AREsp 1836848 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e manteve-se a decisão que não admitiu o recurso especial, pois o Tribunal de origem fundamentou-se na inexistência de relação de consumo (recorrida caracterizada como consumidora intermediária, não destinatária final), na ausência de elementos que justifiquem a inversão do ônus da prova...
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- Parties
- Agravante: URF COMISSÁRIA DE DESPACHOS LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Sobre Admissão Do Recurso Especial (conhecimento Do Agravo E Manutenção Da Não Admissão)
- Outcome
- Agravo conhecido e negado provimento (mantida a não admissão do recurso especial)
- Legal Topics
- Inversão Do Ônus Da Prova, Hipossuficiência, Culpa Exclusiva Da Vítima, Responsabilidade Objetiva, Aplicabilidade Do CDC, Omissão E Embargos De Declaração, Súmula 7/stj, Honorários Advocatícios
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Parties
URF COMISSÁRIA DE DESPACHOS LTDA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Sobre Admissão Do Recurso Especial (conhecimento Do Agravo E Manutenção Da Não Admissão)
Legal Issues
- 1 Admissibilidade do recurso especial
- 2 Aplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor à pessoa jurídica
- 3 Possibilidade de inversão do ônus da prova nos termos do art. 6º, VIII, do CDC
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e manteve-se a decisão que não admitiu o recurso especial, pois o Tribunal de origem fundamentou-se na inexistência de relação de consumo (recorrida caracterizada como consumidora intermediária, não destinatária final), na ausência de elementos que justifiquem a inversão do ônus da prova (verossimilhança e hipossuficiência não demonstradas) e no reconhecimento da culpa exclusiva da vítima ao fornecer dados a terceiro estelionatário, o que afasta a responsabilidade do banco; ademais não houve omissão a ser sanada e é vedado reexaminar o acervo fático-probatório em sede de recurso especial (Súmula 7/STJ). Foi ainda majorado o percentual dos honorários advocatícios da...
Court Disposition
Agravo conhecido e negado provimento (mantida a não admissão do recurso especial)
Orders
- Conheço do agravo
- Nego provimento ao recurso especial (mantida a decisão de não admissão)
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo, apresentado por URF COMISSÁRIA DE DESPACHOS LTDA,desafiando decisão que não admitiu seu recurso especial na origem, o qual foi interposto, com fundamento no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, contra acórdão, proferido pelo eg. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado: "Apelação. Prestação de serviço bancário. Ação de ressarcimento por danos materiais. Transações não reconhecidas pela autora. Prova dos autos demonstra que ela forneceu dados sigilosos a terceiro estelionatário. Culpa exclusiva da vítima que atua como excludente de responsabilidade do réu. Inversão do ônus da sucumbência. Sentença de procedência reformada. Recurso provido." (fl. 242) Opostos embargos de declaração, restaram rejeitados. Em suas razões recursais, a parte recorrente alegou violação dos arts. 341, 489, § 1º, V e VI,1.022, II, parágrafo único, do NCPC/2015, 186, 187, 927, do Código Civil, 2º, 3º, 6º, 14, 20, do Código de Defesa do Consumidor, bem como divergência jurisprudencial, sob os seguintes argumentos: (i) negativa de prestação jurisdicional ante a existência de omissões não sanadas; (ii) a recorrida utiliza o serviço bancário como destinatária final, pois necessita da conta corrente para cumprir suas obrigações financeiras, assim considera-se a hipossuficiência como elemento diferenciador na caracterização da relação de consumo; (iii) a verossimilhança das alegações está evidenciada na narrativa da exordial e não impugnada pela recorrida; (iv) "(..)considerado o caso em tela como relação de consumo eaplicadas as regras da lei consumerista, a responsabilidade decorrente pelo defeito naprestação do serviço é objetiva, nos termos do artigo 14 do CDC"(fl. 285). É o relatório. Decido. Não prospera a alegada ofensa aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022 do CPC/2015, tendo em vista que o v. acórdão recorrido, embora não tenha examinado individualmente cada um dos argumentos suscitados pela parte, adotou fundamentação suficiente, decidindo integralmente a controvérsia. Conforme já enfatizado por esta Corte, "A função judicial é prática, só lhe importando as teses discutidas no processo enquanto necessárias ao julgamento da causa. Nessa linha, o juiz não precisa, ao julgar procedente a ação, examinar-lhe todos os fundamentos. Se um deles é suficiente para esse resultado, não está obrigado ao exame dos demais" (EDcl no REsp 15.450/SP, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, SEGUNDA TURMA, DJe de 6/5/1996). Com efeito, nos termos da jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, "Não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução" (REsp 1.814.271/DF, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 1º/7/2019). A propósito, é entendimento pacífico deste Superior Tribunal que o magistrado não é obrigado a responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a se ater aos fundamentos por elas indicados. Nesse sentido, confira-se: CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO COMINATÓRIA. VÍCIOS DE CONSTRUÇÃO. OBRIGAÇÃO DE FAZER. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS CONTRA O ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OU OBSCURIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC. FALTA DE INTIMAÇÃO PARA ACOMPANHAR VISTORIA. ART. 431-A DO CPC. PREJUÍZO NÃO DEMONSTRADO. NULIDADE. AUSÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO.TERMO INICIAL. ART. 618, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO CIVIL.NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no recurso. .. (REsp 1.296.849/MG, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 14/02/2017, DJe de 20/02/2017) Relativamente à aplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor na relação jurídica estabelecida entre as partes, o eg. Tribunal de origem assim dirimiu a temática, in verbis: "O Código de Defesa do Consumidor não se aplica ao caso, pois o contrato foi celebrado entre pessoas jurídicas, não envolvendo relação de consumo. Inaplicável, à hipótese, a Súmula 297, do Superior Tribunal de Justiça. Não restou demonstrado ser a empresa destinatária final do produto. A respeito, decidiu o citado Tribunal:(..)" Como se observa, a Corte a quo dirimiu a controvérsia em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito desta Corte de Justiça, segundo a qual para fins de aplicação da legislação consumerista adota-se a teoria finalista ou subjetiva, de maneira que se o consumidor não é o destinatário final do produto ou serviço, mas o intermediário, "por adquirir produto ou usufruir de serviço com o fim de, direta ou indiretamente, dinamizar ou instrumentalizar seu próprio negócio lucrativo", não se enquadrará na definição constante do art. 2º do CDC. No mesmo sentido: RESPONSABILIDADE CIVIL. CONCESSIONÁRIA DE TELEFONIA. SERVIÇO PÚBLICO. INTERRUPÇÃO. INCÊNDIO NÃO CRIMINOSO. DANOS MATERIAIS. EMPRESA PROVEDORA DE ACESSO À INTERNET. CONSUMIDORA INTERMEDIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE CONSUMO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA CONFIGURADA. CASO FORTUITO. EXCLUDENTE NÃO CARACTERIZADA. ESCOPO DE PACIFICAÇÃO SOCIAL DO PROCESSO. RECURSO NÃO CONHECIDO. 1. No que tange à definição de consumidor, a Segunda Seção desta Corte, ao julgar, aos 10.11.2004, o REsp nº 541.867/BA, perfilhou-se à orientação doutrinária finalista ou subjetiva, de sorte que, de regra, o consumidor intermediário, por adquirir produto ou usufruir de serviço com o fim de, direta ou indiretamente, dinamizar ou instrumentalizar seu próprio negócio lucrativo, não se enquadra na definição constante no art. 2º do CDC. Denota-se, todavia, certo abrandamento na interpretação finalista, na medida em que se admite, excepcionalmente, a aplicação das normas do CDC a determinados consumidores profissionais, desde que demonstrada, in concreto, a vulnerabilidade técnica, jurídica ou econômica. 2. A recorrida, pessoa jurídica com fins lucrativos, caracteriza-se como consumidora intermediária, porquanto se utiliza dos serviços de telefonia prestados pela recorrente com intuito único de viabilizar sua própria atividade produtiva, consistente no fornecimento de acesso à rede mundial de computadores (internet) e de consultorias e assessoramento na construção de homepages, em virtude do que se afasta a existência de relação de consumo. Ademais, a eventual hipossuficiência da empresa em momento algum foi considerada pelas instâncias ordinárias, não sendo lídimo cogitar-se a respeito nesta seara recursal, sob pena de indevida supressão de instância. 3. Todavia, in casu, mesmo não configurada a relação de consumo, e tampouco a fragilidade econômica, técnica ou jurídica da recorrida, tem-se que o reconhecimento da responsabilidade civil da concessionária de telefonia permanecerá prescindindo totalmente da comprovação de culpa, vez que incidentes as normas reguladoras da responsabilidade dos entes prestadores de serviços públicos, a qual, assim como a do fornecedor, possui índole objetiva (art. 37, § 6º, da CF/88), sendo dotada, portanto, dos mesmos elementos constitutivos. Neste contexto, importa ressaltar que tais requisitos, quais sejam, ação ou omissão, dano e nexo causal, restaram indubitavelmente reconhecidos pelas instâncias ordinárias, absolutamente soberanas no exame do acervo fático-probatório. 4. Por fim, com base na análise do conjunto fático-probatório, principalmente das perícias realizadas, cujo reexame é vedado nesta seara recursal (Súmula 07 da Corte), entenderam as instâncias ordinárias que o incêndio que acometeu as instalações telefônicas da concessionária não consubstancia caso fortuito, não havendo que se falar em excludente da responsabilidade civil objetiva da recorrente. 5. Diante do exposto, a manutenção da condenação da empresa concessionária de telefonia é medida de rigor, mesmo que por outros fundamentos, alterando-se tão-somente a qualificação jurídica dos fatos delineados pelas instâncias ordinárias, da responsabilidade consumerista para a dos entes prestadores de serviço público, ante a identidade e comprovação dos elementos configuradores da responsabilização civil, ambas de ordem objetiva, a par de restar comprovada a ausência de qualquer causa excludente da responsabilidade civil. 6. Com efeito, não se mostraria razoável, à luz dos princípios da celeridade na prestação jurisdicional, da economia processual, da proporcionalidade e da segurança jurídica, anular-se todo o processo, equivalente a 05 (cinco) anos de prestação de serviço judiciário, no qual restou exaustivamente discutida e demonstrada a responsabilidade civil da empresa concessionária de telefonia, sob pena de se privilegiar indevidamente o formalismo exacerbado em total detrimento do escopo de pacificação social do processo, mantendo-se situação de instabilidade e ignorando-se por completo a orientação preconizada pelos modernos processualistas. 7. Recurso Especial não conhecido. (REsp 660.026/RJ, Rel. Ministro JORGE SCARTEZZINI, QUARTA TURMA, julgado em 03/05/2005, DJ 27/06/2005, p. 409) COMPETÊNCIA. RELAÇÃO DE CONSUMO. UTILIZAÇÃO DE EQUIPAMENTO E DE SERVIÇOS DE CRÉDITO PRESTADO POR EMPRESA ADMINISTRADORA DE CARTÃO DE CRÉDITO. DESTINAÇÃO FINAL INEXISTENTE. A aquisição de bens ou a utilização de serviços, por pessoa natural ou jurídica, com o escopo de implementar ou incrementar a sua atividade negocial, não se reputa como relação de consumo e, sim, como uma atividade de consumo intermediária. Recurso especial conhecido e provido para reconhecer a incompetência absoluta da Vara Especializada de Defesa do Consumidor, para decretar a nulidade dos atos praticados e, por conseguinte, para determinar a remessa do feito a uma das Varas Cíveis da Comarca. (REsp 541.867/BA, Rel. Ministro ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEIRO, Rel. p/ Acórdão Ministro BARROS MONTEIRO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 10/11/2004, DJ 16/05/2005, p. 227) ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA. BUSCA E APREENSÃO. ÂMBITO DA DEFESA. INCIDÊNCIA DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. BENS JÁ INTEGRANTES DO PATRIMÔNIO DO DEVEDOR. TAXA DE JUROS. CAPITALIZAÇÃO MENSAL. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. APLICAÇÃO DA TR. MORA DOS DEVEDORES CONFIGURADA. - Admissível a ampla defesa outorgada ao devedor em face da necessidade de verificar-se se caracterizada ou não no caso a mora debitoris. - Tratando-se de financiamento obtido por empresário, destinado precipuamente a incrementar a sua atividade negocial, não se podendo qualificá-lo, portanto, como destinatário final, inexistente é a pretendida relação de consumo. Inaplicação no caso do Código de Defesa do Consumidor. (..) Recurso especial conhecido, em parte, e provido. (REsp 264.126/RS, Rel. Ministro BARROS MONTEIRO, QUARTA TURMA, julgado em 08/05/2001, DJ 27/08/2001, p. 344) No tocante à inversão do ônus probatório, nos moldes do CDC, nota-se que a Corte de origem, com base na análise das peculiaridades do caso concreto, aferiu a ausência dos elementos exigidos para a aplicação do referido instituto, no intuito de facilitar a defesa do consumidor. É o que se extrai do trecho a seguir: "Não fosse isso, não é o caso de se aplicar a inversão do ônus da prova, baseada na legislação consumerista, pois, como medida excepcional, necessita do preenchimento de seus requisitos legais como o da verossimilhança das alegações e hipossuficiência, que não estão presentes no caso. Já decidiu o Superior Tribunal de Justiça: (..) No caso, observa-se que não estão presentes os requisitos verossimilhança da alegação ou hipossuficiência, pois a autora, não trouxe qualquer indício, ainda que sumário, da falha na prestação do serviço bancário." Esta Corte de origem posiciona-se no sentido de que, verificadas a hipossuficiência e verossimilhança das alegações do consumidor no caso concreto, a inversão do ônus da prova é cabível conforme juízo do magistrado. Nesse contexto, a modificação do entendimento lançado no v. acórdão recorrido para afastar a ausência dos elementos ensejadores da aplicação do art. 6º, VIII, do CDC demandaria o revolvimento de suporte fático-probatório dos autos, o que é inviável em sede de recurso especial, a teor do que dispõe a Súmula 7 deste Pretório. Em reforço: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA C/C REPETIÇÃO DO INDÉBITO E COMPENSAÇÃO POR DANOS MORAIS. QUITAÇÃO DE FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO. ÔNUS DA PROVA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. REEXAME DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. (..) 4. Conforme a jurisprudência deste Tribunal, a inversão do ônus da prova fica a critério do juiz, cabendo-lhe apreciar a verossimilhança das alegações do consumidor e/ou a sua hipossuficiência, aspectos que, por serem intrinsicamente ligados ao conjunto fático-probatório do processo, não podem ser revistos em recurso especial, em razão do que dispõe a Súmula 7/STJ. Precedentes. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1648948/RJ, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 03/12/2018, DJe 05/12/2018) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE RESTITUIÇÃO POR PAGAMENTO INDEVIDO. ESCRITURA PÚBLICA DE ABERTURA DE CRÉDITO FIXO FIRMADO PERANTE O BANCO REGIONAL DE DESENVOLVIMENTO DO EXTREMO SUL. VIOLAÇÃO DA BOA-FÉ OBJETIVA. SÚMULAS 5 E 7/STJ. INCIDÊNCIA. INVERSÃO DO ÔNUS PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DO CDC. VEROSSIMILHANÇA E HIPOSSUFICIÊNCIA NÃO CONFIGURADAS. REEXAME VEDADO NO ESPECIAL. AGRAVO IMPROVIDO. (..) 2. A inversão do ônus da prova não ocorre em todas as situações em que a relação jurídica é regulada pelo Código de Defesa do Consumidor. Assim, nos termos do art. 6º, VIII, do referido Códex, a facilitação da defesa somente ocorre nos casos em que as alegações sejam verossímeis ou a parte seja hipossuficiente, conceitos intrinsecamente ligados ao conjunto fático-probatório dos autos delineado nas instâncias ordinárias, cujo reexame é vedado na via estreita do recurso especial. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1533169/SC, Rel. Ministro LÁZARO GUIMARÃES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 5ª REGIÃO), QUARTA TURMA, julgado em 24/04/2018, DJe 02/05/2018) Quanto ao mais, consoante entendimento sumulado desta Corte "as instituições bancárias financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias." Assim, somente é afastada a responsabilidade do fornecedor pelo fato do serviço quando houver culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro. No caso, o Tribunal de origem reformou a sentença de primeiro grau para afastar a responsabilidade da instituição financeira pelos danos narrados na inicial e julgar improcedente a ação de indenização ajuizada pela ora recorrente, por reconhecer a sua culpa exclusiva no evento, nos seguintes termos: "Consta da petição inicial que a autora é correntista no banco réu e que efetuou a troca do sistema de token por meio de contato telefônico que acreditava ser de preposto do banco réu, porquanto já havia iniciado anteriormente contato para a referida troca com a sua gerente de conta. Diz que em tal contato foram informadas algumas chaves de acesso, contudo, posteriormente verificou em seus extratos transações para terceiros desconhecidos. Pugna pelo provimento do seu pedido para que sejam restituídos os valores subtraídos de sua conta corrente. (..) Não obstante, a própria autora menciona em sua inicial que forneceu seus dados em contato telefônico que acreditava ser de preposto do banco réu. Observa-se, assim, a autora foi provavelmente enganada por terceiro estelionatário, que se aproveitou do descuido da autora para lhe solicitar o envio de dados pessoais (senha e código chave do token), por meio dos quais posteriormente possibilitaram as transações questionadas nos autos. Esclareça-se que golpes dessa natureza são quase sempre perpetrados por pessoas extremamente habilidosas, fazendo realmente crer que se está mantendo contato com preposto do banco. Tal situação figura como excludente de responsabilidade do réu, consistente na culpa exclusiva da vítima, pois foi sua ação e não do réu quem deu causa ao prejuízo, não tendo este sequer como evitar este tipo de fraude. Outrossim, é de notório que as instituições financeiras divulgam não pedir dados aos seus clientes fora da agência bancária, ainda mais senhas de acesso. Assim, havendo demonstração de que o dano se deu por culpa exclusiva da autora não se verifica a responsabilidade do réu em ressarcir o dano material." Assim, tendo o Tribunal local reconhecido a existência de excludente de responsabilidade, mediante a análise soberana do acervo fático-probatório dos autos, inviável a revisão dessas conclusões, tal como pretendido pela recorrente, ante o óbice contido na Súmula 7/STJ. A propósito: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA CUMULADA COM INDENIZATÓRIA. 1. TRANSAÇÕES CONTESTADAS FEITAS COM USO DE CARTÃO E SENHA PESSOAL DO CORRENTISTA. CULPA EXCLUSIVA DO CONSUMIDOR. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE. MODIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO ESTADUAL. NECESSIDADE DE REEXAME DO CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULAS 7 E 83/STJ. 2. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Com efeito, no julgamento pela Terceira Turma do REsp n. 1.633.785/SP, firmou-se o entendimento de que, a responsabilidade da instituição financeira deve ser afastada quando o evento danoso decorre de transações que, embora contestadas, são realizadas com a apresentação física do cartão original e mediante uso de senha pessoal do correntista. 1.1. No caso, o Tribunal estadual, analisando todo o conjunto fático-probatório dos autos, afastou a responsabilidade da instituição financeira pelos danos narrados na inicial, ao argumento de uso indevido do familiar que detinha a posse do cartão e da senha bancária, visto que, estando na posse deles, poderia efetuar diversas transações bancárias, inclusive realizar empréstimos diretamente nos caixas eletrônicos, bem como que não ficou comprovada nenhuma fraude por parte do portador ou da participação dos funcionários do banco em nenhum ato ilícito. 1.2. Ademais, não há como modificar o entendimento da instância ordinária quanto à ocorrência de culpa exclusiva do consumidor sem adentrar no reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que encontra óbice no enunciado n. 7 da Súmula desta Corte. 2. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no AREsp 1.005.026/MS, Relator o Ministro Marco Aurélio Bellizze, DJe de 6/12/2018) "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FRAUDE BANCÁRIA. CARTÃO MAGNÉTICO. SENHA. FORNECIMENTO PELO CORRENTISTA. UTILIZAÇÃO INDEVIDA POR TERCEIROS. CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA. PROVA. VALORAÇÃO. PRETENSÃO. REEXAME. SÚMULA N. 7/STJ. MULTA DIÁRIA. ART. 461, § 4º, DO CPC/73. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. MULTA NÃO DEVIDA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. "Conforme precedentes desta Corte, em relação ao uso do serviço de conta-corrente fornecido pelas instituições bancárias, cabe ao correntista cuidar pessoalmente da guarda de seu cartão magnético e sigilo de sua senha pessoal no momento em que deles faz uso. Não pode ceder o cartão a quem quer que seja, muito menos fornecer sua senha a terceiros. Ao agir dessa forma, passa a assumir os riscos de sua conduta, que contribui, à toda evidência, para que seja vítima de fraudadores e estelionatários." (RESP 602680/BA, Rel. Ministro FERNANDO GONÇALVES, DJU de 16.11.2004; RESP 417835/AL, Rel. Ministro ALDIR PASSARINHO JÚNIOR, DJU de 19.8.2002). 2. A errônea valoração da prova que enseja a incursão desta Corte na questão é a de direito, ou seja, quando decorre de má aplicação de regra ou princípio no campo probatório e não para que se colham novas conclusões sobre os elementos informativos do processo. 3. A exigibilidade da multa diária depende do sucesso de seu beneficiário na demanda. Precedentes. 4. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no AREsp 1.295.277/PR, Relatora a Ministra Maria Isabel Gallotti, DJe de 30/10/2018) Diante do exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, b, do RISTJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Com supedâneo no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários advocatícios devidos à parte recorrida de 10% para 11% do valor atualizado da causa. Publique-se.