AREsp 1739594 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o tribunal de origem fundamentou adequadamente sua decisão quanto à não concessão da inversão do ônus da prova, e a modificação dessa conclusão demandaria reexame do contexto fático-probatório, o que é vedado pelo entendimento consolidado na Súmula nº 7/STJ.
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- Parties
- Agravantes: LUIZ GUSTAVO SARAIVA DOS SANTOS e OUTROS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada Acórdão (negado Provimento Ao Agravo Interno)
- Outcome
- Agravo interno não provido
- Legal Topics
- Inversão Do Ônus Da Prova, Fundamentação Do Acórdão, Reexame De Provas, Súmula 7/stj
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Parties
LUIZ GUSTAVO SARAIVA DOS SANTOS e OUTROS
Agravantes
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada Acórdão (negado Provimento Ao Agravo Interno)
Legal Issues
- 1 Existência ou não de deficiência na prestação jurisdicional (fundamentação)
- 2 Incidência do Código de Defesa do Consumidor e cabimento da inversão do ônus da prova
- 3 Possibilidade de reexame do contexto fático-probatório pelo STJ ( S úmula 7)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o tribunal de origem fundamentou adequadamente sua decisão quanto à não concessão da inversão do ônus da prova, e a modificação dessa conclusão demandaria reexame do contexto fático-probatório, o que é vedado pelo entendimento consolidado na Súmula nº 7/STJ.
Court Disposition
Agravo interno não provido
Orders
- Negou provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Paulo de Tarso Sanseverino, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por LUIZ GUSTAVO SARAIVA DOS SANTOS e OUTROS contra a decisãoque conheceu do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão,negar-lhe provimento (e-STJ fls. 1.377/1.380). Nas presentes razões, os agravantes afirmam que o colegiado estadual negou vigência aos arts. 489, § 1º, IV, do Código de Processo Civil de 2015 e1º e 6º, VII, do Código de Defesa do Consumidor. Alegam que o acórdão combatido não está devidamente fundamentado. Sustentam a necessidade de reconhecimento da incidência do Código de Defesa do Consumidor ao caso dos autos, com a consequente inversão do ônus da prova. Ao final, requerem a reforma da decisão atacada. Impugnações às fls. 1.392/1.400 e 1.402/1.426 (e-STJ). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL.PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. DEFICIÊNCIA. INEXISTÊNCIA. AÇÃO INDENIZATÓRIA. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. INCIDÊNCIA. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA Nº 7/STJ. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. Não há falar em deficiência na prestação jurisdicional se o tribunal de origem motiva adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entende cabível à hipótese, apenas não no sentido pretendido pela parte. 3. Na hipótese, rever a conclusão do aresto impugnado acerca da inversão do ônus da prova encontra óbice na Súmula nº 7/STJ. 4. Agravo interno não provido. VOTO O acórdão impugnado pelo recurso especial foi publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). A insurgência não merece prosperar. O tribunal estadual assim dirimiu a controvérsia: "(..) Ressalte-se que o fato de existir relação de consumo não implica em inversão automática do ônus da prova. Neste sentido é a lição de Humberto Theodoro Júnior: "Para as demandas intentadas no âmbito das relações de consumo, existe regra especial que autoriza, em certos casos, a inversão do ônus da prova, transferindo-o do autor (consumidor) para o réu (fornecedor) (art. 6º, VIII, do CDC). Não se pode, todavia, entender que o consumidor tenha sido totalmente liberado do encargo de provar o fato constitutivo do seu direito, nem que a inversão especial do CDC ocorra sempre, e de maneira automática, nas ações de consumo. Em primeiro lugar, a lei tutelar do consumidor condiciona a inversão a determinados requisitos (verossimilhança das alegações ou hipossuficiência do consumidor), que haverão de ser aferidos pelo juiz para a concessão do excepcional benefício legal. Em segundo lugar, não se pode cogitar de verossimilhança de um fato ou da hipossuficiência da parte para prova-lo sem que haja um suporte probatório mínimo sobre o qual o juiz possa deliberar para definir o cabimento, ou não, da inversão do ônus da prova. Ao réu, segundo a melhor percepção do espírito da lei consumerista, competirá provar, por força da regra sub examine, não o fato constitutivo do direito do consumidor, mas aquilo que possa excluir o fato da esfera de sua responsabilidade, diante do quadro evidenciado no processo, como, v.g., o caso fortuito, a culpa exclusiva da vítima, a falta de nexo entre o resultado danoso e o produto consumido etc. Se, entretanto, o autor não tiver trazido ao processo qualquer prova do dano que afirma ter sofrido e nem mesmo elementos indiciários do nexo entre esse dano e o produto ou serviço prestado pelo fornecedor demandado, impossível será realizar o juízo que o art. 6º, VIII, do CDC, exige do magistrado para carrear o ônus da prova ao réu. Sem prova alguma, por exemplo, da ocorrência do fato constitutivo do direito do consumidor (autor), seria diabólico exigir do fornecedor (réu) a prova negativa do fato passado fora de sua área de conhecimento e controle. Estar-se-ia, na verdade, a impor prova impossível, a pretexto de inversão de onus probandi, o que repugna à garantia do devido processo legal, com ascaracterísticas do contraditório e ampla defesa." Logo, é essencial que os autores demonstrem que, em cada um dos negócios objeto da ação, foi prometida a entrega de vagas livres"(e-STJ fls. 1.150/1.152). Impende asseverar que cabe ao julgador apreciar os fatos e as provas da demanda segundo seu livre convencimento, declarando, ainda que de forma sucinta, os fundamentos que o levaram a solucionar a lide. Da transcrição acima, observa-se que o tribunal de origem indicou adequadamente os motivos que lhe formaram o convencimento, analisando de forma clara, precisa e completa as questões relevantes do processo e solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. Não há falar, portanto, em prestação jurisdicional lacunosa ou deficitária apenas pelo fato de o acórdão recorrido ter decidido em sentido contrário à pretensão da parte. Ademais, não é possível ao Superior Tribunal de Justiça apreciar o entendimento exarado pelo aresto local acerca da inversão do ônus da prova, porquanto teria que, necessariamente, rever o contexto fático-probatório dos autos, procedimento inviável nesta via extraordinária, consoante disposto na Súmula nº 7/STJ. Assim, não prosperam as alegações postas no presente recurso, incapazes de alterar os fundamentos da decisão impugnada. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.