RHC 210255 - DECISAO
Reconheceu-se que o ingresso policial na residência decorreu de informação anônima sem elementos prévios suficientes e sem comprovação inequívoca de consentimento voluntário do morador, de modo que a descoberta posterior do alegado flagrante resultou de ingresso ilícito, tornando ilícitas as provas obtidas. Com a invalidação das provas relativas ao tráfico, restou apenas a imputação de receptação (art. 180 CP), cuja pena máxima é de 4 anos, não atendendo ao requisito objetivo do art. 313, I, do CPP para manutenção da prisão preventiva; por isso, a prisão preventiva foi substituída por medidas cautelares menos gravosas.
- Parties
- Recorrente/paciente: MATEUS PAULINO FREITAS POLICARPO; Órgão Ministerial/parte: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL; Tribunal De Origem: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 March 2025
- Procedural Posture
- Recurso Ordinário (art. 105, Ii, "a", Da Cf) / Decisão Em Recurso Ordinário No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Recurso provido parcialmente: reconhecida a ilicitude das provas obtidas com ingresso no domicílio; substituída a prisão preventiva por medidas cautelares determinadas na decisão.
- Legal Topics
- Inviolabilidade De Domicílio, Busca E Apreensão, Prova Ilícita, Prisão Preventiva, Tráfico De Drogas, Denúncia Anônima, Consentimento Do Morador
Case Brief
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Parties
MATEUS PAULINO FREITAS POLICARPO
Recorrente/paciente
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Órgão Ministerial/parte
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS
Tribunal De Origem
Procedural Posture
Recurso Ordinário (art. 105, Ii, "a", Da Cf) / Decisão Em Recurso Ordinário No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 ilegalidade do ingresso domiciliar e de provas dele derivadas
- 2 valoração da denúncia anônima como fundamento para ingresso sem mandado
- 3 requisitos para validade do consentimento do morador ao ingresso policial
Ratio Decidendi
Reconheceu-se que o ingresso policial na residência decorreu de informação anônima sem elementos prévios suficientes e sem comprovação inequívoca de consentimento voluntário do morador, de modo que a descoberta posterior do alegado flagrante resultou de ingresso ilícito, tornando ilícitas as provas obtidas. Com a invalidação das provas relativas ao tráfico, restou apenas a imputação de receptação (art. 180 CP), cuja pena máxima é de 4 anos, não atendendo ao requisito objetivo do art. 313, I, do CPP para manutenção da prisão preventiva; por isso, a prisão preventiva foi substituída por medidas cautelares menos gravosas.
Court Disposition
Recurso provido parcialmente: reconhecida a ilicitude das provas obtidas com ingresso no domicílio; substituída a prisão preventiva por medidas cautelares determinadas na decisão.
Orders
- Reconhecer a ilicitude das provas obtidas com base no ingresso no domicílio do recorrente
- Substituir a prisão preventiva por medidas cautelares: (a) proibição de mudar de endereço sem comunicar o juiz da causa; (b) proibição de se ausentar da comarca onde reside por mais de 7 dias sem prévia autorização judicial
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