HC 923774 - DECISAO
Ante a alteração promovida pela Resolução n. 474/CNJ ao art. 23 da Resolução 417/CNJ, impõe-se que, antes da expedição de mandado de prisão para cumprimento de pena em regime semiaberto, a pessoa condenada seja previamente intimada para dar início ao cumprimento da pena; assim, ainda que o habeas corpus substitutivo...
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- Parties
- Paciente: JOELMA APARECIDA HULIREIZ; Órgão Julgador: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 July 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão De Mérito
- Outcome
- Não conhecido o habeas corpus substitutivo de recurso próprio; ordem concedida de ofício para determinar intimação prévia da apenada antes da expedição do mandado de prisão, nos termos da Resolução n. 474/CNJ.
- Legal Topics
- Intimação Prévia, Resolução N. 474/cnj, Súmula Vinculante N. 56, Expedição De Mandado De Prisão, Regime Semiaberto, Trânsito Em Julgado
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Parties
JOELMA APARECIDA HULIREIZ
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Órgão Julgador
Procedural Posture
Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão De Mérito
Legal Issues
- 1 expedição de mandado de prisão sem intimação prévia da pessoa condenada em regime semiaberto
- 2 aplicação da Resolução n. 474/2022 do CNJ que alterou o art. 23 da Resolução 417/CNJ
- 3 observância da Súmula Vinculante n. 56 do STF
Ratio Decidendi
Ante a alteração promovida pela Resolução n. 474/CNJ ao art. 23 da Resolução 417/CNJ, impõe-se que, antes da expedição de mandado de prisão para cumprimento de pena em regime semiaberto, a pessoa condenada seja previamente intimada para dar início ao cumprimento da pena; assim, ainda que o habeas corpus substitutivo de recurso próprio não deva ser conhecido, deve-se conceder a ordem de ofício para determinar a prévia intimação da apenada antes da expedição do mandado de prisão.
Court Disposition
Não conhecido o habeas corpus substitutivo de recurso próprio; ordem concedida de ofício para determinar intimação prévia da apenada antes da expedição do mandado de prisão, nos termos da Resolução n. 474/CNJ.
Orders
- Determinar que a apenada seja intimada antes da expedição do mandado de prisão, nos termos da Resolução n. 474/CNJ
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, com pedido liminar, impetrado em benefício de JOELMA APARECIDA HULIREIZ contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO no julgamento do HC n. 2141306-83.2024.8.26.0000. Consta dos autos que a paciente fora condenada, em primeiro e segundo graus, a 1 ano, 4 meses e 10 dias de reclusão, no regime inicial semiaberto, mais 12 dias-multa, pela prática do crime de estelionato (art. 171, caput, do Código Penal). Contra a expedição de mandado de prisão, a defesa impetrou writ originário perante o Tribunal a quo, o qual não conheceu do remédio em acórdão assim ementado: "Mandado de prisão expedido em desfavor da paciente, muito embora ausente intimação da defesa para manifestação acerca das informações prestadas pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), bem como inexistência de vaga no sistema carcerário paulista, violando-se o disposto no artigo 23 da Resolução 417/2021, do CNJ. Não cabimento do writ, usado como substituto de recurso próprio. ORDEM NÃO CONHECIDA" (fl. 43). No presente writ, a impetrante insurge-se contra "a expedição de mandado de prisão em regime semiaberto sem a intimação do sentenciado para dar início ao cumprimento da pena, a despeito da inexistência de vagas no sistema carcerário paulista .. " (fls. 2/3), o que viola a Súmula Vinculante n. 56 do Supremo Tribunal Federal - STF . Alega que o mandado de prisão só deveria ter sido expedido após intimação da paciente e se a autoridade penitenciária pudesse disponibilizar vaga em regime adequado para o cumprimento da pena. Requer, em liminar e no mérito, a concessão da ordem para que seja revogada a prisão preventiva, com a concessão de prisão domiciliar até que seja disponibilizada a vaga adequada para o cumprimento da pena em regime semiaberto. Indeferido o pedido de liminar (fls. 54/56) e prestadas informações (fls. 64/80), o Ministério Público Federal - MPF manifestou-se pela (fls. 100/103). É o relatório. Decido. Por se tratar de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, a impetração não deve ser conhecida, segundo orientação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal - STF e do próprio Superior Tribunal de Justiça - STJ. Contudo, razoável a análise do feito para verificar a existência de eventual constrangimento ilegal. Após a Resolução n. 474, de 9/9/2022, do Conselho Nacional de Justiça - CNJ, o art. 23 da Resolução 417 do CNJ passou a ter a seguinte redação: "Art. 23. Transitada em julgado a condenação ao cumprimento de pena em regime semiaberto ou aberto, a pessoa condenada será intimada para dar início ao cumprimento da pena, previamente à expedição de mandado de prisão, sem prejuízo da realização de audiência admonitória e da observância da Súmula Vinculante nº 56." Desse modo, deve ser concedida a ordem para, antes da expedição do mandado de prisão, observada a nova orientação do CNJ, ser determinada a prévia intimação da apenada condenada em regime semiaberto. Sobre o tema: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. CONDENAÇÃO EM REGIME INICIAL SEMIABERTO. TRÂNSITO EM JULGADO. GUIA DE RECOLHIMENTO DEFINITIVA. EXPEDIÇÃO DE MANDADO DE PRISÃO. DESNECESSIDADE. RESOLUÇÃO N. 474/CNJ. INTIMAÇÃO PRÉVIA. ORDEM CONCEDIDA. 1. Conforme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o início do cumprimento da pena privativa de liberdade ocorre, a teor dos arts. 674 do CPP e 105 da LEP, com o recolhimento do sentenciado à prisão e a expedição da respectiva guia de execução, salvo em situações excepcionais, nas quais fique demonstrado que a prisão do sentenciado possa vir a ser excessivamente gravosa. 2. O Conselho Nacional de Justiça, em 9/9/2022, aprovou a Resolução n. 474, que alterou o art. 23 da Resolução n. 417 do Conselho Nacional de Justiça - CNJ, prevendo a possibilidade da intimação da pessoa condenada, nos casos em que estabelecidos os regimes semiaberto ou aberto, previamente à expedição de mandado de prisão. 3. Tendo sido demonstrado que o paciente foi condenado a 5 anos e 4 meses, em regime inicial semiaberto, e que este cumpriu cerca de 25% da pena aplicada, considerando-se o tempo de custódia cautelar, de 25/7/2020 até 6/10/2021, e a remição de pena em 69 dias, não se revela razoável a imediata expedição de mandado de prisão após o trânsito em julgado, mas sim a intimação prévia do apenado para iniciar o cumprimento da pena, nos termos estabelecidos na Resolução n. 474/CNJ. 4. Agravo regimental provido para conceder o habeas corpus, determinando a expedição de guia de execução definitiva pelo Juízo de Execução, independentemente do prévio recolhimento do paciente à prisão. (AgRg no HC n. 764.065/SP, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, DJe de 28/6/2023; sem grifos no original.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. REGIME MENOS GRAVOSO. DETRAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. GUIA DE RECOLHIMENTO. EXPEDIÇÃO. MANDADO DE PRISÃO PENDENTE. RESOLUÇÃO N. 474 CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA - CNJ. CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO. 1. O Tribunal de origem não examinou os requisitos legais para a concessão de benefícios prisionais. Tal circunstância impede o pronunciamento desta Corte a respeito, sob pena de indevida supressão de instância. 2. Esta Corte já vinha admitindo a expedição da guia de recolhimento , antes do cumprimento do mandado prisional, todavia em casos específicos e excepcionais, em situações nas quais a prisão do sentenciado possa vir a ser excessivamente gravosa, o que não é a hipótese dos autos. 3. Após a Resolução N. 474, de 9/9/2022, do Conselho Nacional de Justiça, houve modificação do art. 23 da Resolução 417 do CNJ, que passou a ter a seguinte redação: "Art. 23. Transitada em julgado a condenação ao cumprimento de pena em regime semiaberto ou aberto, a pessoa condenada será intimada para dar início ao cumprimento da pena, previamente à expedição de mandado de prisão, sem prejuízo da realização de audiência admonitória e da observância da Súmula Vinculante nº 56". 4. Deve ser recolhido o mandado de prisão, caso ainda esteja em aberto, devendo ser observada a nova orientação do CNJ, com a prévia intimação do apenado condenado em regime semiaberto antes da expedição do mandado de prisão. 5. Agravo regimental provido. (AgRg no HC n. 796.267/SP, de minha Relatoria, Quinta Turma, DJe de 25/4/2023; sem grifos no original.) PENAL. EXECUÇÃO PENAL. HABEAS CORPUS. CONDENAÇÃO EM REGIME INICIAL SEMIABERTO. EXPEDIÇÃO DE GUIA DE EXECUÇÃO DEFINITIVA CONDICIONADA AO CUMPRIMENTO DO MANDADO PRISIONAL. ART. 105 DA LEP. MITIGAÇÃO. ADVENTO DA RESOLUÇÃO N. 474/CNJ. INTIMAÇÃO PRÉVIA. ORDEM CONCEDIDA. 1. O entendimento por muito tempo sedimentado do Superior Tribunal de Justiça, nos termos do art. 105 da Lei de Execução Penal, indicava que a expedição de guia de execução definitiva dependia do prévio recolhimento do apenado ao cárcere. Admitindo-se, contudo, exceções em casos pontuais. 2. Com a alteração do art. 23 da Resolução n. 417/CNJ, promovida pela Resolução n. 474 do mesmo órgão, passou-se a mitigar a imposição do art. 105 da LEP para os casos nos quais o regime inicial for o intermediário ou o aberto. 3. Tratando-se de paciente condenado à pena de 2 anos e 8 meses de reclusão em regime inicial semiaberto e diante da nova resolução do Conselho Nacional de Justiça, deve ser expedida intimação para início de cumprimento da pena, não havendo necessidade de recolhimento do apenado em regime mais severo enquanto a guia de execução definitiva é elaborada. 4. Ordem concedida para determinar, com fulcro na Resolução n. 474 do Conselho Nacional de Justiça, o recolhimento do mandado de prisão expedido, determinando ainda ao Juízo das Execuções que proceda à intimação do apenado para dar início ao cumprimento de sua pena. (HC n. 757.739/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 11/11/2022; sem grifos no original.) Por outro lado, tendo a Corte estadual ressaltado a existência de estabelecimento adequado ao cumprimento da pena no regime imposto, não há falar em concessão de prisão domiciliar. Ante o exposto, com fundamento no art. 34, XX, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do presente habeas corpus, mas concedo a ordem, de ofício, para determinar que a apenada seja intimada antes da expedição do mandado de prisão, nos termos da Resolução n. 474/CNJ. Publique-se. Intimem-se. EMENTA