AREsp 2499745 - DECISAO
Não conheceu-se da alegada omissão por tratar-se de argumento genérico em desacordo com a exigência do art. 1.022 CPC/2015 e Súmula 284/STF; quanto à inversão do ônus da prova, o Tribunal estadual fundamentou a medida na verossimilhança das alegações e na hipossuficiência técnica da autora, circunstâncias cujo...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: CONSÓRCIO TRANSCARIOCA DE TRANSPORTES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Juízo De Admissibilidade (agravo)
- Outcome
- Conheço do agravo para, de plano, não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Inversão Do Ônus Da Prova, Admissibilidade De Recurso Especial, Omissão Recursal (art. 1.022 Cpc), Hipossuficiência Técnica, Limitação Ao Reexame De Provas (súmula 7/stj)
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Parties
CONSÓRCIO TRANSCARIOCA DE TRANSPORTES
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Juízo De Admissibilidade (agravo)
Legal Issues
- 1 Alegada omissão no acórdão impugnado (art. 1.022 CPC/2015)
- 2 Legalidade da inversão do ônus da prova (art. 6º, VIII, CDC)
- 3 Vedação ao reexame de matéria fático-probatória (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Não conheceu-se da alegada omissão por tratar-se de argumento genérico em desacordo com a exigência do art. 1.022 CPC/2015 e Súmula 284/STF; quanto à inversão do ônus da prova, o Tribunal estadual fundamentou a medida na verossimilhança das alegações e na hipossuficiência técnica da autora, circunstâncias cujo reexame implicaria revolvimento de provas vedado pela Súmula 7/STJ; assim, conheceu-se do agravo e, de plano, não se conheceu do recurso especial, com fundamento no art. 932 CPC/2015 c/c Súmula 568/STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para, de plano, não conhecer do recurso especial.
Orders
- Não conhecer do recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO C uida-se de agravo em recurso especial interposto por CONSÓRCIO TRANSCARIOCA DE TRANSPORTES contra decisão que negou seguimento ao recurso especial, fundado na alínea a do inciso III do art. 105 da Constituição Federal, em desafio a acórdão prolatado pelo TRIBUNA L DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, assim ementado (e-STJ, fl. 27): AGRAVO DE INSTRUMENTO. DEFERIMENTO DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. RELAÇÃO DE CONSUMO. HIPOSSUFICIÊNCIA TÉCNICA. RECURSO IMPROVIDO. 1. Agravo manejado em face de decisão proferida em ação indenizatória que deferiu inversão do ônus da prova. 2. Inversão pretendida pela agravada que se mostra necessária, pois se encontra configurada a situação de dificuldade ou impossibilidade de se demonstrar pelos meios ordinários a prova do fato que pretende produzir. Por exemplo, a ré pode apresentar a imagem de câmera interna do coletivo. 3. Hipossuficiência e vulnerabilidade da pessoa física, frente à prestadora de serviço. 4. Incidência das Súmulas 227 e 330 deste TJRJ. 5. Recurso improvido. Opostos embargos de declaração, esses foram rejeitados (e-STJ, fls. 63). Nas razões do especial (e-STJ, fls. 72-83), a parte recorrente sustentou violação aos seguintes dispositivos: a) art. 1022 do Código de Processo Civil de 2015, defendendo genericamente, que a Corte de origem não sanou omissões supostamente perpetradas pelo acórdão embargado; b) art. 6º, VIII, do CDC, alegando ser indevida a inversão do ônus da prova, pois no presente caso não há qualquer dificuldade para a Autora, ora Recorrida, fazer prova de suas alegações. Oferecidas as contrarrazões às fls. 91-93 (e-STJ). Em sede de juízo provisório de admissibilidade, o Tribunal local negou seguimento ao recurso especial (fls. 104-107, e-STJ), o que ensejou o manejo do presente agravo (fls. 115-122, e-STJ), buscando destrancar o processamento daquela insurgência. Contraminuta às fls. 126-129 (e-STJ). É o relatório. Decido. O presente recurso não merece prosperar. 1. Inicialmente, não se pode conhecer da apontada violação ao art. 1.022 do CPC/15, pois as alegações que a fundamentaram são genéricas, sem discriminação dos pontos efetivamente omissos, contraditórios ou obscuros sobre os quais tenha incorrido o acórdão impugnado. Incide, no caso, por analogia, a Súmula 284/STF. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. SÚMULA 284/STF. COBERTURA SECURITÁRIA. INOPONIBILIDADE DE RESTRIÇÃO CONTRATUAL SEM DESTAQUE À PARTE CONTRÁRIA. SÚMULAS 283/STF E 5 E 7 STJ. PRECLUSÃO. CONHECIMENTO DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA (PRESCRIÇÃO) OBJETO DE PRÉVIA DECISÃO NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. AGRAVO DESPROVIDO. 1. A alegação de omissão não prescinde da indicação do vício do acórdão recorrido por ocasião do exame das questões (fáticas ou jurídicas) ou das teses desenvolvidas em torno dos dispositivos legais arrolados, não sendo suficiente a indicação abstrata da pretensão de prequestionamento, sob pena de incidência da Súmula 284/STF. (..) 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1352510/PR, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 03/12/2018, DJe 06/12/2018) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE COBRANÇA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA DO DEMANDADO. 1. Não se conhece da alegada violação do art. 1022 do CPC/2015, quando a causa de pedir recursal se mostra genérica, sem a indicação precisa dos pontos considerados omissos, contraditórios, obscuros ou que não receberam a devida fundamentação, sendo aplicável a Súmula 284 do STF. Precedentes. (..) 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1702142/GO, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 07/12/2020, DJe 16/12/2020) 2. Quanto à apontada ofensa ao art. 6º, VIII, do CDC, a parte alegou ser indevida a inversão do ônus da prova, pois no presente caso não há qualquer dificuldade para a autora, ora recorrida, fazer prova de suas alegações. Todavia, o Tribunal estadual consignou expressamente a hipossuficiência técnica da autora, bem como a possibilidade de a ré produzir provas que estão a seu alcance a fim de afastar o direito alegado. A propósito, confira-se (e-STJ, fl. 28-29): Cuida-se de agravo de instrumento interposto contra decisão que deferiu a inversão do ônus da prova, em autos de ação indenizatória, em cuja peça inicial objetiva a autora a condenação da agravada ao pagamento de indenização pelos morais em razão de ter sofrido lesões em acidente que envolveu coletivo no qual era transportada. Nos termos do disposto no inciso VIII, do artigo 6º, do CDC, é direito básico do consumidor a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências. E a hipossuficiência se traduz na incapacidade técnica da parte de comprovar os fatos alegados. Assim, em que pese o inconformismo, é firme o entendimento jurisprudencial no sentido de que a decisão que deferir ou rejeitar pedido de inversão do ônus da prova só deve ser revogada ou modificada quando se tratar de decisão teratológica, contrária à Lei ou à evidente prova dos autos, o que não se vislumbra na hipótese: (..) E a Ré, no presente caso, pode ser detentora de provas que estão facilmente ao seu alcance, como, por exemplo, a imagem de câmera interna do coletivo. Com efeito, é firme a jurisprudência desta Corte Superior no sentido de que "a inversão do ônus da prova fica a critério do juiz, cabendo-lhe apreciar a verossimilhança das alegações do consumidor e/ou a sua hipossuficiência" (REsp n. 1.991.550/MS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 23/8/2022, DJe de 25/8/2022). Nesse contexto, para afastar a hipossuficiência técnica da parte autora a desautorizar a inversão do ônus da prova, seria imprescindível promover o revolvimento das provas sobre as quais se pautou a Corte local, providência vedada pela Súmula 7/STJ. No mesmo sentido, confira-se: AGRAVO INTERNO. CONTRATO DE CONSÓRCIO. INOVAÇÃO. INCABÍVEL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. RELAÇÃO DE CONSUMO. PRECEDENTES. VÍCIO NO CONTRATO. REEXAME DE PROVAS. SÚMULAS 5 E 7/STJ. NÃO PROVIMENTO. 1. Não se admite a adição, em sede de agravo interno, de tese não exposta no recurso especial, por importar em inadmissível inovação. 2. A inversão do ônus da prova, nos termos do art. 6º, VIII, do Código de Defesa do Consumidor, não é automática, dependendo da constatação, pelas instâncias ordinárias, da presença ou não da verossimilhança das alegações e da hipossuficiência do consumidor. Precedentes. 3. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático-probatória e a interpretação de cláusulas contratuais (Súmulas 5 e 7/STJ). 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.245.830/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 16/10/2023, DJe de 20/10/2023.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. DANO AMBIENTAL. FECHAMENTO DE COMPORTAS. VAZAMENTO DE ÓLEO. INUNDAÇÃO. TEORIA DO RISCO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. POSSIBILIDADE. REEXAME. SÚMULA Nº 7/STJ. 1. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento no sentido de que a análise acerca da existência ou não de circunstâncias que ensejam a inversão do ônus da prova é feita no caso concreto, de acordo com os elementos probatórios existentes nos autos. 2. A modificação do entendimento adotado pelo órgão colegiado que manteve a decisão que inverteu o ônus da prova demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, o que se mostra inviável ante a natureza excepcional da via eleita, a teor do enunciado da Súmula nº 7/STJ. 3. A jurisprudência desta Corte Superior é firme no sentido de que, em se tratando de ação indenizatória por dano ambiental, a responsabilidade pelos danos causados é objetiva, pois fundada na teoria do risco integral, sendo possível a inversão do ônus da prova. Precedente. 4. Nos termos do entendimento pacificado do Superior Tribunal de Justiça, encontram-se sob a proteção do Código de Defesa do Consumidor aqueles que, embora não tenham participado diretamente da relação de consumo, sejam vítimas de evento danoso decorrente dessa relação, como consumidores por equiparação. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.297.698/ES, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 4/12/2023, DJe de 7/12/2023.) 3. Do exposto, com fundamento no art. 932 do Novo Código de Processo Civil c/c Súmula 568/STJ, conheço do agravo para, de plano, não conhecer do recurso especial. Por fim, não havendo fixação de honorários sucumbenciais pelas instâncias ordinárias, inaplicável a majoração prevista no art. 85, § 11, do NCPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA