REsp 2163388 - DECISAO
O Recurso Especial não foi conhecido porque a parte fez alegações genéricas quanto a dispositivos do CPC, implicando óbice da Súmula 284/STF, e porque as alegadas violações a dispositivos federais (art. 111, II, do CTN e art. 1º, §4º do DL 1.804/1980) não foram apreciadas pelo Tribunal a quo, faltando o...
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- Parties
- Impetrado: Inspetor Chefe da Receita Federal em Curitiba/PR
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial (art. 105, Iii, "a", Cf/1988) Interposto Contra Acórdão Em Mandado De Segurança / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial Pelo STJ
- Outcome
- Não conheço do Recurso Especial
- Legal Topics
- Isenção Do Imposto De Importação, Remessa Postal Internacional, Decreto Lei 1.804/1980, Prequestionamento, Súmulas 211/stj E 284/stf, Atos Normativos E Limites Legais
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Parties
Inspetor Chefe da Receita Federal em Curitiba/PR
Impetrado
Procedural Posture
Recurso Especial (art. 105, Iii, "a", Cf/1988) Interposto Contra Acórdão Em Mandado De Segurança / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial Pelo STJ
Legal Issues
- 1 Se Portaria MF nº 156/1999 e IN/SRF nº 96/1999 extrapolam o Decreto-Lei 1.804/1980 ao reduzir o limite de isenção de remessas postais e exigir que o remetente seja pessoa física
- 2 Exigência de prequestionamento para conhecimento do Recurso Especial (Súmula 211/STJ)
- 3 Deficiência de fundamentação em alegação genérica de violação de dispositivos do CPC (Súmula 284/STF)
Ratio Decidendi
O Recurso Especial não foi conhecido porque a parte fez alegações genéricas quanto a dispositivos do CPC, implicando óbice da Súmula 284/STF, e porque as alegadas violações a dispositivos federais (art. 111, II, do CTN e art. 1º, §4º do DL 1.804/1980) não foram apreciadas pelo Tribunal a quo, faltando o prequestionamento exigido pela Súmula 211/STJ; subsidiariamente, o Tribunal de origem entendeu que atos administrativos (Portaria MF 156/1999 e IN/SRF 96/1999) extrapolaram os limites do Decreto-Lei 1.804/1980.
Court Disposition
Não conheço do Recurso Especial
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Recurso Especial (art. 105, III, "a", da Constituição Federal de 1988) contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região assim ementado (fl. 160): .MANDADO DE SEGURANÇA. REMESSA POSTAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ISENÇÃO. 1. O Decreto-Lei nº 1.804/80, art. 2º, II, dispõe que as remessas de até cem dólares, quando destinadas a pessoas físicas, são isentas do Imposto de Importação. 2. A Portaria MF nº 156/1999 e a IN/SRF nº 96/1999, ao diminuírem o valor de isenção de mercadorias remetidas via postal do exterior de US$ 100,00 para US$ 50,00 e exigirem que também o remetente seja pessoa física, ultrapassaram os limites traçados pelo Decreto-Lei nº 1.804/1980. 3. Não pode a autoridade administrativa, por intermédio de ato administrativo, ainda que normativo (portaria), extrapolar os limites claramente estabelecidos em lei, pois está vinculada ao princípio da legalidade. Os Embargos de Declaração foram rejeitados (fls. 184-186). A parte recorrente alega violação aos arts. 489 e 1.022, II, do CPC, ao art. 1º, § 4º, da Lei 1.804/1980 e ao art. 111, II, do CTN. Afirma que (fl. ). Sem contrarrazões. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 13.8.2024. A irresignação não merece prosperar. Trata-se, na origem, de Mandado de Segurança contra ato praticado do Inspetor Chefe da Receita Federal em Curitiba/PR, requerendo a "isenção do Imposto de Importação no Regime de Tributação Simplificada, incidente sobre bens que integrem remessa postal internacional no valor de até US$ 100,00 (cem dólares norte-americanos), seja o remetente pessoa física ou jurídica." Conforme consta dos autos, "a impetrante comprovou ter recebido, via postal, mercadoria que, somada ao valor do frete e seguro, alcançou o montante de US$ 50,65 (EVENTO 1, ANEXO3), enquadrando-se, portanto, nos parâmetros de isenção fixados pelo Decreto-lei 1.804/80 em seu art. 2º, inciso II." Apesar de a encomenda NX955119035BR ter custado valor abaixo do permitido pela legislação, ela "sofreu tributação de R$ 229,38, conforme Demonstrativo de Impostos e Serviços - DIS". Quanto à violação dos dispositivos legais, a parte sustenta que os arts. 489 e 1.022, II, do CPC foram violados, mas deixa de apontar, de forma clara, o vício em que teria incorrido o aresto impugnado. Assim, é inviável o conhecimento do Apelo nesse ponto, ante o óbice da Súmula 284/STF. Cito precedentes: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AÇÃO CONDENATÓRIA - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA DEMANDADA. 1. A alegação de afronta ao art. 535 do CPC/73, vigente à época, de forma genérica, sem a efetiva demonstração de omissão do Tribunal a quo no exame de teses imprescindíveis para o julgamento da lide, impede o conhecimento do recurso especial ante a deficiência na fundamentação. Incidência da Súmula 284/STF. 2. Acórdão recorrido em consonância com o entendimento desta Corte acerca da legitimidade passiva da demandada, a atrair a aplicação do disposto na Súmula 83/STJ. 2.1. Revisar as conclusões do órgão julgador acerca da legitimidade passiva, tal como pretende a recorrente, demandaria o revolvimento de fatos e provas, providência obstada pela Súmula 7 do STJ. Precedentes. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1.762.391/MG, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, DJe 28/5/2021). PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM ARESP. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. DEFICIÊNCIA DE ARGUMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. RECURSO ESPECIAL QUANTO A QUESTÃO QUE, A DESPEITO DA OPOSIÇÃO DE ACLARATÓRIOS, NÃO FOI APRECIADA PELO TRIBUNAL A QUO. SÚMULA 211/STJ. AGRAVO INTERNO DO ENTE FEDERATIVO DESPROVIDO. 1. Esta Corte Superior tem a diretriz de que é deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 se faz de forma genérica, sem especificar quais foram os incisos violados. Aplica-se, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF (AgInt no AREsp 1.530.183/RS, Rel. Min. MARCO AURÉLIO BELLIZZE, DJe de 19.12.2019; AgInt no AREsp 1.559.920/SE, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJe 22.10.2020). 2. Na espécie, incide ao caso o óbice da Súmula 284/STF, uma vez que a parte recorrente aponta violação do art. 1.022 do CPC/2015, sem especificar, todavia, quais incisos teriam sido contrariados, a despeito da indicação de omissão, contradição, obscuridade ou erro material. 3. Em referência à suposta violação ao art. 489, § 1o., IV, do CPC, sabe-se que é inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo (AgRg nos EREsp. 1.138.634/RS, Rel. Min. ALDIR PASSARINHO JÚNIOR, DJe 19.10.2010). Note-se, também: AgRg no AREsp 1.647.409/SC, Rel. Min. ROGÉRIO SCHIETTI CRUZ, DJe de 01.07.2020; AgInt no AREsp 1.264.021/SP, Rel. Min. RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, DJe de 01.03.2019; REsp 1.771.637/PR, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe de 04.02.2019. 4. Na presente demanda - e à luz dos julgados ilustrativos - , incide o óbice da Súmula 211/STJ, uma vez que a questão suscitada no Recurso Especial não foi examinada pela Corte de origem, a despeito da oposição de embargos de declaração. Ressente-se o apelo especial do requisito do prequestionamento. 5. Agravo Interno do Ente Federativo desprovido. (AgInt no AREsp 1.766.826/RS, Rel. Ministro MANOEL ERHARDT (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF-5ª REGIÃO), PRIMEIRA TURMA, DJe 30/4/2021). A indicada afronta ao art. 111, II, do CTN e ao art. 1º, § 4º, do Decreto-lei 1.804/1980 não pode ser analisada, pois a Corte a quo não emitiu juízo de valor sobre esse dispositivo legal. É inadmissível o conhecimento do Recurso Especial quando os artigos tidos por violados não foram apreciados pela instância de origem, a despeito da oposição de Embargos de Declaração e ainda que se trate de matéria de ordem pública, como a prescrição, haja vista a ausência de prequestionamento. Incide, na espécie, a Súmula 211/STJ. Nessa linha: AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. PLANO APROVADO. ADQUIRENTE DE UNIDADE IMOBILIÁRIA. ATÉ O MOMENTO, FORMALMENTE, NÃO CONSTA COMO CREDOR DAS RECUPERANDAS. INCLUSÃO QUE DEVE SER OBJETO DE IMPUGNAÇÃO DE CRÉDITO. NECESSIDADE DE ASSINATURA DO INSTRUMENTO DE DISTRATO. DISCUSSÃO EM SEDE PRÓPRIA. EMPREENDIMENTO SUJEITO A PATRIMÔNIO DE AFETAÇÃO. PLANO CONTÉM PREVISÃO DE CREDORES FUTURAMENTE OPTAREM SOBRE O MODO DE PAGAMENTO DE SEUS CRÉDITOS. INEXISTÊNCIA DE IRREGULARIDADE. LEGALIDADE DOS ÍNDICES DE JUROS PREVISTOS (TR E IPCA). PRAZO DE SUPERVISÃO JUDICIAL PRORROGADO ATÉ QUE FINDA A CARÊNCIA. DECISÃO MANTIDA. PRETENSÃO RECURSAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS TIDOS COMO VIOLADOS. SÚMULA 211 DO STJ. INCIDÊNCIA. REVOLVIMENTO DO CONJUNTO FÁTICO E PROBATÓRIO. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Para que se configure o prequestionamento da matéria, ainda que implícito, há que se extrair do acórdão recorrido pronunciamento sobre as teses jurídicas em torno dos dispositivos legais tidos como violados, a fim de que se possa, na instância especial, abrir discussão sobre determinada questão de direito, definindo-se, por conseguinte, a correta interpretação da legislação federal (Súm.211/STJ). 2. O exame da pretensão recursal exigiria a alteração das premissas fático-probatórias estabelecidas pelo v. acórdão e a reinterpretação de cláusulas contratuais, o que é vedado em sede de recurso especial, nos termos dos enunciados das Súmulas 5 e 7 do STJ. 3. Agravo interno não provido. (AgInt nos EDcl no AREsp 1.641.123/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, DJe 30/4/2021). ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ÁGUA. CONDOMÍNIO. ILEGALIDADE DA COBRANÇA DA TARIFA MÍNIMA, MULTIPLICADA PELO NÚMERO DE ECONOMIAS. APONTADA OFENSA AO ART. 535 DO CPC/73. INEXISTÊNCIA. INCONFORMISMO. ALEGADA INFRINGÊNCIA AOS ARTS. 6º, IV E VI, 39, I, V E X E 51, IV E X, DO CDC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211 DO STJ. ÚNICO HIDRÔMETRO. TARIFA PROGRESSIVA. CONSUMO TOTAL MEDIDO. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. (..) IV. Não tendo o acórdão hostilizado expendido juízo de valor sobre os arts. 6º, IV e VI, 39, I, V e X e 51, IV e X, do CDC, a pretensão recursal esbarra em vício formal intransponível, qual seja, o da ausência de prequestionamento - requisito viabilizador da abertura desta instância especial -, atraindo o óbice da Súmula 211/STJ. V. Segundo o entendimento do STJ, "em casos de condomínios, em que existe apenas um hidrômetro a auferir o consumo global de água, deve ser aplicada a tabela progressiva, proporcionalmente ao consumo total medido, a fim de que, quanto maior o consumo, maior a tarifa a ser suportada pelo condomínio, de acordo com o escalonamento preestabelecido" (STJ, AgRg no REsp 997.405/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 09/11/2009). No mesmo sentido: STJ, AgInt no REsp 1.745.659/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 16/09/2019; AgInt no AgInt no REsp 1.841.266/RJ, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 11/03/2021; EDcl no REsp 625.221/RJ, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, DJ 25/05/2006. No caso, o acórdão recorrido encontra-se em conformidade com o aludido entendimento. VI. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 859.442/RJ, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, DJe 28/4/2021). Em obiter dictum, ressalto que o Tribunal de origem, soberano na análise do contexto fático-probatório produzido nos autos, interpretou literalmente o disposto no art. 2º, § 2º, do Decreto-lei 1.804/1980. In verbis: O Decreto-Lei 1.804/80, recepcionado pela Constituição Federal com status de Lei ordinária, prevê como condição para a isenção que os bens sejam destinados à pessoa física, bem como que o valor da encomenda seja inferior a US$ 100,00 (cem dólares), excluído desse valor eventual frete ou custo de remessa, porquanto o dispositivo nada dispõe a esse respeito. (..) Percebe-se, portanto, que as normas administrativo-normativas supratranscritas ultrapassaram os limites impostos pelo Decreto-Lei nº 1.804/80. Vale dizer, além de exigirem que "destinatário e remetente sejam pessoas físicas", diminuíram o limite da isenção para "US$50,00 (cinquenta dólares)", extrapolando, pois, os parâmetros estabelecidos em norma com força de lei. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA