ex-militar, objetivando provimento jurisdicional que determine sua reforma ex officio, com soldo referente ao posto/graduação por ele ocupado quando na ativa, bem como condenação da demandada ao pagamento de danos morais e estéticos. II - Após sentença que julgou parcialmente procedente a demanda, foi interposta apelação pela parte autora e ré, sendo que o TRF da 5ª Região, por maioria, deu provimento ao apelo da ré, julgando prejudicado o apelo do autor, ficando consignado, com base nas provas carreadas aos autos, que o autor está definitivamente incapacitado para o serviço militar, fazendo jus aos proventos correspondentes à graduação que ocupava. III - Sustenta, em síntese, que o Tribunal a quo deixou de se manifestar acerca da omissão descrita nos aclaratórios, defendendo ter direito à reforma ex officio, seja pela incapacidade definitiva para o serviço militar, seja pelo tempo transcorrido na condição de agregado, bem como pela estabilidade que supostamente alcançou (ex vi arts. 50, IV, a e 106, II e III, da Lei n. 6.880/1980). IV - Não assiste razão ao recorrente no tocante à alegada violação do art. 1.022 do CPC. Consoante a jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, tem-se que o julgador não está obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos invocados pelas partes quando, por outros meios que lhes sirvam de convicção, tenha encontrado motivação suficiente para dirimir a controvérsia; devendo, assim, enfrentar as questões relevantes imprescindíveis à resolução do caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1575315/PR, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 10/6/2020; REsp 1.719.219/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/5/2018; AgInt no REsp n. 1.757.501/SC, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 3/5/2019; AgInt no REsp n. 1.609.851/RR, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, Dje 14/8/2018.V- Com efeito, o Tribunal a quo, soberano na análise fática, considerou não haver prova da conexão entre o acidente mencionado e a moléstia do autor. VI- Dessarte, verifica que a presente irresignação vai de encontro às convicções do julgador "a quo", que tiveram como lastro o conjunto probatório constante dos autos. Nesse diapasão, para rever tal posição e interpretar os dispositivos legais indicados como violados, seria necessário o reexame desses mesmos elementos fático-probatórios, o que é vedado no âmbito estreito do recurso especial. Incide na hipótese o enunciado da Súmula n. 7/STJ. Neste sentido: AgInt no AREsp 1334753/MS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/10/2019, DJe 27/11/2019. VII- Ademais, quanto à alegação de estabilidade sustentada pelo recorrente, esta Corte tem firmado a compreensão de que a mera reintegração de militar temporário na condição de adido, para tratamento médico, não configura hipótese de estabilidade nos quadros das Forças Armadas. Ou seja, o período em que o militar esteve licenciado, na condição de adido, não pode ser computado para atingir a estabilidade decenal, não prosperando, portando, as alegações aduzidas pelo interessado. A propósito: REsp 1786547/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2019, DJe 23/04/2019.VII - Recurso especial não provido. (REsp 1752136/RN, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/11/2020, DJe 01/12/2020) PROCESSUAL CIVIL. AMBIENTAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NÃO VERIFICADA. MERO INCONFORMISMO. REJEIÇÃO DOS ACLARATÓRIOS. 1. Os Embargos de Declaração não merecem prosperar, uma vez que ausentes os vícios listados no art. 1.022 do CPC. 2. Apesar de os embargantes asseverarem que há omissão quanto à tese de afronta dos arts. 355, I, e 370 do CPC/2015 e quanto ao exame da imprescindibilidade da produção de prova técnica, verifica-se que o acórdão embargado enfrentou expressamente tais alegações, ao registrar (fl. 903): "No tocante à alegada afronta dos arts. 355, I, 370, não se pode conhecer da irresignação. Ao dirimir a controvérsia, a Corte estadual consignou (fl. 789):"De início, no que se refere à preliminar de cerceamento de defesa pelo julgamento antecipado da lide, o que culminaria em ocorrência de cerceamento de defesa, deve ser afastada, vez que, ao contrário do que alegado, diante da documentação contida nos autos, é de se reputar como totalmente dispensável a produção de prova pericial, vez que no presente caso todos os elementos necessários para se determinar a responsabilidade e a extensão dos danos ambientais apurados se encontram nas peças encartadas nestes autos, que têm o condão de bem demonstrar a situação na área objeto da ação". O art. 370 do CPC/2015 consagra o princípio da persuasão racional, habilitando o magistrado a valer-se do seu convencimento, à luz das provas constantes dos autos que entender aplicáveis ao caso concreto. Não obstante, a aferição da necessidade de produção de determinada prova impõe o reexame do conjunto fático-probatório encartado nos autos, o que é defeso ao STJ, ante o óbice erigido pela Súmula 7/STJ". 3. Não há omissão no decisum embargado. As alegações dos embargantes denotam o intuito de rediscutir o mérito do julgado, e não o de solucionar omissão, contradição ou obscuridade. 4. Embargos de Declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1798895/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/4/2020, DJe 05/5/2020) ANTE O EXPOSTO, nego provimento ao agravo. Levando-se em conta o trabalho adicional realizado em grau recursal, impõe-se à parte recorrente o pagamento de honorários advocatícios equivalentes a 20% (vinte por cento) do valor a esse título já fixado no processo (art. 85, § 11, do CPC), observando-se, contudo, o disposto no art. 98, § 3º, do CPC, em razão da concessão do benefício da assistência judiciária gratuita. Publique-se. EMENTA