HC 1056174 - DECISAO
Habeas corpus denegado porque o paciente respondia solto, sua advogada foi devidamente intimada via Diário de Justiça eletrônico e deixou transcorrer o prazo recursal, não havendo demonstração de prejuízo decorrente da suposta ausência de intimação pessoal, de modo que não há ilegalidade a ser sanada.
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: JOSE DIJALMA CARDOSO NETO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 December 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Monocrática, Julgamento in Limine
- Outcome
- denego a ordem de habeas corpus, in limine.
- Legal Topics
- Intimação Pessoal Do Réu, Trânsito Em Julgado, Nulidade Processual, Defesa Técnica, Princípio Pas De Nullité Sans Grief
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Parties
JOSE DIJALMA CARDOSO NETO
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Monocrática, Julgamento in Limine
Legal Issues
- 1 Obrigatoriedade de intimação pessoal do acusado que responde solto acerca de acórdão condenatório
- 2 Se a ausência de intimação pessoal acarreta nulidade do trânsito em julgado
- 3 Aplicabilidade do princípio pas de nullité sans grief e necessidade de demonstração de prejuízo
Ratio Decidendi
Habeas corpus denegado porque o paciente respondia solto, sua advogada foi devidamente intimada via Diário de Justiça eletrônico e deixou transcorrer o prazo recursal, não havendo demonstração de prejuízo decorrente da suposta ausência de intimação pessoal, de modo que não há ilegalidade a ser sanada.
Court Disposition
denego a ordem de habeas corpus, in limine.
Orders
- Denego a ordem de habeas corpus, in limine.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO JOSE DIJALMA CARDOSO NETO alega sofrer coação ilegal em seu direito de locomoção, em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso na Apelação Criminal n. 1027793-68.2024.8.11.0002. A defesa pretende a desconstituição do trânsito em julgado da condenação do paciente, ao argumento de que este não haveria sido intimado pessoalmente para ciência do acórdão condenatório. Decido. O paciente foi condenado à pena de 7 anos, 11 meses e 20 de reclusão, em regime inicialmente fechado, mais multa, pela prática do delito previsto no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006. A defesa alega nulidade por ausência de intimação do réu a respeito do acórdão condenatório e da possibilidade de recorrer. No entanto, infere-se do acórdão recorrido e das alegações da própria defesa que o acusado respondeu solto ao processo e não estava preso à época da publicação. O writ comporta pronta solução, por decisão monocrática, pois existe entendimento pacífico sobre o tema. Deveras, " o avanço para julgamento in limine de questões pacificadas pelo colegiado, com lastro no art. 34, XVIII, "b", do RISTJ, está em consonância com o princípio da efetiva entrega da prestação jurisdicional e visa a otimizar o processo e seus atos, para viabilizar sua razoável duração e a concentração de esforços em lides não iterativas (AgRg no HC n. 659.494/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti, 6ª T., DJe 24/6/2021)" (AgRg no HC n. 736.796/SC, relator Min. Rogerio Schietti Cruz, 6ª T., DJe 16/5/2022). O STJ entende, nos casos em que o acusado responde solto ao processo criminal, não ser obrigatória a intimação pessoal do acusado, em decorrência de sentença ou de acórdão condenatórios, se o advogado constituído, o defensor público ou o dativo forem devidamente intimados. Essa é a hipótese em análise, pois, em consulta à página eletrônica do Tribunal estadual, colheu-se a informação de que a advogada constituída do paciente foi devidamente intimada, via publicação no Diário de Justiça eletrônico -disponibilizado em 22/9/2025 e publicado em 23/9/2025 -, e deixou transcorrer in albis o prazo recursal. Nesse sentido: .. 1. Nos termos da jurisprudência desta Corte, não há necessidade de intimação pessoal do réu do acórdão condenatório, haja vista ter sido a sentença absolutória, pois, c onsoante o art. 392 do CPP, a intimação pessoal somente é exigida para o réu preso e para ciência da sentença condenatória e não se estende a decisões de segunda instância. Por conseguinte, nos termos da jurisprudência desta Corte, se considera desnecessária a intimação pessoal do acusado a respeito do acórdão proferido em apelação, mesmo quando ocorre a reforma de sentença absolutória e quando o réu for assistido pela Defensoria Pública ou defensor dativo. (AgRg no HC n. 663.502/SC, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 15/6/2021, DJe de 23/6/2021.) (AgRg no HC n. 883.882/RS, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 10/06/2024, DJe de 14/06/2024). 2. Na hipótese, as instâncias de origem demonstraram que foram adotadas todas as possíveis medidas para garantir a ampla defesa e o contraditório, com atuação efetiva de Advogado dativo e da Defensoria Pública. 3. Consoante entendimento desta Corte Superior, a vigência no campo das nulidades do princípio pas de nullité sans grief impõe à parte demonstrar a ocorrência de efetivo prejuízo, o que não ocorreu no presente caso. Na hipótese, registre-se que, ainda que o recorrente suscite nulidade por "ausência" de defesa técnica, o caso diz respeito a suposta "deficiência" de defesa técnica, já que, conforme delineado pela instância ordinária, foi apresentada tese defensiva plausível. A propósito, a Súmula 523/STF preleciona que, "no processo penal, a falta de defesa constitui nulidade absoluta, mas sua deficiência só o anulará se houver prova do prejuízo para o réu", o que não ocorreu na espécie. (AgRg no RHC n. 73.161/MA, Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe 13/12/2019.) (RHC n. 192.358/CE, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 20/02/2024, DJe de 23/02/2024). 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no RHC n. 198.204/SP, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), Sexta Turma, julgado em 16/10/2024, DJe de 23/10/2024) Assim, não identifico nenhuma ilegalidade a ser sanada nos autos. À vista do exposto, denego a ordem de habeas corpus, in limine. Publique-se e intimem-se. EMENTA