AREsp 2942561 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial por ausência de prequestionamento da tese recursal na Corte de origem, de modo que não foi possível demonstrar divergência jurisprudencial necessária ao conhecimento do recurso especial pela alínea "c" do art. 105 da CF/88; determinou-se ainda a...
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- Parties
- Agravante: COMPANHIA DE ÁGUAS E ESGOTOS DO RIO GRANDE DO NORTE; Autora: parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 31 July 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial
- Legal Topics
- Inversão Do Ônus Da Prova, Verossimilhança, Hipossuficiência, Responsabilidade Objetiva, Dano Moral, Honorários Advocatícios, Prequestionamento
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Parties
COMPANHIA DE ÁGUAS E ESGOTOS DO RIO GRANDE DO NORTE
Agravante
parte autora
Autora
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Aplicação da inversão do ônus da prova prevista no CDC e seus requisitos de verossimilhança e hipossuficiência
- 2 Existência de prequestionamento como requisito para conhecimento do recurso especial por divergência jurisprudencial
- 3 Manutenção de condenação por cobrança excessiva e dano moral
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial por ausência de prequestionamento da tese recursal na Corte de origem, de modo que não foi possível demonstrar divergência jurisprudencial necessária ao conhecimento do recurso especial pela alínea "c" do art. 105 da CF/88; determinou-se ainda a majoração dos honorários advocatícios em 15% conforme art. 85, §11, CPC.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial
Orders
- Majoram-se os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem
- Publique-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado pela COMPANHIA DE ÁGUAS E ESGOTOS DO RIO GRANDE DO NORTE à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE, assim resumido: DIREITO ADMINISTRATIVO, PROCESSUALEMENTA CIVIL E DO CONSUMIDOR. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. FATURA DE CONTA DE ÁGUA COM VALOR EXACERBADO. COBRANÇA MUITO SUPERIOR DA MÉDIA DE CONSUMO DA PARTE AUTORA. CONJUNTO PROBATÓRIO A RESPALDAR A PRETENSÃO INICIAL. TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA. DANO MORAL DEMONSTRADO. INDENIZATÓRIOQUANTUM ARBITRADO EM CONSONÂNCIA COM OS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. Quanto à controvérsia, a parte recorrente aduz divergência de interpretação jurisprudencial e ofensa ao art. 373, II, do CPC, no que concerne à impossibilidade de aplicação da inversão do ônus da prova previsto no CDC, porquanto depende do preenchimento de requisitos relativos à verossimilhança das investigações e à hipossuficiência técnica ou econômica do consumidor, trazendo a seguinte argumentação: No caso em tela, a decisão que determinou a inversão do ônus da prova contrariou frontalmente o disposto no artigo 373, II, ao presumir que a parte autora seria hipossuficiente, aplicando o CDC sem a devida análise das condições do caso. Ressalta-se que a inversão do ônus da prova é uma faculdade conferida ao magistrado, nos termos do artigo 6º, inciso VIII, do CDC, e deve ser aplicada em caráter excepcional, mediante análise detalhada de dois requisitos: (i) verossimilhança das investigações e (ii) hipossuficiência técnica ou econômica da parte autora . A investigação do Superior Tribunal de Justiça tem se posicionado no sentido de que a inversão do ônus da prova, prevista no CDC, não é automática e deve ser aplicada com cautela. O CDC exige que o juiz avalie a hipossuficiência do consumidor e a verossimilhança de suas análises. O STJ, inclusive, reafirma que a hipossuficiência deve ser comprovada de forma concreta, com base na realidade do caso específico, sendo insuficiente a simples invocação da vulnerabilidade do consumidor para determinar a inversão do ônus da prova. No presente caso, a parte autora não declarou qualquer impossibilidade técnica ou dificuldade insuperável em comprovar o fato constitutivo de seu direito, isto é, que a cobrança foi excessiva ou incorreta por falha da CAERN. A CAERN, por sua vez, apresentou registros de consumo que comprovaram a regularidade do serviço e a inexistência de vazamentos de responsabilidade da empresa. Ao aplicar a inversão do ônus da prova sem uma análise efetiva, o Tribunal de origem deixou de cumprir os requisitos estabelecidos pelo CDC, impondo uma obrigação excessiva e indevida à CAERN. (fls. 218-219). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, não houve o prequestionamento da tese recursal, porquanto a questão postulada não foi examinada pela Corte a quo sob o viés pretendido pela parte recorrente, no que concerne à necessidade de preenchimento de requisitos relativos à verossimilhança das investigações e à hipossuficiência técnica ou econômica do consumidor, para a aplicação da inversão do onus probandi em favor do consumidor. Nesse sentido: "Não há prequestionamento da tese recursal quando a questão postulada não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente" (AgInt no AREsp n. 1.946.228/DF, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 28/4/2022). Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 2.023.510/GO, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJe de 29/2/2024; AgRg no AREsp n. 2.354.290/ES, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15/2/2024; AgInt no AREsp 1.514.978/SC, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.582.679/DF, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 26/5/2020; AgInt no AREsp 965.710/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19.9.2018; e AgRg no AREsp 1.217.660/SP, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 4/5/2018. Ademais, verifica-se que a tese recursal que serve de base para o dissídio jurisprudencial não foi examinada pela Corte de origem sob o viés pretendido pela parte recorrente. Dessa forma, reconhecida a ausência de prequestionamento da tese recursal objeto da divergência, inviável a demonstração do referido dissenso em razão da inexistência de identidade entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do recurso especial pela alínea "c" do permissivo constitucional. Nesse sentido: "A ausência de debate, no acórdão recorrido, acerca da tese recursal, também inviabiliza o conhecimento do recurso especial pela divergência jurisprudencial, pois, sem discussão prévia pela instância pretérita, fica inviabilizada a demonstração de que houve adoção de interpretação diversa". (AgRg no AREsp n. 1.800.432/DF, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 25/03/2021.) Sobre o tema, confira-se ainda o seguinte julgado: AgInt no AREsp n. 1.516.702/BA, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 17/12/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA