AREsp 2582854 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial por faltar indicação clara e precisa dos dispositivos de lei federal (incidência analógica da Súmula 284/STF), por não ser cabível fundamento em violação de enunciado de súmula (Súmula 518/STJ), por a pretensão exigir reexame do acervo fático-probatório...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: CHARLES SMIDERLE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Inversão Do Ônus Da Prova, Direito À Informação, Novação, Monitoria, Súmulas (284 STF, 286 STJ, 7 STJ, 518 Stj), Divergência Jurisprudencial, Honorários Advocatícios
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Parties
CHARLES SMIDERLE
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 alegação de violação dos arts. 6º, 47 e 52, I a V, do CDC
- 2 alegação de ofensa à Súmula n. 286 do STJ
- 3 incidência da Súmula n. 284/STF por falta de indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial por faltar indicação clara e precisa dos dispositivos de lei federal (incidência analógica da Súmula 284/STF), por não ser cabível fundamento em violação de enunciado de súmula (Súmula 518/STJ), por a pretensão exigir reexame do acervo fático-probatório (Súmula 7/STJ) e por não haver demonstrada divergência jurisprudencial nos termos legais, razão pela qual o recurso especial restou não conhecido.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Majoram os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por CHARLES SMIDERLE contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. EMBARGOS À MONITORIA. CONTRATO DE RENEGOCIAÇÃO DE DÍVIDA. NOVAÇÃO. DESNECESSIDADE, NO CASO CONCRETO, DE APRESENTAÇÃO DO CONTRATO ORIGINÁRIO. RECURSO DESPROVIDO. Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violação dos arts. 6º, 47 e 52, I a V, do CDC; e da Súmula n. 286 do STJ, no que concerne ao evidente cerceamento de defesa do consumidor, sendo-lhe tolhido o direito à informação e à inversão do ônus da prova, trazendo a seguinte argumentação: O consumidor, ora recorrente vem desde à 1ª instancia sustentando como tese defensiva e requerendo a inversão do ônus da prova, especificamente para que fossem juntados toda a cadeia contratual do relacionamento entre o consumidor e a instituição financeira, uma vez que os documentos juntados com a inicial (que foram impugnados) se referem uma mera renegociação com troco, sendo por óbvio a existência de contratos anteriores e originários. Foi aventada a violação de dispositivos consumeristas, principalmente o art. 6º, quanto ao direito de informação e inversão do ônus da prova (vide embargos de evento14): .. O positicionamento do Tribunal a quo claramente impossibilita a discussão do contrato anteriormente celebrado, e veda a produção de provas em favor do consumidor, provas estas, que estão na posse da instituição financeira. Evidente a violação do direito á informação e da inversão do ônus da prova ao consumidor, e ao contrário do dispositivo legal, o que ocorreu foi um verdadeiro cerceamento da defesa do recorrente, sendo -lhe vedado a produção de provas essenciais, especificamente aos contratos originários, anterior à renegociação (Renovação com troco) que foi celebrada (fls. 275-276). Quanto à segunda controvérsia, verifica-se que a parte também fundamenta seu recurso na alínea "c" do permissivo constitucional. É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, no que concerne à alegação de violação do art. 6º do CDC, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não há a indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado, pois nas razões do recurso especial não se particularizou o inciso, o parágrafo ou a alínea sobre o qual recairia a referida ofensa, incidindo, por conseguinte, o citado enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Ressalte-se, por oportuno, que essa indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado induz à compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput, que, no caso, traz em seu texto uma mera introdução ao regramento legal contido nos incisos, nos parágrafos ou nas alíneas. Nesse sentido: "Quanto à segunda controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não há a indicação clara e precisa do dispositivo de lei federal tido por violado, pois, nas razões do recurso especial, não se particularizou o parágrafo/inciso/alínea sobre o qual recairia a referida ofensa, incidindo, por conseguinte, o citado enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia" (AgInt no AREsp n. 1.558.460/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 11/3/2020.) De igual sorte: "A ausência de particularização dos incisos do artigo supostamente violado, inviabilizam a compreensão da irresignação recursal, em face da deficiência da fundamentação do apelo raro" (AgRg no AREsp n. 522.621/PR, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 12/12/2014.) Confiram-se também os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 1.229.292/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 4/9/2018; AgInt no AgRg no AREsp n. 801.901/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 1º/12/2017; AgInt nos EDcl no AREsp n. 875.399/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 1º/8/2017; AgInt no REsp n. 1.679.614/PE, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 18/9/2017; e AgRg no REsp n. 695.304/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ de 5/9/2005; EDcl no AgRg no AREsp n. 1.962.212/PA, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 15/2/2022. Ademais, quanto à alegação de violação dos arts. 47 e 52, I a V, do CDC, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente não demonstrou, de forma clara, direta e particularizada, como o acórdão recorrido violou o(s) dispositivo(s) de lei federal, o que atrai, por conseguinte, a aplicação do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A jurisprudência desta Corte considera que quando a arguição de ofensa ao dispositivo de lei federal é genérica, sem demonstração efetiva da contrariedade, aplica-se, por analogia, o entendimento da Súmula n. 284, do Supremo Tribunal Federal. Em relação à afronta aos arts. 13 da Lei n. 10.559/2002 e 943 do Código Civil, verifica-se a ausência de demonstração precisa de como tal violação teria ocorrido, limitando-se a parte recorrente em apontá-la de forma vaga, o que impede o conhecimento do recurso especial". (AgInt no REsp n. 1.496.338/RS, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 27/8/2020.) Na mesma linha: "A alegação genérica de ofensa a dispositivo legal desacompanhada de causa de pedir suficiente à compreensão da controvérsia e sem a indicação precisa de que forma o acórdão recorrido teria transgredido os dispositivos legais relacionados atrai a aplicação da Súmula 284 do STF." (AgInt no AREsp n. 1.849.369/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 10/5/2022.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.826.355/RN, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 4/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.552.950/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/5/2020; AgInt no AREsp n. 1.617.627/RJ, AgInt no AREsp n. 1.617.627/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg no REsp n. 1.690.449/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 5/12/2019; AgRg no AREsp n. 1.562.482/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 28/11/2019; AgInt no REsp n. 1.409.884/MG, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 12/8/2022. Além disso, no que tange à alegação de violação da Súmula n. 286 do STJ, não é cabível recurso especial fundado na ofensa a enunciado de súmula dos tribunais, inclusive em se tratando de súmulas vinculantes. Assim, incide o óbice da Súmula n. 518 do STJ: "Para fins do art. 105, III, "a", da Constituição Federal, não é cabível recurso especial fundado em alegada violação de enunciado de súmula". Nesse sentido: "A interposição de recurso especial não é cabível com fundamento em violação de súmula vinculante do STF, porque esse ato normativo não se enquadra no conceito de lei federal previsto no art. 105, III, "a" da CF/88". (REsp n. 1.806.438/DF, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 19/10/2020.) Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.630.476/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 13/8/2020; AgInt no AREsp 1.630.025/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe 14/8/2020; AREsp 1.655.146/SC, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 7/8/2020; AgRg no REsp 1.868.900/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe 3/6/2020; AgInt no REsp 1.743.359/MG, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe 30/3/2020; AgRg no AREsp n. 1.632.328/CE, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 02/09/2020. No mais , o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: Tocante à ausência de exibição do contrato que deu origem ao pacto que instrui a ação monitória, convirjo com o posicionamento exarado pelo Juízo de Origem no sentido da desnecessidade na hipótese dos autos. Confira-se, no tópico, o seguinte excerto da decisão hostilizada: .. Entretanto, correto o banco ao acostar o contrato que está vigendo entre as partes e sobre o qual se deu o inadimplemento do requerido. Querendo a parte a requerida discutir toda a contratualidade, bastava postular a juntada dos contratos, além de formular os pedidos revisionais, uma vez que não é facultado ao juízo revisar cláusulas de ofício. No entanto, não houve ataque a qualquer cláusula do contrato em vigência. Portanto, descabida a revisão e afastada a inépcia." Cumpre reforçar que, no caso específico dos autos, os elementos que compõem o feito evidenciam a pretensão de novação dos instrumentos, refletida, inclusive, nas disposições constantes no evento 1, OUT13 e na existência de "troco" decorrente da operação de renovação dos aludidos pactos. Ademais, influi na cognição a respeito da matéria que não foi apostada insurgência específica a respeito da abusividades nos termos do contrato vigente, bem como que, "querendo a parte a requerida discutir toda a contratualidade, bastava postular a juntada dos contratos, além de formular os pedidos revisionais, uma vez que não é facultado ao juízo revisar cláusulas de ofício.". Nesse contexto, a despeito dos ditames da Súmula nº 286 do Eg. STJ 1 , em conformidade com os julgados do Eg. STJ e deste Tribunal, o contrato renegociado/originário não sobressai necessário para o deslinde do presente feito, tendo em vista que a "admissibilidade de se revisar as cláusulas dos contratos anteriores deverá ser afastada quando houver evidente intuito de novar os instrumentos, notadamente em seus elementos substanciais, o que tem o condão de afastar a incidência da Súmula 286/STJ". Nesse sentido, o seguinte julgado da Corte Superior: .. Ainda, sinalo que o feito veio instruído com elementos suficientes para a solução dos pontos debatidos, com a juntada de planilhas de evolução do débito, com destaque à já mencionada verificação de que não restaram deduzidas irresignações a respeito das cláusulas do contrato em vigência. Em face dessas particularidades, não há falar em cerceamento de defesa ou em inépcia da petição inicial (fls. 223-225). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp n. 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp n. 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.311.173/MS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 16/10/2020. Quanto à segunda controvérsia, não foi comprovada a divergência jurisprudencial, uma vez que não foi cumprido nenhum dos requisitos previstos nos arts. 1.029, § 1º, do CPC, e 255, § 1º, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. Nesse sentido: "Não se conhece de recurso especial interposto pela divergência jurisprudencial quando esta não esteja comprovada nos moldes dos arts. 541, parágrafo único, do CPC/73 (reeditado pelo art. 1.029, § 1º, do NCPC), e 255 do RISTJ. Precedentes". (AgInt no AREsp 1.615.607/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 20/5/2020.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp 1.575.943/DF, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 2/6/2020; AgInt no REsp 1.817.727/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 18/5/2020; AgInt no AREsp 1.504.740/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 8/10/2019; AgInt no AREsp 1.339.575/DF, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 2/4/2019; AgInt no REsp 1.763.014/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 19/12/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA