HC 912993 - DECISAO
Não é possível utilizar a soma das penas unificadas, nos termos do art. 11 do Decreto n. 11.302/2022, para obstar a concessão do indulto; para fins do art. 5º do mesmo decreto, devem ser consideradas individualmente as penas máximas em abstrato, razão pela qual o processo deve retornar ao Tribunal local para...
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- Parties
- Paciente: Amarildo de Abreu; Órgão Coator: Tribunal de Justiça de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 May 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Concedida Em Parte
- Outcome
- Ordem liminarmente concedida, em parte, para determinar o retorno dos autos ao Tribunal local para reanálise do agravo em execução, considerando cada pena em abstrato individualmente.
- Legal Topics
- Interpretação De Decreto Presidencial, Soma Das Penas Unificadas Vs Penas Em Abstrato, Agravo Em Execução
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Parties
Amarildo de Abreu
Paciente
Tribunal de Justiça de São Paulo
Órgão Coator
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Concedida Em Parte
Legal Issues
- 1 Possibilidade de indeferimento do indulto com base na soma das penas unificadas
- 2 Interpretação do art. 5º e do parágrafo único do Decreto n. 11.302/2022 quanto à consideração das penas em concurso
- 3 Efeito do art. 11 do Decreto n. 11.302/2022 sobre a unificação das penas e sobre a verificação do indulto
Ratio Decidendi
Não é possível utilizar a soma das penas unificadas, nos termos do art. 11 do Decreto n. 11.302/2022, para obstar a concessão do indulto; para fins do art. 5º do mesmo decreto, devem ser consideradas individualmente as penas máximas em abstrato, razão pela qual o processo deve retornar ao Tribunal local para reanálise do agravo em execução considerando cada pena em abstrato individualmente.
Court Disposition
Ordem liminarmente concedida, em parte, para determinar o retorno dos autos ao Tribunal local para reanálise do agravo em execução, considerando cada pena em abstrato individualmente.
Orders
- Determinar o retorno dos autos ao Tribunal local para reanálise do agravo em execução considerando cada pena em abstrato individualmente.
- Comunique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de Amarildo de Abreu contra o ato coator proferido Tribunal de Justiça de São Paulo que, nos autos do Agravo em Execução n. 0003113-96.2024.8.26.0041, negou provimento à insurgência defensiva, mantendo a negativa do indulto do Decreto n. 11.302/2022 (processo de Execução n. 0001120-57.2020.8.26.0041 , Vara das Execuções Criminais da comarca de São Paulo - 1ª RAJ/SP). A defesa alega, em síntese, que o benefício indeferido em razão da soma das penas de todos os delitos sob execução superaria o quantum delimitado no art. 5º do referido decreto. Sustenta que a decisão é ilegal, pois as penas devem ser consideradas isoladamente. Pede, em caráter liminar e no mérito, a concessão da ordem para deferir o indulto (fls. 3/12). É o relatório. A concessão de ordem de habeas corpus demanda demonstração da ilegalidade, ônus que recai sobre a parte impetrante, a quem cumpre instruir o feito com a prova pré-constituída de suas alegações. In casu, verifico, de plano, a parcial viabilidade do presente writ. Dispõe o art. 5º do Decreto n. 11.302/2022 que será concedido o indulto aos condenados por crimes cuja pena máxima em abstrato não seja superior a 5 anos. O parágrafo único do referido dispositivo determina, ainda, que, na hipótese de concurso, as penas máximas em abstrato serão consideradas individualmente. Já o art. 11 determina a unificação das penas até 25/12/2022 e o seu parágrafo único determina a impossibilidade de indulto enquanto não cumprida a pena por crime impeditivo. Não é possível, assim, utilizar a soma das penas unificadas com vistas a obstar a concessão do indulto, nos termos do art. 11 do Decreto Presidencial n. 11.302/2022, devendo, para os fins estipulados no art. 5º do referido ato normativo, ser consideradas individualmente as penas máximas em abstrato. Nesse sentido: AgRg no HC n. 856.053/SC, de minha relatoria, Sexta Turma, DJe 7/3/2024. Desse modo, tendo em conta que o Tribunal local considerou a soma das penas em concreto para fins de verificação do teto de 5 anos do art. 5º do referido decreto, necessário afastar tal interpretação e determinar a análise de cabimento do indulto considerando a pena máxima em abstrato de cada crime individualmente. Ante o exposto, concedo liminarmente, em parte, a ordem para determinar o retorno dos autos ao Tribunal local para reanálise do agravo em execução, considerando cada pena em abstrato individualmente. Comunique-se. Intime-se o Ministério Público estadual. Publique-se. EMENTA HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. INDULTO NATALINO (DECRETO PRESIDENCIAL N. 11.302/2022). INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. ART. 11, PARÁGRAFO ÚNICO, DO REFERIDO DECRETO. SOMA DAS PENAS EM CONCRETO. INDEFERIMENTO EM RAZÃO DA LIMITAÇÃO CONSIDERANDO CADA PENA EM ABSTRATO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTE. Ordem liminarmente concedida, em parte, nos termos do dispositivo.