REsp 1953569 - DECISAO
Aplicando o regime do CPC/2015 e a jurisprudência desta Corte, considerou-se que os embargos de declaração opostos não tinham caráter protelatório, sendo indevida a multa prevista no art.1.026, §2º do CPC/2015 (conforme Súmula 98/STJ); assim, conheceu-se em parte e deu-se parcial provimento ao Recurso Especial para...
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- Parties
- Recorrente: ESTADO DO PARANÁ; Recorrido: AUTOR
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 August 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial (decisão Monocrática)
- Outcome
- Conheço em parte e dou parcial provimento ao Recurso Especial para reformar o acórdão recorrido e afastar a multa aplicada com base no art.1.026, §2º do CPC/2015.
- Legal Topics
- Isenção De Imposto De Renda, Honorários Advocatícios, Embargos De Declaração, Multa Processual (art. 1.026, §2º, Cpc/2015), Aplicação Do Cpc/2015, Súmula 98 STJ, Súmula 283 STF, Súmula 627 STJ
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Parties
ESTADO DO PARANÁ
Recorrente
AUTOR
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial (decisão Monocrática)
Legal Issues
- 1 se a fixação de honorários deve ser adiada na hipótese de sentença ilíquida (art.85 e §4º, II, CPC/2015)
- 2 se os embargos de declaração opostos tinham caráter protelatório e justificavam a multa do art.1.026, §2º, CPC/2015
- 3 aplicação temporária do CPC/2015 e interpretação dos enunciados administrativos sobre honorários recursais
Ratio Decidendi
Aplicando o regime do CPC/2015 e a jurisprudência desta Corte, considerou-se que os embargos de declaração opostos não tinham caráter protelatório, sendo indevida a multa prevista no art.1.026, §2º do CPC/2015 (conforme Súmula 98/STJ); assim, conheceu-se em parte e deu-se parcial provimento ao Recurso Especial para afastar a multa, mantendo as demais decisões sobre honorários e reconhecendo que a fixação ou majoração de honorários recursais obedece às regras do art.85 e aos enunciados administrativos pertinentes.
Court Disposition
Conheço em parte e dou parcial provimento ao Recurso Especial para reformar o acórdão recorrido e afastar a multa aplicada com base no art.1.026, §2º do CPC/2015.
Orders
- Afastar a multa aplicada com base no art.1.026, §2º do CPC/2015
- Publicar-se e intimem-se
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto pelo ESTADO DO PARANÁ, contra acórdão prolatado, por unanimidade, pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, assim ementado (fl. 1.633e): DIREITOS PREVIDENCIÁRIO E TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO CÍVEL. SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL APOSENTADO - ACOMETIMENTO DE PARALISIA IRREVERSÍVEL E INCAPACITANTE - ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA - CONCESSÃO (ART. 6º, XIV, LEI FEDERAL N. 7.713/88 E SÚMULA N. 627, STJ) - BENEFÍCIO DEVIDAMENTE RECONHECIDO DESDE A DATA DA PERÍCIA JUDICIAL REALIZADA EM OUTRO FEITO, TRAMITADO NA JUSTIÇA FEDERAL - POSSIBILIDADE, AINDA, DE RESTITUIÇÃO DE EVENTUAIS VALORES RETIDOS NA FONTE. DECISÃO MANTIDA, COM MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. RECURSO (1) DO AUTOR CONHECIDO E NÃO PROVIDO. RECURSO (2) DO ENTE FEDERADO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados, com aplicação de multa (fls. 1.672/1.678e). Com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República, a Recorrente aponta ofensa a dispositivos legais, alegando, em síntese: - Arts. 85, §§ 2º, 3º e 4º do CPC/2015- "tratando-se de sentença ilíquida, o arbitramento dos honorários deveria ser postergado para a fase de liquidação, a teor do que disciplina o disposto no artigo 85, §4.º, inciso II, do Código de Processo Civil" (fl. 1.691e). Art. 1.026, § 2º, do CPC/2015- "Não houve qualquer caráter protelatório nos embargos de declaração opostos, porquanto o Estado do Paraná visava tão-somente que o Tribunal de Justiça se manifestasse acerca da imperiosa aplicação do artigo 85, §4.º, inciso II, do Código de Processo Civil ao caso em comento, dado que havia pleito condenatório e o montante devido não era líquido" (fl. 1.688e). Com contrarrazões, o recurso foi admitido. Feito breve relato, decido. Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Nos termos do art. 932, III, IV e V, do Código de Processo Civil de 2015, combinados com os arts. 34, XVIII, b e c, e 255, I e II, do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, respectivamente, a: i) não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; ii) negar provimento a recurso ou pedido contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ; e iii) dar provimento a recurso se o acórdão recorrido for contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ: "O Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema". No que se refere à condenação em honorários advocatícios, o tribunal de origem assentou (fl. 1.674e): In casu, inexistindo expressa insurgência dos Apelantes quanto aos honorários advocatícios aplicados na sentença recorrida (no montante de 10% sobre o valor atualizado da causa - mov. 337.1 dos autos de origem), se revelava, quando do exame dos apelos, a modificação de ofício desse inadmissível parâmetro, mesmo que se tratasse de julgado ilíquido. Cabia ao Tribunal ad quem, a propósito, tal alteração apenas se houvesse a inversão ou redistribuição do ônus sucumbencial - situação inocorrente na espécie. Por isso, imperioso era, como devidamente procedido, apenas o exame acerca da possibilidade ou não de majoração dessa verba, de acordo com o art. 85, § 11, da legislação processual civil. Nas razões do Recurso Especial, tal fundamentação não foi refutada, repercutindo na inadmissibilidade do recurso, visto que esta Corte tem firme posicionamento segundo o qual a falta de combate a fundamento suficiente para manter o acórdão recorrido justifica a aplicação, por analogia, da Súmula n. 283 do Colendo Supremo Tribunal Federal: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Nessa linha, destaco os seguintes julgados de ambas as Turmas que compõem a 1ª Seção desta Corte: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OCUPAÇÃO DE TERRA PÚBLICA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DEMOLIÇÃO DE CONSTRUÇÃO. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. INTERPRETAÇÃO DE LEI LOCAL. SÚMULA N. 280 DO STF. ACÓRDÃO A QUO QUE CONCLUI, COM BASE NOS FATOS E PROVAS DOS AUTOS, PELA IRREGULARIDADE DA EDIFICAÇÃO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. FUNDAMENTO AUTÔNOMO INATACADO. SÚMULA N. 283 DO STF. ALEGADA VIOLAÇÃO À LEI FEDERAL. DISPOSITIVOS NÃO INDICADOS. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA N. 284 DO STF. (..) 4. A argumentação do recurso especial não atacou o fundamento autônomo e suficiente empregado pelo acórdão recorrido para decidir que o Código de Edificações do Distrito Federal autoriza à Administração Pública, no exercício regular do poder de polícia, determinar a demolição de obra irregular, inserida em área pública e de preservação permanente. Incide, no ponto, a Súmula 283/STF. 5. Revelam-se deficientes as razões do recurso especial quando o recorrente limita-se a tecer alegações genéricas, sem, contudo, apontar especificamente qual dispositivo de lei federal foi contrariado pelo Tribunal a quo, fazendo incidir a Súmula 284 do STF. 6. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 438526/DF, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/08/2014, DJe 08/08/2014); ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. FASE DE EXECUÇÃO DE SENTENÇA CONDENATÓRIA POR ATO DE IMPROBIDADE. BENS IMÓVEIS PENHORADOS, LEVADOS A HASTA PÚBLICA E ARREMATADOS. SUPERVENIÊNCIA DE DECISÃO EM AÇÃO RESCISÓRIA, RESCINDINDO O ACÓRDÃO CONDENATÓRIO. PRETENSÃO DE ANULAÇÃO DAS ARREMATAÇÕES. NECESSIDADE DE AÇÃO PRÓPRIA. IMÓVEIS QUE TERIAM SIDO ARREMATADOS POR PREÇO VIL. INDENIZAÇÃO QUE DEVE SER BUSCADA EM AÇÃO PRÓPRIA. ACÓRDÃO RECORRIDO CUJOS FUNDAMENTOS NÃO SÃO IMPUGNADOS PELAS TESES DO RECORRENTE. SÚMULA N. 283 DO STF. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. (..) 4. Com relação aos demais pontos arguidos pelo recorrente, forçoso reconhecer que o recurso especial não merece conhecimento, porquanto, além da ausência de prequestionamento das teses que suscita (violação dos artigos 687, 698 do CPC e 166, inciso IV, e 1.228 do Código Civil) (Súmula n. 211 do STJ), tem-se que as razões recursais não impugnam, especificamente, os fundamentos do acórdão recorrido, o que atrai o entendimento da Súmula n. 283 do STF. 5. Não sendo possível o retorno ao status quo ante, deve o prejudicado pedir indenização por meio de ação própria, caso entenda que aquela arbitrada pelo juízo da execução é insuficiente para recompor sua indevida perda patrimonial. Recurso especial não conhecido. (REsp 1407870/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/08/2014, DJe 19/08/2014). Entretanto, não possuindo caráter protelatório, a oposição de embargos de declaração , não enseja a aplicação da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do Código de Processo Civil de 2015, a teor do disposto na Súmula 98 desta Corte Superior. Nesse sentido: RECURSO FUNDADO NO NOVO CPC/2015. TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE QUAISQUER DOS VÍCIOS DO ART. 1.022 DO NOVO CPC/2015. 1. O Plenário do STJ, na sessão de 09.03.2016, definiu que o regime recursal será determinado pela data da publicação da decisão impugnada (Enunciado Administrativo n. 2/STJ). Logo, no caso, aplica-se o Novo CPC/2015. 2. De acordo com a norma prevista no artigo 1.022 do Novo CPC/2015, são cabíveis embargos de declaração nas hipóteses de obscuridade, contradição, omissão da decisão recorrida ou erro material. 3. No caso, não se verifica a existência de quaisquer das deficiências em questão, pois o acórdão embargado enfrentou e decidiu, de maneira integral e com fundamentação suficiente, toda a controvérsia posta no recurso. 4. Considerando que os embargos declaratórios vertentes são os primeiros opostos pela ora embargante, não há se falar em intuito manifestamente protelatório a ensejar a multa prevista no § 2º do art. 1.026 do Novo CPC/2015. 5. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl nos EDcl no AgRg no AgRg no REsp 1.087.921/DF, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/08/2016, DJe 12/08/2016). PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015 NÃO CONFIGURADA. REAJUSTE DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO.EMENDAS CONSTITUCIONAIS 20/1998 E 41/2003. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE DECIDE COM FUNDAMENTO EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. EMBARGOSPROTELATÓRIOS. VIOLAÇÃO AO ART. 1.026, § 2º, DO CPC/2015.MULTA AFASTADA. 1. Inicialmente, quanto à alegação de violação ao artigo 1.022 do CPC/2015, cumpre asseverar que o acórdão recorrido manifestou-se de maneira clara e fundamentada a respeito das questões relevantes para a solução da controvérsia. A tutela jurisdicional foi prestada de forma eficaz, não havendo razão para a anulação do acórdão proferido em Embargos de Declaração apenas pelo fato de a Corte ter decidido de forma contrária à pretensão do recorrente. 2. Quanto à questão de fundo, isto é, a revisão do benefício previdenciário observando os valores dos tetos estabelecidos nas Emendas Constitucionais 20/1998 e 41/2003, o recurso não merece que dela se conheça. Com efeito, verifica-se que o acórdão recorrido negou provimento à apelação com fundamento em precedentes do Supremo Tribunal Federal. Dessa forma, dada a natureza estritamente constitucional do decidido pelo Tribunal de origem, refoge à competência desta Corte Superior de Justiça a análise da questão, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 3. A irresignação merece acolhida em relação à alegada ofensa ao art. 1.026, § 2º, do CPC/2015 nos termos da Súmula 98 do STJ, in verbis: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". No caso dos autos, os Embargos de Declaração ofertados na origem tiverem tal propósito, de maneira que deve ser excluída a multa fixada com base no supracitado dispositivo legal. 4. Recurso Especial parcialmente provido. (REsp 1.669.867/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/06/2017, DJe 30/06/2017). Por fim, no que tange aos honorários advocatícios, da conjugação dos enunciados administrativos ns. 3 e 7, editados em 09.03.2016 pelo Plenário desta Corte, depreende-se que as novas regras relativas ao tema, previstas no art. 85 do Código de Processo Civil de 2015, serão aplicadas apenas aos recursos sujeitos à novel legislação, tanto nas hipóteses em que o novo julgamento da lide gerar a necessidade de fixação ou modificação dos ônus da sucumbência anteriormente distribuídos, quanto em relação aos honorários recursais (§ 11). Ademais, vislumbrando o nítido propósito de desestimular a interposição de recurso infundado pela parte vencida, entendo que a fixação de honorários recursais, em favor do patrono da parte recorrida, está adstrita às hipóteses de não conhecimento ou improvimento do recurso. Posto isso, com fundamento no art. 932, III, V, do Código de Processo Civil e art. 34, XVIII, a e b, do Regimento Interno desta Corte, CONHEÇO EM PARTE E DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Especial, para, reformando o acórdão recorrido,afastar a multa aplicada com base no art. 1.026, §, 2º do CPC/2015. Publique-se e intimem-se.